Fan Fic - Floreios e Borres
Harry Potter e a Reconquista da Magia Antiga *** 7937
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de
Amanda Carvalho Izidoro
RESUMO: Em seu 17 aniversrio Harry espera ganhar como presente a chance de nunca mais olhar para a cara dos
Dursley. No entanto, o que ele ganha promete mudar sua vida muito mais. Ele descobre um antiqssimo segredo de
famlia. E recebe uma herana maior do que qualquer bruxo pode imaginar. Uma herana que o faz voltar a Hogwarts e
buscar mais informaes que o deixaro mais prximo de seu destino: enfrentar Voldemort. Ele continua a caa das
horcruxes e conta com a ajuda de Rony, Hermione e Gina.*br /*
Enquanto isso, bruxos de todas as partes do mundo vm para a Inglaterra oferecer seu apoio as foras de resistncia e
as foras das trevas.*br /*
Nessa batalha Harry conta com uma ajuda inimaginvel! Alm de enfrentar uma batalha exaustiva, ele vai ter que tomar
uma difcil deciso, capaz de mudar para sempre a histria dos bruxos e dos trouxas!*br /*
- 1 -
A volta pra casa
Deixar Hogwarts nunca parecera to fcil para Harry quanto aquele dia. Logo aps o funeral ele, Rony e Hermione se
dirigiram  torre da Grifinria e pegaram seus males. Instintivamente, cada um tentou memorizar um pedao daquele
lugar que se transformou na casa deles durante seis longos e difceis anos.
Os trs se encontraram no salo comunal e, como sempre acontece com grandes amigos, entenderam o que cada um
estava sentindo. H poucas horas eles haviam decidido no retornar  escola no ano seguinte. Iam terminar a busca pelos
horcruxes e tentar, sem saber exatamente como, destruir Lord Voldemort. Mas agora era real, eles estavam ali,
despedindo-se at mesmo das paredes que presenciaram divertidas partidas de xadrez bruxo, de snaps explosivos, as
conversas escondidas, os romances e as intrigas.
Como um filme, as cenas de todos aqueles anos reavivaram na cabea de Harry e ele sentiu uma verdadeira avalanche
de sentimentos. Tudo o que ele havia reservado para si todos aqueles anos, a culpa pelas mortes de Cedrico e Sirius, a
impotncia forada diante do ataque a Dumbledore e a necessria separao de Gina pareciam querer sair de seu peito.
Ento ele se sentou no cho, no meio do salo comunal, sem se importar com os outros alunos que passavam pra pegar
seus pertences, e deixou o pranto correr.
Aqueles minutos ali, sentado, olhando para o nada, estavam lavando sua alma. Finalmente, depois de uns 10 minutos,
ele levantou, pegou seu malo, e junto com Rony e Mione, dirigiu-se para a porta da escola.
Nenhum deles comentou a crise de choro. Esse era mais um daqueles momentos que as palavras so desnecessrias.
Na entrada, uma estranha movimentao chamou a ateno deles. Hagrid parecia um tanto estressado e a prof. Minerva
tentava organizar os alunos.
- Por aqui, por favor, cada aluno deve ficar dentro da delimitao de sua casa. - falava a professora com uma voz bem
mais alta que a normal.
S ento eles perceberam que haviam correntes das cores de cada casa, como numa fila de banco dos trouxas.
- Hei Hagrid - chamou Rony - o que est havendo por aqui?
- Ah, isso? Ordens do Ministrio, rapazes. O Expresso de Hogwarts foi interditado e os alunos sero mandados para
suas casas atravs de chaves de portal. Um absurdo, se querem saber. O que eles querem de verdade  fazer com que a
escola parea desorganizada sem o Prof. Dumbledore. E eles avisaram h apenas meia hora. - respondeu o guarda-caa
e saiu para ralhar com um aluno da Corvinal que insistia em ficar na fila da Lufa-lufa.
- Eu sabia que Scrimgeour no ia deixar barato a minha recusa. - disse Harry.
-  bem o tipo dele - ajuntou Rony - e do Percy tambm. Aposto que se tiver eleio para escolher um novo diretor
para Hogwarts ele se candidata.
A conversa ia continuar, mas chegou a vez dos Weasley se reunirem e irem juntos, na mesma chave de portal.
Hermione foi em seguida com mais duas alunas que moravam prximas a ela.
Quando chegou a vez de Harry, ele percebeu que iria sozinho. Antes de segurar a chave, perguntou a Hagrid onde ele
iria parar. Mas Hagrid apenas piscou e disse:
- Isso  um segredo muito bem guardado, Harry!
O garoto no teve tempo pra mais nada, porque o gigante o empurrou e ele caiu com a me em cima de sua chave. Logo
sentiu aquela familiar sensao de ter seu umbigo puxado pra dentro de alguma coisa. Infelizmente, ele ainda no havia
se acostumado a viajar em chaves e quando menos esperava caiu de peito no cho duro do seu quarto, na Rua dos
Alfeneiros, provocando um enorme barulho.
Mal se levantou e a porta abriu com um chute de Tio Valter, que, para o espanto de Harry, segurava uma arma na mo.
Ao avistar o garoto, Valter pareceu ficar ainda mais irritado e suas bochechas tomaram aquele tom roxo-avermelhado
que Harry conhecia bem.
- Muito bem seu anormal, pode ir se explicando - gritou.
- No tenho muito o que explicar, s que dessa vez no tive como vir de trem. Ento me mandaram assim, por
M--G-I-C-A. - essa ltima palavra Harry disse pausadamente, s pelo prazer de irritar o tio. Afinal, o mundo mgico
estava de cabea pra baixo e aquele velho gordo e asqueroso ainda pedia explicaes.
Sua vontade era contar que Dumbledore havia morrido, que vrios lobisomens estavam  solta, que os dementadores
mudaram de lado e que todos, especialmente trouxas, corriam perigo.
Mas aquele no era o momento. No com o tio suando de dio feito um porco e com uma arma na mo.
Tentando manter a calma, Harry perguntou:

- Onde esto todos?
Valter respirou fundo e respondeu com mau-humor:
- Duda viajou com os amiguinhos para a praia. E Petnia foi visitar a Sr Figg. Parece que ela est meio adoentada.
A notcia da doena da Sr Figg deixou Harry intrigado. Procurando fingir um interesse comum, perguntou:
- Essa no  aquela senhora que me olhava quando vocs queriam se livrar de mim?
Valter fingiu no notar a ironia na voz do sobrinho e respondeu que sim. Depois disso pairou um silncio incmodo no
quarto. E Tio Valter finalmente se retirou resmungando alguma coisa sobre como odiava aquele menino e que estava na
hora do jornal.
Harry arrumou suas coisas com uma certa pressa. Seus planos, a princpio, eram descansar e fazer uma lista de possveis
horcruxes. Mas no sabia bem o motivo, a doena da Sr Figg fez com que seu sono passasse. Em sua mente veio a idia
de visit-la.
Mas sua tia estava l... Bem, pouco importa - pensou ele - ela vai ter um belo susto e a velha "bruxa" um bom motivo
para rir.
Sem fazer barulho, Harry desceu as escadas, pegou uma ma na fruteira e saiu pela porta dos fundos em direo a casa
da doente.

- 2 -
A revelao
Harry andou tranqilamente at a casa da vizinha. Reparou como a vida naquela rua era completamente tediosa. Dava a
impresso de que o tempo tinha parado. A cor das casas nunca mudava, as plantas eram sempre as mesmas e os carros
brilhantes e bem limpos estacionados nos mesmos lugares. O garoto imaginou se algum bruxo no tivesse lanado um
feitio de chatice naquelas pessoas.
Logo que chegou  casa da vizinha, Harry reparou que as luzes estavam apagadas. Estranho - pensou o garoto - sua tia
no costumava mentir. Se no havia ningum em casa, onde estaria Tia Petnia? Ela teria avisado em casa. Ou ser que
a Sr Figg piorou e precisou ser levada a um hospital? Mesmo assim tia Petnia chamaria tio Valter para lev-las de
carro.
Sem perceber o que estava fazendo, Harry atravessou o pequeno porto de madeira branca da entrada e se dirigiu aos
fundos da casa. Viu ento que uma das luzes da cozinha estava acesa.
Aproximou-se de uma janela pequena a um canto da parede e a cena o deixou estarrecido. A Sr Figg estava realmente
muito mal, com o rosto cheio de feridas abertas e o peito enfaixado por uma srie de ataduras de cores engraadas. Mas
Harry j vira ferimentos mais graves que aqueles. O que o surpreendeu foi observar sua tia preparar uma poo com
bubotberas e aplicar nas feridas da doente. Depois de um tempo fazendo isso, ela se prontificou a trocar aquelas
ataduras coloridas.
- Tem certeza de que no prefere ir ao hospital, Arabella? - perguntou Petnia.
- Tenho, voc sabe muito bem que esses ferimentos no pem ser tratados com medicina trouxa!
- Tudo bem, mas pelo menos coloque umas gazes e ataduras mais normais - pediu Petnia com pacincia.
- Ah Pet - respondeu a outra com uma intimidade que Harry nunca vira - voc sabe que as cores me fazem bem. E eu
no consegui me adaptar ao mundo trouxa to bem quanto voc.
Harry ouvia cada palavra com o mximo de ateno. O que aquela senhora queria dizer com adaptar-se como sua tia?
Sem que ele esperasse ou pudesse desviar o olhar, Petnia j havia tirado as ataduras da Sr Figg e Harry teve a bizarra
experincia de ver uma bruxa abortada, idosa, semi-nua. Seria algo para rir com Rony se ele no tivesse reparado no
formato do ferimento. Aquilo era definitivamente um Sectumsempra.
O dio por Snape veio a tona e Harry quase arrombou a porta da cozinha para saber como aquilo tinha acontecido. Fez
um esforo enorme, mas se controlou. O que a vizinha falara sobre sua tia ainda o perturbava e ele queria saber at onde
aquela conversa ia dar.
Mas no conseguiu mais nenhuma informao importante. Logo sua tia comeou a se despedir e Harry saiu apressado,
em direo a sua casa. Chegou na porta da cozinha, espiou pra ver onde estava o tio (que continuava na frente da TV) e
entrou sem fazer rudo. Foi direto para o quarto e assim que fechou a porta escutou a tia entrando pela porta da frente.
Harry ouviu um comeo de conversa, mas como estava deitado, tentando acalmar os nervos e parecer sonolento, no
conseguiu distinguir o que falavam. Mas pelo som de passos adivinhou que falavam dele. Logo a tia entrou em seu
quarto (sem bater), seguida de perto pelo marido.
- Muito bem, explique-se. Por que no veio naquele trem horroroso em que vem todos os anos. E por que no veio no
dia combinado? - disse ela, quase como se imitasse a reao de Tio Valter.
Harry queria interrogar sua tia sobre tudo o que ouviu na casa da vizinha, mas aquele no era o momento. Sentiu que se
discutisse com ela colocaria tudo a perder. Ento, limitou-se a responder:
- Bem, o trem estragou pouco antes da viagem. Ento, o nico meio de nos mandarem pra casa foi atravs de uma
magia especfica. E vocs no precisam se preocupar, nenhum vizinho me viu chegando.
- timo, menos mal. Mas voc ainda no respondeu por que veio antes do dia previsto? - voltou a perguntar a tia sem
disfarar o mal estar que a presena do menino lhe causava.
Harry no queria contar sobre Dumbledore. No quela hora. Procurou na mente alguma coisa que pudesse usar como
desculpa. Ento a imagem da Senhora Weasley arrancando fadas mordentes das cortinas veio a mente de Harry e ele
falou, quase aliviado:
- Dedetizao. , a escola foi infestada de pragas como fadas mordentes e explosivins e no tinha como as aulas
continuarem. A nos mandaram pra casa.
Harry teve a impresso de ler a palavra mentiroso nos olhos de sua tia. Mas essa sensao sumiu quando ela deu de
ombros e disse, seca:
- Ento faa de conta que ainda no chegou. No somos obrigados a aturar sua presena insuportvel por causa de

problemas na sua escola de aberraes.
Ela virou as costas e saiu, acompanhada por Tio Valter que olhava com ares de triunfo para Harry.
O pedido de sua tia no o ofendeu. Ele o atenderia inteiramente. No conversaria com ningum, nem comeria junto com
eles. Faria de tudo para no perceberem que ele estava ali. E muito menos que estava interessado na doena da Sr Figg e
nas conversas que ela tinha com sua tia.
Durante duas noites Petnia nem mencionou o nome da coitada da Sr Figg. Harry sabia o quanto aquele machucado
deveria doer. E sabia que s a Madame Pomfrey, ou os medibruxos do Hospital St. Mungus dariam um jeito rpido
naquilo.
No 4 dia aps sua volta, Harry viu o tio saindo pra comprar alguma coisa a pedido da esposa. Assim que ele virou a
esquina, Petnia entrou em casa e correu ao telefone. A conversa foi rpida, ela apenas pediu desculpas e disse que esta
noite voltaria para ajud-la.
Ento era isso. Tia Petnia que nunca foi o tipo de vizinha prestativa, no podia demonstrar grande solidariedade. Mas
Harry estava decidido. Seguiria a tia. A qualquer custo. Ele ainda no era maior, faltavam muitos dias para seu
aniversrio. Mas a capa da invisibilidade era um artefato mgico e no uma magia praticada por ele.
O dia transcorreu normalmente. s 5 da tarde, Harry fez um lanche rpido (mal conseguia engolir, tamanha era sua
ansiedade), pegou a capa, escondeu dentro da camisa e saiu de casa, sem falar com ningum.
Foi para a garagem e l vestiu a capa. Quando se certificou de que tudo estava perfeito, saiu da garagem e foi
lentamente at a casa da vizinha. Sentou ao lado da porta e ficou esperando.
Pouco depois sua tia apareceu e tocou a campainha. A sr Figg logo atendeu e mandou que entrasse. Sorrateiramente,
Harry entrou junto, da mesma maneira que sempre fazia em Hogwarts.
Petnia pareceu bem  vontade na casa esquisita daquela velha. Logo acomodou suas coisas, colocou o bolo que levava
na cozinha e se largou no sof, como uma adolescente.
Harry estranhou os hbitos da tia, mas decidiu no interferir para obter o mximo de informaes possveis. Logo
escreveria para Hermione, pelo correio trouxa e ela avisaria Rony.
- Ento vejo que nossa pomada est funcionando - disse Petnia - algumas feridas j cicatrizaram.
- , ainda bem que guardei os livros dos meus pais. So meio antiquados, mas esto quebrando o galho - respondeu a
outra.
- S que seu estoque de bubotberas est quase no fim.  bom escrever para sua amiga e pedir mais. Voc sabe que
seus ferimentos ainda vo levar pelo menos umas 3 semanas para melhorar.
A conversa das duas girou em torno dos livros e dos ingredientes para as poes que precisavam fazer para curar as
feridas. Petnia demonstrava muito conhecimento de substncias mgicas e Harry ficou espantado quando ela acendeu a
lareira e colocou um caldeiro com gua para ferver.
- Vou fazer um revigorante para voc. Parece meio plida hoje. - e saiu da sala voltando em seguida com vrias ervas e
outras substncias que Harry conhecia das aulas de herbologia e poes.
Ser que a vizinha ensinara essas coisas a sua tia para ter alguma ajuda? A resposta a essa pergunta viria logo em
seguida.
- Como vai o pequeno Harry, Pet?
- Ah, ele no est mais to pequeno assim - respondeu tia Petnia e Harry, pela primeira vez, sentiu alguma ternura em
sua voz ao se referir a ele. - Agora est quase homem, sabe? Mais umas 3 semanas e vai embora de nossa casa.
- Ento ele vai fazer 17, j? Como o tempo passa... Sinto saudade da poca em que vocs o deixavam aqui, comigo.
As duas ficaram em silncio por um bom tempo, observando o caldeiro ferver. At que a Sr Figg, em voz baixa,
perguntou:
- Pet, voc ainda tem raiva dele?
Petnia no respondeu, fixou os olhos nas chamas da lareira e apenas movimentou a cabea, num gesto que poderia
significar tanto sim, quanto no.
-Mas j faz tanto tempo, minha querida. Veja o meu caso, eu tambm no pude ir pra l.
- S que com voc foi diferente. Voc no pode ir. Eu F-U-I. Fui e tive que sair. Por causa de uma brincadeira de
criana. Voc acredita que eu tive que sair por uma brincadeira de criana? - respondeu a tia de Harry com uma voz
cheia de angstia, raiva e desolao.
Harry ouvia cada palavra atento, precisava saber que lugar era aquele. Ele j desconfiava, mas era improvvel demais.
- Pet, ele s fez o que mandaram que ele fizesse. Voc sabe disso...
- Sei, mas no precisava ter gritado comigo, na frente de toda minha famlia, na hora de um almoo to importante! Eu
ia receber aquela jia, Bella. Eu ia ter a jia da famlia, ter os poderes da jia se ele no tivesse gritado comigo! Foi uma
vergonha - falava a tia agora entre soluos.
- At hoje eu no entendi o que aconteceu de verdade. Num dia voc estava bem, ia receber a jia, a festa estava pronta.
No outro estava chorando, seus pais recebendo cartas de muitos amigos e voc fazendo as malas para ir para um
internato.
- Voc quer realmente saber o que aconteceu?
O corao de Harry disparou. Ele tambm ia saber. Exatamente o que ele no fazia idia. Mas sentia que era algo muito
importante.
- Eu j estava no terceiro ano. Era a melhor aluna em tudo, exceto em vos, mas nas outras matrias ningum me
superava. Durante os intervalos eu estudava tanto que consegui efetuar um feitio digno de um NIEM. Minerva viu e
logo contou ao diretor.
Ento sua tia realmente esteve em Hogwarts, pensou Harry. Mas por que aquela averso ao mundo mgico? Por que o
chamava de aberrao?
- Dumbledore veio logo, junto com outros professores. Eu repeti o feitio e ele disse que aquilo era digno de uma
medalha de Inteligncia Privilegiada. Coisas de Dumbledore, voc sabe! Todos em casa estavam felizes com a notcia.
Assim que chegassem as frias, eu receberia a Jia de Andriax, que estava na famlia a geraes.
- S que as coisas no saram como planejado. Assim que eu cheguei com a minha medalha comearam os preparativos
para a festa. Minha me mandou fazer um belo vestido para mim, nossos elfos tinham limpado a prataria e preparado os
pratos que eu mais gostava. Mas no fim da tarde uma correspondncia chegou. Uma correspondncia destinada  Llian.
Ao ouvir o nome de sua me, Harry quase se denunciou. Ele chegou a dar um passo atrs e esbarrou na mesinha de
canto, fazendo um vaso balanar. Mas sua tia estava to absorta em suas lembranas, como se tivesse se livrando de um
peso enorme, que nem percebeu e continuou seu relato.
- Llian havia sido aceita em Hogwarts. Ela ficou eufrica e derrubou um frasco de tinta no meu vestido de festa. Eu
fiquei irritadssima, mas minha me limpou o vestido e ele voltou a ficar perfeito. Mas minha irritao no havia
sumido. Llian era muito estabanada. Eu temia que ela estragasse a minha festa. Quando meu pai soube que ela havia
sido aceita, decidiu que a festa seria para comemorar as duas coisas. Eu estava perdendo o brilho. No seria mais a
atrao principal.
- Ento uma idia passou pela minha cabea. Eu chamei a Llian com a desculpa de mostrar a ela uma coisa que ela
usaria em Hogwarts e a levei para o closed de nosso quarto. L eu me certifiquei que no teria ningum olhando, peguei
minha varinha e fiz minha irm ser suspensa no ar e ficar l amarrada e amordaada. Eu queria brilhar sozinha!
- S me esqueci da lei de restries do uso da magia por menores. Na hora do jantar, minha me estranhou a ausncia
de Llian, mas no se preocupou muito afinal ela sempre foi bem independente.
- Na hora que minha av me entregaria a Andriax, uma enorme coruja apareceu e me entregou um berrador. At hoje
eu escuto os gritos me chamando de egosta e vaidosa, que aquilo que eu fiz era muito perigoso e que eu seria
processada.
- Nunca imaginei que o que eu tinha feito era to grave. Ento sa correndo da mesa, meus pais atrs de mim, e quando
cheguei no meu quarto quase morri de susto. Llian estava flutuando fora do closed, quase roxa, por causa da mordaa.
- Ela ficou duas semanas no St. Mungus para se recuperar e eu fui processada pelo Ministrio da Magia. A sentena foi
me expulsarem de Hogwarts e quebrarem a minha varinha.
Petnia parou nesse momento. Uma nuvem de tristeza passou pelo seu olhar, ainda perdido nas chamas que ardiam na
lareira.
As duas ficaram em silncio. O corao de Harry batia descompassado. Sua tia quase matara a prpria irm, me de
Harry, e por isso tinha sido expulsa de Hogwarts. Ele no conseguia se mexer, e se conseguisse, no saberia o que fazer.
O silncio durou pelo menos 10 minutos. At que a Sr Figg falou:
- Minha querida, acho que quem est precisando de um revigorante  voc. Beba um pouco, ou seu marido vai perceber
que no est bem.
Automaticamente ela pegou o copo que a mulher lhe oferecia e bebeu. Numa frao de segundos seus olhos
desincharam, os cabelos que haviam ficado levemente desgrenhados estavam impecveis de novo.
- Pet,  bom voc ir pra casa. Outro dia continuamos nossa conversa. Agora voc precisa dormir e pensar em tudo o que
aconteceu. Voc no  mais adolescente.  uma mulher adulta e sabe que precisa consertar algumas coisas.
Harry no sabe bem como aconteceu, apenas viu a tia se despedindo da mulher e saindo na sala. Ele no foi rpido o
bastante e acabou preso naquela sala. A Sr Figg apagou as luzes, trancou portas e janelas e foi se deitar.
Quando pode respirar aliviado, Harry percebeu que estava trancado naquela casa. A Sr Figg levou as chaves para o
quarto e Harry achou arriscado demais ir atrs. Ele estava sem a varinha, e mesmo que estivesse, ainda no havia

completado os 17 anos. O rapaz agora pensava em contar com a sorte dos tios no o procurarem. Foi at a cozinha ver se
conseguiria sair pela porta dos fundos.
Realmente, a porta dos fundos era mais fcil de abrir e Harry logo alcanou a rua. Mas seus pensamentos giravam de tal
maneira que ele no teve vontade de voltar a casa daquela criatura que quase matou sua me.
Aproveitando que estava sob a capa da invisibilidade, Harry vagou durante umas duas horas e s ento voltou a Rua dos
Alfeneiros, n 4. Durante esse tempo ele havia decidido. Quando completasse 17 anos pegaria suas coisas, iria at o
Largo Grimmauld e de l escreveria para os amigos. Chamaria Rony e Hermione para viverem com ele enquanto
trabalhavam no enigma dos Horcruxes.
Harry entrou pela porta da cozinha e foi para seu quarto. No meio do caminho um barulho chamou sua ateno. Vinha
de baixo da escada, daquele mesmo cmodo que lhe serviu de quarto durante anos.
O rapaz desceu as escadas e colou o ouvido  porta. Algum chorava ali. E mais, o barulho no era s de choro, parecia
pena escrevendo sobre um pergaminho. Aquela poderia ser a hora da verdade.
Harry descobriu a capa, respirou fundo e, com um movimento rpido e decidido, abriu a porta. A cena era justamente a
que ele havia imaginado, sua tia estava escondida ali, chorando e escrevendo uma carta para algum.
Ela olhou aterrorizada para Harry imaginando que poderia ser seu marido. Quando identificou a imagem do garoto a sua
frente, saiu do armrio lvida, pronta para gritar com ele.
Antes que ela dissesse alguma coisa, Harry comentou:
- Eu j sei da sua histria.
O rosto de Petnia empalideceu e ela quase desmaiou. Encostou-se na parede e, tentando disfarar o medo, disse:
- No sei do que voc est falando seu anormal.
Harry no se deu por vencido. Olhou a tia dos ps a cabea e ameaou:
-  hora de parar com as mentiras. Sei que estudou em Hogwarts, sei que foi expulsa por quase matar a minha me.
Agora voc me deve muitas explicaes. Ou vai preferir que eu chame Tio Valter e mostre que sua perfeita e normal
mulher esta trancada embaixo de uma escada escrevendo uma carta com pena e pergaminho, exatamente como fazem os
bruxos?
Petnia ficou lvida. Estava decidida a contar a verdade ao sobrinho, mas no daquela maneira. Percebendo que no
tinha outra sada, perguntou:
- O que voc j sabe?
O rapaz lhe contou sobre o eu ouvira na casa da Sr Figg, mas ocultou a informao sobre a capa da invisibilidade.
- Bom - refletiu a tia - voc j sabe quase tudo, Harry.
- No, no sei. Voc esconde coisas demais. Onde est o resto da minha famlia? Que raio de Jia de Andriax  essa? E
como voc se tornou essa pessoa chata, normal e sem nenhuma aptido mgica? - perguntou irritado o garoto.
- Acho melhor irmos com calma. O resto da sua famlia, meus pais, morreram. Foram assassinados por bruxos das
trevas. Eles nem chegaram a conhecer voc. Eu sou o que sou hoje por uma deciso dos meus pais, eles me destituram
de toda habilidade mgica, atravs de um ritual de magia antiga que existia dentro da nossa famlia. E me mandaram
estudar em um colgio para moas, na Sua. L eu aprendi tudo o que sei sobre os trouxas. Era uma espcie de
reformatrio e eu era forada a limpar tudo, cuidar de mim mesma, das minhas roupas, da minha comida.
- Sabe, Harry, eu aprendi que podia me virar sem mgica, que eu no precisava de ningum que no gostasse de mim.
Assim, quando completei 18 anos e sa do internato, no voltei para casa. Vim para Londres e procurei um emprego.
Consegui em uma loja de departamentos e foi l que conheci Valter.
- Meus avs nunca procuraram por voc? - indagou o rapaz.
- Ah, procuraram sim, mas eu estava muito aborrecida com eles para retomar nosso relacionamento. Eu conheci Valter,
e o seu horror quanto s coisas mgicas era to grande que eu percebi que tnhamos algo em comum. Logo nos casamos.
Uns quatro meses aps nosso casamento recebi a notcia da morte de meus pais. Estranho como no fiquei entristecida.
No fui ao velrio nem ao funeral. Apenas retornei a casa de meus pais na ocasio da leitura do testamento.
- Eles haviam deixado uma boa fortuna em propriedades no mundo mgico, ouro em Gringotes e objetos antigos de
valor. Assim como Llian, eu tinha direito a uma parte de tudo, mas recusei-me a receber qualquer coisa. Ento,
aconteceu o que eu no havia planejado. Meus pais premeditaram que essa seria minha reao, e para que eu no
pudesse voltar atrs depois, deixaram instrues para que seus nomes fossem apagados do mundo bruxo e ningum,
alm da famlia e dos amigos mais ntimos lembrassem que eles eram bruxos, e da mais nobre famlia.
-  por isso que sempre chamaram minha me de... de "sangue ruim"!
- Exatamente - respondeu a tia com amargura - ns perdemos o sobrenome que carregamos por muito tempo. Eu j
havia deixado o meu de lado quando me casei com Valter.
- Que sobrenome  esse? Ser que eu conheo?
- No moleque, voc no conhece. Alis, nem vai conhecer, porque eu fui proibida de pronunciar o nome da famlia.
Agora j chega!
- Espere, voc ainda no me explicou o que  essa Andriax.
- Voc vai saber logo, garoto. No dia de seu aniversrio! Agora v dormir e me deixa terminar o que preciso fazer.
- Para quem  a carta?
- Para algum a quem devo desculpas...
- Bom, para falar com a minha me voc vai precisar de um mdium e no de um pergaminho e uma pena - zombou o
rapaz.
- No, seu idiota - falou Petnia exasperada - no devo desculpas a sua me. Ela j me perdoou. Se voc quer saber,
depois que saiu do hospital, sua me at riu do que eu fiz e disse que me entendia. Essa carta  pra... Dumbledore.
Harry ficou mudo, ouvir o nome de Dumbledore, ali, naquele momento de revelaes fez seu corao apertar ainda
mais. Virou as costas para subir pro seu quarto e falou, sem olhar para a tia:
- De qualquer maneira  bom chamar um mdium. Dumbledore foi assassinado h uma semana.
- 3 -
As novas armas
Depois da notcia do assassinato de Dumbledore, Petnia tentou conversar com o sobrinho. Sempre que no tinha
ningum em casa, ela procurava por Harry. Queria os detalhes, estava inconformada. Era muito difcil viver sem receber
as desculpas de algum que ela havia magoado.
Nas duas primeiras tentativas de aproximao, Harry tentou ser compreensivo. Mas vendo que a arrogncia e horror ao
mundo mgico, natural na famlia Dursley, havia tomado conta do esprito de sua tia, o rapaz perdeu a pacincia.
Sempre que ouvia os passos de Tia Petnia, Harry se escondia sob a capa da invisibilidade e a tia saia de l, frustrada.
Petnia visitava a Sr Figg com mais freqncia e os ferimentos da mesma estavam quase todos cicatrizados. Pela
primeira vez em toda sua vida, Harry no achou o vero to montono assim. Apesar de no ter tempo, nem vontade, de
escrever para os amigos, ele procurava memorizar cada coisa, para que quando os reencontrasse, poder contar tudo. Eles
teriam muito no que pensar!
Os dias voltaram ao seu marasmo habitual que s foi quebrado quando Harry informou que iria visitar a Sr Figg.
Petnia estranhou, mas depois lembrou-se que o menino ouvira a conversa das duas.
- No adianta especular nada com ela, rapaz. Ela sabe menos que voc. - respondeu a tia secamente.
- No estou interessado nas suas lembranas, Pet - zombou o rapaz - apenas quero ver se os ferimentos dela esto
melhor. Aquele corte no trax, eu sei o que fez aquilo!
Antes que a tia respondesse, Harry saiu e bateu a porta atrs de si. Dirigiu-se  casa da sr Figg e tocou a campainha. A
velha "bruxa" logo atendeu e pareceu bastante surpresa com a visita.
- Ora, se no  o menino Potter. Bem que sua tia disse que voc no era mais to menino assim... - comentou a velha
com a voz ainda fraca - Entre, meu garoto, vamos tomar um ch.
Harry entrou e aceitou a xcara que a mulher lhe oferecia. Era bem melhor do que todas as bebidas que ele havia
experimentado. Um lquido azul e pouco quente, soltava uma fumaa engraada, que ficava formando desenhos
enquanto eles bebiam. Harry riu quando viu a fumaa formar uma vassoura com um garoto pendurado nela em uma
perna s.
- Olhe Harry, o fato de eu no ter poderes no significa que eu no saiba usar um livro de receitas - riu-se a senhora.
- Sr Figg, eu queria saber... a Sr... faz tempo que est ferida?
- Bem, h algumas semanas. Aposto que voc quer saber o que fez isso, certo? As feridas no rosto foi um acidente com
uma poo. s vezes eu sou um pouco estabanada e o caldeiro estourou na minha cara - contou a velha fazendo uma
careta de dor ao se lembrar da sensao. Mas esse corte feio, que ainda di e sangra de vez em quando, foi um daqueles
monstros.
- Um comensal? - perguntou Harry.
- No querido, foi um aliado, um lobisomem. Ele me atacou quando descobriu que eu era uma espi. Todos agora esto
armados. Eles possuem varinhas. Lobisomens, vampiros, gigantes e at dementadores.
- Mas o que a Sr  estava espionando?
- Justamente o que eles faziam para atrair as criaturas para o lado negro. Eles oferecem poder, armas, varinhas e vtimas
 vontade. No existe mais isso de perseguir trouxas. Qualquer um serve de vtima. At mesmo outros aliados... e a voz
da "bruxa" quase sumiu ao dizer a ltima frase.
- Como assim? Quero dizer, quais aliados j sofreram?
- O menino Malfoy, Harry, eu o vi. Estava amarrado com cordas encantadas cheias de espinhos. E sempre que ele
tentava pedir ajuda a corda apertava e as feridas reabriam sangrando. A, um elfo domstico entrava na sala e passava no
corpo do garoto uma poo que devia arder muito, porque o pobre garoto urrava de dor. Eu no entendo Harry, como
podem torturar assim uma criana?
No devia ser difcil - pensou Harry - eles j o torturaram antes, sem nenhuma pena. E Draco no havia cumprido as
ordens de Voldemort.
- O que eu sei - voltou a Sr Figg e tirou Harry de seus pensamentos -  que agora eles esto mais perigosos que antes.
So muitas varinhas. A maioria  tomada de suas vtimas, mas algumas foram encomendadas. Algumas vm de
povoados antigos na sia e outras ainda vm de tribos africanas. So varinhas muito potentes, apesar de no possurem a
beleza de uma Olivaras. Alm disso h outras coisas.
- Outras coisas? - perguntou Harry um pouco assustado. O que poderia ser pior que dementadores armados?
- Os novos mestios! S de me lembrar, eu j fico arrepiada.
Ento a velha Arabella contou-lhe sobre tudo o que havia espionado. O exrcito de Voldemort estava cada vez mais
forte. Em um prdio abandonado ele criou uma espcie de laboratrio, algo inimaginvel no mundo bruxo. E comeou a
fazer criaes. Misturou raas. Cruzou lobisomens com dementadores, reavivou grgulas, convocou orcs. Criaturas h
muito banidas do mundo esto retornando.
A cada palavra Harry sentia seu medo crescer. Sabia que precisava contar tudo a Rony e Hermione, mas como escrever
uma carta com todas aquelas informaes? Seria arriscado demais. E ainda havia outras coisas que Harry precisava
saber.
- Como foi... como foi que a Sr sobreviveu? Digo, se eles a descobriram, e esto to fortes assim... eu no entendo...
- Ah, meu jovem... Voc sempre soube que eu trabalhava para Dumby, no ? Ento, ele previu que alguma coisa
pudesse acontecer. Ento lanou um feitio em mim para que eu ficasse muda, completamente muda, se algum me
descobrisse. Mas tambm contei com um pouco de sorte. O dia que me descobriram, o vigia era apenas uma cria. Um
filhote de lobisomem-gigante. O garotinho estava bem sonolento, a lua no era favorvel. Ento ele me torturou um
pouco e como viu que eu no conseguia falar, me expulsou dali.
Os dois ficaram em silncio. Harry imaginou o quanto aquela senhora, desprovida de varinha ou de qualquer poder, era
corajosa. Havia aceitado o servio de espi, colocando a vida em risco. Pela primeira vez ele a admirou. E ela deve ter
percebido, pois sorriu para o garoto e finalmente perguntou:
- Meu querido, ser que posso lhe pedir um favor?
- Claro, o que a Sr quiser - respondeu Harry deixando as especulaes para mais tarde.
- Eu preciso avisar Dumbledore sobre isso.
Harry no teve coragem de lhe contar a verdade. Ela estava muito fraca, j tinha a idade bem avanada e os ferimentos
haviam fragilizado ainda mais sua sade. Ele apenas respondeu:
- No se preocupe, Sr Figg, eu fao isso.
- 4 -
Presentes, muitos presentes
Eles ainda conversaram por muito tempo e quando Harry se levantou para ir embora, o relgio soou meia-noite. A sr
Figg sorriu e disse ao menino que esperasse alguns minutos. Ela se retirou e voltou em seguida, com uma grande caixa,
embrulhada para presente.
- Tome meu rapaz, hoje j  seu aniversrio - entregou a caixa a Harry e sorriu com um carinho que aqueceu o corao
dele.
-  mesmo, j  meu aniversrio. Mas por que um presente to grande?
- Na verdade no  to grande assim.  que a esto 17 presentes. Todo ano eu comprava um presente para voc, mas
nunca consegui entregar. Ento fui guardando e agora posso lhe dar, todos de uma vez.
Harry deixou a caixa no cho e, sem pensar no que fazia, deu um longo e demorado abrao naquela senhora, bem frgil
e delicada. Ela agora batia na altura do peito do rapaz. Ela agradeceu o abrao e disse que estava cansada e queria
dormir.
Harry foi para casa. Todos j dormiam e ele pode subir com seu presente sem ser interrogado por ningum.
Entrou em seu quarto, acendeu o abajur e abriu a enorme caixa. Dentro haviam 17 embrulhos, cada um com um nmero
e um ano. Harry abriu o primeiro e riu divertido com o chocalho em forma de vassoura. Os Dursley nunca o teriam
deixado ficar com aquilo. Depois, abriu um por um, em ordem cronolgica. Todos eram divertidos. Havia bonequinhos
de fantasmas que voavam de verdade, um xadrez bruxo todo colorido, livros com histrias infantis, camisetas de times
de quadribol, um enfeite de escrivaninha em forma de pomo de ouro.
Harry ficou horas se divertindo com aquilo. Os presentes mais recentes eram os mais exticos. Entre eles Harry
encontrou uma linda pena azul, com estrelinhas prateadas que mudavam de cor. A embalagem explicava que aquelas
estrelas indicariam o caminho certo para as almas perdidas. Ainda havia uma bola que respondia suas perguntas em
cinco lnguas diferentes e um Atlas que mostrava toda a geografia das terras bruxas.
Mas o ltimo pacote, o daquele ano, Harry demorou para abrir. Era uma caixinha minscula, que no dava nenhuma
pista sobre o seu contedo. O rapaz ficou um bom tempo admirando o pacotinho. At que a curiosidade o venceu e ele
desembrulhou. Dentro Harry encontrou um colar de couro, com um pingente esquisito. Era uma pedra roxa, meio
transparente, ainda em estado bruto. Junto um bilhete dizia:
Caro Harry,
Hoje voc j  um adulto.  muito bom saber que conseguiu chegar at aqui.
Agora tenho a certeza que vai seguir em frente.
Essa pedrinha  uma Claraluzia. Sua me a usava no dia em que vocs foram atacados.
Dumby me pediu para guard-la e entreg-la a voc quando achasse prudente.
Acho que o momento  este.
Desejo que voc ainda seja muito feliz!
Com carinho,
Arabella Figg
Aquilo era um pedacinho de sua me. O que exatamente fazia uma claraluzia era secundrio. No dia seguinte ele
perguntaria a Sr Figg. Agora ele tinha algo concreto, algo que pudesse tocar de sua me. Imediatamente colocou o colar
no pescoo, guardou os outros presentes no malo e adormeceu feliz, como h muito no acontecia.
Harry acordou na manh seguinte com quatro corujas em cima de sua cama. Uma ele reconheceu como sendo Ptchi.
Ela parecia cansada da viagem, e Harry entendeu logo o porqu assim que viu o embrulho que ela trazia. Era enorme. A
Sr Weasley lhe enviou um grande bolo de nozes com cerejas e calda de chocolate, os gmeos mandaram um estoque de
bolhas ultra-resistentes (voc pode at viajar dentro de uma delas), Rony lhe enviou um pster do Chuddley Cannons em
que todos os jogadores se moviam e faziam grandes manobras no ar e Gina tambm enviou alguma coisa. Um saquinho.
Harry sorriu e se perguntou se aquele seria o ano dos presentes esquisitos. Dentro do saquinho ele encontrou algumas
sementes e a instruo: plante em um pequeno vaso e veja o que acontece. Ele guardou tudo, menos o bolo. Ele iria
com-lo assim que acabasse de abrir os presentes. E junto com todos os embrulhos estava um envelope prateado, com as
iniciais F e G, escritas com uma tinta que mudava de cor. Harry teve certeza que era o convite de casamento do irmo de
Rony. O convite trazia uma foto dos noivos, o dia e o local do casamento. Assim que Harry leu todas as informaes, o
convite desapareceu.
Como era de se esperar, uma das corujas pertencia a Hermione. A amiga lhe enviou a edio especial do Profeta Dirio
sobre Dumbledore e uma mochila de viagens especial. Era equipada com saco de dormir, lanterna, cantil, duas panelas,
talheres, pratos e copos. Ela sabia o que eles teriam que fazer aquele ano, e o presente indicava bem isso.
A coruja seguinte era de Hagrid, que mandou apenas um carto. Pediu desculpas por no poder comprar um presente,
mas disse que ele entenderia assim que soubesse das mudanas.
Essa era uma coisa que Harry detestava nas cartas de Hagrid. Ele nunca era claro o bastante.
A ltima coruja foi um tanto surpreendente. A Professora Minerva lhe enviara um presente. Um livro, em branco. Muito
esquisito! Mas o que deixou o rapaz realmente intrigado foi o bilhete que vinha junto. Ele dizia que a professora estaria
em sua casa s 14h em ponto como foi programado.
Mas no tinha nada programado. Sua tia teria um ataque. Tio Valter ia desmaiar...
Harry decidiu que seria melhor no contar nada. Ia esperar as 14h como se nada fosse acontecer.
Pouco depois do almoo, Harry percebeu uma estranha movimentao. Seu tio andava de um lado para o outro, olhava
o relgio a todo instante e resmungava qualquer coisa.
Pouco antes das 13h30min, ele deu um beijo na bochecha da esposa e saiu alegre, dizendo:
- Amanh estou de volta e trago o Dudinha comigo, querida.
Ento era isso, o tio ia buscar o monte de banhas do primo de Harry na praia. O nico problema agora era sua tia.
Mas Harry no teve tempo para pensar em nada, logo a campainha tocou e ele esperou ouvir um grito. Nada, apenas
silncio. Ser que a tia no ouviu a campainha tocar? Ele resolveu ver quem era.
A cena que ele presenciou o deixou em estado de choque. Ali na sala estava, sem dvida, a professora Minerva sentada
no sof, conversando com sua tia. Logo em seguida, a campainha tocou outra vez, mas no foi preciso atender, porque
dois homens usando ternos espalhafatosos e chapus engraados aparataram na sala.
Petnia no se mostrou assustada. Sem o marido em casa ela no precisava manter a farsa de se horrorizar com tudo que
os bruxos faziam.
- Acho que  hora de chamar o Harry, Petnia - disse a professora.
- No precisa, j estou aqui - respondeu o menino.
- 5 -
Todos os testamentos
- Harry - falou Petnia - esses dois senhores so advobruxos, advogados do mundo bruxo. Eles vieram aqui para a
leitura de alguns testamentos.
O rapaz olhou imediatamente para a professora e esta, como se entendesse o que lhe ia a mente respondeu:
- No, Harry, isso no tem haver com a morte de Alvo. Ele no deixou testamentos, apenas algumas cartas. A sua est
aqui comigo e logo lhe entregarei.
- Podemos comear? Perguntou o homem que parecia o mais velho.
- Sim, respondeu o garoto sem saber o que estava por vir.
Os dois advobruxos tiraram suas varinhas, encostaram uma na outra como num bal esquisito e pronunciaram algumas
palavras que o rapaz achou serem uma lngua que ele desconhecia, muito antiga.
Assim que silenciaram, a sala ficou escura. Eles comearam a distanciar uma varinha da outra e um longo fio dourado
apareceu entre as duas. O fio se desenrolou como um pergaminho e vrias palavras apareceram no ar. Mas antes que
Harry pudesse ler, uma voz desconhecida comeou a falar. Era uma voz de um homem j de idade bem avanada, que
fez Harry se lembrar da voz de Dumbledore. Apesar da emoo, o rapaz prestou toda a ateno que pode. E o que a voz
dizia era exatamente o que estava escrito.
Eu, Theodore Mungus Wichan
Em pleno controle de minhas faculdades mentais e meus poderes bruxos deixo estabelecidas neste documento mgico,
de valor irrevogvel, as minhas vontades em relao ao meu patrimnio.
Deixo, pois, tudo o que possuo em nome de minhas duas amadas filhas: Petnia e Llian. Abaixo segue a relao dos
bens. No entanto, caso alguma delas desista de sua parte, esta ir ser imediatamente transferida ao nome da irm ou do
primeiro descendente direto.
Apenas um imvel eu deixo em propriedade do Ministrio para que o transforme em um Hospital que atenda doenas
mgicas, e esse hospital deve levar o nome de meu dignssimo tatarav, Mungus Edward Wichan.
Relao dos bens de Theodore Mungus Wichan
 Dois imveis comerciais no Beco Diagonal, que atualmente esto alugados para os proprietrios das lojas Olivaras e
Floreios e Borres.
 4 casas no povoado de Hogsmead.
 Uma conta no banco Gringotes com um valor considervel.
 Um imvel trouxa, na cidade de Londres.
 Um livro contando toda a histria de nossa linhagem.
 E, finalmente, a chave de outro cofre no Gringotes, onde se encontram os bens de famlia, incluindo a Jia de Andriax.
Por fim, meu ltimo desejo  que meu nome, assim como descendncia bruxa seja apagada da histria do mundo bruxo,
e meus descendentes possam ter uma vida longe dos olhares maldosos daqueles que acreditam que uma pessoa s possui
talento se tiver um timo sobrenome.
Assim sendo, encerro aqui meu testamento, certo de que minha vontade ser devidamente cumprida.
A claridade voltou e de todos os presentes, s Harry parecia surpreso com o que ouvira. Ao que tudo indicara ele no
era mestio. Vinha de uma linhagem pura, antiga. No que isso fizesse diferena para ele, ali, naquele momento. Mas o
pouco que sabia de sua famlia era que seus pais haviam sido assassinados por um bruxo poderoso, seu padrinho cara
num tnel da morte e sua tia era uma completa trouxa, sem habilidades mgicas.
Agora tudo mudou, sua tia tambm era bruxa, ele era um puro-sangue e era mais rico do que sonhara imaginar. No
entanto ningum parecia surpreso. Ele olhou para sua tia e perguntou:
- Voc realmente no quis nada disso?
- No, Harry, achei que seria muita hipocrisia se aceitasse alguma coisa dos meus pais depois de abandon-los durante
tantos anos.
Ao ouvir a resposta, pela primeira vez, Harry sentiu que aquela mulher fazia parte de sua famlia de verdade! Ele se
virou para a professora e disse:
- Voc ouviu, professora? Ouviu tudo isso?
- No, Harry, no ouvi. Os testamentos mgicos s podem ser ouvidos pelos seus legtimos donos. Isso garante que
ningum de fora da famlia interfira na deciso do bruxo.
Os dois advobruxos resmungaram alguma coisa e pediram para continuar. Ainda havia um testamento a ser lido. Eles
repetiram o ritual, mas desta vez o fio era esverdeado e o pergaminho que se desenrolou trazia uma caligrafia feminina.
Alm da voz, que Harry sabia ser de sua me, ele ouvia uma msica suave e o cheiro de um perfume, o perfume dela.
Diferente do outro testamento, muito formal, este falava diretamente a ele.
Meu querido Harry,
Assim que seu pai e eu soubemos da profecia, achamos melhor tomar todas as providncias quanto ao seu futuro. Assim
sendo, voc foi devidamente matriculado em Hogwarts e abrimos uma conta em seu nome no Gringotes.
Sabe, meu amor, assim que voc nasceu todos perceberam o quanto era especial. Voc fazia mamadeiras voarem e seus
brinquedos preferidos sempre apareciam quando voc queria. Tudo era felicidade e ns trs, voc, seu pai e eu, vivamos
sorrindo.
A funo de um testamento, meu filho,  certificar de que tudo o que pertence a uma famlia continue na mesma. Mas
este  um pouco diferente. Aqui eu lhe passo todos os bens que meus pais me deixaram, mas tambm lhe passo todo o
meu amor. Isso tambm  seu de direito.
Desejei que voc s recebesse esse documento no dia de seus 17 anos porque sei que agora  um adulto e tem
responsabilidade suficiente para guardar alguns segredos. De tudo que meus pais me deixaram, a nica coisa que
realmente quis foi uma casa para morar com voc e Thiago e o livro da famlia, que hoje deve estar com a professora
Minerva. Ela deve lhe entregar para voc saber de onde vem e porqu tem tanta importncia no mundo bruxo.
A partir de agora voc  o nico herdeiro de Theodore Mungus Wichan. Tudo o que consta no testamento dele  seu e
voc pode fazer o que quiser.
Infelizmente, no tenho nada de meu para deixar a voc.
Agora seu pai tambm quer lhe falar.
A cor do testamento mudou para um azul suave e a voz de James se fez ouvir.
 isso a meu rapaz. Sua me j lhe disse tudo o que havia de importante para dizer. Infelizmente, meus pais, apesar de
serem puros-sangues, nunca tiveram muita grana. Ento, deixo a voc de herana todo o meu charme e meu talento para
quadribol.
Brincadeiras a parte, sei que voc vai herdar uma caracterstica dos Potter, a coragem. Porque se voc est recebendo
este documento agora  porque j demonstrou todo o seu valor.
V em frente, meu filho! Lembre-se sempre de que quem a gente ama fica guardado no nosso corao e viaja junto com
a gente para qualquer lugar. Ns estamos com voc.
Enquanto a sala voltava a claridade normal, ningum teve coragem de falar. Harry estava ali, sentado no sof, as
lgrimas escorrendo. Mas ele no soluava, nem parecia desesperado. Era um choro bom, mais uma vez ele podia lavar
sua alma. E a voz de sua me o chamando de "meu filho, meu amor" ficou na sua cabea.
Os advobruxos entregaram a Harry dois pergaminhos, com a verso escrita do testamento (que tambm s podia ser lida
pelo seu dono) e, imediatamente, uma chave velha e pesada, com o smbolo do banco dos bruxos, apareceu no colo de
Harry.
Por fim, a professora se levantou e se dirigiu ao rapaz:
- Harry, no sei o que voc viu. Nem quero saber. O livro est nas suas coisas, eu o enviei hoje de manh. E s voc
conseguir l-lo. E apenas uma vez. Depois a histria se apagar e s restar a sua memria. A no ser que voc tenha
um filho, ento ele tambm poder ler o que consta ali.
O menino parecia no ouvir, mas fez um aceno com a cabea como se entendesse o que ela dizia.
Os advobruxos iam se despedindo, quando o garoto saiu do transe e pediu:
- Ser que posso conversar com os senhores um minuto? A ss de preferncia.
As duas mulheres saram da sala, indo preparar um ch na cozinha. E Harry foi direto ao assunto:
-  o seguinte, quero passar a propriedade trouxa para a minha tia. Eu no pretendo viver entre os trouxas e acho que
ser desperdcio ficar com um imvel assim.
Os dois advobruxos se entreolharam e logo, da varinha de ambos, surgiu um novo documento. Harry leu, viu que estava
tudo dentro do combinado e foi pegar uma pena para assinar. Mas o mais velho o chamou e disse:
- No meu rapaz, um documento assim a gente assina com a varinha. Basta tocar a ponta dela no lugar da assinatura.
Harry correu, pegou sua varinha e assinou o documento. Chamou as duas de volta e entregou a cpia escrita a sua tia
dizendo:
- Por favor, aceite. Se no quer nada dos bruxos, fique com algo que seja trouxa. No se sabe quando pode precisar.
Petnia no falou nada. Pegou o documento e foi para seu quarto, com lgrimas nos olhos.
-  muito difcil para ela - comentou a professora Minerva.
- Eu imagino - assomou Harry.
A professora entregou a carta a Harry, despediu-se e foi embora. O rapaz guardou a carta. Ainda no se sentia pronto
para aquilo. Os pais morreram h 16 anos e ele ainda se emocionava com tudo que dizia respeito a eles. Com
Dumbledore no seria diferente.
- 6 -
O presente de casamento
Diante de todos os acontecimentos, Harry adiou sua ida para A Toca. Ele queria organizar tudo direito. quela tarde iria
visitar a Sr Figg e lhe contar o que mais descobrira. Ela gostaria de saber.
O rapaz no entendia exatamente o que havia acontecido, s tinha certeza que a voz de sua me o deixara mais emotivo.
Por isso havia presenteado a tia e agora ia at o centro da cidade comprar uma bela caixa de bombons para a vizinha
doente.
Tudo transcorreu muito bem e Harry voltava para casa com aquela enorme caixa de bombons finos quando percebeu
uma movimentao de pessoas estranhas na Rua dos Alfeneiros. Pareciam bruxos e bruxas vestidos com roupas trouxas.
Ele apressou o passo e percebeu que o rebolio acontecia na casa da Sr Figg. Harry chegou a tempo de ver o caixo
verde florido ser retirado da casa. Muitos amigos choravam e ele encontrou mais uma vez com a Professora.
- Arabella j estava bem velha e no resistiu aos ferimentos. Ela deveria ser levada ao St. Mungus, mas disse que se
fosse ningum tomaria conta de voc - lhe contou a professora.
Harry no quis ir ao enterro da vizinha. Deixou a caixa de bombons na sala de visitas dela, para quem quisesse pegar.
Voltou para casa e teve a desagradvel surpresa de ver que seu tio e seu primo j haviam voltado da praia.
Duda parecia mais com um javali do que antes. Emagrecera um pouco,  claro, graas  dieta forada a que era
submetido na casa dos pais. Mas seus olhos estavam fundos e a pele macilenta e amarelada, comum as pessoas viciadas
em lcool e em coisas mais perigosas.
Quando ele viu Harry j veio com jeito de quem queria arrumar confuso. Mas Harry s queria ficar sozinho. Ento,
quando o primo se jogou pra cima dele, ele apenas desviou e o corpo gordo e lento de Duda caiu no cho.
Antes que algum pudesse falar alguma coisa, Harry foi para o quarto. Escreveu um bilhete para a tia dizendo que
estava indo embora, de vez. Agora ele era adulto e poderia se cuidar. No final do bilhete, ele escreveu que se ela
mudasse de opinio que o mandassem avisar. Ele a ajudaria.
Harry colocou todos os presentes no malo, as cpias dos testamentos e a carta de Dumbledore. Soltou Edwiges e disse
que o encontrasse na Toca. Mas na hora de sair, lembrou-se de que ainda no comprara um presente de casamento para
Gui. Resolveu, de ltima hora, ir para o Beco Diagonal e aparatou na porta do Caldeiro Furado.
O beco parecia mais vazio, mas ainda assim as lojas estavam abertas e Harry achou melhor guardar seu malo em
algum lugar. Entrou no bar e pediu um quarto. Guardou suas coisas, lanou um feitio antiarrombamento nas portas e
janelas e saiu.
A primeira coisa que fez foi ir at o Gringotes. Levou a chave consigo e o testamento de seu av. Autorizou o duende a
ler o trecho com os bens que possua e logo teve acesso ao cofre. O de seu av tinha ainda mais dinheiro que o de seus
pais. Alm disso, haviam pedras preciosas e barras de ouro inteiras. Harry retirou uma boa quantia. Mais que o
suficiente para mant-lo com um certo luxo durante uns dois anos (ele no sabia quando teria tempo de retornar ao
banco). Depois visitou o outro cofre com as coisas de famlia.
Esse segundo cofre conseguia ser mais surpreendente que o primeiro. Havia uma foto com seus avs e sua me e sua tia
ainda pequenas. Alguns mveis antigos, muito bem conservados, livros de receitas, pratarias, jogos de xcaras, louas
importadas e finssimas.
Harry pensou o que faria com tudo aquilo. Eram coisas de sua famlia, mas todos, ou melhor, quase todos estavam
mortos. S ele e sua tia restavam. Mas Harry no usaria nada daquilo e sua tia deixara bem claro que no queria nada
tambm.
Ento ele teve uma idia. Quem mais, alm dos Weasley, representava para Harry uma famlia? Ele usaria aquilo como
presente de casamento para Gui e Fleur. Ficou ali, sem saber qual pea escolher. J se passavam mais de 1 hora quando
Harry finalmente decidiu o que fazer. Seria uma surpresa para os noivos. Ele torcia para que ningum recusasse seu
presente.
J ia sair do cofre quando uma caixa preta a um canto chamou sua ateno. Ele se abaixou, pegou a caixa do cho,
colocou sobre um dos mveis e abriu. L estava ela. A famosa Jia de Andriax. Um belo colar de ouro branco, com um
pingente em forma de estrela cadente. A cauda da estrela era formada por pedras vermelhas que lembravam a Harry os
rubis da ampulheta da Grifinria. Dentro da estrela uma pequena fada parecia flutuar enquanto dormia, e de seu corpo
frgil emanava uma suave luz branca.
Harry fechou a caixa. Guardou-a no bolso e saiu do cofre. Ia mostrar a jia a Hermione. Talvez ela soubesse do que se
tratava a pea.
O rapaz falou com alguns duendes antes de deixar o banco e se dirigiu a uma loja para procurar uma embalagem de
presente. Embrulhou o que havia escolhido e voltou para o Caldeiro Furado. Comeu alguma coisa e foi descansar para
viajar no dia seguinte.
Logo pela manh ele juntou suas coisas e aparatou no porto de entrada da Toca. No queria matar ningum engasgado
com mingau de aveia, aparecendo do nada s 8 da manh.
Certificou-se de que tudo estava direito, convocou um feitio para levitar o malo e entrou pelo jardim. Tudo estava
como sempre. Nenhum sinal de que dentro de dois dias um casamento aconteceria bem ali. O rapaz andou mais um
pouco e parou na soleira. Bateu na porta e esperou que algum abrisse. Ningum veio. Ele deu a volta e foi at a porta da
cozinha. L ouviu vozes. Ento chamou mais uma vez.
Todas as vozes silenciaram e a cabea do Sr Weasley apareceu na janela. Ele ficou muito feliz ao v-lo parado ali e
logo abriu a porta o puxou para dentro assim como o malo.
A sr Weasley correu a abraar o menino ao mesmo tempo que convocava mais um prato a mesa, apesar do garoto
afirmar que j havia comido.
Todos ficaram muito felizes e foram cumpriment-lo.
- J estvamos preocupados, Edwiges chegou ontem a hora do almoo e voc no apareceu. Estvamos discutindo
quem deveramos chamar para procur-lo - explicou o sr Weasley.
- Ah, bom, desculpem... eu precisava resolver umas coisas pessoais e comprar um presente de casamento para Gui e
Fleur.
- Que  isso, meu querido, no precisava se incomodar - respondeu corada a me de Rony.
- Mas no foi incmodo nenhum, eu quis, e me diverti muito fazendo isso - respondeu o rapaz, torcendo para que
ningum ficasse chateado com seu presente.
- Tudo bem, Gui e Fleur saram para buscar algumas coisas que precisamos para terminar os enfeites, mas devem estar
de volta antes do fim da tarde. A voc entrega seu presente a eles, ok? Agora coma um pouco de mingau...
Harry no teve alternativa a no ser comer o mingau que a me de seu melhor amigo lhe servia. Assim que ele acabou,
pediu a Rony que o ajudasse com o malo e foram para o quarto do rapaz.
J instalado, Harry perguntou ao amigo onde estava Hermione.
- Sei l... ela escreveu um bilhete curto e grosseiro, dizendo que demoraria mais que o esperado. O "Vitinho" veio
passar frias com ela - responde Rony com azedume.
- Ah,  que aconteceram tantas coisas, seria mais legal contar para os dois juntos.
- Mas voc pode contar pra mim, afinal ela achou mais legal ficar com aquele... aquele... ah, voc sabe!
Harry achava engraado como nenhum dos dois assumia o que sentia. Mas deixou para falar desse assunto mais tarde.
Comeou a contar a Rony tudo o que tinha acontecido, desde a descoberta das origens de sua famlia, ainda obscurecidas
pelo mistrio da jia e do livro. Tambm contou dos testamentos e da morte da Sr Figg.
- Papai comentou sobre a morte dela. Disse que ela foi ferida, n? Mas quem ia querer ferir uma velha abortada?
Harry teve que explicar que a Sr Figg era espi de Dumbledore e havia descoberto coisas horrveis.
- Puxa, eu no imaginava... Ainda mais que ela se arriscaria tanto. Papai precisa saber o que ela descobriu. Agora ele
faz parte de um departamento mais legal no Ministrio. Depois ele te conta o que , porque eu no sei explicar direito.
O resto do dia passou tranqilo. Harry ajudou o amigo a cuidar do jardim e os dois pintaram a cerca da frente. Foi
preciso cinco tentativas para que a cor certa sasse das varinhas dos garotos. Eles terminaram o dia com tinta at nos
cabelos e logo entraram para tomar banho.
Quando Harry desceu, encontrou Fleur e Gui. Os dois estavam mostrando as coisas que haviam comprado e abriam os
presentes que chegaram durante o dia. Assim que viram o rapaz, os dois se levantaram. Fleur se adiantou:
- Que bom que veio, Arry. Ns dois ficam felizes com voc aqui.
- Eu tambm fico feliz em estar aqui. E voc, Gui? Como est?
- Bem, Harry. Bem melhor se quer saber. A lua Cheia me deixa mais estressado e sensvel, mas no tenho vontade de
atacar ningum e isso  uma beno.
- Que bom!... Olha... ... eu tenho um presente para vocs. Espero que no fiquem chateados comigo. Eu no sabia o
que dar, nunca fui a um casamento antes e imaginei que vocs j teriam ganhado muitos presentes - disse o rapaz, meio
sem jeito, entregando uma grande caixa aos noivos.
Vendo o que acontecia toda a famlia se reuniu em volta dos dois para ver que presente poderia chatear algum.
Fleur desembrulhou o presente com cuidado. Era uma bela caixa de madeira entalhada, havia um braso na tampa com
o desenho de um gamo pisoteando uma cobra. Abaixo, escrito em latim algo que significava mais ou menos "Existem
coisas que so para sempre". Assim que abriram a caixa Fleur precisou se sentar. At mesmo para uma meio-veela, a
beleza do presente era muito grande. Um grande jogo de ch, feito de cristal, com desenhos diferentes em cada xcara,
que mudavam de um lugar para o outro, fazendo com que pequenos arco-ris sassem de cada pea em direo a outra.
Mas havia mais uma coisa. Um pequeno envelope. Dentro havia uma chave, um pedao de papel com um nmero e um
cartozinho com os seguintes dizeres:
Fleur e Gui,
Espero que no fiquem ofendidos. Mas sinto que vocs so como minha famlia e queria dar um presente realmente til.
No se preocupem, no gastei muito com isso. E se quiserem saber, depois eu explico tudo.
Esta chave  de uma conta no Gringotes em nome dos dois e os nmeros representam a quantia que j tem na conta.
Acho que  suficiente para que vocs possam comprar uma casa.
Por favor, aceitem! Nada me faria mais feliz!
Com carinho
Harry Potter
Gui leu o carto em voz baixa, passou para Fleur que fez o mesmo. A curiosidade de todos era to grande que poderia
ser tocada. Fleur devolveu o bilhete a Gui e, emocionada, abraou Harry e disse ao garoto:
- Aceitamos, Arry, aceitamos! Voc tambm  como nosso irmo.
Gui ps-se de p outra vez e tambm abraou Harry.
A Sr Weasley parecia que ia explodir e berrou aos trs:
- Por favor, dividam com a gente. Estamos todos curiosos!
J mais calmo, Gui olhou para os pais e para os irmos e disse:
- Harry nos deu uma casa!
- 7 -
Descobertas e decises
Todos ficaram muito comovidos com o gesto do rapaz e pediram que ele explicasse o porqu de tudo aquilo. Harry disse
que tinha recebido uma herana e que poderia fazer o que quisesse com ela. Ento ele decidiu que usaria seu dinheiro
para dar felicidade as pessoas que amava.
Harry mal tivera tempo de conversar com Gina. A garota sempre arrumava um servio para fazer e at seus pais
notaram o quanto ela estava mais prestativa. Havia momentos em que ela sumia por horas. Depois reaparecia toda suja,
suada e cansada demais para falar com algum. Tomava um banho, comia alguma coisa e ia para o quarto dormir.
No dia seguinte, Hermione chegou eufrica. Cumprimentou a todos, entregou seu presente  Fleur e Gui (um jogo de
cama com fotos dos dois, desde pequeninos - "Ah, eu escrevi para sua me, Fleur, e Gina me ajudou com as suas fotos
Gui") e pediu licena. Para decepo de Rony, ela no foi falar com eles e sim com Gina.
As duas garotas ficaram um bom tempo trancadas no quarto e s saram perto da hora do almoo. A sr Weasley havia
preparado cordeiro com batatas e molho de cogumelos, e de sobremesa pudim de arroz com calda de framboesa. Eles
almoaram e o Sr Weasley sugeriu que todos tirassem o dia de folga para estarem descansados para a cerimnia da
manh seguinte.
Nesse momento Hermione se aproximou dos amigos, querendo saber das novidades: - J soube do seu presente, Harry.
Muito legal! Mas o que aconteceu? Que herana  essa que voc recebeu?
- Se voc no tivesse perdido tempo com o "Vitinho" j estaria sabendo - respondeu Rony antes que Harry conseguisse
abrir a boca.
Hermione, no entanto, no respondeu como de costume. Fingiu que no escutou nada que Rony disse e ficou olhando
Harry esperando uma resposta. Este no pode deixar de reparar o quanto a amiga amadurecera nessas frias. Ento, em
poucas palavras lhe contou tudo o que aconteceu.
- Nossa, so muitas informaes. Preciso organizar tudo isso na minha mente. Mas h qual famlia de bruxos famosos
ser que voc pertence? Nenhum dos nomes que mencionou  citado nos livros sobre Histria da Magia.
- Ser que voc no ouviu sobre o feitio do av dele? Os nomes foram apagados, sua esperta! - disse o ruivo ainda
mau-humorado.
- Acontece, Rony, que apagar um nome da histria  muito difcil.  preciso ser um grande conhecedor das magias
antigas para conseguir isso - retrucou ela. - E outra coisa, essas experincias que Voldemort anda fazendo. Isso no me
agrada nem um pouco.
- Pelo que o Sr Weasley disse, esses seres at agora se mostraram pouco eficazes. No demonstraram muita
inteligncia e tudo est do mesmo jeito que antes. Poucas mortes, poucos desaparecimentos.
- Mas, Harry,  exatamente isso que me assusta. Est tudo quieto demais. A hora que Voldemort resolver atacar, bem,
pode ser, fatal. Alm disso, quanto mais burra for a criatura, mas fcil de dominar!
Os dois rapazes se entreolharam. A garota, mais uma vez, tinha razo. Como eles no pensaram nisso antes?
Ainda havia outra coisa a discutir com a menina e Harry logo tocou no assunto:
- Olha, Mione, eu queria que voc visse uma coisa. Na verdade, duas coisas que eu ganhei no meu aniversrio. No sei
o que so, nem pra que servem. Esto l no quarto, pode subir com a gente?
- Claro, vamos at l. S esperem eu buscar meus livros.
- Livros? - perguntou Rony incrdulo - A gente j combinou de no voltar a escola.
- , mas voc consegue imaginar seu rosto sem esse cabelo vermelho, ou o Harry sem a cicatriz? Pois , isso sou eu
sem os meus livros - respondeu a garota enquanto corria at o quarto de Gina e voltava em seguida com uma mochila
cheia de livros.
Eles foram ao quarto de Rony e Harry logo abriu seu malo. O amigo viu o chocalho de vassourinha e comeou a
"zoar" com Harry. Mas Hermione tirou o brinquedo das mos do rapaz resmungando algo como "no  hora pra isso".
Harry mostrou primeiro o colar. J estava no pescoo do garoto, s que ele queria privacidade para mostrar aos colegas.
Rony, de imediato, no notou nada diferente na pedrinha roxa. Harry explicou que aquilo era uma Claraluzia, mas no
sabia mais nada a respeito. Disse que sua me usava uma. E que ia perguntar a Sr Figg no dia em que ela morreu.
- J ouvi esse nome antes, mas no tem em nenhum dos meus livros - disse a moa decepcionada.
- Para mim, mais parece uma pedra preciosa. S que  diferente de tudo o que eu j vi. Conheo os rubis da ampulheta
da Grifinria e as pedras das outras casas. Mas essa a,  novidade pra mim... - sentenciou Rony.
Como se as palavras do amigo tivessem tirado uma camada de p de sua cabea, Hermione levantou da cama, num
gesto tpico de quando ela descobria as coisas.
- Esperem um minuto, eu j volto - disse saindo correndo pela porta.
- Detesto quando ela faz isso - resmungou Rony.
Mas Harry percebeu que os olhos do amigo acompanharam o corpo da garota com um brilho diferente. Mais tarde ele
interrogaria o rapaz. Ainda conseguiria provar que aquelas brigas constantes eram um jeito de disfarar um sentimento
mais interessante.
Foi ainda pensando nisso que Harry ouviu Hermione chegar, com um livro grosso e antigo.
- Pedi  sua me emprestado, Rony. Chama-se Minerais mgicos - um guia para o explorador de pedras preciosas
originrias do mundo mgico. Parece que ensina tudo o que se pode fazer com os minerais que so encontrados em todas
as terras mgicas, inclusive algumas extintas. Vamos procurar no ndice.
No foi difcil encontrar, haviam seis tipos diferentes de claraluzia.
- Ainda bem que o livro  ilustrado. Assim podemos comparar a pedra do Harry com as que esto aqui - disse Rony,
bastante interessado pelo assunto.
Eles olharam as duas primeiras classificaes e, na terceira, Hermione apontou:
- Acho que  esta aqui. Pelo menos  a nica roxa. Aqui diz: A Claraluzia Phinx, ou claraluz roxa,  uma pedra
misteriosa, sua origem  desconhecida e poucos bruxos possuem uma. O que se sabe  que ela s mostra seus efeitos em
situaes de extremo perigo, emitindo uma luz que  capaz de cegar qualquer um e evocando anjos da guarda para salvar
seu proprietrio.  impossvel comprar ou vender uma pedra dessas, pois se isso acontecer, ela perde seus poderes
benficos, e envolve seu novo proprietrio numa escurido sem sada.
- Uau, ser que voc ganhou isso de algum ou as sombras vo te envolver, Harry?
O rapaz ignorou o comentrio de Rony e continuou olhando para sua pedra. Por fim, colocou-a no pescoo novamente e
colocou a caixa preta sobre a cama.
- Essa  a outra coisa.  a tal da Andriax. Esse nome tambm  estranho para voc, Mione? - quis saber Harry.
A menina pensou um pouco e depois disse, num sussuro:
- J, j li sobre Andriax, na sala de Dumbledore. Mas no era sobre uma Jia e sim sobre uma Varinha.
Os trs permaneceram um tempo em silncio, sem saber o que dizer. At que Mione recomeou a discusso.
- Temos outras coisas para analisar na Jia alm do nome. Por exemplo, essa fada adormecida.
- Acho que isso  s um truque, como nas fotos, Hermione - disse Harry.
- No acho - ela respondeu - Se levarmos em conta a idade da jia  bem provvel que seja uma fada de verdade. Em
Histria da Magia o professor Binns contou que h muito tempo era comum as jovens bruxas ganharam uma fada de
presente. Elas colocavam a fada em um objeto que estimassem demais. A fada no se revoltava, apenas ficava
adormecida e cedia um pouco de seus poderes para a dona do objeto.
- Como assim? A bruxa virava fada? - perguntou Rony sem entender.
- No, a fada se tornava uma parte da bruxa, como um talism da sorte. Mas pelo que eu estudei, apenas as mulheres
possuam uma fada. E agora? Tudo o que eu sei j disse a vocs. O que vamos fazer?
Ento Harry se lembrou da carta que a Prof. Minerva lhe entregou no dia de seu aniversrio. Sem explicar nada, ele
abriu o malo, retirou um pequeno livro e de l, um pergaminho.
-  de Dumbledore - explicou aos amigos. Se no se importam, eu queria ler sozinho. Depois mostro para vocs.
Os amigos saram em silncio. Harry tinha dessas coisas, gostava da solido. Ou ento, depois de tanto tempo, havia se
acostumado a ela. Nos momentos mais difceis era a ela que ele recorria para desabafar. Eles no se importavam. Eram
amigos e entendiam que cada um ali tinha suas manias e "esquisitices".
No quarto, Harry respirou fundo e, com as mos tremendo, tirou o lacre do pergaminho e comeou a ler.
Harry, Harry Potter,
Muitos o chamam de "o garoto que sobreviveu". Eu o chamo de um aluno complicado. Intrometido. Abusado.
Incomum. E o chamaria assim por toda a eternidade se me fosse possvel.
Eu nunca quis fazer um testamento, Harry. Sempre achei triste demais. Alm disso, tudo o que possu, foi dado
enquanto eu ainda estava vivo e podia ver o contentamento das pessoas.
Mas eu quis deixar algumas coisas para que fossem descobertas depois de eu ir embora. Veja bem Harry, eu nunca vou
admitir que morri. No, isso no aconteceu. Enxergue as coisas desta maneira: eu tirei frias. Isso mesmo! Tirei frias do
meu corpo velho e cansado. Vou viajar bastante, rever velhos amigos. E vou ser feliz.
E para que essa minha "histria" seja verdade eu preparei tudo para que voc acredite. Por isso, vai receber cartes
postais meus de tempos em tempos. Voc os ir encontrar sobre a minha escrivaninha na sala da direo em Hogwarts.
Esses cartes vo lhe explicar muita coisa.
S voc ter acesso a minha ex-sala. A escola tem ordens de mudar a localizao da sala do novo diretor e a minha vai
continuar ali, com meus objetos pessoais, quadros e livros. Entre e fique a vontade. Leve o Sr Weasley e a Srt Granger
quando sentir vontade, bebam ch, comam biscoitos. Sejam jovens, isto  o melhor que vocs podem fazer por mim.
Virar adulto antes da hora  um castigo muito grande a trs jovens brilhantes como vocs.
Voc deve se perguntar como eu lhe escrevi essa carta. Ser que eu sabia quando iria morrer? Bom, meu rapaz, a
resposta  sim. Quando se vive tanto quanto eu vivi, acontece dessas coisas. O corpo no acompanha a mente, e a gente
chega ao lugar que deveria chegar, antes de nosso corpo ter sequer levantado da cadeira.
Assim sendo eu vi o que aconteceria mais tarde. E aproveito para lhe pedir uma coisa. Um ltimo desejo de um velho
amigo seu. No julgue, no condene, no odeie. O que faz voc ser assim, to diferente de Tom, mesmo que ele o tenha
marcado como igual,  sua capacidade de amar. J lhe disse isso mais de uma vez.
Mas agora eu lhe digo que a maior mgica no est em amar seus amigos. E sim em perdoar seus inimigos e um dia,
am-los tambm. O amor  a arma, Harry,  a sua maior arma.
Quanto aquele nosso ltimo segredo, voc ter mais informaes atravs dos meus cartes postais. Tenho certeza que
ir gostar, voc vai poder ver os lugares lindos que eu j visitei.
Com o carinho no de um amigo, mas de um av
Alvo Dumbledore
Dessa vez Harry no chorou. Saiu do quarto, mas como no encontrou os amigos, guardou a carta no bolso e desceu.
Todos j estavam a mesa, esperando pelo jantar. A sr Weasley foi a primeira que o viu:
- Descansou, querido? Rony disse que voc havia pegado no sono, por isso no lhe chamamos para o jantar. Eu ia
preparar uma bandeja e deixar ao lado de sua cama.
Harry olhou o amigo agradecido pela mentirinha e respondeu:
- Ah, descansei sim. Estou bem melhor.
Todos comeram bolo de carne, risoto de frango e salada colorida. De sobremesa a Sr Weasley serviu sorvete de
morango. Estava tudo delicioso, quando Fleur e Gui pediram a Harry, Rony, Gina e Hermione que fossem seus
padrinhos. Aquilo era meio em cima da hora, mas eles faziam tanta questo que no teve como nenhum dos quatro
recusar. Fleur informou que Gabriele no poderia ser madrinha por causa de um incidente com uma hevorax, uma planta
que espirra espinhos venenosos. O veneno causa manchas na pele e Gabriele, muito vaidosa, no quis chamar ateno
com o rosto to manchado.
Harry ficou apreensivo. O casamento ia ser na manh seguinte e ele no tinha um traje especfico para a ocasio. Fleur,
como se tivesse lido os pensamentos do rapaz, explicou:
- As roupas de Rony e Arry esto no carto de Gui. A de Mione e Gina esto comigo. Espero que gostem. Vai ser uma
cerrrimnia bem trradicional.
Depois do jantar os trs amigos se reuniram na varanda e ficaram conversando. Harry mostrou aos outros a carta de
Dumbledore e falou, num misto de contrariedade e alvio:
- Vou ter que voltar a Hogwarts. Se quiser achar os outros horcruxes, terei que voltar a hogwarts.
Os outros dois tambm se sentiram divididos. No que a possibilidade de voltar  escola os deixasse tristes. Mas estava
tudo planejado. As compras haviam sido feitas, eles se mudariam para o Largo Grimmauld por uns tempos e depois para
uma das casas de Harry.
Os trs ficaram ali, sem dizer nada. Apenas olhando o cu. Era uma noite sem lua e as estrelas faziam joguinhos entre
si, disputando quem brilhava mais. A sr Weasley chamou os trs para dormirem. E como se tivessem ensaiado, Harry,
Rony e Mione olharam o cu, e fizeram um pacto: voltariam para Hogwarts. Iam estar sempre juntos, onde quer que
fosse. Eles entraram e foram para suas camas. E dormiram um sono de paz.
- 8 -
O Casamento Secreto
Na manh seguinte Gui acordou os dois rapazes para que fossem se arrumar. Eles j se preparavam para trocar de roupa,
quando o noivo chamou:
- O que pensam que esto fazendo?
- Trocando de roupa, u! - respondeu o irmo do noivo.
- Nada disso, como j falei antes, este vai ser um casamento tradicional. Venham comigo, ns no vamos nos arrumar
aqui.
Os dois seguiram o noivo em silncio, querendo saber se seriam obrigados a ir a um salo de beleza. Quando chegaram
a um lugar do jardim, Gui parou e pediu aos garotos que descem as mos.
- Gui, voc ta de brincadeira com a gente? - perguntou Rony.
- No, apenas faam o que eu disser, ok? timo, dem as mos, fechem os olhos e comecem a correr em crculo, como
uma brincadeira de roda.
Harry pensou o quanto seria ridculo se Gina o visse naquela situao.
Eles ainda rodaram um pouco e quando os dois acharam que iam acabar caindo, Gui os fez parar.
Nada no mundo se parecia com aquele lugar. Era uma enorme tenda, com almofadas e tapetes coloridos, jarras de
vinho, pes recheados e cestas de frutas. Vendo a cara de espanto dos rapazes, Gui tratou de explicar:
- Bom, vamos fazer um casamento em outra dimenso.  um jeito muito antigo e tradicional dos bruxos se casarem.
Poucos ainda realizam as cerimnias assim, saem muito caras. No entanto,  o jeito mais seguro que encontramos, sem
ter que nos desgastar realizando feitios antiaparatao, contratando guardas voadores e tomando outras providncias.
Gastamos todas as nossas economias nessa festa. Mas era vontade de Fleur que tudo fosse perfeito.
- Vem muita gente? - quis saber Harry.
- No, s os amigos mais ntimos da nossa famlia, alguns amigos e os pais de Fleur. Parece que o resto da famlia dela
no ficou muito satisfeito de saber que ela vai se casar com algum que foi atacado por um lobisomem. Agora chega de
conversa  hora de nos arrumarmos.
Nesse momento, trs homens entraram na tenda com as roupas em mos. E para espanto dos meninos se posicionaram
de modo que deu a entender que ficariam ali para ajud-lo as se vestirem.
A roupa de Gui era muito diferente de um traje de gala. Uma cala de linho cru, uma camisa de gola de amarrar azul
clara. Nas costas um desenho que iria simbolizar o braso daquele jovem casal. Nada de sapatos. O ajudante de Gui
molhou os cabelos do rapaz e os deixou ao natural.
Harry reparou que a roupa dele e de Rony eram iguais. Cala de linho verde-gua e uma bata aberta na frente branca.
Os dois tambm no usariam sapatos e os cabelos deveriam estar molhados. Eles se vestiram e os trs homens pediram
que se sentassem nas almofadas. O noivo e os padrinhos obedeceram. Um dos homens serviu vinho e po a eles e
comeou a explicar como seria a cerimnia. Rony receberia um colar de orqudeas, que simbolizavam a vida nica que o
casal levaria. Harry receberia um colar de damas-da-noite, para que a vida do casal fosse bela e perfumada. Na hora
certa os dois deveriam sair de seus lugares e colocar os colares sobre o casal.
- No  to complicado assim - comentou Rony, j de posse do seu colar.
Enquanto isso, Gina e Hermione tambm dividiam uma tenda com Fleur. Havia as mesmas coisas que na tenda dos
rapazes, mas as roupas, com certeza eram diferentes. As duas jovens madrinhas usariam vestidos longos, amarelos, sem
enfeites ou ornamentos. E por mais simples que fossem, deixavam as duas com ar de princesas. O vestido de Fleur era
incomparvel. Sem mangas, de um tom lils-etreo, o vestido parecia ser feito de ar.
As ajudantes das moas explicaram como seria a parte de cada uma dentro da cerimnia. Hermione jogaria sobre os
noivos um p dourado, para iluminar o caminho da nova famlia e Gina ficaria encarregada de colocar as alianas nos
dois.
O susto da garota foi grande quando percebeu que as alianas eram feitas com mrmore de chifre de unicrnio. Mas
uma das mulheres explicou que aquele chifre foi doado. Sempre que desejar, um unicrnio pode ceder seu chifre a quem
quer que ele ache merecedor. E o casal foi escolhido por um dos unicrnios da Floresta Proibida de Hogwarts: Gui pela
bravura ao defender o castelo e Fleur por demonstrar um amor que vai alm das aparncias e a tudo suporta!
- Chegou a hora - avisou uma das moas.
Diferente do que esperavam, nenhum dos rapazes fez par com as moas. Harry se sentiu decepcionado. Acreditou que
aquela seria uma de suas poucas oportunidades de estar ao lado de Gina.
Eles entraram atrs de Gui, segurando os colares de flores. Harry reparou que o salo de festas era tambm uma tenda,
s que muito maior que a que tinha ficado. Os convidados sentavam no cho, sobre almofadas. Ele pode ver Tonks,
Lupin, a prof. Minerva, vrios outros aurores. Do outro lado, pessoas totalmente diferentes que ele adivinhou serem os
amigos de Fleur. E mais a um canto viu uma jovem loira, muito elegante apesar da simplicidade das roupas. Seus
cabelos brilhavam muito e sentiu que, apesar das manchas no rosto, se fosse possvel se jogaria aos ps dela.
Reconhecendo a sensao, Harry reconheceu a jovem. Aquela era Gabrielle, irm mais nova de Fleur. Ele tambm
reparou que Rony a olhava com o mesmo interesse.
Finalmente chegaram ao altar. Uma mesa curta e estreita, coberta com uma toalha branca, onde estava bordado uma
beno ao casamento em rnico.
Os garotos foram para seus lugares e uma suave msica comeou a tocar. Ento, no final do corredor, as duas
madrinhas entraram. Elas andavam to suavemente que pareciam estar flutuando. Eram como anjos vindo na direo do
altar. Harry sentiu o corao pular dentro do peito enquanto Gina se aproximava e pode perceber que o amigo suspirava
olhando Hermione. As duas se posicionaram do lado oposto e ento, Gabrielle comeou a cantar.
Aquela voz de semi-veela, embalando a entrada da noiva, fez todos se sentirem num conto-de-fadas. Fleur caminhou
delicadamente e chegou at o noivo, que a pegou pelas mos e levou at o altar. O resto da cerimnia foi bem rpido e
assim que eles se beijaram, j casados, todos os presentes se puseram de p e comearam a aplaudir.
A festa comeou. Ouvia-se msica, mas ningum sabia de onde vinha. O almoo foi servido no cho mesmo, e os
pratos surgiam em meio aos tapetes. Havia salmo defumado, salada de frango, torta de queijo alm de diversos
aperitivos e canaps franceses. Alm do bolo de casamento, com bonequinhos personalizados que danavam e se
abraavam, havia crepes com sorvete de limo, morango ou caramelo.
Muitos dos convidados estavam danando e Harry achou que poderia chamar Gina para danar. A garota aceitou e eles
quase no se falaram. Quando a msica acabou, o rapaz criou coragem e falou:
- Senti muito a sua falta.
Como ela no respondeu, ele ia se retirar. Mas sentiu que a mo da garota ainda o segurava. Sem dizer uma palavra, ela
o puxou para fora da tenda. Eles procuraram um lugar para sentar e logo acharam um tronco de rvore, estrategicamente
colocado embaixo de outra rvore de galhos grandes, que fazia uma sombra agradvel. J acomodados, ela tomou a
iniciativa, puxou o rosto de Harry e deu-lhe um longo beijo.
O rapaz queria que aquela sensao no terminasse nunca. Os dois ficaram assim, sem falar, apenas se beijavam,
olhavam nos olhos um do outro e sorriam. Por fim, Harry decidiu que enquanto estivesse em Hogwarts, eles teriam uma
chance. E combinou de pedir autorizao aos pais da garota para namorarem no dia seguinte.
Enquanto isso, na festa, Hermione procurava pelos dois, mas acabou encontrando outra cena. Muito desagradvel, na
opinio da garota. Rony estava sentado com Gabrielle. Os dois conversavam animadamente. E para piorar as coisas,
Gabrielle no parecia aborrecida com a situao. Sem nenhuma cerimnia, Mione interrompeu a conversa:
- Aqui, voc viu o Harry por a?
Rony assustou-se ao perceber a garota ali ao lado e respondeu depressa:
- No, a ltima vez que o vi eles estava danando com a Gina.
- timo - respondeu Mione mau-humorada. - Vou procur-lo!
Deu as costas a Rony e saiu pisando duro. Aquele rapaz era mesmo muito ousado para se dar ao luxo de conversar com
a irm de Fleur. O que ele achava? Que iria se casar com ela e assim juntarem de uma vez as famlias? Ela continuou
andando e pensando at que se viu fora da tenda e deu de cara com Harry e Gina aos beijos.
Ela no sabia se ficava feliz ou zangada. Aquilo no era lugar. Eles deveriam ser mais discretos. Se os pais de Gina os
visse seria um escndalo.
- Hum-hum - fez a garota.
O casalzinho deu um salto do tronco e enquanto Gina ria do susto, Harry parecia muito aborrecido.
- Isso  coisa que se faa, Mione?
- Eu ia perguntar o mesmo a vocs dois. Deveriam saber que esto bem na sada da tenda. Qualquer um que queira ir
embora iria peg-los em flagrante. Bom, mas pelo visto, hoje  o dia dos casais... - comentou ela por fim.
- O que quer dizer? - questionou Gina.
- Ah, voc sabe, voc e Harry, Rony e Gabrielle...
- O qu? - indagou Gina, quase aos berros.
- Isso mesmo. Neste exato momento seu adorvel irmozinho est l dentro com a irm de sua cunhada. No me
espantaria se entrasse agora e encontrasse os dois do mesmo jeito que encontrei vocs agora - disse Mione, tentado
parecer impassvel.
Harry olhou para Gina como quem diz "vai entender", e os trs entraram novamente.
Rony continuava com Gabrielle, os dois agora danavam animadamente. E teriam ficado assim, se o rapaz no visse a
cena seguinte.
Hermione sentou aborrecida em uma almofada, desfez a trana que prendia seu cabelo e ficou alisando a franja,
displicentemente. Nisso, um jovem, alto, bonito, de cabelo comprido, olhos castanhos, se aproximou dela e se
apresentou.
- Ol, meu nome  Phillip Wells. Sou um ex-colega de escola do Gui. Posso me sentar?
- Cl-claro - disse a jovem um pouco desconcertada. - Eu sou Hermione Granger, sou...
- Eu sei quem voc .  colega de escola de Rony, n? E a melhor amiga de Harry Potter. J vi fotos suas no Profeta
Dirio e na casa de Gui.
- , isso mesmo, Phillip.
- Me chame de Phill, por favor. Mas voc  ainda mais bonita pessoalmente. Agora eu entendo porque Rony tem tantas
fotos suas guardadas na escrivaninha.
A garota no sabia se ficava mais feliz por ser elogiada por algum to interessante quanto Phillip ou por saber que
Rony colecionava fotos dela. De qualquer maneira, o rapaz era muito simptico e tinha um sorriso cativante. A conversa
fluiu muito bem entre os dois e logo eles estavam danando.
Quando comeou uma msica mais lenta, eles continuaram danando, mas desta vez, bem abraados. Rony no
agentou a situao, deixou Gabrielle no meio do salo e correu em direo a Mione e Phill. Parou ao lado dos dois e
puxou Hermione pelo brao.
- Ei, que  isso, Rony? - perguntou ela.
- Preciso falar com voc, agora!
- No pode esperar at a msica acabar? - perguntou Phill.
- No, no posso - respondeu Rony com grosseria.
A essas alturas todos haviam parado de danar e observavam a cena. Sem se importar com nada, Rony disse:
- J esperei tempo demais.
E sem dar chances da menina recuar, puxou-a pelos braos e lhe deu um beijo de tirar o flego. Os dois s pararam de
beijar quando perceberam os aplausos e gritos dos convidados. Os pais de Rony no sabiam se ficavam felizes com a
situao ou aborrecidos com a atitude do filho.
- Vamos sair daqui - disse ele  garota.
Ela apenas concordou com a cabea e os dois sumiram para fora da tenda. Eles continuavam de mos dadas, mas no
sabiam o que dizer. At que Rony criou coragem e falou:
- Eu no menti quando disse que j tinha esperado tempo demais. Desde o Baile do torneio, voc lembra? Aquele em
que voc foi com Krum.
- Lembro - disse ela em voz baixa - eu fiquei enrolando o Vtor um bom tempo, esperando que voc me convidasse. E
depois voc comeou a sair com a Lil... Eu deixei quieto. Achei que estava confundindo as coisas.
- Eu tambm. Acho que por isso nunca fiz nada antes.
- E agora?
- Agora o qu?
- Como a gente fica?
- Bom, voc fica comigo, eu fico com voc... ento posso supor que a gente fica feliz!
Os dois continuaram l fora muito tempo. Ningum queria interromper. Alm disso, a conversa l dentro estava muito
animada.
- Pois  Gui, voc est me devendo uma - disse Phill divertido. - Me pediu s para provocar cimes no seu irmo, mas
no falou nada quanto a passar vexame na frente de ningum.
- Ento foi tudo armao? - quis saber Gina.
- Na verdade no. Phill sempre achou Hermione muito atraente. Mas quando descobrimos as fotos dela na cmoda do
Rony e percebemos que ele gostava dela, achamos que os dois tinham mais a ver um com o outro. A bolamos um plano
para dar uma fora para ele perder a timidez e falar com ela de uma vez - explicou Gui.
- E se Rony no tentasse separar os dois? - perguntou Harry.
- A, provavelmente seria eu quem estaria com a sua amiga l fora - riu-se Phill.
- 9 -
A primeira manifestao
O dia seguinte foi de reorganizao. Gui e Fleur viajaram em lua de mel para a ndia. Harry enrolou na cama na
esperana que quando descesse pra tomar seu caf, s a Sr Weasley estivesse na cozinha.
Quando desceu, viu que seu plano funcionara. Mas alm da me de sua namorada, o pai dela tambm estava na cozinha.
- Uma bela festa, no achou, Harry? - perguntou o Sr Weasley.
- Ah, sim, com certeza.
- Foi uma surpresa ver o Rony beijar a Hermione. Mas eu fico feliz, ela  uma tima garota - comentou a Sr Weasley.
Pronto, aquela era a deixa, o momento ideal. Ele ia falar. Precisava falar. Prometera a Gina que faria isso.
- Ahn... Sr Weasley... eu, eu gostaria de falar com vocs - disse o jovem j com o rosto vermelho.
- Pode dizer, meu rapaz - respondeu o Sr Weasley.
-  um assunto delicado.
Os pais de Gina sentaram a mesa junto dele e esperaram que ele falasse.
-  o seguinte, quero dizer, ah... eu gosto muito de todos vocs, e no quero chatear ningum aqui dentro. Ento achei
melhor abrir o jogo, isso  o certo.  mais honesto, no  verdade? Assim ningum pode me acusar de abusar da
confiana de ningum. E se vocs no aceitarem, tudo bem.
Harry teria ficado ali, falando coisas desconexas, se a Sr Weasley no o interrompesse dizendo:
- Querido, ser que pode ser mais objetivo? No entendemos nada do que diz.
- Eu quero namorar a Gina - disse o rapaz de uma s vez, antes que perdesse a coragem.
Parece que o sr e a sr Weasley tinham levado uma bofetada. Ficaram plidos, olhando o garoto sentado a sua frente.
Harry teve certeza que eles no o aceitariam. Quem aceitaria o pior inimigo de Voldemort como genro? Nenhum bruxo
em s conscincia. Ele j se levantava da mesa, com cara de derrota, quando o sr Weasley falou:
- Acho que lhe devo um galeo, Molly.
- ... e acho bom pagar mesmo, Arthur.
Harry ficou olhando os dois, enquanto o Sr Weasley tirava um galeo da carteira e o entregava  mulher.
- Sabe o que , Harry, Molly e eu apostamos a noite passada que agora que Rony e Hermione estavam namorando, voc
no demoraria para assumir seu romance com a Gina. Eu disse que voc nos escreveria de Hogwarts contando, mas ela
disse que voc falaria ao vivo. E vejo que ela tinha razo.
- Ento, vocs, vocs j sabiam? - perguntou atnito o rapaz.
- Sim, ns samos ontem para tomar um ar fora da tenda e vimos vocs juntos - disse a sr Weasley.
O rapaz ficou muito constrangido e teria sado correndo dali se 4 corujas no tivessem chegado. Uma para cada um dos
jovens que ainda estudavam. O sr Weasley foi chamar os outros trs.
Diferente dos outros anos, a carta era igual para todos.
Prezado aluno,
Eu, professora Minerva McGonagal, nova diretora de Hogwarts, empossada de acordo com a vontade do Conselho dos
Bruxos e autorizao do Ministrio da Magia, informo que, por medidas de segurana, a lista com os materiais
necessrios para o ano letivo correspondente a sua idade no ser enviada.
Ao contrrio, todos os livros sero trazidos para Hogwarts e distribudos entre os alunos. Portanto, pedimos aos pais que
enviem o valor abaixo descrito, para pagar o material requisitado.
Outras peas, como frascos extras, penas novas e tintas coloridas podero ser encomendadas com o diretor de sua Casa.
O Expresso de Hogwarts sair, como sempre, do mesmo lugar, no dia 1 de setembro, s 11h.
Atenciosamente, Diretora Minerva Macgonagal
Todos pensavam a mesma coisa: o que tinha acontecido para que a escola no enviasse a lista com os materiais? E essa
agora de fazer encomendas?
A resposta veio com a coruja que sempre entrega o Profeta Dirio para Hermione. Na capa, com fotos horrveis e letras
garrafais a notcia:
EXRCITO DAQUELE-QUE-NO-DEVE-SER-NOMEADO ATACA BECO DIAGONAL
Cerca de 15 bruxos morreram na manh de hoje quando um pequeno exrcito "Daquele-que-no-deve-ser-nomeado"
atacou o Beco Diagonal. A maior parte era de bruxos de famlia tradicional, o que nos faz acreditar que o interesse deles
no  apenas caar mestios ou trouxas.
O exrcito era formado por seres desconhecidos, completamente deformados, mas armados com varinhas. Eles
utilizaram maldies imperdoveis de tortura e aniquilimento. E revelaram novas magias ainda mais terrveis, mandando
direto para o St, Mungus mais de 10 bruxos em estado grave.
O Ministrio da Magia interditou o Beco Diagonal e est fazendo uma busca no lugar para encontrar pistas de que
criaturas sejam essas.
-Est explicado - comentou Gina em voz baixa.
- Ento  isso? Eles atacaram, finalmente.
- Sr Weasley, o sr precisa avisar algum. Aquelas criaturas, elas no existem. Quero dizer, elas existem agora. So
invenes de Voldemort. Ele tem cruzado dementadores, grgulas, gigantes e todo tipo de criatura das trevas.
- Fique calmo, Harry. Eu sei disso. O Ministrio tambm sabe. Mas ele no pode saber at que ponto conhecemos seus
planos. Agora, acho melhor vocs arrumarem suas coisas. Com o Beco Diagonal interditado, teremos que sair mais cedo
para alcanar o Expresso antes das 11h.
- 10 -
Mudanas na escola
Como era de esperar, um verdadeiro batalho de aurores veio proteger Harry durante sua ida at a plataforma. Todos, 
claro, estavam disfarados e Harry no conseguiu falar com ningum. No entanto nada aconteceu e eles entraram no
trem com tranqilidade.
Eles procuraram uma cabine e encontraram logo no segundo vago. Rony e Hermione foram receber as instrues de
monitor e deixaram Gina e Harry sozinhos.
- Olha, Gina, eu falei com seus pais. Eles, eles deixaram.
- Eu sei, minha me me disse.
- Mas eu queria pedir um favor a voc.
- Pode dizer. Voc sabe que pode contar comigo pra tudo, n? Vai, diz a, o que  que voc quer de mim?
- Eu queria que mais ningum soubesse.
Diante da cara de decepo da menina ele explicou:
- Eu queria poder gritar para o mundo inteiro o quanto gosto de voc, o quanto fico feliz ao seu lado. Mas Voldemort j
colocou tantos espies dentro da escola, e eu no quero correr o risco que ele te faa mal.
- Eu j lhe disse que no me importo com isso.
- Mas eu me importo, Gina. Entenda, por favor! Eu j perdi meus pais para ele, perdi meu padrinho por causa dele e h
pouco tempo Dumbledore morreu por ordem dele. Se acontecer alguma coisa a voc, eu no vou agentar - falou
desesperado.
Gina viu a sinceridade e o sofrimento nos olhos do namorado. S agora ela entendia o que era namorar Harry Potter - o
menino que sobreviveu. Um menino que s chegou at onde estava porque muitas pessoas o amaram com tanta
intensidade que foram capazes de se sacrificar por ele. E se fosse preciso, ela faria o mesmo. Mas ele no poderia se
afastar dela. Ento, para amenizar a situao, ela respondeu:
- Tudo bem, eu prometo, ningum vai saber de nada, ok? Agora me d um beijo!
A viagem transcorreu calma e sem tumultos. O trem estava bem menos cheio que os anos anteriores. E quase nenhum
aluno da Sonserina regressou. Quando eles chegaram, perceberam que no havia os barcos destinados aos alunos do
primeiro ano. Eles iriam para a escola em tapetes voadores. Os alunos dos outros anos continuaram com suas carruagens
puxadas por testrlios.
-Tapetes voadores, Hagrid? Eles no so proibidos? - perguntou Hermione, preocupada que o guarda-caas estivesse
infringindo alguma lei.
- Ah, no, Hermione. No estes aqui. Eles no so "Tapetes mgicos" comuns. Se vocs repararem neles vo ver isso.
Realmente, os tapetes eram os mesmos que ficavam nas paredes do castelo, ocultando passagens ou simplesmente
enfeitando. Vendo a surpresa dos meninos, Hagrid se ps a explicar:
- Foram enfeitiados pelos prprios professores da escola, com autorizao do Ministrio. E s servem para transportar
os alunos daqui at o castelo. Eles no saem de sua rota nunca.
- O Ministrio autorizou? - perguntou Rony.
- Sim - falou Hagrid - desde que a professora explicou a eles que no lago tambm haviam criaturas das trevas e que
no sabamos se estavam do lado de Voc-sabe-quem. Ah, e eu tenho novidades, Grope voltou para a Floresta.  mais
seguro ter um gigante por aqui, sabe?
Era uma pena que s os alunos de primeiro ano pudessem viajar naqueles tapetes, pensou Harry. Eles entraram na
carruagem e foram para o castelo.
O salo estava enfeitado, como de costume e os alunos do primeiro ano se preparavam para a seleo. Estavam todos a
mesa de suas casas quando Hermione apontou uma cadeira vazia. Faltava um professor.Os trs comearam a contar.
Acharam todos os professores de sempre. Firenze estava acomodado ao lado da mesa. No, estavam todos ali. Mas para
quem seria aquela cadeira?
A diretora Mconagal se levantou e todos pararam de falar. Ela comeou seu discurso.
- Caros alunos, hoje vocs me vem aqui como diretora dessa escola que tanto amo e pela qual tanto lutei nos ltimos
anos. Agradeo a Deus por ter permitido que a escola continuasse aberta. Tranc-la seria deix-los desarmados diante
das ameaas que nos cercam cada vez mais de perto.
- Espero que no me comparem a Dumbledore enquanto estiver na direo. Alvo Dumbledore era incomparvel e eu
nunca serei capaz de todos os feitos dele. Farei, sim, o possvel, para que a justia, a fraternidade e a confiana mtua
continuem vivendo entre nossas paredes.
- Este ano temos menos alunos. Muitos pais preferiram enviar seus filhos a escolas longe da Inglaterra. Alguns colegas
de vocs foram para Beauxatons, outros para Durmstrang e alguns ainda foram enviado para a Xamnica, que fica em
algum lugar da selva Amaznica, no Brasil. Mesmo assim, teremos a apresentao do Chapu Seletor, e os jovens aqui
presentes iro passar pelo conhecido processo de seleo.
O processo comeou e assim que todos os alunos foram encaminhados para as mesas de suas Casas, eles repararam que
o Chapu no havia sido retirado.
A diretora pediu silncio mais uma vez e respondeu aos comentrios sobre a permanncia do Chapu.
- Eu seria uma toupeira cega se no percebesse a dvida no rosto de cada um. E sei que muitos aqui so espertos o
suficiente para perceber tambm que, desta vez, o Chapu no cantou. Apenas dividiu os nossos novos amigos. Pois
bem, o Chapu ir cantar agora.
Como se esperasse essa ordem, o Chapu levitou do banquinho e se ps a cantar:
Eu perteno a Hogwarts, desde antes de Hogwarts existir
Vi inmeras coisas acontecerem
Coisas boas e coisas ruim
Festas e tragdias
Mas nunca vi o que aqui esta noite vai acontecer
Nem imaginei que um dia isso eu fosse fazer.
Existem tradies que devem ser respeitadas
Existem tradies que devem ser abolidas
Assim como h novidades favorveis
Assim como h novidades negativas
Hogwarts ir, esta noite, inovar
Ir ensinar o que ningum aprendeu
Ir ensinar algo que j morreu
Se isso vai funcionar?
No sei, no posso saber
Eu sei o que se passa na mente
E o futuro nunca esteve na cabea de ningum
Assim, irei selecionar quem de todos aqui ir participar
Da nova disciplina
Assim que ela mandar, assim que ela ordenar
Hoje  a ela que eu sirvo e s a ela responderei
- As canes do Chapu sempre foram confusas, mas desta vez ele se superou - resmungou Rony. - Ser que ele estava
falando a McGonagal? Ser que ela tem tanto poder assim?
- No seja bobo, Rony - pediu Hermione. - Deve ser algum diferente. Voc no ouviu ele falar sobre inovaes?
- Olha, Mione, no leve a mal, mas s voc consegue prestar ateno a tudo o que  dito antes do jantar maravilhoso
que nos espera - respondeu Harry.
- Eu queria entender como vocs conseguem comer tanto? - perguntou Gina.
E eles teriam continuado assim se a diretora no estivesse de p mais uma vez. No pedindo silncio, mas falando com
Hagrid que acabara de chegar pela porta lateral. A diretora parecia muito satisfeita e fez um sinal a Hagrid para agilizar
as coisas.
Ela esperou alguns instantes e pediu um pouco de ateno aos alunos.
- Sei que muitos j esto famintos, mas peo mais um pouco de pacincia. Garanto que o banquete desta noite vai ser
maravilhoso! Mas agora  chegada a hora de darmos as boas vindas a nova professora de Histria da Magia Avanada -
Srt Ada Heleonor Goldrisch.
As portas do salo se abriram e uma jovem mulher, aparentando no mais que 25 anos, entrou. Ela era morena, cabelos
levemente ondulados, soltos, que iam at a cintura. Usava um traje parecido com o que Gina e Hermione usaram no
casamento de Gui, um vestido longo, de linho. S que este era vinho e tinha bordados em prata na barra. Ela era
extremamente comum, mas todos a olhavam com admirao. Alguma coisa emanava daquela mulher que inspirava
confiana.
Quando ela chegou at a diretora  que eles puderam reparar o quanto ela era baixinha. No devia ter mais que 1,65. No
entanto, enquanto andava, dava-lhes a impresso de ser mais alta at que a Madame Mxime.
A diretora McGonagal pediu-lhe que falasse com os alunos antes da seleo e ela logo se fez parecer muito maior. 
medida que falava, tomava conta da sala, o resto sumia e ela era o centro das atenes.
- Boa noite a todos!  encantador estar aqui, numa escola to tradicional quanto Hogwarts. Tenho a mais absoluta
certeza que nem vocs, nem seus pais j ouviram falar de mim. Sou de uma outra terra e s vim para c atendendo um
pedido especial de Dumbledore. Era vontade dele que esta disciplina - Histria da Magia Avanada - fosse includa na
grade curricular de vocs h muitos anos. Mas s agora isso se tornou possvel.
- Muitos esto pensando o que uma mulher to jovem sabe sobre Histria da Magia, ainda mais Avanada. Eu s posso
lhes dizer que no se deixem julgar pela aparncia. Tenho idade suficiente para conhecer a minha disciplina. Quanto ao
uso do Chapu Seletor. Cada aluno colocar o Chapu e ele dir Sim ou No. Quem receber o Sim poder cursar a
matria, independente de estar no primeiro ou no ltimo ano de escola. O resto, ns conversaremos em sala de aula.
Assim, cada aluno foi at o banquinho e colocou o Chapu. Ao final, apenas 45 alunos foram selecionados, entre ele,
Harry, Hermione, Rony e Gina.
- Ento temos 3 turmas de 15 alunos. Vocs recebero os horrios dentro de dois dias. Agora vamos comer, no 
mesmo diretora, porque eu estou faminta.
A diretora deu a ordem e os pratos apareceram. Cada um mais saboroso que o outro. Havia pur de abbora com
ervilhas, tortas de frango, presuntos com molho de abacaxi, arroz temperado com salmo e bolo de carne recheado com
rim. A sobremesa foi ainda mais estupenda. Em cada mesa havia pilhas de waffles regados com gelia de framboesa,
cascatas de sorvete, bombas de chocolate e pudins caramelizados.
Todos comeram bem e foram para seus dormitrios. Os ltimos a deixar o Salo Comunal da Grifinria foram os dois
casais, que aproveitaram o momento de descontrao para fazer planos para o futuro. Eles sabiam que era imprudente
fazer planos para o futuro com um presente to incerto. Mas era isso que Dumbledore queria, que eles fossem jovens. E
era isso que eles estavam sendo.
Eles foram dormir, mas combinaram que, se um dia chegassem a se casar, fariam isso no mesmo dia.
- 11 -
O livro de famlia
Assim que as aulas comearam os alunos se viram envoltos em montes de deveres, afinal aquele era o ano dos NIEMS.
Hermione quase no arrumava tempo para ficar com Rony, pois fazia duas matrias a mais que ele. Mas os quatro
jovens namorados encontravam-se na biblioteca ou no Salo Comunal para fazerem os deveres juntos.
Sempre que podia, Harry ajudava Gina e Hermione fazia o mesmo com Rony.
O segundo dia de aula foi interrompido por um estranho mensageiro. Firenze bateu a porta da estufa n 4, em que a
Professora Sprout ensinava como obter suco de estfilas do pntano, que mais tarde seriam usadas na preparao de
poes elucidativas (usadas em pessoas que apresentem confuso mental aps acidentes com feitios). Ele pediu que a
professora entregasse os horrios dos alunos que teriam aula com a professora Goldrisch.
Harry checou seus horrios com Rony e Hermione e ficou feliz ao ver que estavam na mesma turma. Ao que parecia os
alunos foram separados por idade. A primeira aula aconteceria na quinta-feira, aps o jantar. Isso era muito estranho.
Alm de Astronomia, eles nunca tiveram nenhuma aula  noite.
No final da aula, os garotos receberam como dever da Prof. Sprout pesquisar e listar os outros usos das estfilas do
pntano. Decidiram que seria melhor fazer o dever de uma vez, logo aps o almoo, assim teriam o resto do dia livre
para ir at a sala de Dumbledore.
Harry correu at o dormitrio atrs de pergaminho para fazer a lista, mas ao abrir o malo, viu o livro em branco que a
Prof. Minerva havia lhe entregado no dia de seus 17 anos. At ento ele no tinha dado muita importncia aquilo.
Tomado de um impulso ele pegou e abriu o livro. Logo uma luz laranja saiu de dentro dele e muitas letras surgiram. A
primeira folha s continha
Histria e Genealogia da Secreta Famlia Wichan
As letras lembraram Harry do dirio de Tom Riddle. E ele saiu correndo para encontrar os amigos. Chegou ao salo
comunal e aproveitou que a maioria dos alunos estava nos jardins aproveitando o resto do vero, contou aos amigos o
que aconteceu.
- Acho que isso  mais importante que os deveres - disse Hermione.
- Essa  a primeira vez que vejo voc falando uma coisa do tipo - zombou Rony - est passando mal?
- Agora no  hora para brincadeiras, Rony. Um livro que pode revelar a Harry a origem da famlia dele. Uma famlia
que preferiu deixar de existir para no complicar a vida de seus descendentes. Uma famlia antiga. Precisamos descobrir
tudo. E para isso, Harry precisa ler o livro.
- Mas o livro ir se apagar, esqueceu? - questionou Harry.
- No, no me esqueci. Mas voc pode l-lo em voz alta. - retrucou a garota com um sorriso inteligente.
Os trs correram para a sala de Dumbledore. A grgula, assim que viu Harry, no esperou senha alguma, apenas pulou
para o lado e liberou a escada em espiral. Eles subiram e entraram na sala do ex-diretor.
J havia um quadro dele na parede, acima da cadeira. Tudo estava exatamente como ele deixou. Harry olhou o quadro e
esperou que este lhe acenasse, desse um "oi", mas nada aconteceu. Os outros quadros estavam dormindo e Harry achou
melhor no perturbar ningum.
Hermione se acomodou conjurando uma almofada. Pegou tambm, uma pena, vrios metros de pergaminho e tinta.
- Para que isso tudo? - perguntou seu namorado.
- Digamos que eu vou brincar um pouco de "Rita Skeeter" - riu-se a garota.
Rony pegou outra almofada e Harry sentou na cadeira do diretor. Abriu o livro e continuou a ler.
Histria e Genealogia da Secreta Famlia Wichan
Quem somos, de onde viemos e onde estamos agora.
Este livro s poder ser lido uma vez por cada descendente da famlia Wichan, e quando no restar mais nenhum na face
da Terra, ele se auto-destruir.
No ano de 7.500 antes do nascimento do profeta chamado Jesus, foi registrado nas terras de Aurillan, a primeira pessoa
com habilidades mgicas.
Essa pessoa, uma menina de cabelos escuros, olhos mais escuros ainda e pele morena, recebeu o nome de Mairika
Wichan, que no idioma antigo significa "A dona da magia".
Mairika viveu um tempo muito feliz e muitas crianas depois dela apresentaram as mesmas habilidades. Logo que
completou a idade de 13 anos, Mairika foi entregue em casamento ao jovem Herick, da famlia de Almiras. Os dois se
amaram desde o primeiro momento e tiveram seis filhos. Todos carregavam o nome Wichan: as mulheres Mistril, Morgi
e Muriel; os homens Morgan, Millea e Mouruz.
Todos tiveram nome com a letra M, pois Herick queria que todos soubessem o quanto amava a mulher e o quanto se
orgulhava de estar com ela.
Nessa poca, e durante os dois mil anos seguintes, tudo que havia em Aurillan e nas terras vizinhas era paz. Elfos,
fadas, anjos, mortais e muitos outros seres conviviam em harmonia.
No havia distino entre sangue mgico e no-mgico. A magia fazia parte da terra e algumas vezes se manifestava
nas pessoas e outras vezes no.
No ano de 5.000 antes ainda do grande mgico, o irmo mais novo de Herick, Lurstre, reclamou aos pais o direito de ter
um filho com habilidades mgicas, visto que os seis filhos de seu irmo eram excelentes bruxos.
Lurstre se casou com uma jovem de nome Hildde, teve muitos filhos com ela, mas nenhum apresentou as mesmas
habilidades que seus sobrinhos.
Dominado pela raiva e pela inveja, Lurstre espalhou a mentira que Mairika havia amaldioado as outras famlias para
que no existissem mais bruxos alm deles e que posteriormente, ela usaria seus poderes contra todos.
Infelizmente, a maldade faz parte do corao do homem. E quando encontra terreno propcio, desabrocha e se
transforma numa rvore de dio e injustias. Muitos que nunca apresentaram habilidades mgicas ficaram do lado de
Lurstre. E Aurillan entrou em guerra.
Com medo da sorte de seus filhos naquele lugar dominado pela maldade humana, Mairika e Herick usaram uma magia
e enviaram os seis, para longe dali. Os filhos de Mairika e Herick foram separados aos pares e cada par carregavam
consigo uma jia, na qual havia sido depositada toda a habilidade mgica de sua me. Mistril e Mouruz foram enviados
ao Egito e durante muito tempo foram sacerdotes. Muriel e Millea ficaram ao norte da Europa e se misturaram aos
vikings. E Morgi e Morgan, foram enviados a Inglaterra. Mairika e Herick venceram o exrcito de Lurstre. Sempre 
fcil vencer quando o inimigo  ganancioso.
Mas no tiveram tempo de chamar seus filhos de volta. Antes que Lurstre tivesse tempo de reunir outro exrcito,
Mairika usou seus poderes para tirar Aurillan da Terra. A cidade natal de todos os wichan agora no mais existia, tinha
desaparecido.
Parecia que Harry podia ver cada cena, cada imagem. Ele avistou o rosto de cada um de seus antepassados e viu o
destino de cada um deles.
Os trs s pararam quando a barriga roncou e eles lembraram que ainda tinham duas aulas naquele dia.
Harry estava cansado. Era como viajar no tempo. Como entrar na penseira de Dumbledore. Antes que sassem da sala,
ele procurou algum carto, mas no encontrou. Ento, pediu a Mione que guardasse as anotaes ali, assim evitariam
que algum mais soubesse de todas aquelas histrias.
- Aquilo tudo... todas aquelas informaes... ser que so realmente verdadeiras? - perguntou Rony.
- No sei ao certo, mas a sensao que tive foi de estar invadindo a memria de algum e ver os fatos como se tivessem
acontecendo exatamente agora - responde Harry, ainda cansado da leitura.
- Mas foi isso o que voc fez - disse Hermione.
Rony e Harry pararam e olharam para a garota.
- O que voc quer dizer? - indagou Harry.
- Ah,  que eu reparei que enquanto voc narrava a sua voz ficou diferente, mais grossa e mais... idosa. Parecia ser um
velho de uns setenta anos pelo menos. E voc no olhava para o livro, a luz do livro entrava pelos seus olhos e voc
falava o que ela lhe dizia. Foi estranho! - disse a garota.
- ... agora que voc falou, Mione, eu tambm reparei que ele ficou estranho. Mas j vi o Harry de cada jeito que nem
me toquei que poderia ser alguma coisa significativa.
- Agora no d mais tempo de discutir. Ainda temos dois horrios, eu de Runas e vocs de Adivinhao. Nos vemos na
hora do jantar.
Mione deu um beijo rpido em Rony e correu em direo a sua sala. Os garotos tambm foram para o primeiro andar,
onde teriam aulas na sala preparada para o professor de Adivinhao.
Dentro da sala, como sempre, estava escuro, como se fosse noite. Mas desta vez era uma noite diferente. No alto do teto
encantado, quase no havia estrelas e uma lua cheia, enorme, brilhava solitria.
Os alunos foram chegando e sentando na grama em volta do professor. Quando todos estavam presentes, Firenze
comeou a falar.
- H um ano eu expliquei a vocs que ns, centauros, aprendemos a delicada arte de ler as estrelas. H um ano eu tento
ensinar um pouco disso a cada um aqui presente. E confesso, tenho ficado feliz com os resultados. Mas hoje, vocs iro
aprender a conversar com a Lua.
Houve um rebulio na sala. Todos queriam saber o que era conversar com a Lua, como ela responderia se estava to
longe.
- Do mesmo jeito que conversamos com nossa conscincia. A Lua responder dentro de cada um de vocs. Mas no se
esqueam, os astros so instrumentos divinos e s nos falam de coisas que realmente tm importncia. Perguntar-lhes os
nmeros de um bilhete de loteria, os sentimentos de algum em relao a voc ou qualquer banalidade  um insulto, e o
cu pode se fechar em nuvens na mesma hora. Portanto concentrem-se e perguntem  Lua o que ela lhes permite ver.
Alguns alunos deitaram na relva para ver melhor o satlite. Outros se ajoelharam e alguns faziam gestos estranhos 
medida que faziam suas perguntas. Harry continuou sentado, com as pernas cruzadas, mas no perguntou nada. No
queria saber do futuro. Tinha medo de descobrir que poderia morrer a qualquer momento, que Voldemort entraria pelas
portas do salo principal e usaria um Avada Kedrava coletivo e todos cairiam mortos ali.
- Isso no vai acontecer - respondeu-lhe Rony.
Harry sobressaltou-se. Ser que estivera pensando em voz alta? Mas Rony continuou falando com a voz um tanto
alterada e mais alta que de costume. Todos na sala pararam suas tentativas e prestavam ateno no garoto. At o
professor se mostrou interessado.
- Isso no vai acontecer. Ele no vai entrar aqui. No antes de voc descobrir as 3 ltimas peas do quebra-cabea. No
antes de voc descobrir quem realmente . A ele vir. E o duelo acontecer no crculo de ligao. E as coisas voltaro a
ser como devem ser.
Quando acabou de falar, ele simplesmente caiu de costas e ficou deitado, meio inconsciente. Firenze pegou o rapaz no
colo e partiu com ele para a enfermaria. Todos os alunos perguntaram a Harry o que estava acontecendo.
- No fao idia, mas vou at a enfermaria. Preciso ver se ele est bem.
Harry sabia que precisava avisar Hermione. No deveria ser nada grave, mas ela era namorada dele. Ficaria aborrecida
se no a avisasse. Com essa idia em mente, ele se dirigiu ao outro lado do castelo. Bateu a porta da professora de
Runas, que ele nunca tinha visto antes e pediu licena para falar com Hermione.
- O que aconteceu? Por que veio me tirar do meio da aula? Voc descobriu alguma coisa?
- No, foi Rony...
- O que Rony descobriu? - interrompeu aflita, louca para voltar para a sala.
- Ele no descobriu nada, ele est inconsciente, na ala hospitalar.
Mione ficou branca como cera. Entrou na sala apressada, falou qualquer coisa com a professora e em cinco minutos eles
chegaram  enfermaria.
Madame Pomfrey tentava fazer com que Rony bebesse uma poo cinza, que mais parecia suco de cimento. Quando viu
os garotos, perguntou:
- O que fazem aqui? No me digam que tambm esto passando mal?
- No, senhora! Apenas queramos notcias do Rony. - disse Mione meio chorosa.
- Ele  seu namorado, no ?
-  sim...
- Olha mocinha, eu no tenho autorizao para lhe contar o que aconteceu com ele. Aconselho que voc procure o
professor Firenze. S posso dizer que ele ainda vai ficar assim por umas 12 ou 16 horas.
16 horas? Era muito tempo. E amanh era a primeira aula de Histria da Magia Avanaada. Ser que ele teria condies
de assistir? E o que teria acontecido realmente com ele?
Os dois procuraram o professor Firenze e no caminho Harry contou sobre a aula e o que Rony havia lhe dito.
Chegaram  sala do professor. Ele estava sentado sobre as quatro patas, com a cabea voltada para a Lua. Os alunos
entraram, sem fazer barulho e esperaram o professor terminar, seja l o que ele estava fazendo. Sem tirar os olhos da
Lua, ele falou:
- Isso vai acontecer mais vezes.
Os dois se olharam e Hermione perguntou:
- Isso o que professor?
- Os desmaios dele. Vo acontecer outros.
- E por qu? Ele est doente? - preocupou-se Harry.
O professor olhou, finalmente, para os garotos e pediu-lhes que sentassem.
- No meninos, ele no est doente. Ele  um abenoado. Nasceu com um dom e est revelando esse dom agora. Os
astros gostam do seu amigo. Falam atravs dele. Mas essa conexo  desgastante demais. Vocs tero que ter pacincia
com ele, pois no vai ser Rony quem ir decidir a hora de falar. S mais uma coisa meninos, ele dificilmente se lembrar
do que aconteceu. No forcem a barra com ele, ta?
Os dois deixaram a sala e foram para o salo onde seria servido o jantar. Gina estranhou a ausncia do irmo e eles lhe
contaram tudo.
- Ento, ele tem um dom to forte assim?
- Pelo que o professor falou, tem sim - respondeu Harry.
Hermione passou todo o jantar em silncio. Ficar ali, sem Rony no tinha graa. Ela mal tocou na comida e saiu da
mesa. Ia at a enfermaria ver o namorado.
Madame Pomfrey deixou que ela ficasse um tempo ali, at a hora de ir para o dormitrio. Ela sentou-se na cabeceira da
cama e ficou olhando o namorado. Ela sempre imaginou que a essas alturas estariam mortos de cansao de tanto duelar
com comensais, que teriam que fugir de vrios lugares perigosos e que estariam caando horcruxes por a.
Aquela paz era muito estranha. Mas muito feliz. Pelo menos o nico perigo que Rony corria era desmaiar porque uma
estrela lhe desejou boa noite.
A garota riu imaginando a cena. Deu um selinho rpido no namorado adormecido e saiu para o Salo Comunal.
- Como ele est? - quis saber a irm de Rony.
- Melhorou um pouco. No est mais inconsciente, mas a Madame Pomfrey deu uma poo para ele dormir. Assim,
amanh, na hora do almoo deve receber alta.
Eles continuaram a conversar mais um pouco e quando Gina reclamou sono, todos foram dormir. Antes de sair do salo,
Harry olhou para Hermione e ela entendeu o que ele queria dizer. Era para voltar daqui a pouco.
Harry esperou os colegas adormecerem e saiu, com sua capa da invisibilidade. Chegou ao Salo e encontrou a amiga
sentada, olhando a lareira.
- Ei, entre aqui embaixo - sussurrou Harry.
Ela entrou e quis saber para onde iriam?
- Como para onde? Vamos para a sala de Dumbledore. Preciso saber mais sobre a minha famlia. Voc ouviu o que o
Rony disse, nada vai acontecer at que eu descubra tudo. Precisamos ir ainda hoje.
Sem discutir, Hermione seguiu o amigo e logo eles entraram na sala. Estava tudo como haviam deixado, inclusive as
almofadas.
Harry esperou que a amiga se acomodasse e abriu o livro. As letras brilharam novamente e como na primeira vez, ele
comeou a ler.
A origem do preconceito e o retorno de Morgan e Morgis
Ao perder a guerra Lurstre espalhou ainda mais boatos. Disse que havia ganhado e mandado Mairika para o inferno
junto com os outros demnios. O povo que surgiu a partir dali cresceu ouvindo histrias de que a magia era m e
anti-natural.
Qualquer ser que apresentasse dons mgicos era aoitado, torturado e muitos foram mortos. Pais matavam filhos,
irmos matavam irmos.
Com a subida de Aurillan, o caos tomou conta da Terra. Mas Lurstre no sabia que seus sobrinhos estavam por perto. E
apareceriam mais tarde para exigir seus direitos.
A campanha de desmoralizao da magia deu certo e a vida daquele povoado ficou cada vez mais sem graa, montona
e comum. Os bruxos que ainda restaram, procuravam se esconder, com medo das represlias. Eles chamavam os
no-bruxos de trouxas, pois eram obrigados a carreg-los nas costas sem que esses percebessem.
Os bruxos passaram a casar s entre si e apenas seus filhos desenvolviam habilidades mgicas, pois eram estimulados
para isso.
100 anos aps o fim da guerra e da partida de Mairika e Herick, juntamente com toda Aurillan, para outro plano, dois
estranhos viajantes apareceram no vilarejo. Eram simples, humildes e pediam trabalho.
Conseguiram emprego nas plantaes de Lurstre. Mas eram tratados como escravo j que seu novo senhor era mau e
cruel.
Eles viveram ali, durante alguns anos, sem que ningum descobrisse suas identidades. Aqueles eram Morgan e Morgi,
filhos de Mairika e sobrinhos do homem que hoje os escravizava.
Como era costume, na poca, Morgan e Morgi se casaram e tiveram mais duas filhas: Mellena e Morgause. As duas
cresciam alegres e saudveis at que Lurstre descobriu que as meninas eram bruxas.
Ele se irritou com a ousadia daquele casal de escravos de incentivarem suas filhas a serem pecadoras. E ameaou jogar
as garotas no fosso do sacrifcio.
Nesse instante Morgi assumiu sua condio de bruxa e se fez maior que todos os presentes. Seus olhos escuros
perderam o brilho e ganharam a profundidade de um buraco negro.
Ela falou, e sua voz agora era vibrante como uma trovoada:
- No ouse tocar em nenhuma de minhas filhas, Lurstre. Ou vai sentir a mo da verdadeira herdeira dessas terras, a mo
de Morgi, filha de Mairika, senhora suprema da magia e das terras mgicas.
Lurstre recuou assustado, mas no quis demonstrar o seu medo e apenas disse:
-  uma louca que no sabe o que diz. Todos os bruxos e bruxas daquela maldita terra de Aurillan morreram.
-  mesmo? - perguntou Morgi, irnica. - Ento o que  isso que carrego em meu peito?
E Morgi abriu a gola de seu vestido e revelou um colar feito com ouro branco. Tinha um pingente em forma de
estrela-cadente, uma fada adormecida flutuava dentro da estrela, e a cauda possua belssimas pedras vermelhas.
- Mas isso... isso  uma legtima Andriax - aterrorizou-se Lurstre.
- Exatamente! E s uma Wicham pode possuir uma Andriax. Voc sabe, voc quis uma dessas um dia, lembra-se?
E o povo que presenciava a discusso finalmente descobriu o que Lurstre era. Uma infeliz criatura que desejou ter mais
do que podia. Desejou mudar o destino das criaturas. Aqueles homens que o temiam, por ter vencido o povo mgico, e
que agora eram seus escravos, deixaram o medo de lado. Queriam de volta sua liberdade. Lutariam por ela, se fosse
preciso.
Lurstre no era to forte assim. No suportaria ter que dividir suas terras, suas riquezas e seu poder. Preferia a morte.
Preferia acabar com sua prpria vida a deixar reles camponeses fazerem isso. Ento, num ato de verdadeira loucura,
correu e se jogou no fosso dos sacrifcios.
Morgi voltou a ser a simples camponesa, mas todos a respeitavam. Ela retomou a paz naquele lugar. Dividiu as terras
por igual com cada famlia. Ensinou as mulheres o que precisavam saber sobre o cultivo de ervas medicinais e como
utiliz-las. Contou histrias sobre o povo mgico s crianas.
E as pessoas voltaram a ter sonhos e a desejar desenvolver sua magia natural. E Morgan teve uma idia. Disse  sua
esposa-irm que viajaria por um ms e retornaria com uma grande novidade. E assim ele o fez.
Retornou um ms depois e avisou a comunidade que tinha conseguido um lugar, uma ilha, onde iria montar uma escola
de bruxaria. Ele daria aulas aos meninos e sua mulher daria aulas s meninas.
Esse lugar, mais tarde seria chamado de Avalon.
No comeo tudo correu bem, mas a semente da maldade j havia sido plantada por Lurstre. Logo a populao comeou
a crescer e no cabiam mais todas as meninas e meninos da aldeia. As famlias que no tinham seus filhos selecionados
ficavam irritadas, sentiam-se humilhadas, brigavam com os vizinhos.
Um dia, um pai furioso invadiu a ilha e quase matou o menino que entrou no lugar de seu filho.
E mais uma vez o mundo entrou em guerra. E essa guerra foi ainda mais sangrenta.
Morgi e Morgan decidiram que no fechariam a escola. Mas tomariam mais cuidado ao escolher seus alunos. Usando
uma magia muito antiga, envolveram a ilha em nvoas espessas e pediram ajuda ao povo das guas, para que nunca
deixasse uma embarcao desconhecida encontrar a ilha.
As filhas de Morgi cresceram e passaram a ensinar na ilha tambm. Uma vez por ano, Morgan deixava a ilha sob a
responsabilidade das mulheres e ia em busca de novos alunos. Quando ele voltava, era a vez de Morgi, ou uma de suas
filhas, procurar meninas talentosas para aprender a arte da magia.
E assim, foi durante sculos e milnios. Bruxas e bruxos viviam afastados dos homens, temendo represlias. Mas
viviam felizes. Casavam-se entre si e criavam seus filhos dentro de princpios mgicos.
Harry saiu do transe. Estava exausto. A leitura durou apenas uma hora, mas ele tinha a impresso de ter passado longos
anos sentado naquela cadeira.
Hermione relia suas anotaes e seus olhos brilhavam de emoo. Ela, uma trouxa de nascena, estava conhecendo
coisas sobre a histria da magia que muitos bruxos de sangue-puro no saberiam nunca.
Harry pediu  amiga que fossem dormir. No dia seguinte teriam aula at depois do jantar e ele queria descansar. Eles j
estavam deixando a sala, quando Harry reparou num envelope vermelho vivo.
E tinha seu nome nele.
- 12 -
O Carto chins
Harry guardou o envelope e deixou para ler no Salo Comunal. A essa hora no teria ningum acordado.
Realmente, quando chegaram, Harry sentou em uma poltrona perto da lareira e comeou a ler.
Caro Harry,
Veja como a China  um pas encantador. Os bruxos chineses so timos em enigmas, e fazem isso especialmente em
seus testamentos. Assim, dizem eles, haver diverso para os que ficarem. Eles vo brincar de caa-ao-tesouro. Mas
vamos ao que importa, aquele nosso assunto. Eu no consegui descobrir nada alm daquilo que voc j sabe. Ento nos
resta apenas 4 peas no quebra-cabea. Eu sugiro que voc comece procurando no castelo, Harry. Eu no acredito que
Voldemort tenha enviado inmeros espies para atacar voc ou a mim. Ele queria outra coisa, que est guardada aqui
dentro.
Agora eu devo ir para a Grcia, ou para Porto Rico. Mando um carto quando chegar.
No havia assinatura, e o carto no havia ajudado em nada. Ele guardou-o desanimado e deitou-se para dormir.
Quando Neville o chamou para tomar caf, ele sentiu que tinha acabo de adormecer, tamanho foi seu cansao na noite
anterior. Trocou de roupa e desceu ao lado do colega.
-Ahn... Harry, posso te perguntar uma coisa? - falou o jovem rapaz.
- Claro, Neville!
- Onde voc e a Hermione foram ontem a noite?
- Como assim?
- Eu vi quando voc se levantou e vestiu aquela sua capa. Depois Hermione entrou embaixo dela e vocs sumiram.
- Ns fomos... fomos ver o Rony,  isso. - mentiu Harry.
Neville parou de andar e olhou para ele com uma cara engraada.
- Eu no idiota, Harry. Fui at a enfermaria e vocs no estavam l.
- O qu? Voc anda seguindo a gente?
- No se pode seguir uma pessoa que a gente no v, Harry. Eu imaginei que era isso que tinham ido fazer e fui at l.
Mas no vi vocs. Cheguei at a cama do Weasley e procurei vocs. Mas no havia ningum l.
- Como voc foi at l sem ser pego pelo Filch?
- No mude de assunto, ta?
Harry reparou que Neville parecia um pouco alterado. Resolveu dizer a verdade, ou melhor, parte da verdade.
- Est bem, Neville. Eu lhe conto. Acontece que eu ganhei um livro de herana de meu av e no consigo ler o livro
sozinho, porque tem coisas escritas em rnico e s a Hermione sabe runas aqui. Ento eu pedi que ela me ajudasse, e a
gente foi at a biblioteca para estudar.
Neville ainda olhou desconfiado, mas resolveu dar o assunto por encerrado. Continuou andando em direo ao salo
principal. De repente, virou -se para ele e disse:
- Permisso especial. Eu tenho permisso especial para ir at a enfermaria sempre que quiser. Peguei uma infeco nas
frias e a Madame Pomfrey est me ajudando. E no se preocupe. Eu sei guardar segredo.
Potter ainda ficou um tempo sem entender a atitude de Neville, mas tinha outras coisas mais importantes para pensar.
Todas as revelaes sobre sua famlia. Ao que tudo indica, o dom para entrar em guerras e confuso estava no seu
sangue.
E ainda tinha aquele estpido bilhete deixado por Dumbledore.
Harry encontrou-se com Gina e Hermione para o caf da manh. Hermione parecia eufrica.
- Rony deve sair da enfermaria a qualquer momento. Eu pedi dispensa  professora Sprout do ltimo horrio para
busc-lo.
- E ela deixou? - quis saber a irm de Rony.
- Deixou. Ela disse que eu estou mais adiantada que o resto da turma e mesmo que eu faltasse um ms ningum me
alcanaria.
Harry tentou puxar assunto com Gina, mas ela parecia distante. Quando eles deixaram o salo principal, ele segurou a
namorada pelo brao e falou:
- Vamos mais devagar.
Quando eles se distanciaram do resto da turma, ele perguntou:
- O que est acontecendo?
- Nada, por qu?
- Porque voc est distante. Quase no fala comigo, no me olha...
- Foi voc quem pediu pra gente no dar bandeira. Eu to fazendo fora pra no te agarrar aqui, na frente de todo mundo.
Mas  para o nosso bem!
- Ta, mas no precisa fazer isso quando estivermos sozinhos.
- Harry, at hoje a gente no ficou sozinho!
O garoto percebeu que ela dizia a verdade. Desde que chegara ele s tivera tempo para o livro de sua famlia e outras
coisas. E nenhuma delas envolvia Gina.
- Certo, ento vamos fazer o seguinte, vamos nos encontrar hoje, depois da minha aula de Histria da Magia Avanada.
No Salo Comunal. Est bom, pra voc?
- Para mim, est timo! S preciso desmarcar a partida de xadrez bruxo com o Neville. Coitado, ele est muito doente.
- , ele me contou que pegou uma infeco, n?
- , parece que comeu qualquer porcaria na viagem.
A conversa prosseguiu mais um pouco e os dois se separaram para as aulas.
Na hora do almoo, Hermione apareceu no salo com Rony.
- E a, cara? Como voc est? - perguntou Harry, puxando uma cadeira para ele se sentar.
- To timo! No sei o que aconteceu. A madame Pomfrey disse que o professor Firenze vai conversar comigo depois.
Mas, voc estava do meu lado. O que eu fiz?
Harry no sabia se podia contar ao amigo. Eles nunca esconderam nada um do outro. Ento, sem entrar em detalhes,
disse que ele teve um contato astral e desmaiou. Mas que era melhor perguntar ao professor.
A tarde correu tranqila. No intervalo antes do jantar os alunos estavam reunidos no Salo Comunal e Harry observou
Gina e Neville conversando. Na certa, sua namorada avisava o rapaz que no poderia jogar xadrez com ele. Pela cara de
Neville passou um ar de descontentamento e Harry teve uma desconfiana. Ser que o menino gostava de sua
namorada?
O cime estrangulou o corao de Harry, mas ele sabia que Gina gostava dele. No tinha porque sentir cimes.
Ento, viu Neville tirar alguma coisa do bolso e entregar a Gina. Ele no se conteve. Levantou da poltrona e foi tirar
satisfaes.
- Ol... posso saber o que est acontecendo aqui? - falou emburrado.
- Ah, oi Harry - respondeu Neville - eu estava contando a Gina sobre a minha viagem. Trouxe at um presente para
ela.
- Um presente? Nossa, que gentil! - retrucou irnico.
- , na verdade eu trouxe uma caixa comigo e ela disse que queria ver um, ento eu peguei e trouxe para ela. Voc quer
um tambm?
A simplicidade de Neville desconcertou Harry.
- Um o qu? - perguntou, mais manso.
- Um biscoito da sorte.  muito legal, voc quebra o biscoito e l a mensagem que vem dentro.  l da China.
A palavra China fez Harry ficar branco. Ser que... Seria possvel que... Mas era a nica explicao! E ele j ia pegar o
carto de Dumbledore, quando Hermione o chamou para irem a aula de Histria da Magia Avanada.
Ele, Mione e Rony chegaram  sala reservada para a matria. No entanto, assim que todos estavam em seus lugares, a
Prof. Goldrisch pediu que se levantassem e a seguissem. Os alunos saram do castelo e na porta encontraram com
Hagrid. Ele estava com uma tocha acesa na mo.
- Tudo pronto, professora. - disse o gigante.
- timo, Hagrid - respondeu ela sorrindo. Vamos meninos, temos ainda uns 15 minutos de caminhada.
Eles entraram na Floresta Proibida guiados pelo guarda-caas e seu fiel Canino. Logo chegaram a uma caverna. Era
limpa, tinha uma almofada no cho para cada aluno. No centro uma fogueira iluminava tudo. Havia pinturas nas paredes,
potes de barro, galhos de ervas amarrados com um cip bem fino.
A professora pediu que se sentassem. E comeou a aula.
- Aqui vocs se sentiro mais familiarizados com a matria, pois era assim que, antigamente, nossos antepassados
viviam.
"No se sabe ao certo como surgiu o sangue bruxo. A verdade  que muitos acreditam que no haja separao entre
bruxos e trouxas. Apenas uma diferena de habilidades. Assim como uns sabem danar bem e outros se identificam mais
com cincia. Bruxos e trouxas so todos da mesma famlia".
"A separao aconteceu h quase 10 mil anos. Quando um ser no mgico acusou uma bruxa de praticar o mal..."
A professora continuou sua aula, e contou as mesmas coisas que Harry j sabia. Ele prestou ateno durante algum
tempo, mas vendo que no havia nenhum detalhe a mais, resolveu se concentrar no problema do biscoito da sorte.
Depois da aula ele iria at a sala de Dumbledore estudar o caso do carto. Mas havia Gina. Ele no poderia desmarcar o
compromisso com a namorada.
- E  isso, pessoal. Como vocs puderam ver hoje, grande parte dos nossos problemas so frutos da falta de confiana.
A professora havia encerrado a aula. Aquela ltima frase foi dita olhando para ele. Ele sentiu isso. Ela respondera a sua
dvida. Como? No tinha importncia. Agora ele sabia o que devia fazer.
Os alunos comearam a voltar para o castelo. Rony comentava com Hermione sobre o contedo da aula. Era a mesma
coisa. Eles queriam debater o assunto com Harry, mas o rapaz no lhes deu ouvidos.
Ele precisava fazer uma coisa. Aquela noite. Estava decidido.
Voltou a torre da Grifinria, entrou em seu dormitrio, pegou a capa da invisibilidade, o colar de Andriax, o livro de
famlia e o carto de Dumbledore, colocou tudo na mochila e foi se encontrar com Gina.
Os dois namorados sentaram de mos dadas e ficaram conversando. Invejavam a liberdade de Rony e Hermione, que
podiam contar a todos sobre seu namoro. E assim, as horas se passaram e os alunos comearam a ir deitar.
Gina ia se despedir quando Harry pediu:
- Fica um pouco mais. Quero te levar em um lugar... especial!
Ela assentiu com a cabea e quando restaram apenas os dois casais, Harry esperou que Rony e Hermione se beijassem,
tirou a capa da mochila e lanou sobre os dois.
- Fica tranqila, eles nem vo reparar na nossa ausncia.
A garota sorriu e se deixou conduzir. Chegaram at a grgula, que abriu passagem e deixou que eles subissem.
Quando entraram a garota ficou encantada. Havia estado ali poucas vezes.
-  a sala de Dumbledore. Mas como? E a nova diretora?
- Ela decidiu que essa sala ficaria assim. E ficou com outra sala no castelo. Dumbledore me deixou a sala, em uma
carta. Eu posso us-la como quiser.
Vendo o olhar de admirao da namorada para cada pequeno objeto daquele lugar Harry se arrependeu de no t-la
levado ali antes. Era como se pelo menos algum venerasse o diretor tanto quanto ele.
- Venha, Gina. Sente-se aqui comigo. Voc precisa saber de muitas coisas.
E Harry comeou a contar tudo para sua namorada. Desde os tempos na casa dos Dursley, as humilhaes, os
aniversrios perdidos, a tentativa de impedi-lo de ir para Hogwarts. Depois, o primeiro confronto com Voldemort, o
segundo ano na escola, quando a conheceu e a salvou dele, o terceiro ano, quando descobriu que no estava sozinho, que
tinha seu padrinho. Falou tambm do quarto ano, da paixo por Cho, da sensao de ver Cedrico sendo assassinado, sem
poder fazer nada. Do quanto foi divertido viver no Largo Grimmauld, do quanto a achou bonita, independente. Da perda
do padrinho. De como descobriu que gostava dela. Falou sobre os horcruxes e sobre a morte de Dumbledore. Por fim,
falou sobre os ltimos acontecimentos, a herana, o livro e lhe mostrou a jia. Tambm falou do cime que sentiu de
Neville.
A garota apenas ouvia tudo calada, nem a meno ao nome de Cho a fez expressar qualquer sentimento. Ao final da
narrativa, ela deu um beijo apaixonado em Harry, puxou o garoto e o fez deitar em seu colo.
Aquela sensao era nova para ele. Nunca pode deitar no colo de algum, ficar aconchegado. Ela fazia carinho em seus
cabelos enquanto ele olhava em seus olhos. Por fim, ela disse:
- Agora no tem mais jeito. Eu fao parte da sua vida, Harry Potter. E estou muito feliz com isso.
Quando eles decidiram voltar para torre da Grifinria j estava quase amanhecendo. Eles entraram pelo buraco do
retrato e encontraram Rony e Hermione cochilando no Salo Comunal. Eles tiraram a capa e Harry cutucou o amigo
para irem para o quarto. Quando este acordou quase bateu em Harry.
- O que pensam que esto fazendo? Isso so horas? Harry, voc... Eu no acredito, vou escrever para mame, Gina. Ela
vai saber o que vocs fizeram. - disse ele exasperado.
- O que ns fizemos? Voc quer saber o que ns fizemos, Rony? Eu conto. - provocou a irm.
- No, eu no quero saber. J  embaraoso demais ver vocs se beijando, ter que ouvir o que vocs fizeram vai ser
horrvel.
- Escuta, eu e Harry s fizemos o que vocs trs fazem desde que se conheceram.
Rony levantou a cabea e olhou sem entender para Harry.
- Isso mesmo, Rony, ns apenas conversamos. Eu contei tudo a Gina. Desde o comeo.
Rony no sabia se ficava aliviado ou preocupado da irm saber.
- Escuta, eu amo a sua irm, est bem? Por isso resolvi que era hora de dividir a minha vida com ela. S a ela poderia
decidir se vale a pena ficar comigo ou no. Todo mundo sabe que no  fcil conviver comigo, mas ela s sabia de um
tero de toda histria. - explicou Harry.
- Ah, menos mal, ento... eu vou dormir. Noite Gina, noite Harry, beijo Mione.
Eles dormiram um pouco e logo estavam de p para o caf da manh. Gina parecia muito mais carinhosa com Harry,
mesmo que no estivesse ao seu lado. E Rony ainda parecia muito desconfiado.
Assim que se viu sozinho com o amigo, perguntou:
- Ei cara, sobre ontem a noite... Vocs s conversaram mesmo?
- S, ou voc acha que eu consigo contar a minha vida em cinco minutos? - respondeu Harry divertido com a
insegurana de seu "cunhado".
Rony riu.
-  verdade, cara. Voc tem razo!
- Ah, Rony, voc se incomodaria de matar aula comigo hoje? - perguntou Harry pouco antes de chegarem a sala de
Poes.
- Eu? Ficar incomodado em matar aula? Cara, eu no sou a Mione! Pra falar a verdade eu estou com muito sono. Se eu
colocar alguma coisa no caldeiro tenho certeza que vai explodir. O que voc quer fazer?
Harry explicou sua teoria sobre o biscoito ao amigo e os dois correram para a antiga diretoria. J l dentro, Harry pegou
o carto e o rasgou.
A princpio nada aconteceu e Harry achou que ia levar bronca da diretora por nada. Mas quando olhou de novo os
pedaos do carto estavam se reorganizando e havia outra coisa escrita neles.
Potter,
Quando eu lhe pedi que continuasse procurando no castelo dei uma pista falsa, caso esse carto chegasse s mos de
pessoas erradas. Agora, preste ateno. Voc j sabe como um horcruxe  feito. Ento lembre-se que todos os horcruxes
esto diretamente ligados a uma morte. Tom no matou ningum dentro do colgio. A murta foi morta pelo basilisco e
naquela poca ele ainda no tinha conhecimento da magia horcruxe. Todos os horcruxes so peas as quais ele teve
acesso fora da escola. A minha idia  ter acesso aos arquivos do Ministrio que trazem os nomes dos bruxos mortos
diretamente por Tom. Procure Percy, ele est instrudo a te ajudar.
E no se esquea de vir aqui, ainda tenho mais quatro cartes para voc.
Ass: Feijozinho.
Harry e Rony riram da assinatura, era algo bem tpico do diretor. Harry tirou a varinha e incendiou o bilhete. No seria
bom deixar aquilo dando sopa.
Quando saam da sala Rony comentou com o amigo:
- Ento  isso! Papai sabia o tempo todo sobre o servio de Percy e precisava fingir um rompimento com ele, para que
ningum o descobrisse.
- Mas Percy fingiu muito bem! At eu fiquei com raiva dele.
- O presente que Gui e Fleur receberam. No tinha carto. Aposto que foi ele quem mandou. Tinha a cara dele.
- O que era? - quis saber Harry.
- Um relgio, igual ao da mame.
Harry riu. Aquilo realmente era coisa de Percy, to afeito a normas e horrios. Os dois encontraram as garotas na hora
do almoo e s no levaram uma bronca de Hermione quando contaram o que estava fazendo.
- Sabe, Mione, acho que o amor est lhe fazendo bem. Voc ficou muito mais relaxada agora - zombou Harry.
- Ah, v se no enche - respondeu a amiga com o rosto corado.
- 13 -
A voz dos astros
Rony conversou com o professor de Adivinhao e mesmo depois que este o avisou que o que ele teve era normal, no
dia da aula ele ainda estava apreensivo.
Para acalmar o namorado, Hermione foi at a sala da diretora.
- Com licena, prof... quero dizer, Diretor McGonagal.
- Pode me chamar de professora mesmo, Hermione. Afinal  isso que eu sou, apenas professora. Este cargo no
combina comigo - respondeu a senhora indicando uma cadeira para que ela se sentasse. - Mas diga, no a vejo h um
bom tempo. O que quer?
- Eu queria fazer um pedido. Sei que  um pouco delicado, mas gostaria de assistir a aula de Adivinhao hoje.
McGonagal estudou o rosto da garota.
- Adivinhao? Que eu saiba voc nunca se interessou pela matria. Alis, sei que pensa como eu, que Adivinhao 
mais uma questo de... sorte.
- Eu sei, e continuo com essa opinio. Mas a senhora j deve saber o que aconteceu com Rony na ltima aula, no 
mesmo?
- Sim, Firenze me contou.
- Ele est muito nervoso. Com medo, pra dizer a verdade.
- Ento a senhorita quer a minha autorizao para acalmar seu namoradinho?
A garota corou imediatamente. No esperava que a diretora fosse to direta.
- No precisa se envergonhar, Hermione. Fico muito feliz que queira fazer isso. Alis, j estava na hora de voc, Rony
e Harry fazerem coisas prprias da idade de vocs. Essa histria de s pensar em salvar o mundo pode ser cansativa -
disse a diretora com aquele sorrio contido to conhecido dos alunos.
Hermione agradeceu e saiu da sala. Quando contou a Rony que conseguira a autorizao ele pareceu muito mais
aliviado.
- Aposto que com voc por perto eu no vou destampar a falar besteiras sem sentido - desabafou o rapaz.
Para ele, aquela histria de dom era muito constrangedora. Muitas vezes ele quis ser o centro das atenes, mas no
gostou nem um pouco disso. Ficava por entender como Harry suportava aquilo desde seus 11 anos.
Os trs se dirigiram para a sala de aula onde Firenze j os aguardava. Tudo estava como antes, exceto que no havia
Lua e Rony ficou muito feliz com isso.
- A aula passada foi um tanto surpreendente at para mim. O que aconteceu foi uma verdadeira beno. A Lua Cheia
costuma despertar a intuio em muitas pessoas. Mas hoje vamos tentar despertar o nosso lado mais oculto. Vamos
conversar com a Lua Nova.
E o professor apontou para um espao vazio no cu. Quando os alunos se acostumaram com a escurido, puderam
perceber um suave alo luminoso em volta de uma bola negra. Ali estava a Lua Nova.
- A Lua Nova - explicou o professor -  a Lua que a gente no v, apenas sente. Ela nos fala de coisas que fogem do
nosso controle. Coisas que ainda no foram reveladas e s aparecero diante de nossos olhos quando a Crescente tomar
seu lugar no cu.
Hermione nem prestava ateno na aula, apenas observava o namorado. Qualquer reao estranha ela estaria ali para
ajud-lo.
Os alunos logo se posicionaram de modo a visualizar o ponto escuro. Harry sentiu que poderia dormir a qualquer
momento. Rony tambm estava deitado e olhava um ponto distante.
De repente ele se virou de lado e ficou olhando Harry. Este achou que o amigo queria fazer algum comentrio e se virou
tambm, na direo do amigo.
Os olhos de Rony tinham o mesmo brilho enigmtico da Professora Goldrisch, e Harry sentiu um frio na espinha ao
perceber que podia ver esse brilho mesmo no escuro.
- Sabe - disse Rony com uma estranha voz suave - muitas vezes a gente precisa ir ao passado para descobrir o que
precisa ser feito. Eles no sabem disso. Vo atacar logo, antes do Sol deixar o cu novamente.
O corao de Harry disparou. Estava acontecendo de novo. Ele olhou assustado a procura de Hermione, mas ela j
estava de p e chamava pelo professor. Firenze correu at eles e disse que esperassem. Rony no poderia ser
interrompido.
- As pessoas tm medo da morte, mas uma pessoa nunca morre quando deixa sua vida em outra.
Essas foram as ltimas palavras do garoto que voltou a olhar para a Lua Nova, como se nada tivesse acontecido.
A aula acabou e Rony estava acordado. No tinha perdido a conscincia daquela vez. O professor pediu que eles
esperassem.
- Seria melhor conversar com ele a ss, mas sei que vocs trs so inseparveis e talvez possam ajud-lo.
- Me ajudar em qu? - indagou Rony.
- Rony, voc possui um dom muito raro. Poucos humanos conseguem o que voc consegue. Eu j lhe disse isso. Mas
achei que seu dom se limitasse a Lua Cheia. A Lua Nova  bem mais difcil e hoje voc demonstrou um contato tambm
com ela.
- Como assim? Eu nem desmaiei, nem fiz nada. - desesperou-se o rapaz.
- Calma Rony - pediu Hermione.
- Mais uma vez voc deu um recado a Harry - disse o professor.
Rony olhou o amigo e a namorada que confirmaram com a cabea. Ele se sentou desanimado sobre a relva e perguntou:
- O que eu preciso fazer?
- Eu reparei que voc s deu recados a Harry. Nem a presena de sua namorada na sala mudaram o foco de sua
comunicao. Ento, quero lhe dar aulas particulares, para que voc aprenda a lidar com esse dom. E Harry e Hermione
tambm viro. Para dar fora a voc.
Ele concordou e saiu da sala. Harry contou o que ele disse.
- Parecia ento que eu estava falando sobre os horcruxes. Deixar sua vida para no morrer... - comentou pensativo.
- , mas no entendi nada sobre atacar antes do sol deixar o cu...
Eles andaram mais um pouco e Hermione estancou de repente.
- Harry, hoje a noite, ser que voc pode me fazer um favor?
- Qual?
- Me empresta sua capa da invisibilidade?
Ele e Rony olharam assustados para a garota.
- O que voc quer com ela?
- S uma idia que eu tive. Mas preciso execut-la sozinha.
Ele pensou um pouco e respondeu:
- Tudo bem, s me devolva ela inteira, ok?
O resto do dia foi calmo. Logo eles estariam organizando a copa de quadribol e Harry poderia voar na sua vassoura. A
primeira semana de aula tinha sido muito agitada, e s agora ele e Rony discutiam seu esporte favorito.
Depois do jantar, Gina se juntou a eles na discusso e Hermione deu sinal a Harry. Este correu, pegou sua capa e
entregou  amiga.
Ela saiu pelo buraco, foi at o banheiro dos monitores e vestiu a capa. Ningum mais viu Hermione nem o que ela foi
fazer.
As horas se passavam e Rony, Harry e Gina j estavam preocupados. Nenhum sinal da amiga. E eles no tinham como
sair para procurar algum que est invisvel.
J passava das 2 da manh quando Hermione regressou. Ela vinha eufrica, com mais de 3 rolos de pergaminho escritos
com letra corrida.
- Onde voc foi? E por que demorou tanto assim? Ns estvamos loucos de preocupao. - disse o namorado.
- Fui descobrir umas coisinhas - deu um beijo no namorado e desenrolou os pergaminhos.
- Onde voc conseguiu isso? - quis saber Gina.
- Na biblioteca. Bom, primeiro eu fui at a sala de Dumbledore porque tinha visto um livro diferente no meio das coisas
dele ano passado. Mas o livro j no estava mais l. Ento eu fui at a seo de livros reservados na Biblioteca, mas ele
tambm no estava l. Ento tive que fazer uma srie de feitios para descobrir livros escondidos e prateleiras invisveis.
Foi complicado mas eu o encontrei.
- E que livro era esse? - perguntou Gina mais uma vez.
- Rituais Proibidos de Magia Negra - respondeu a garota.
Os trs se entreolharam. Aquilo no era o mesmo que fui pegar uns bolinhos na cozinha. Magia negra era um assunto
assustador.
- Mas no pude tirar o livro de l, primeiro porque poderiam desconfiar de alguma coisa e segundo porque ele estava
presos por correntes. O livro  simplesmente assustador. Tem at ilustraes. E o mais incrvel  que a data de
publicao  1815. Naquela poca Hogwarts ensinava essas coisas aos alunos para que eles soubessem se defender. Mas
isso no vem ao caso, vejam o que eu consegui.
Os trs se debruaram sobre o pergaminho, mas ningum conseguiu decifrar a letra de Hermione.
- Estava escuro l e eu copiei tudo correndo com medo de algum chegar.
- Ento leia pra gente - impacientou-se Harry.
- Ah, ok! A diz que  possvel um bruxo dividir sua alma em at 11 pedaos e coloc-los em objetos, pessoas ou
animais com a finalidade de prolongar sua vida.
- Anh, que coisa, n? Isso tudo Dumbledore j me disse.
- , s que Dumbledore no teve tempo de lhe contar tudo Harry. Haviam anotaes com a letra dele em algumas
pginas e eu fiz questo de copiar essas anotaes.
Os trs pareciam no respirar enquanto ela contava que anotaes eram essas.
- Parece que existe um livro de contra-feitios de magia branca ultra avanados, capazes de anular um feitio negro.
Mas  preciso que seja feito por um bruxo sangue-puro. As anotaes de Dumbledore dizem que  possvel destruir um
bruxo que tenha a alma fragmentada se o horcruxe principal for encontrado e destrudo diante do bruxo.
- Ficamos na mesma, Mione - disse Harry desanimado. Sabemos que ele fez 6 alm do pedao que ficou com ele. 3 j
foram destrudos: o dirio, o anel e o medalho. Mas e as outras trs? O que so? Ns temos que encontr-las primeiro
para depois arriscar um encontro com Voldemort e lhe contar que sabemos seu segredo.
- E no devem ser objetos fceis de se encontrar, levando em conta todas as tarefas que voc e Dumbledore tiveram que
enfrentar para chegar at uma delas.
Eles ficaram em silncio por algum tempo e logo foram dormir. O dia seguinte seria bem cheio e eles precisavam
descansar.
Na manh seguinte Rony, Hermione e Harry desceram para tomar caf. Harry sentiu falta de Gina, mas Hermione lhe
explicou que ela havia perdido a hora e desceria em seguida.
Eles comearam a tomar caf da manh quando a menina apareceu no salo, acompanhada de Neville. Acenou para eles
e se sentou com o rapaz um pouco distante deles. O sangue de Harry ferveu e ele j ia levantar quando vrias corujas
comearam a entrar pelas janelas do castelo.
Harry, que h muito no se correspondia com ningum, recebeu uma carta. Um bilhete para ser mais exato.
Harry,
Voc no  o alvo principal. Ele quer um poder maior. Mas para conseguir precisa subjugar os outros e s vai conseguir
quando mostrar que pode vencer voc. Portanto, mantenha-se vivo.
No tinha assinatura ele achou tudo aquilo muito estranho. Ia comentar com os amigos quando percebeu que Gina
recebera um pacote. Quando ela abriu, ele percebeu Neville ficando vermelho. Ela leu o carto, deu um sorriso sem
graa para o rapaz e pegou o que havia dentro do pacote: uma pena cor de vinho, com pequenos feixes dourados. Um
presente muito fino e delicado.
Mas aquela, com certeza, seria a manh das distraes, pois Harry percebeu que Rony e Hermione estavam
concentrados no jornal, assim como muitos outros alunos. Alguns estavam chorando, outros pareciam aflitos. Harry
olhou por cima do ombro de Mione e leu:
GUERRA DECLARADA
A matria dizia que Voldemort finalmente dera as caras. Ele apareceu em praa pblica, durante uma conveno de
medibruxos e atacou a todos. Muitos morreram com Avada Kedrava, mas a maioria foi torturada, no com a maldio
imperdovel Crucios, mas com um novo feitio ainda mais aterrorizante. A pessoa atingida simplesmente vira do
avesso. Carne, rgos e ossos ficam expostos de uma maneira to horrenda que foi criada uma ala separada no St.
Mungus para atender esses casos.
Abaixo da notcia havia a relao de nomes das pessoas atacadas. Alguns alunos da Corvinal estavam desesperados.
Seus pais estavam entre os que foram atingidos. O caos havia se instaurado na escola.
Hermione olhou para Rony. A profecia, aquilo que o garoto falou na aula de Adivinhao. Eles atacaram antes da noite
de hoje. Ela ia falar com Harry, mas assim que olhou para o lado, no encontrou o rapaz.
Diante dos acontecimentos, a diretora reuniu todos e declarou que medidas de segurana deveriam ser tomadas e,
provisoriamente, eles seriam mandados de volta para suas casas. Ficariam uma semana fora da escola at que tudo
estivesse pronto.
Harry esqueceu-se da cena de Gina e Neville. Sua preocupao era uma s, a sala do diretor. Ningum poderia entrar l
antes dele. Saiu correndo e foi at l para pegar as anotaes de Hermione.
Mal a Grgula sara do caminho e ele j subia os degraus de dois em dois. Entrou na sala, recolheu os pergaminhos.
Mas havia algo mais. Um pergaminho que no tinha a letra de Hermione. Fora escrito em papel lils. Era mais um carto
de Dumbledore.
- 14 -
Recesso forado
Os pais dos alunos foram contatados para que fossem buscar seus filhos na escola no dia seguinte. Mas Harry j era um
bruxo adulto e poderia decidir o que fazer. Ele escolheu ir para a casa de Rony. De l, quem sabe, poderia entrar em
contato com Percy. Alm disso, havia outra coisa que ele precisava fazer. Uma coisa que ele prometera na ocasio da
morte de Dumbledore: visitar o tmulo dos pais.
Hermione tambm pediu aos pais para ficar na Toca. A princpio eles relutaram, mas levando em considerao o
romance da filha, permitiram, desde que ela escrevesse todos os dias.
A viagem foi tranqila. Eles teriam aparatado de Hogsmeade se Rony tivesse permisso, mas para no aborrecer o
rapaz, resolveram viajar de p de flu. Saram de Hogwarts acompanhados pelo Sr Weasley e usaram a lareira do Trs
Vassouras.
Assim que chegaram, os males tambm apareceram. Foram enviados pela diretora. A Sr Weasley esperava aflita e
quis saber se todos estavam bem.
- Calma, me - disse Gina - essas duas semanas foram bem paradas. No aconteceu nada diferente em Hogwarts.
Os quatro haviam combinados no mencionar nada sobre as premonies de Rony. Aquilo era mais um dos segredos
que eles guardavam.
Rony, Mione e Gina foram arrumar suas coisas, mas Harry ficou para trs.
- Sr Weasley, o sr tem um minuto?
- Claro, meu rapaz. O que precisa?
- Eu queria um favor, eu quero fazer uma coisa, mas no sei muito bem como.
- E o que voc quer fazer? Espero que no seja se casar com minha filha esta semana - brincou Arthur.
- No - riu o garoto, mas logo voltou a ficar srio.
- Bem, pelo visto  algo muito srio, voc parou de rir - observou o pai de Rony.
-  que eu quero, na verdade eu preciso, visitar o tmulo dos meus pais.
O pedido surpreendeu o Sr Weasley. Ele no sabia como lidar com aquilo.
- Ah, bem, claro. O dia que voc quiser.
- Amanh cedo, pode ser? - perguntou ansioso.
- Amanh? Amanh eu tenho um compromisso com o Ministrio, Harry. Mas dentro de dois dias garanto que o levo at
l, est bem?
O rapaz concordou levemente desapontado. Harry contou aos amigos o que iria fazer, mas pediu para ir sozinho. Aquele
era um momento em que ele queria privacidade.
Os amigos concordaram, mas iriam com ele at a entrada do cemitrio. E enquanto ele ficava l, eles aproveitariam para
dar uma volta na cidade e saber das novidades.
Os dois dias passaram tranqilos. Apesar da preocupao em desvendar todos os mistrios, eles conseguiram se divertir
bastante em partidas de quadribol no quintal e jogos de xadrez aps o jantar.
Na noite antes da viagem a Godrics Hollow, Harry pegou o pergaminho de Dumbledore, deitou-se na cama e comeou a
ler:
Olha que linda esta paisagem, Potter.  a vista do alto do Arco do Triunfo. Pouca gente consegue subir at l. Mas vale a
pena!
No sei como esto as coisas neste momento, mas acredito que elas tenham piorado.  o bvio, no  mesmo?
Ento, estude aquilo que lhe pedi. O mais rpido possvel. Faltam 3, s 3. Eu sei que vocs esto em quatro agora. E sei
que so capazes.
Voc j destruiu um basilisco, como no vai conseguir destruir alguns reles objetos?
Boa sorte!
Mais um carto intil! Harry adormeceu frustrado e antes mesmo de o dia nascer Rony o acordou.
- O qu? Ns j vamos?
- No sei, cara. Papai acordou todo mundo. Esto nos esperando l na cozinha.
Harry reparou que o amigo ainda estava de pijamas. Ento s colocou os culos e desceu. Havia muito mais gente do
que ele esperava encontrar. Tonks e Lupin estavam ali, ela com um estranhssimo cabelo crespo, azul turquesa. Fleur e
Gui, de volta da lua-de-mel. Quim Shackelbolt e Phillip Wells, aquele amigo de Gui que estava no casamento.
- O que est acontecendo aqui? - quis saber Harry. Com certeza aquela comitiva no era para o levar at o cemitrio,
pensou.
Sr Weasley viu os garotos chegarem e pediu que sentassem. Molly serviu uma xcara de chocolate quente, mas Harry
nem encostou na sua. Ficou observando os rostos das pessoas ali presentes.
- Infelizmente, Harry, ns no vamos poder ir mais. - avisou Arthur.
- Por qu? - perguntou o rapaz, j esperando uma notcia ruim.
- Godrics Hollow foi atacada esta madrugada - explicou Lupin. No houve muitas mortes, mas a maioria dos bruxos foi
levada para algum lugar desconhecido.
- Um seqestro em massa, Harry - traduziu Tonks. E a gente no sabe o que eles querem com essas pessoas.
Harry olhava de um para outro sem saber o que pensar, o que dizer.
- Seqestrar bruxos? O que eles queriam com isso? Se quisessem quem trabalhasse para eles por que no usaram a
maldio Imperius?
- Ns tambm queremos descobrir isso - falou Quim, que at ento permanecia calado.
- Agora, o que vocs precisam fazer  voltar para Hogwarts. Imediatamente! Do jeito que as coisas vo  bem provvel
que eles ataquem todos os lugares conhecidos e l  o nico lugar seguro - disse Arthur.
- Sero designados 30 aurores para ajudar na segurana do castelo - falou Lupin.
- O Ministrio vai mandar apenas 30 aurores para proteger uma propriedade do tamanho de Hogwarts? - disse Harry
incrdulo.
- No, no vai. - respondeu uma voz fraca e diferente das demais.
Todos olharam na direo da voz. Percy Weasley acabara de entrar na cozinha.
- O Ministrio no quer tomar partido - explicou.
Molly correu, abraou o filho e o levou para a mesa. Ele sentou-se com os demais e explicou que a situao havia se
complicado ainda mais. O ministro havia decidido que o Ministrio no iria se envolver at descobrir qual lado estava
mais forte.
- Agora  que vocs precisam voltar para Hogwarts - afligiu-se Molly. Para cima, todos, vo j arrumar as malas.
Eles obedeceram. Em menos de meia-hora todos estavam prontos.
- timo, ns vamos de chave de portal. Cada auror aqui tem uma para levar um aluno com ele. - explicou o Sr
Weasley. Gina, voc vai com Tonks, Harry com Lupin, Rony com Quim e Hermione vai com Phillip.
Rony ia protestar, mas no teve tempo, Gina e Harry j tinham partido e ele era o prximo. Chegou em Hogwarts e fiou
procurando algum sinal de Hermione que chegou em seguida.
Ele correu para a namorada e a viu conversando animadamente com Phill.
- Ento voc  auror! Que legal, eu sempre quis me tornar uma tambm.
- Ah, mas pelo que eu j li a seu respeito tenho certeza que se fizer o curso vai ser minha supervisora - disse o rapaz.
- timo, Mione - interrompeu Rony - precisamos levar as coisas para dentro.
Hermione conjurou um feitio de levita corpus e carregou seu malo e o do namorado para dentro.
- Era o que faltava, ficar se exibindo para o auror - resmungou Rony.
- O que voc disse, Rony? - perguntou Mione sem entender.
- Eu... nada... s disse que voc  muito boa com feitios...
Quando eles entraram no salo tiveram uma surpresa. Vrios bruxos j se encontravam ali. Hogwarts virou o refgio de
muitos deles, alguns at que j nem estudavam mais l.
A diretora McGonagal andava de um lado para outro dando ordens. Madame Pomfrey conversava com um bando de 9
enfermeiras e 25 elfos-domsticos. Os outros professores tambm tomavam vrias providncias.
Quando amanheceu um caf foi servido a todos que estavam ali e a diretora pediu silncio e comeou um breve
discurso.
- Meus amigos, parece que a guerra realmente comeou. Nossa escola  um dos poucos lugares seguros em nosso
mundo. Quero explicar as novas regras. Todas as aulas e demais atividades acontecero dentro das paredes do castelo. A
Floresta Proibida est mais proibida que nunca. Os jogos de quadribol ou qualquer atividade relacionada com vassouras
esto suspensos indefinidamente. As aulas s recomearo na segunda-feira e at l vocs devem procurar se ajeitar. A
sala ao lado da enfermaria ser usada como berrio e creche para os bruxos menores de 11 anos que aqui se encontram.
Ficam restritos os horrios de circulao pelos corredores. At s 21h quero todos em seus dormitrios. E as corujas no
podero sair de suas gaiolas.
As medidas de segurana eram muito radicais, mas todos sabiam que Hogwarts j havia sido invadida antes e todo
cuidado ainda no seria o bastante.
Todos trabalharam duro naquele dia. Janelas foram enfeitiadas para evitar que se quebrassem, foram colocadas senhas
at nas portas dos banheiros. Alguns alunos do sexto e stimo ano foram selecionados para ajudar na ronda, enquanto
outros se revezavam ajudando Madame Pomfrey e as demais enfermeiras a cuidar das crianas.
Os elfos-domsticos apareciam sempre para oferecer ajuda. E eram bem vindos j que possuam um conhecimento de
magia superior a muitos bruxos. Eles no precisavam de varinhas nem palavras mgicas, s a vontade deles era
instrumento de seus feitios.
Dobby, a pedido da diretora, reuniu alguns elfos da cozinha para ajudarem no patrulhamento da escola. McGonagal deu
ordens claras para que nenhum dos estudantes, professores ou visitantes autorizados fossem atacados. S intrusos.
Harry sabia que aquele recesso logo acabaria e antes que isso acontecesse achou que seria melhor terminar de ler o livro
de sua famlia. Poderia ter alguma coisa que os ajudasse ali, afinal sua famlia era a primeira famlia bruxa do mundo.
Nos dias que se seguiram Harry, Gina, Rony e Hermione terminavam suas tarefas o mais rpido que podiam e corriam
para a sala de Dumbledore para trabalhar no livro. No domingo, aps o almoo, os quatro se sentaram na sala do diretor
para reler as anotaes de Hermione e continuar a leitura do livro de famlia.
O retorno do mal
Os tempos de paz na Ilha de Avalon duraram muito. Mas aquela tranqilidade logo seria quebrada.
Ningum sabia que as filhas de Lurstre ainda odiavam Mairika e Herick por causa da morte do pai. E juraram que se
vingariam em todas as geraes de Wichan.
Para realizar sua vingana elas buscaram conhecimenton os lugares mais srdidos do planeta. Viajaram durante anos e
conheceram uma sacerdotisa infernalista. Essa sacerdotisa ensinou-lhes inmeras magias e mostrou como fazer um
pacto com as trevas.
As filhas de Lurstre voltaram  Inglaterra. Era preciso achar um ponto de ligao com os portais do inferno e elas
buscaram, incessantemente, at encontrarem o lugar. Uma fenda numa caverna, prxima  cidade de Salisbury. E l elas
invocaram um demnio e prometeram a ele suas almas se ele devolvesse a vida de seu pai.
O demnio achou aquele pacto interessante, a alma de Lurstre no lhe faria falta, j que assim que morresse novamente
voltaria para o inferno. E eram mais 9 almas novas.
Ele aceitou um trato, mas imps uma condio: Lurstre voltaria como um animal. Um animal que provocaria medo.
Uma grande e peonhenta cobra.
As moas aceitaram e no dia seguinte a cobra estava dentro da casa delas. E apenas elas conseguiam falar com ele. E
lhe contaram da vontade de destruir os Wichan. E ele assentiu, e prometeu ajudar.
Assim como estava, poderia se arrastar at a ilha e atac-los, sem deixar suspeita.
E duas semanas depois, Lurstre partia para Avalon, com a misso de assassinar tudo o que tivesse sangue Wichan.
Chegar  ilha no foi nada difcil. Os animais tinham livre acesso ao local. E logo ele estava entre os muitos alunos que
ocupavam o lugar. Tratou de procurar Morgan e Morgi. Os dois estavam sentados na plancie de contemplao, onde
eram dadas aulas de Astronomia.
O dio de Lurstre cresceu de tal maneira que ele achou que ia explodir. Ver aqueles seres mgicos, ali, felizes, enquanto
ele sofria no inferno.
Ele poderia atacar sem que fosse percebido e todos diriam que havia sido uma fatalidade. Mas ele no queria isso.
Queria o crdito por ter arruinado aquela famlia. Queria que todos soubessem que ele havia voltado do inferno.
Com todo o dio que existia em seu corao pediu a mais alta hierarquia dos infernos que permitissem que ele se
revelasse antes de voltar a ser cobra e atacar os irmos.
Ele assumiu sua antiga forma e apareceu aos dois, que assim que o reconheceram ficaram assustados e se puseram de
p, para o combate que certamente viria.
Morgan ficou na frente e j sacava a varinha quando Lurstre voltou a ser cobra e deu-lhe um bote certeiro. Havia pulado
to alto que por pouco no lhe acerta o pescoo. A mordida pegou o ombro do jovem Wichan. E o veneno era to forte
que ele caiu quase desacordado.
Lurstre saiu  caa de Morgi. A mulher havia corrido para a encosta. No havia sada. Ele ia peg-la de qualquer jeito.
Morgan pensou na figura da irm que tinha virado sua esposa como costume da poca. Pensou no quanto ela era
parecida com sua me. No quanto era forte e tudo o que ainda tinha para ensinar. Ele tentou ficar em p, mas no
conseguiu. Desesperado, fez um pedido  energia criadora do universo. Que ela no permitisse que Morgi fosse
assassinada. Ele sabia que no ia resistir.
Ento ele percebeu que suas preces foram atendidas. Um gamo, ou cervo, estava parado quase ao seu lado. Morgan
entendeu o que precisava ser feito. Num ltimo esforo desprendeu-se de seu corpo castigado pelo veneno e habitou o
corpo do cervo.
Agora Morgan e o cervo eram um s. Um defensor que cavalgou na direo que a cobra tomou. E encontrou-a prestes a
atacar Morgi.
Lurstre no percebeu a presena do cervo, to cego estava pelos sentimentos ruins que dominavam sua alma. Ento,
Morgan, investiu contra a enorme serpente e antes que pudesse reagir, Lurstre teve sua cabea pisoteada.
Morgi percebeu que aquele era seu irmo, seu marido, que estava indo embora. Acariciou a cabea do cervo em
agradecimento e foi em busca do corpo para que fosse feito um funeral digno de um grande bruxo.
Neste dia triste, Morgi decidiu que seus filhos no mais carregariam o fardo do sobrenome Wichan at que
completassem a maioridade.
E assim  feito at os dias de hoje.
O destino das Terras Perdidas e das Jias de Andriax
Agora  preciso explicar o que foi feito das jias de Andriax e qual seu papel na histria da famlia Wichan.
As jias foram separadas entre os seis filhos de Mairika e Herick. Uma jia para cada casal. Assim, Morgan e Morgi
ficaram com o Colar Andriax, uma bela pea feita de ouro branco, cravejada de rubis, em forma de um cometa, que
carrega uma fada na ponta. Mistril e Mouruz ficaram com um anel, tambm de ouro branco, com um citrino lapidado em
forma de sol. E Muriel e Millea carregaram consigo uma varinha. A primeira varinha mgica, feita de marfim, com
entalhes de safiras e esmeraldas e que continha, no centro, um fio de cabelo de Mairika.
As jias no possuem magia alguma quando esto separadas. Mas quando so empunhadas juntas despertam a mais alta
magia antiga e podem, se usadas no Altar dos Portais, religar as Terras Perdidas da Magia com o nosso mundo.
O livro terminava ali, mas ainda trazia uma enorme rvore genealgica, com nomes de bruxos e bruxas importantes,
como Morgana das Fadas, Merlim, alguns diretores de Hogwarts e dois ex-Ministros da Magia.
-  uma histria fascinante - disse Hermione.
Mas mais ningum quis comentar. E eles tiraram o resto do dia para ajudar nos afazeres da escola.
- 15 -
A busca
Com a volta as aulas, a rotina dos alunos ficou ainda mais tumultuada. Eles foram dispensados dos NIEMS at que tudo
estivesse resolvido, mas deveriam assistir s aulas do mesmo modo, fazer deveres e exerccios e cooperar nas tarefas
para que foram designados.
Os aurores andavam por todo castelo e Hagrid fazia constantes visitas a Floresta para garantir que Grope estava bem e
que os seres da floresta ainda no tinham sido contatados pelas foras do inimigo.
Harry quase no tinha mais tempo para namorar e muito menos para ir at a sala de Dumbledore. Aquilo o irritava, mas
no tinha outra alternativa. E pra piorar a situao a busca pelos horcruxes no havia sado do lugar. No existia mais
nenhum horcruxe dentro do Castelo. Alis, nunca existiu nenhum. Todos entraram no castelo atravs de algum.
Harry repassava tudo o que sabia de Voldemort em pensamento, enquanto fazia rondas. Se Rony ou Hermione estivesse
com ele, eles debatiam algum ponto ou aspecto dos ltimos seis anos. Mas sozinho ficava difcil pensar.
Os pensamentos de Harry foram interrompidos por gritos vindos do salo principal.
Ele correu para ver o que havia acontecido. O salo era um alvoroo s e ningum conseguia ouvir uma palavra. Foi
preciso que a diretora usasse a magia Sonorus para que sua voz pudesse ser ouvida.
- Muito bem, um de cada vez, me digam o que aconteceu!
Um garoto do quarto ano se adiantou e disse, ainda assustado:
- Eu disse para ele no ir, diretora, mas ele no quis me ouvir. Falou que precisava pegar uma coisa que tinha esquecido
na estufa n 3 e saiu do castelo sozinho. Eu fiquei vendo da janela e gritando para ele voltar ou para que algum me
escutasse e fosse impedi-lo. A aquela coisa saiu de dentro da floresta e pegou ele, diretora... E levou embora, pra
floresta...
- Ele quem? E que coisa  essa?
- Longbotton e eu no consegui ver direito. Era grande e usava um capa escura e esfarrapada.
Todos ficaram em choque quando souberam da notcia. Neville havia sido mais um dos seqestrados. E como algum
conseguiu penetrar nos terrenos do castelo?
Os professores se reuniram para organizar uma busca pela Floresta, mas foram interrompidos por Harry, Rony e
Hermione.
- O que vocs querem aqui? - perguntou a professora Sprout.
- Queremos ajudar na busca - disse Harry.
- Vocs esto loucos - disse a diretora com os lbios tremendo. J no basta um aluno perdido naquela floresta. Eu no
vou mandar mais 3 para servirem de isca fcil a quem quer que seja.
Ela j ia expuls-los da sala, mas Harry a enfrentou:
- A sr se esquece que eu conheo melhor aquela floresta que qualquer um aqui, exceto o Hagrid e professor Firenze?
- Potter, que modos so esses? - indignou-se a professora.
- Os modos agora no importam, diretora. O que importa  que o Neville est l dentro com alguma coisa que ns no
sabemos bem o que  e nem de que lado est. Mandar professores que nunca andaram por l  loucura. O castelo vai
ficar desprotegido e muito mais fcil de se atacar. Eu, Rony e Hermione j estivemos l diversas vezes...
- Contra as normas do colgio - interrompeu a diretora.
- Contra o que a Sr quiser. Agora, eu j sou um bruxo adulto e posso tomar minhas prprias decises. Seria melhor que
a sr me deixasse ir por bem.
Harry falava com tanta certeza e determinao que McGonagal no teve escolha. Ela concordava que os professores,
sempre acostumados  segurana do castelo, nunca se interessaram pela floresta. E, sem dvida alguma, era perigoso
retirar os bruxos experientes da escola com tantas crianas sob seus cuidados.
A equipe de resgate seria formada pelos trs jovens, Hagrid, Prof. Firenze e Canino. Eles sairiam dali meia hora. O
tempo suficiente para preparar as coisas.
Harry correu at seu dormitrio, pegou a mochila que havia ganhado de Hermione, colocou a capa da invisibilidade
dentro, encheu o cantil com gua e desceu. Encontrou todos na porta do castelo a sua espera.
Deu um rpido abrao em Gina (para ningum desconfiar) e saiu junto com os outros. O alvoroo foi tanto que ningum
deu importncia as corujas que chegavam com uma edio especial do Profeta Dirio, que trazia na capa a manchete:
COMENSAIS TOMAM O MINISTRIO DA MAGIA
J passava das cinco da tarde quando o grupo se dirigiu at a cabana de Hagrid de onde seguiriam para a floresta. Assim
que entraram no local no notaram nada de estranho, nem fora do normal.
- Acho bom a gente se separar - sugeriu Hagrid.
-  uma boa idia - concordou Firenze. - Vamos fazer assim, Harry e eu seguimos em frente, Hagrid e Canino vo pela
esquerda e Hermione e Rony seguem pela direita.
- E se algum descobrir alguma coisa dispare um jato vermelho pro cu. O resto ir para l imediatamente - sugeriu
Harry.
Hermione ia protestar dizendo que Hagrid no tinha varinha, mas o meio-gigante j tinha seu velho guarda-chuva cor de
rosa nas mos.
Todos seguiram seus caminhos, sempre olhando para o cu em busca de um sinal dos outros.
Harry e Firenze caminharam mais de 30 minutos at encontrar um rastro diferente de todos que j viram. Harry se
agachou para ver melhor.
- Parece que algum se arrastou por aqui, e  algum bem grande.
Firenze tambm se inclinou para analisar o rastro.
- No parece um rastro natural, Harry - disse o centauro.  mais provvel que algum ou alguma coisa tenha SIDO
arrastada por aqui.
- Mas  um rastro muito grande para ser o Neville - argumentou o rapaz.
- Eu sei, mesmo assim precisamos investigar. Pode no ser o Neville, mas deve ter alguma coisa relacionada com o
desaparecimento dele.
Os dois comearam a seguir o rastro, no para ver onde iria dar, mas de onde tinha vindo. Andaram mais uns 15
minutos e acharam uma clareira.
- Voc conhece este lugar, professor?
- Conheo cada centmetro desta floresta, Harry. Mas j faz tempo que no venho aqui. No sei o que mudou e o que
continua igual. Vamos procurar pistas aqui.
Os dois comearam a checar cada parte da clareira, at que Harry encontrou um arco quebrado e flechas espalhadas
pelo cho atrs de um arbusto.
- Professor, achei alguma coisa - chamou o rapaz.
- Mas... mas isso pertence a um centauro - admirou-se Firenze.
Os dois comearam a procurar mais pistas. Havia algumas flechas em outros lugares e uma delas tinha um pedao de
roupa preso na ponta.
- Parece que houve uma luta aqui - comentou Harry.
- , houve sim, Harry. E um dos meus irmos foi levado. Sei que no est morto. No h sangue por aqui.
- Mas... professor, e se usaram um feitio como o Avada?
- No se preocupe, esse tipo de feitio no nos atinge. No mximo nos deixa atordoado. Para matar um centauro 
preciso lhe provocar um grande ferimento.
- E agora? Para onde vamos?
- Vamos atrs de quem fez isso. Suba nas minhas costas, rapaz. Agora precisamos correr contra o tempo. Uma criatura
que consegue dominar um centauro pode esmagar seu amigo como se ele fosse uma mosca.
Os dois galopavam, em busca do final do rastro. Enquanto isso, do outro lado da floresta, Hagrid e Canino seguiam uma
trilha em busca de Grope. Hagrid tinha certeza que ele poderia ajudar. Mas Hagrid no encontrou Grope. Ele sabia que o
irmo no era o tipo de pessoa que podia simplesmente se esconder em algum lugar. Precisava encontr-lo. E afinal, j
havia quatro pessoas atrs do Longbotton.
Mione e Rony ainda no tinham encontrado pista nenhuma.
- Se quer saber o que eu acho - falou a garota - a floresta est silenciosa demais para o meu gosto.
- Eu prefiro assim, se alguma coisa tentar nos atacar pelo menos poderemos ouvir a aproximao.
- No sei, da ltima vez que entrei aqui havia rudo de bichos, pssaros, corujas, insetos. Agora nem o vento faz
barulho.
Rony sentiu um frio percorrer suas costas. A namorada tinha razo, mais uma vez. Aquele silncio era perturbador.
Tentando amenizar seu prprio medo, falou:
- Mas a gente no conhece a floresta inteira. Pode ser que este pedao seja assim mesmo.
- , pode ser.
Os dois continuaram a andar mais uns 10 minutos at que Hermione percebeu um claro atrs de si, mas no teve tempo
de virar para olhar. Rony despencou em cima dela, fazendo com que ela tambm casse.
Ela ouviu passos. Pareciam umas 5 ou 6 pessoas. Achou melhor fingir que estava desmaiada, no teria como lutar com
tanta gente assim. Sentiu que algum amarrava suas mos para trs, amordaavam sua boca e procuravam a varinha em
suas vestes. Tiraram a varinha dela e a fizeram flutuar pela floresta.
De vez em quando ela abria um dos olhos bem devagar para olhar onde estavam indo e se certificar que o namorado
estava bem. Rony continuava inconsciente.
A floresta ficava cada vez mais escura e silenciosa. A jovem bruxa no estava gostando nada do rumo que a situao
havia tomado. No conseguiu identificar os agressores e, sem sua varinha, no poderia reagir.
A uma certa altura, ela ouviu um dos agressores falar:
- Espero que este seja o aluno certo. No quero ouvir os gritos dela outra vez.
- Ela sabe ser irritante, no  mesmo? - falou outro.
- Ainda bem que isso vai durar pouco. O chefe disse que assim que ela perder a utilidade vai vir-la do avesso.
Eles comearam a rir. Hermione sentiu-se apavorada. Virar do avesso. Ela leu sobre aquilo no jornal. Era pior que
sofrer a maldio Crucciatos. Aqueles homens eram comensais e havia algum no centro da floresta que procurava um
aluno que no era Harry Potter.
Ela tentou pensar com clareza, mas o medo no deixava. E os homens no paravam de conversar.
- Acho que vir-la do avesso ainda  pouco. Ela tinha que sofrer muito. Ela e aquela maldita Lestrange.
- No fale assim, Goyle - disse um deles - voc sabe que a Lestrange  uma das preferidas do Lorde.
- Eu sei, pra falar a verdade nunca pensei que o Lorde pudesse preferir algum. Ele sempre foi to frio.
- , mas ela tem uma herana de famlia que ele quer muito. E uma coisa que s ela pode usar.
- O que , hein?
- No fao idia, mas parece que esse menino a vai dizer como us-la.
Goyle? Pensou Hermione. Goyle era o pai de um dos guarda-costas de Draco. A situao era realmente crtica. Se ela
no pudesse usar sua varinha, como iria lanar um pedido de socorro?
Quando eles alcanaram uma gruta escura e mida, Hermione tornou a fechar os olhos e se fez de desmaiada.
- Aqui est, senhora. O rapaz que mandou buscar.
- Excelente - disse uma voz de mulher ao fundo da gruta - agora vejo que trouxeram o rapaz certo. E essa menina? O
que faz aqui?
- Ela estava com ele, senhora. Foi atacada e ns a trouxemos tambm para que a senhora decidisse o que fazer com ela.
- Deveriam t-la deixado na floresta mesmo, assim algum animal teria um belo banquete esta noite. Mas j que a
trouxeram, joguem-na em qualquer canto. Depois eu cuido disso.
Os homens literalmente jogaram Hermione num canto da gruta e ela teve que fazer um tremendo esforo para no
gemer quando sua cabea bateu contra uma das pedras e comeou a sangrar.
Ela sabia que conhecia aquela voz, mas no conseguia identific-la. O eco, dentro da gruta, atrapalhava muito e os
homens, do lado de fora ainda conversavam.
- Enervate - disse a mulher apontando a varinha para o peito de Rony.
O garoto acordou assustado, j a procura de sua varinha, mas logo percebeu que estava desarmado.
Olhou a mulher a sua frente. Sentia que a conhecia de algum lugar, mas aquela mscara de caveira sobre os olhos no
lhe deixava ter certeza.
- Muito bem, Sr Weasley - disse a mulher -  um prazer rev-lo! Ainda mais nessas condies. Agora, oua bem e
com cuidado tudo o que vou lhe dizer se quiser sair daqui com vida.
Rony estava plido, seu corpo doa. Ele se esforava para lembrar de quem era aquela voz.
A mulher percebeu o quanto ele estava desorientado e decidiu abusar dessa condio.
- Se voc fizer tudo o que eu lhe peo, logo poder voltar para o castelo, junto com a sua amiguinha - e apontou para
Hermione.
Rony olhou a namorada sangrando, desmaiada no cho. Ficou ainda mais desesperado.
- timo! Vejo que entendeu bem! Agora me diga, o que voc sabe sobre o Lorde?
Rony no entendeu a pergunta e continuou calado.
- Ora, no se faa de desentendido, rapaz. O que voc v no futuro do Lorde?
Ele ainda estava confuso. O que aquela mulher maluca queria dizer com ver no futuro?
Ela perdeu a pacincia, levantou a varinha, apontou para Hermione e gritou:
- Cruccios!
A garota fazia um esforo fora do comum para no abrir os olhos, mas berrava de dor, contorcia todo o corpo e lgrimas
escorriam pelo seu rosto.
- J  o suficiente para voc? - perguntou a Rony.
- No entendo... no sei do que est falando - disse Rony.
- Voc quer  ganhar tempo, no  mesmo? Posso fazer sua amiga virar do avesso, ento, que tal?
-  srio - gritou Rony em visvel desespero - se me explicar o que quer de mim, eu prometo que farei tudo o que
pedir.
Ela notou a sinceridade nos olhos do jovem.
- Muito bem, sente-se e vamos conversar. Eu sei que voc tem o dom de prever o futuro. J fez duas previses para o
Potter, no  verdade?
- ,  verdade...
- Ento, a nica coisa que eu quero  que voc faa uma previso para o Lorde. No  pedir demais, ?
- Mas eu no consigo.
- Como assim no consegue? Quer me enganar, rapaz? J sei, voc quer que eu te d um estmulo, no  mesmo? Tudo
bem, isso no  problema.
Ela apontou a varinha novamente para Hermione e gritou:
-Sectumsempra.
A menina sentiu como se um chicote invisvel rasgasse suas vestes e sua carne. O sangue escorria pelo cho da gruta e
Rony gritou:
- Est bem, est bem! Pare com isso e eu lhe darei sua previso.
A mulher o olhou, sorriu vitoriosa e perguntou:
- E o que voc v?
Ele reconheceu aquele sorriso. Agora sabia com quem estava lidando. E sabia o que fazer para vencer a batalha. Ento,
respondeu:
- Nada! Eu preciso ver o cu para fazer as previses. Eu digo o que os astros me contam.
A mulher estudou a expresso de Rony como se esperasse que a palavra mentiroso aparecesse na teste dele.
- Ento, voc pode me levar at l fora?
- Sim, claro! Levante-se e vamos.
- Preciso que voc me desamarre.
- Ainda no!
- Olha, eu no seria louco, depois de tudo o que a vi fazer, de tentar fugir. Voc tem poder suficiente para me matar a
qualquer momento.
A mulher pareceu gostar da resposta do rapaz. Desamarrou as mos dele e com a varinha apontada para seu pescoo
disse para sair.
Hermione ainda estava consciente quando tudo aconteceu. Ela fez um esforo sobre-humano para se arrastar at o fundo
da gruta e procurar sua varinha e a de Rony. No foi difcil encontr-las, mas ela ainda estava fraca pela quantidade de
sangue que perdeu. Sabia que precisava sair da gruta e devolver a varinha do namorado se quisesse tirar os dois com
vida daquele lugar.
Do lado de fora havia cinco comensais da morte de vigia. No seria fcil venc-los, estando to machucada. Ela no
conseguia pensar em nenhuma magia que curasse aquele ferimento, ento s conjurou um curativo para a cabea. Achou
um pedao de pano preto, provavelmente resto de alguma vestimenta de comensal e cobriu o machucado com ele.
Procurando no fazer o menor rudo, arrastou-se para o lado de fora.
A quase 10 km dali, Hagrid ainda procurava Grope. Mas no havia nem sinal do gigante por toda parte.
Longe dali, antes de Firenze e Harry chegarem at o final da trilha, encontraram um bando de centauros. Agouro ia 
frente e estancou assim que viu Firenze, com Harry em seu lombo.
- O que significa isso, Firenze? Voc foi proibido de voltar  floresta, esqueceu?
- No, Agouro. No esqueci. Mas assuntos urgentes me fizeram quebrar essa proibio. Um aluno da escola de
Dumbledore foi raptado e trazido para a floresta.
- E esse humano, nas suas costas. Isso  uma vergonha!
- Isso  uma necessidade, Agouro. Invadiram as terras de Hogwarts e todos correm perigo. Inclusive vocs. J soube
que um dos nossos foi atacado e levado para algum lugar.
- Como voc soube? - quis saber o outro centauro, um pouco preocupado.
- O rapaz aqui - disse apontando com a cabea para Harry - encontrou um rastro. Ns o seguimos, encontramos sinais
de luta e isso.
Firenze entregou a Agouro o arco quebrado e as flechas que estavam pelo cho.
- Isso pertence a Magoriano. Ele saiu para investigar a mudana nos hbitos dos seres da floresta. Isso faz sete dias.
Todos os centauros baixaram a cabea em sinal de respeito. Firenze imaginou o que eles estavam pensando e tratou de
desfazer o mal-entendido.
- Olha, ns no encontramos nenhum sinal de sangue. Acreditamos que ele ainda esteja vivo. Eu coloquei o rapaz nas
minhas costas para poder chegar mais rpido ao local onde ele deve estar preso.
Agouro olhou para os outros centauros. E como se tivessem conversado em pensamento, falou para Firenze:
- Est bem, meu irmo. H muito descobrimos que essa guerra tambm nos pertence. Vamos, vamos salvar Magoriano
e o seu amigo humano tambm.
Agora Harry, Firenze, Agouro e mais 17 centauros seguiam a trilha. O rapaz no pode deixar de reparar como eles
galopavam rpido. Logo alcanariam o final dos rastros e poderiam ento salvar Magoriano e, quem sabe, Neville.
Enquanto isso, Hermione j havia conseguido se arrastar para fora da gruta. Ela viu Rony sentado num lugar afastado,
olhando para o cu e procurando se concentrar. Afastou-se mais um pouco e procurou um arbusto para se esconder.
Achou um perfeito, capaz de cobri-la completamente.
Ento, sem fazer nenhum rudo, lanou as fagulhas vermelhas para o alto.
Harry avistou o pedido de socorro e mostrou a Firenze.
- Logo estaremos l, Harry.  na mesma direo de nosso rastro.
- Vamos nos apressar - gritou Agouro para os outros.
A mulher estava muito preocupada com o que Rony pudesse falar para prestar ateno em alguma coisa. Os homens
perto dela ainda conversavam animados e Mione percebeu que eles cercavam uma caixa.
- Esse a j ta morto? - perguntou um dos comensais.
- No, tivemos que guard-lo para a "princesa Lestrange" - disse outro em tom de brincadeira.
- Mas o que ela quer com esse fedelho?
- Voc no sabe? Ela deixou os pais dele completamente pirados e quer fazer o mesmo com ele. A a gente o deixa
assim, inconsciente at a hora que ela chegar.
- E o cavalo? O que vamos fazer com ele?
- O Lorde quer o cavalo vivo. Precisa do sangue dele fresco para fazer algumas pesquisas. Parece que  o nico animal
que resiste ao Avada.
Hermione no sabia de que cavalo eles estavam falando. Mas achou melhor mandar outro sinal. J fazia algum tempo e
ela estava quase desmaiando. Apontou a varinha para o cu, mandou mais um pedido de socorro e desmaiou, de
verdade.
Rony estava sentado olhando as estrelas j fazia algum tempo. Mas nada acontecia. A mulher comeou a se
impacientar. Rony percebeu que precisava ganhar tempo. E comeou a falar:
- Elas esto discutindo... as estrelas... parecem que no concordam com alguma coisa.
A mulher pareceu interessada.
- No concordam com o qu?
Rony sabia que o que aquela mulher mais queria em toda sua vida era poder. Aquela era a chance de instig-la.
- Bom, parece que existem duas mulheres no caminho do.. do Lorde. Mas s uma delas vai alcanar o poder supremo
ao lado dele.
Os olhos daquela mulher brilharam de ambio.
- As estrelas dizem qual mulher vai ser?
-  nesse aspecto que elas comeam a discutir. Parece que isso ainda no est definido.  como se dependesse de uma
escolha delas. Mas parece que a mais antiga vai levar a melhor.
Rony no sabia porque tinha dito aquilo. Mas viu que fez um efeito e tanto na mente da sua seqestradora.
- Aquela Lestrange idiota pensa que pode mais que eu, no  mesmo? Mas ela vai ver s, eu acabo com ela antes que
ela possa pensar em se defender.
Rony estava se divertindo com aquela situao. Era fcil lidar com gente ambiciosa e burra. Aquela mulher j tinha sido
enganada antes. No seria difcil engan-la mais uma vez! Enquanto assistia, deliciado, a cena dela andando de um lado
para o outro tramando como poderia se livrar da rival, ele escutou uma coisa. Uma voz o chamava. Uma voz realmente
suave e feminina.
- Rony... Rony... Preste muita ateno. Ele est procurando no lugar errado! Ele j encontrou o anel e a varinha. No
deixe que ele encontre o colar. Tentem recuperar as outras peas. Isso vai evitar uma tragdia ainda maior.
A seqestradora havia parado de falar quando percebeu o olhar perdido de Rony. Ela agora o pressionava para que
falasse o que estava ouvindo.
Rony se apavorou e comeou a falar, mas acabou misturando tudo e no final, o que a mulher entendeu foi que ele
deveria procurar outro lugar porque se encontrasse o colar naquele ia provocar uma tragdia.
- Agora que voc j fez o seu trabalho,  hora de eu fazer o meu. Fique de p.
- O que voc vai fazer?
- Matar voc, o que mais? J perdeu sua utilidade e depois que acabar com voc irei exterminar sua amiguinha tambm.
Vocs j me deram problemas demais.
Ela j ia erguer a varinha quando escutou cascos de cavalo vindo em sua direo.
- O que  isso? - perguntou apavorada.
Antes que algum conseguisse responder, os 19 centauros apareceram ao redor do grupo. Harry tinha sua varinha em
punho e gritou:
- Expelliarmus - a varinha da mulher voou longe e Rony saiu para apanh-la.
Agora tambm estava armado e comeava a estuporar alguns comensais com a ajuda de Harry. Os centauros investiam
contra os bruxos e logo dois deles foram pisoteados.
A batalha durou pouco. Eram seis contra 21 e logo os comensais estavam todos amarrados e desacordados, inclusive a
mulher.
Rony contou o que aconteceu e disse que precisavam tirar Mione da gruta. Mas assim que chegaram l perceberam que
a menina havia sumido. O amigo de Harry j estava entrando em desespero quando Agouro falou:
- Foi voc quem lanou o pedido de socorro?
- No - respondeu choroso o rapaz.
- Ento, se Harry viu o pedido, Hagrid no est aqui e voc no enviou, ento sua amiga saiu da gruta e mandou o
pedido - raciocinou o centauro.
- Vamos procur-la - disse Rony enquanto saa apressado da gruta.
No foi difcil encontrar o rastro que Hermione deixou ao se arrastar para fora da gruta e logo um dos centauros j tinha
encontrado a menina, que segurava a varinha na mo e tinha a de Rony ao seu lado..
Harry olhou o ferimento da amiga e ficou preocupado. Sabia que ela havia perdido muito sangue. Tirou o cantil da
mochila e pediu a Rony que limpasse os machucados dela e tentasse fazer com que bebesse um pouco de gua enquanto
ele continuava a procurar Neville.
Logo eles acharam a caixa em que Neville estava. Harry reanimou Neville com Enervatte e o garoto explicou que eles o
capturaram no lugar de Rony. E disse tambm que h uns 50 metros dali os comensais tinham prendido um centauro.
Eles foram at o lugar indicado. Mais trs comensais guardavam a jaula de Magoriano. Harry e Neville estuporaram os
guardas. A jaula estava presa com um cadeado. Harry apontou sua varinha e disse:
- Alorromora.
Mas nada aconteceu, o cadeado no se abriu.
Neville tambm tentou, em vo.
Ento Firenze pediu licena. Tomou distncia, correu e golpeou o cadeado com as patas dianteiras. O objeto se desfez
em muitos pedaos.
Magoriano estava livre. Olhou ressentido para Firenze. Era difcil para aquele centauro orgulhoso dever algum favor
para algum que ele desprezava. Apenas olhou para Firenze, que no deixou que ele dissesse uma nica palavra.
- Por enquanto, estamos do mesmo lado. Sei que no me quer aqui, mas a guerra comeou e precisamos deixar as
brigas de lado.
Magoriano se limitou a dizer:
- Tem uma pessoa ferida por aqui. Eu sinto o cheiro. Precisamos lev-la antes que seja tarde.
Saiu em direo ao local onde estava Hermione, empurrando quem quer que estivesse em sua frente. Pegou a garota dos
braos do namorado e galopou em direo ao castelo.
Os demais centauros tambm ajudaram os jovens bruxos que agora levitavam o grupo de comensais desacordados e
amarrados pelo caminho. Logo alcanaram as portas do salo principal e foram recebidos com gritos de alegria, surpresa
e medo.
Firenze pegou Hermione das mos de Magoriano e a levou para enfermaria seguido de perto por Rony.
A diretora McGonagal se dirigiu ao grupo de centauros e agradeceu a ajuda que deram aos garotos.
- Ficaremos de guarda na orla da floresta. No se preocupem, vocs agora tem a nossa proteo! - disse Magoriano
apertando a mo da diretora, para surpresa dos outros centauros.
Eles voltaram para floresta. Enquanto os professores vigiavam o grupo de comensais preso do lado de fora do castelo.
Eles tiraram as mscaras e descobriram como eles haviam entrado nas propriedades do castelo. A mulher que dava
ordens ao grupo era a queridinha do Ministrio, Sr Dolores Umbridge. Ela tambm trazia a Marca Negra no brao
esquerdo e todos ficaram chocados.
Eles estavam discutindo o que fazer com eles quando Rony apareceu, junto de Harry.
- Diretora, a Umbridge precisa ficar solta - disse o ruivo.
- O qu? Voc est louco, Rony? Essa mulher quase matou sua namorada e voc me pede para deix-la solta? -
indignou-se a diretora.
- A sr no est entendendo.
- No estou mesmo. Faa-me o favor de se explicar!
Rony contou toda a histria para ela. E por fim disse:
- Se ela no voltar com a profecia que eu inventei, Voc-sabe-quem vai investir contra o castelo, vai tentar me
seqestrar novamente. Ou pior, vai conseguir achar o que tanto procura. Precisamos mant-lo longe daqui.
Alguns professores comearam a cochichar. Mais uma vez um jovem bruxo pensava melhor que eles, que tinham anos
de experincia e j tinham enfrentado, no passado, Aquele-que-no-deve-ser-nomeado.
- Um momento - pediu o professor Slughorn. - Precisamos que ele no saiba o que aconteceu de verdade. Precisamos
alterar a memria dela.
- Mas Voc-sabe-quem  um timo legilimente, vai poder invadir a mente dela e arrancar as lembranas de l - acudiu
Harry.
- E se no tiverem memrias para ele arrancar? - perguntou o professor com ar de misterioso e virando-se para a
diretora completou - pea aos aurores que levem o resto para a priso. E tragam Dolores para a minha sala.
Com a ajuda dos rapazes, a diretora levou Dolores Umbridge para a sala do professor de Poes.
- Mantenham-na desacordada - pediu ele enquanto preparava um frasco com algumas substncias e pegava outro frasco
vazio.
- O que  isso, Slughorn? - perguntou a diretora.
-  uma magia antiga que aprendi com Dumbledore. Voc tira a memria da pessoa, faz uma cpia, altera algumas
coisas e devolve a cpia alterada para a mente. Enquanto a memria verdadeira fica guardada num frasquinho.
Diante da cara de espanto de todos ele explicou:
- Normalmente, isso s pode ser feito com autorizao do Ministrio e as memrias verdadeiras vo para uma sala no
Departamento de Mistrios. Mas dadas as circunstncias desse caso, acho que podemos guardar a verdadeira em algum
cofre da escola.
Ningum disse mais nada e o professor continuou a preparar a poo. Vinte minutos depois ela estava pronta.
- Rpido, no?  para ser usada em casos de emergncia. Levantem a cabea dela, por favor.
Eles obedeceram e o professor empurrou uma colherada da poo pela garganta de Umbridge. Depois posicionou a
varinha na tmpora da mulher e comeou a puxar um fio prateado de sua cabea.
Harry se lembrou das vezes em que viu Dumbledore colocar pensamentos na Penseira.
Mas ao invs de ser colocado em algum lugar, o fio prateado se abriu como uma tela de cinema, porm redonda e as
imagens comearam a acontecer. O professor fez um gesto com a varinha e as imagens se duplicaram. Uma delas ele
guardou no frasco vazio e a outra, aos poucos, foi sendo alterada. No final, as lembranas da professora eram de um
ataque sofrido no acampamento, em que quase todos os comensais morreram, dois fugiram e ela sobreviveu aps atacar
trs centauros. Na mente da comensal tambm foi colocada uma cena em que ela matava Rony, depois dele fazer a
previso. Ele tambm criou a cena dela procurando Hermione, e encontrando a garota morta de tanto sangrar com o
feitio que havia lanado nela pouco antes.
Quando tudo estava pronto, eles correram com Umbridge para a Orla da Floresta e pediram a um dos centauros para
devolver a mulher ao local que estava antes.
Depois de tudo resolvido, Harry e Rony foram tomar um banho e comer alguma coisa. Quando se sentaram para a
refeio  que Harry percebeu. Hagrid no respondera ao pedido de socorro. E ainda no tinha regressado ao Castelo.
- 16 -
O primeiro achado
Harry procurou a diretora para informar o sumio de Hagrid. Ele explicou que eles se separaram para efetuar a busca
mais rapidamente e combinaram um sinal para se reencontrar. Mas Hagrid no atendera ao sinal.
- Isso no  comum, Harry. Hagrid sempre cumpriu ordens, tratos e combinados. Tanto que sempre foi um dos homens
de confiana de Dumbledore - disse a diretora.
- Eu sei, por isso achei estranho!
- Vou ver se alguns centauros podem nos ajudar. Mas ainda temos um outro problema, Harry - disse com voz sria.
O rapaz apenas esperou que ela lhe a que se referia.
- O jovem Weasley me disse que Umbridge sabia do seu dom recm-descoberto. Que eu saiba, ningum alm dos
alunos e professores da escola tinham acesso a essa informao.
-  verdade - comentou - ele no quis nem contar para os pais quando estivemos na casa dele.
- Ele me disse isso tambm. A questo  descobrir como ela conseguiu essa informao, e quem a passou.
Ele no soube o que responder. Despediu-se da professora com a desculpa de descansar e saiu rumo  enfermaria.
Precisava saber como estava Hermione.
L chegando encontrou Rony sentado aos ps da cama, vigiando cada suspiro da namorada. Assim que este avistou o
amigo, fez um gesto desanimado:
- Ela no acorda, Harry. Madame Pomfrey disse que ela perdeu muito sangue e que  normal. Mas eu no sei, tenho
muito medo. Se acontecer alguma coisa com ela vai ser minha culpa.
- Que  isso, Rony - disse tentando acalm-lo. Voc no tem culpa de nada! Olha, ningum sabia que eles estavam
atrs de voc. Se a gente soubesse voc nem teria colocado os ps naquela floresta. Foi uma fatalidade!
- No - disse o rapaz exasperado - eu deveria ser mais inteligente, entender o que aquela, aquela vaca estava pedindo.
Se eu tivesse entendido logo, ela no teria torturado a Mione. Foram dois feitios, Harry, dois feitios fortes. Crucciatos
e Sectumsempra. E o socorro demorou a chegar...
Madame Pomfrey entrou na enfermaria e vendo o estado do rapaz deu-lhe uma poo calmante. Fez um sinal para que
Harry sasse e antes mesmo do rapaz alcanar a porta da enfermaria, Rony j estava dormindo.
Ele saiu dali e foi falar com Gina. Achou a namorada conversando com Neville, que parecia extremamente feliz. Harry
quase ficou com cimes, mas sua mente estava ocupada demais com coisas mais srias que ele simplesmente esperou os
dois acabarem a conversa e nem ligou quando o rapazinho despediu-se de Gina com um beijo na bochecha.
A menina virou-se e deu de cara com Harry. Ficou muito vermelha e disse:
- Ah, oi! Como est? J descansou?
- J sim, obrigado.
- E Mione e Rony?
- Esto na enfermaria. Mione ainda no acordou e Rony teve uma crise nervosa, precisou tomar um calmante.
- Nossa, coitado!
- , parece que o nico que est feliz por aqui  o Neville - comentou tentando parecer natural.
- O que quer dizer com isso? - perguntou desconfiada.
- Bom, primeiro vocs ficam de conversa quase todas as noites, depois ele lhe d um presente e por fim, um beijo. No
sou eu quem tem que dizer coisa alguma.
Gina no se explicou, no pediu desculpas, no falou nada. Apenas riu. Uma risada divertida.
- Voc no est pensando que eu tenho alguma coisa com o Neville, est?
- Por que eu pensaria uma coisa dessas? - rebateu Harry em tom cnico.
- Harry, Neville estava me fazendo companhia, ou melhor, me amolando todas as noites porque ele queria que eu o
ajudasse a conquistar a Luna Lovegood. Aquela pena ele comprou para ela, mas pediu que eu olhasse para ver se ela
gostaria. E o beijo ele me deu quando eu lhe contei que a Luna tinha aceitado sair com ele, qualquer dia desses.
O garoto ficou passado. Nunca imaginara Neville gostando de Luna. Ia ser um casal engraado.
- Agora, meu amor - disse a menina em tom zombeteiro - quando desconfiar de alguma coisa, pode perguntar. 
melhor do que ficar imaginando absurdos.
Deu as costas e saiu em direo ao berrio onde teria que fazer um turno.
Harry ficou ali, sem ter o que fazer. Mione e Rony de cama, Gina trabalhando e at Neville tinha compromisso. S ele
estava  toa. Pela primeira vez nos ltimos seis anos. Sem saber muito bem o que fazer, foi at seu quarto e pegou o
segundo carto de Dumbledore. Depois seguiu para a sala do diretor. Subiu, acendeu a lareira e deixou-se ficar em uma
almofada que sua amiga esquecera ali.
Ficou um tempo olhando as chamas e lembrando da vez em que conversou com Sirius pela lareira do Salo Comunal da
Grifinria. Seria bem mais fcil se o padrinho estivesse ali.
Na verdade, pensou Harry, seria bem mais fcil se Voldemort no tivesse sido descoberto por Dumbledore. Mas o velho
diretor cometia erros. Errou com Voldemort. Errou com Snape. E agora errava de novo deixando Harry sem saber que
caminho tomar.
Olhou para o carto e jogou-o na chamas. O pergaminho crepitou um pouco e comeou a soltar uma fumaa esquisita.
Harry deitou na almofada e ficou observando a fumaa sobre sua cabea.
Mas a fumaa comeou a ficar mais densa e quando o rapaz percebeu, havia formado algumas palavras. Era mais uma
mensagem oculta do diretor.
"Uma fmea sempre protege seu ninho. Assim como um pirata sempre protege seu tesouro. Ache a fmea e voc ter o
ninho e todos os ovos."
Harry no quis pensar no assunto. Anotou o que lera num pedao de pergaminho e voltou para seu quarto. Ele precisava
dormir.
Mas o rapaz no descansou. Mal pegou no sono e os sonhos estranhos comearam a atorment-lo. Ele viu um grande
crculo de pedra e Voldemort gritando enraivecido, apontava a varinha para algum. Depois a cena mudava, ia para um
casaro abandonado. Muitos comensais quebravam as paredes procurando alguma coisa. Depois via Voldemort
guardando sua varinha em uma caixa bem protegida. Por fim, revia a cena em que eles duelaram quando Voldemort
recuperou seu corpo. O horror no rosto do bruxo quando as varinhas ficaram conectadas.
Ele acordou suado, olhando para todos os lados, esperando encontrar o Lorde das Trevas ali mesmo em seu quarto.
Estava quase amanhecendo e ele sabia que no conseguiria dormir novamente.
Levantou da cama, trocou de roupa e foi at o salo principal. Alguns bruxos j estavam acordados e conversavam
enquanto tomavam caf. Os horrios de refeies no castelo havia mudado completamente devido aos turnos de vigia e
tarefas estabelecidos. Bastasse que algum se sentasse  mesa, querendo almoar, jantar ou tomar apenas um ch que a
refeio aparecia.
Harry desejou uma xcara de ch de camomila bem forte. Tomou tudo quase de uma s vez e foi andar pelo castelo, mas
no havia quase ningum acordado, alm dos aurores, dos vigias e dos ajudantes da enfermaria.
Ele queria visitar os amigos, mas ainda era muito cedo. Ento voltou ao Salo Comunal. O inverno estava quase
chegando e ele sentiu os ossos gelarem quando se jogou em uma das poltronas. Pegou sua varinha e acendeu o fogo na
lareira. Os elfos estavam muito ocupados com tantos novos hspedes que alguns servios no eram mais executados por
eles.
O rapaz comeava a ficar entediado quando olhou para a mesa em que faziam deveres e viu uma pilha das edies mais
recentes do Profeta Dirio. Pegou algumas e comeou a ler.
Na edio do dia anterior estava a notcia da invaso do Ministrio.
COMENSAIS TOMAM O MINISTRIO DA MAGIA
Um grupo de Comensais da Morte invadiu esta manh o Ministrio da Magia. s 10h30min o grupo, formado por 30
pessoas encapuzadas, rendeu os guardas do Ministrio. Testemunhas garantem que eles se separaram em duas equipes.
Uma foi em direo  sala do ministro e outra foi para o Departamento de Mistrios.
O que aconteceu a partir da  um enigma que dificilmente vai ser solucionado. Eles deixaram o Ministrio depois do
meio-dia, levando um pesado embrulho e deixando um rastro de destruio e morte atrs deles.
A lista das vtimas fatais desta vez inclui o nome do prprio ministro, de dois estagirios e do chefe do Departamento de
Mistrios. Muitos outros bruxos foram enfeitiados, mas no sofreram danos graves.
O conselho nomeou a sub-secretria snior do ministro, Sr Dolores Umbridge como nova Ministra da Magia. Esta vai
ser a primeira vez que uma mulher ocupa esse cargo.
Ministra? Aquilo era demais para Harry. Agora  que Voldemort ia ter tudo o que sempre quis. E que embrulho seria
aquele que os Comensais levaram? Ele continuou a ler as outras edies.
De repente, como se um raio tivesse atingido sua cabea, Harry teve uma idia. Como no percebera isso antes? Pegou
um pedao de pergaminho, uma pena e comeou a anotar nomes e lugares que via no jornal. Trabalhou incansavelmente
por quase duas horas.
Releu todas as anotaes para se certificar de que no tinha esquecido nada. Saiu do salo com um sorriso no rosto e
determinado a visitar os amigos. Eles gostariam de saber da novidade.
Chegando na enfermaria, Harry viu que Rony estava de p, muito mais calmo. Ele ajudava Hermione a tomar um prato
de sopa. Quando a garota viu o rapaz entrando, fez um gesto para que Rony olhasse.
- Harry, que bom que apareceu. Veja, Mione j acordou.
- Que bom - disse o rapaz muito feliz.
- Voc me parece bem melhor hoje - disse o amigo.
-  que eu fiquei estudando alguns casos - disse em ar misterioso.
- E descobriu alguma coisa? - perguntou Mione num esforo.
- Descobri muita coisa. Mas s conto se voc prometer no falar nada. Ainda parece bem fraca - respondeu Harry.
Rony olhou agradecido o amigo.
Harry contou aos dois o que tinha feito durante a noite, o sonho maluco que tivera e a idia que teve quando leu alguns
artigos do jornal. Por fim explicou:
- Pelo que eu reparei, os ataques de comensais tm se concentrado em quatro pontos principais nas ltimas semanas.
Acompanhem comigo, eles s atacaram o Ministrio, Godrics Hollow, o Beco Diagonal e Hogwarts. Ento se o bilhete
de Dumbledore estiver certo, eles devem estar tentando encontrar alguma coisa, ou proteger alguma coisa para
Voldemort.
- , mas, se o que Voldemort quer estiver no Ministrio da Magia, com a Umbridge de Ministra vai ficar fcil
conseguir.
- Eles j conseguiram o que queriam do Ministrio. E ao que tudo indica ficava no Departamento de Mistrios. Agora a
gente s precisa descobrir o que ele quer em Godrics, no Beco Diagonal e em Hogwarts.
Rony e Mione se olharam, depois olharam para Harry. Para quem no tinha um ponto de partida, at que aquela idia
era vlida. Mas eles no tinham como sair da escola. No com Mione daquele jeito.
- No se preocupem. Eu no vou sair por a feito um louco. Vou esperar a festa de Dia das Bruxas. At l Mione j
deve ter se recuperado. Enquanto isso, vou aproveitar as aulas da professora Goldrisch. Quero ver se ela fala mais
alguma coisa sobre a minha famlia.
Mas a aula no apresentou nenhuma novidade. S no final que Harry ouviu um trecho que no tinha em seu livro:
- Os seis irmos - dizia a professora - foram avisados pelos astros que um deles logo iria morrer. Ento resolveram que
precisavam se reunir mais uma vez e assim foi feito. Eles se reencontraram em um lugar um tanto afastado da Ilha do
Conhecimento, conhecido como Altar dos Portais. Quando se reencontraram e discutiram a vida de cada, descobriram o
quanto o excesso de poder era prejudicial. Ento decidiram dividir a Magia. Um dos irmos usou o conhecimento
adquirido no Oriente para realizar o ritual. Primeiro ele reuniu a magia dos seis em um nico ponto, no centro do Altar.
Depois a dividiu e distribuiu entre eles. E depois disso todos os bruxos e bruxas nasceram com apenas meia magia.
- Ento a magia que ns conhecemos  s uma parte? - quis saber o nico aluno da Sonserina que tinha sido
selecionado para a aula.
- Exatamente.
- Mas existe um jeito de reunir essa magia? - perguntou Harry.
A professora examinou bem o garoto e respondeu:
- Diz a lenda que s h duas maneiras. A primeira, quase impossvel,  usar as trs jias que os herdeiros da magia
possuam. Mas ningum sabe se essas jias realmente existem e onde esto.
- E a outra? - perguntou um aluno da Corvinal.
- A outra  praticamente compreender o princpio masculino/feminino da cultura oriental. Um ser humano s 
completo quando  homem e mulher no mesmo corpo.
Os alunos voltaram para seus dormitrios empolgados com a histria e comentando como seriam as jias.
Harry esperou todos sarem e quando se viu a ss com a professora, perguntou:
- Como voc sabe todas essas coisas?
- Bem,  meio que um segredo de famlia - disse ela.
- Voc  uma Wichan? - indagou o estudante.
A professora parou. Ela no esperava aquela pergunta. Olhou o rapaz mais uma vez.
- Onde voc ouviu ou viu esse nome, Harry?
- Digamos que seja o meu segredo de famlia - respondeu.
A professora sorriu.
- Bela resposta. Sim, eu sou uma Wichan. Sou descendente de Mouruz e Mistril. E voc?
- De Morgan e Morgi - respondeu o rapaz.
- Ento somos primos... meio distantes, mas somos parentes - disse a professora sorrindo.
Os dois saram da sala ainda conversando. Harry quis saber mais detalhes da histria, mas a professora pouco sabia
alm daquilo que tinha dado em sala de aula.
- Eu no entendo uma coisa, por que precisamos aprender isso? Em que esse conhecimento vai nos ajudar na guerra que
est comeando? - perguntou o rapaz.
- Eu tambm no sei, Harry. Foi um desejo de Dumbledore que os alunos soubessem disso. Talvez para tentar reunir as
trs jias e conseguir uma arma capaz de destruir Voc-sabe-quem.
- E qual jia voc tem, Ada?
- Eu? Nenhuma - respondeu em tom melanclico.
- Mas como? Voc deveria ter uma das jias.
- Eu teria, se meu pai no tivesse sido enganado. Ou devo dizer, enfeitiado.
- Por Voldemort? - interrompeu Harry.
- No, meu pai nunca teve grandes qualidades para chamar a ateno Daquele-que-no-deve-ser-nomeado. Foi um
amigo dele. Algum que freqentava nossa casa. Um dia viu a caixa em que estava guardada a nossa jia e quis saber o
que era. Meu pai no quis contar ento ele colocou um pouco de veritasserum no ch que bebiam e meu pai disse tudo.
- J imagino o resto, ele conseguiu convencer seu pai a vender a jia para ele.
- No, foi pior. Ele usou a maldio Imperius e fez meu pai passar a jia para ele, em testamento. E como voc j deve
saber, um testamento bruxo  inquestionvel.
- Puxa, esse cara soube mesmo fazer as coisas! Mas qual era a sua jia?
- A Varinha de Andriax.
Aquele era mais uma informao para juntar ao quebra-cabea que Harry tentava montar em pensamento. A varinha
havia sumido. E tinha a profecia de Rony. Era para impedir que as trs partes ficassem juntas. E ainda tinha os
horcruxes.
Harry se dirigiu  enfermaria para ver os amigos. Encontrou Mione bem mais disposta, sentada na cama lendo um livro
que Rony pegou pra ela na biblioteca.
- Oi, que bom ver voc - disse animada.
-  bem melhor ver voc assim - respondeu o rapaz - Onde est Rony?
- Foi tomar um banho e logo vai estar aqui. Como foi a aula?
Harry contou tudo o que havia acontecido  amiga e esperou que aquela mente brilhante resolvesse algum enigma que
ele ainda no tinha conseguido enxergar. Mas ela apenas disse:
- Uau, este ano voc descobriu mais coisa sobre a sua famlia que nos ltimos 16 anos de sua vida. Escuta, eu tenho um
palpite sobre a profecia do Rony. S preciso saber mais alguns detalhes. A professora Goldrisch no lhe disse o nome da
pessoa que roubou a varinha?
- No, disse que era um amigo do pai dela.
- Voc precisa descobrir isso, Harry. Faa aquele velho jogo de "jogar verde". Quem, no mundo mgico que
conhecemos,  a pessoa mais interessada em varinhas de que temos notcia?
Os olhos de Harry brilhavam. Ele saiu correndo e antes das 21h voltou  enfermaria com a resposta que eles tanto
queriam.
- Voc estava certa, Mione, Olivaras roubou a Varinha de Andriax.
Rony, que j estava de volta para fazer companhia a namorada, olhava de um para o outro sem entender nada. Depois
de uma breve explicao ele disse:
- Mas no precisa ser nenhum gnio para descobrir isso. Ou vocs se esqueceram que ele sumiu misteriosamente.
Era verdade, o Sr Olivaras havia desaparecido h algum tempo, sem deixar rastros.
- Agora s precisamos achar quem era o dono do anel.
- No vai ser muito difcil! Quem mais sumiu alm do Olivaras?
- Fortescue? No  muito absurdo? O cara era um simples sorveteiro que foi expulso de sua loja - disse Rony.
- , ele foi expulso por qu? E alm disso ningum mais viu o pobre homem depois disso.
- Mas, Mione - ponderou Harry - isso so apenas suposies.
- Vo deixar de ser suposies se vocs puderem dar uma fugidinha at a sala de Dumbledore - respondeu a garota com
cara de quem tinha tido uma grande idia.
O plano era simples. Eles sairiam do Salo Comunal, com a capa a invisibilidade e iriam at a sala do diretor. Fcil.
Mas depois teriam que procurar uma inscrio em latim em um dos quadros.
Eles vasculharam a sala inteira atrs de quadros dos diretores de Hogwarts. E muitos deles no gostaram de ser
cutucados e observados to de perto.
-  impossvel - falou Harry se atirando na cadeira que fora de Dumbledore.
Rony olhou mais uma vez e parou, de frente para um dos quadros.
- Ei Harry, me d uma ajuda aqui. Eu preciso de um banquinho ou uma escada para alcanar essa imagem aqui.
Harry empurrou a cadeira do diretor at onde o amigo estava e eles puderam ver ali no quadro no s a inscrio, mas a
imagem do anel tambm.
- Veja,  um anel de ouro branco, com uma pedra meio amarelada em forma de sol. Exatamente como seu livro
descreve. E em volta dela est escrito, em latim, Anelus Fortis Andriacce. S pode ser alguma coisa como A Fora do
Anel de Andriax.
- Que diretor foi esse, Rony? - perguntou Harry.
- Deixa eu ver... foi... foi Arthur Fabricius Fortescue.
Na enfermaria, quando contaram a Mione o que tinham descoberto, a garota simplesmente falou:
- Isso  bvio. Afinal de contas Voldemort no perde tempo com gente de pouca importncia. Se ele deu um jeito de
sumir com Olivaras e Fortescue  porque eles tinham alguma coisa de valioso. E sabia muito bem que o Ministrio no
ia dar bola para um mero sorveteiro.
- , Voldemort teve muito tempo para preparar sua volta. - refletiu Harry - Ele no quer que nada saia errado.
Os trs ficaram em silncio at que Gina entrou nervosa:
- Vocs viram? A Umbridge  Ministra agora! Como podem ser to idiotas e colocar aquela mulher horrorosa como
Ministra?
A menina se jogou sobre uma cadeira com o rosto vermelho de to nervosa.
- E o pior - continuou -  que o Percy tem que continuar com aquele teatrinho ridculo de "odeio minha famlia e amo
o Ministrio" com aquele monstro por perto.
- Ei, Gina, acalme-se - pediu Harry enquanto abraava a garota - a gente vai dar um jeito de tirar o Percy dessa
enrascada.
- At agora eu no me conformo. Quando ela estava aqui quase matou voc com aquela pena maldita, agora quase mata
a Mione. Assim fica fcil entender porque s o Filch gostava dela.
Ao ouvir o ltimo pedao da frase, Harry procurou os olhos dos amigos. Pareciam que todos pensavam a mesma coisa.
Rony e Harry deixaram Gina fazendo companhia para Hermione e foram at a sala da diretora McGonagal. Assim que
chegaram j foram falando a idia deles. Minerva disse que fazia sentido e menos de meia hora depois Filch estava na
sala dela.
No foi preciso muito esforo para que Filch dissesse a verdade. Ele havia encontrado com a ex-diretora em Hogsmeade
e ela lhe perguntou as novidades. Ele contou sobre a nova professora e sobre o jovem Weasley.
- S isso, Filch? - pressionou Minerva.
- S, diretora. Ela perguntou se eu no tinha visto nada de anormal e se eu sabia quais eram os alunos mais puro-sangue
do colgio. Mas eu disse que com a confuso que estava na escola, com esse monte de gente nova morando por aqui
ficava difcil controlar e at saber quem era da famlia de quem. Ela pareceu no gostar da minha resposta e logo foi
embora.
- Filch, voc tem conscincia que quase colocou a vida de vrios alunos em perigo?
- De que jeito, diretora? A mulher j cuidou de Hogwarts em outros tempos...
- Mas agora, Filch, ela  uma comensal, ela faz parte do exrcito de Voc-sabe-quem!
A notcia deixou Filch em choque. Ele sempre viu em Dolores Umbridge um modelo de bruxa a ser seguido. Nunca
imaginou que ela pudesse se debandar pro lado das trevas.
- OK, Filch. Pode ir! Mas da prxima vez, certifique se a pessoa no tem uma marca negra no brao, est bem? - disse
a diretora dispensando o zelador.
- 17 -
Eterniuns
Os rapazes j tinham encontrado vrias pistas. Agora era traar um plano, para conseguir vasculhar o castelo e depois
sair para encontrar os outros horcruxes. Mione j tinha sado da enfermaria e agora eles estavam no Salo Comunal,
discutindo onde procurariam primeiro.
- A gente pode voltar a toca do Basilisco. Foi o ltimo lugar que Voldemort esteve aqui no castelo, no  mesmo? -
sugeriu Rony.
- Eu no quero voltar l. De jeito nenhum! - exclamou Gina - Tenho pssimas lembranas daquele lugar!
- Eu tambm no vou voltar l. Mesmo porque no acredito que Tom seja estpido de guardar alguma coisa num lugar
to bvio. O outro horcruxe, o que j est destrudo, foi muito difcil de achar - falou Harry.
Todos concordaram. Eles sabiam que Harry s destruiu o dirio porque usou a presa do basilisco. O anel de Servolo
estava amaldioado e o medalho de Slytherin foi guardado com os piores feitios que um bruxo pode imaginar.
- Vamos repassar o que Dumbledore explicou a voc, Harry. - pediu Hermione - Todos os horcruxes que ns
conhecemos tem alguma importncia na vida dele. O dirio, o anel e o medalho. O que mais?
- Dumbledore deixou subentendido que Voldemort queria um objeto de cada casa, como prova de que ele seria mais
forte que todos. Mas eu sei que o nico objeto de Griffindor era a espada, e ela Voldemort no conseguiu pegar.
- Ento nos sobra apenas Lufa-Lufa e Corvinal. A Taa de Huffleepuff, que ele conseguiu com aquela velhinha afetada,
e um objeto que pertenceu a Rowena Ravenclaw.
- Que ns no sabemos o que  nem onde pode estar. O jeito  voltar at a sala de Dumbledore e procurar mais alguma
anotao ou um resto de memria pra usarmos na Penseira - sugeriu Harry.
Eles passaram a noite na sala do diretor, mas no conseguiram encontrar nada. Nem uma anotao sequer.
- Esquece Harry, no tem nada aqui - falou Gina cansada.
- Droga - gritou o garoto dando um chute na mesa que deixou abrir uma portinhola embaixo do tampo de onde caram
alguns pergaminhos.
Harry se abaixou e reuniu todos eles. Pareciam cartas escritas h pouco tempo. Mas estavam todas lacradas. Parecia que
o diretor no tivera tempo de ler.
Ele olhou para os amigos, esperando ver um olhar de aprovao. Hermione se adiantou e disse:
- Vai, abre! Ele deixou a sala para voc com tudo o que tem dentro. Isso inclui a correspondncia.
- Mas eu no sabia de compartimentos secretos - justificou-se Harry.
- Acho que ainda vamos descobrir muita coisa nesta sala que nunca imaginamos - respondeu-lhe a amiga.
Harry desenrolou a primeira carta. Era de Abefort, irmo de Dumbledore. No dizia muita coisa.
Meu irmo,
Voc sabe que nunca fui to brilhante quanto voc. Mas isso  necessrio. Saiba que pode contar comigo, pra tudo. Tudo
mesmo! Basta dizer o dia e o local, que, independente do que for, eu estarei l.
Abefort
Ele releu o bilhete e passou para os outros. Enquanto os amigos se revezavam para ler, Harry abriu outro pergaminho,
desta vez um pouco maior e com letra feminina.
Querido Alvo,
Voc sabe que eu no consigo resistir a um pedido seu. Ainda considero seus culos de meia-lua um charme.
S no entendi por que preciso me desfazer dela, Dumby. Era uma bela herana de famlia, a nica, pra ser sincera.
Voc sabe o quanto minha ancestral era desapegada de coisas materiais.
Ela s tinha luxo por essa varinha. Acho que escondia alguma paixo secreta. Voc deve saber melhor que eu.
S quero que saiba que j foi feito. Agora espero que cumpra sua palavra e venha jantar comigo na prxima semana.
Com carinho,
Elisa Ravenclaw
Harry ficou plido. Ser que aquela mulher falava sobre a varinha de Rowena Ravenclaw? Ele mostrou a carta aos
amigos. Todos pensaram a mesma coisa.
- Bom - disse Mione quebrando o silncio - ento j sabemos qual era o objeto da Corvinal. E sabemos tambm que
Voldemort no conseguiu esse tesouro para sua coleo. Agora  sair do castelo e investigar os outros lugares.
Eles combinaram de sair do castelo no dia seguinte. Enquanto todos estivessem na festa de Dia das Bruxas ningum
repararia neles.
- Seria melhor se fizssemos uma coisa antes. - sugeriu Gina - Por que no deixamos tudo preparado para sair do
castelo? Podemos preparar as mochilas, as vassouras, alguns mantimentos... Pra quando surgir a oportunidade de sair
daqui a gente no perder tempo.
A idia da garota foi imediatamente aprovada pelos amigos e eles correram para arrumar as mochilas.
Por mais perigosa que fosse a misso deles, a expectativa de viajarem sozinhos, juntos, os quatro, era muito excitante.
Rony e Harry estavam no dormitrio separando o que deveriam levar.
Harry colocou em sua mochila uma cala jeans, algumas meias e cuecas, duas camisas e um bluso de moletom.
Levaria dinheiro se precisasse comprar roupas. Colocou tambm a capa da invisibilidade, a caixa com a Andriax, o livro
de famlia e o mapa do maroto.
Os dois amigos concordaram que se sassem com as mochilas ao mesmo tempo, poderiam chamar ateno. Ento Harry
sairia primeiro e 15 minutos depois, Rony iria encontrar com ele na sala do diretor.
Mal eles chegaram, e Gina e Hermione chegaram atrs. S Mione no tinha vassoura, pois Gina ficou com a antiga de
Rony. Eles dariam um jeito nisso, nem que precisassem roubar uma da Madame Hoock.
No havia mais nada a fazer e Harry decidiu ler o resto dos pergaminhos. Para agilizar a leitura, o rapaz dividiu as
cartas com os outros trs e disse para procurarem alguma informao importante.
Foi Rony quem achou a informao, mas num pergaminho escrito pelo prprio Dumbledore. Eram anotaes
desconexas, nomes riscados, desenhos e smbolos rnicos. Com a ajuda de Hermione eles conseguiram entender o que
dizia o papel.
Eram anotaes de um jeito muito antigo de se repartir a alma ou de transferir a alma inteira para o corpo de algum
animal.
- No  um horcruxe - refletiu Mione - porque no requer a morte de ningum.
- Mais ou menos como Morgan fez na histria da minha famlia - disse Harry.
- Exatamente - disse Mione - mas como se faz aqui no explica direito.  preciso uma situao especfica, mas no
consigo entender o resto, parece que  preciso uma entrega, entrega total ou perigo total, no d pra saber - concluiu
confusa.
- Eu sei de algum que pode nos ajudar - falou Harry.
Eles foram atrs da Professora Goldrisch. Quando soube do assunto ela suspirou e falou:
- Sim, foi essa a magia que seu antepassado usou, Harry. Mas  preciso um corao muito generoso para realiz-la.
Enquanto um horcruxe  feito atravs da escurido de uma alma, um eterniuns  feito com um corao livre de maldade.
E mesmo assim, as conseqncias so muito duras de agentar.
- Conseqncias? Nas anotaes de Dumbledore no havia nada sobre conseqncias - falou Hermione.
- Ele no deve ter tido tempo de estudar tudo, Srta Granger. Mas existem conseqncias. Para fazer um eterniuns 
preciso que ambas as partes estejam de acordo. Porque quando voc der um pedao de sua alma para outra pessoa
guardar, ela tambm vai dar um pedao da dela para voc. E voc passa a ser responsvel pelas alegrias e sofrimentos
dela. Vocs se tornam um s. Como num casamento.
- E, quando tentam matar algum, tipo, funciona do mesmo jeito que um horcruxe? - quis saber Rony.
- No - disse a professora - mas mantm voc vivo o tempo suficiente para terminar o que comeou. Se for uma
batalha, voc s morrer assim que ela terminar.
Os rapazes ficaram em silncio, sem coragem de olhar para a professora. At que Harry perguntou:
- E o que  preciso para se fazer isso? Tem alguma palavra mgica, um feitio, um gesto com varinha?
A professora analisou bem o rosto do garoto como se entendesse onde ele queria chegar com a pergunta, e respondeu:
- No, e esse  o maior segredo do eterniuns. No h um feitio, pois ele usa a magia natural, a magia intuitiva.
Eles saram da sala da professora e foram jantar. O dia tinha sido muito confuso, at mesmo para Hermione.
Ningum falou nada enquanto comiam. O teto enfeitiado do salo exibia uma noite extremamente bela, com uma
brilhante Lua Minguante e vrias estrelas desenhando a Via Lctea.
Quando acabaram de jantar, Rony espreguiou na cadeira e olhou para o alto. Ele j havia esquecido que os astros
falavam com ele. Mas alguma coisa estava acontecendo de diferente. Ele havia se agachado com as mos protegendo os
ouvidos e fazia caretas de dor.
Ningum havia tomado nenhuma iniciativa, quando a porta da frente se abriu e Hagrid entrou. Levantou o rapaz do
cho e saiu com ele da sala, seguido de perto pelo professor Firenze.
Harry, Gina e Hermione correram atrs, mas logo perceberam que no precisariam ir at a enfermaria. Rony parou de
gemer quando saram do salo. Hagrid o deixou sentado em uma escada.
- Voc tambm ouviu, no foi? - perguntou o centauro ao rapaz.
Rony s afirmou com um aceno de cabea, a expresso entre pavor e cansao no rosto.
- Hagrid - chamou Harry - onde voc estava? Todos ficaram preocupados.
- Ah, bem - comeou o meio-gigante - eu estava buscando remdios. Sabe, o Grope foi ferido. No sei por quem, mas
ele ficou muito mal, e eu estava cuidando dele at agora. Estava voltando quando vi os centauros inquietos e quando
entrei no castelo ouvi o Weasley aqui berrar de dor.
- Que bom que voltou! E como est o Rony? - perguntou Mione dirigindo-se ao professor de Adivinhao.
- Est melhor, hoje os astros esto nervosos, Srta Granger. Por favor, no deixe que Rony saia ou veja o cu em
momento algum, est bem?
Ela concordou com a cabea e os professores voltaram para o salo para tranqilizar o resto dos habitantes do castelo.
- Nossa - suspirou Rony - achei que s o Gui  que teria problemas com a lua.
Eles comearam a rir.
- Pelo visto voc j est bem melhor, n? J est at fazendo piadinhas - se divertiu Gina.
- Estou melhor sim, mas posso pedir um favor? Eu preciso falar a ss com o Harry.
Ningum entendeu muito bem, afinal aquele era um grupo que no tinha mais segredos. Mesmo assim ningum
questionou o pedido. Gina e Hermione voltaram para o salo. Iam pegar alguns doces de sobremesa para os meninos.
- Olha, cara, aquilo l dentro, l no salo... - comeou Rony.
- Ta tudo bem, Rony - disse Harry para acalmar o amigo.
- No, no  isso.  que eu queria contar pra voc o que eu ouvi. Vem uma tempestade feia por a, Harry. E a histria
vai ser diferente do que todo mundo pensa.
Harry olhava srio para o amigo. Uma previso daquelas no era algo animador.
- E tem mais!
- Mais ?! - assustou-se Harry.
- . Eu sei o que voc quer fazer.
- Sabe?
- Sei, e no se preocupe. No vou tentar te impedir, apesar dessa ser a minha vontade. Mas se voc acha que isso
realmente  vlido, tem que ser feito essa noite. No pode esperar mais.
Harry agradeceu o amigo e saiu correndo em direo ao salo. Chamou Hermione para fazer companhia a Rony e foi
procurar a professora Goldrisch.
Encontrou-a em sua sala, relendo alguns trabalhos. Bateu  porta e pediu licena para entrar.
- Eu sabia que voc ia voltar. Costumo deitar cedo, mas resolvi esperar por voc - disse a mulher enquanto guardava os
trabalho em uma gaveta sob a mesa.
- Ada, o que voc disse hoje pra gente...
-  isso mesmo que voc entendeu, Harry. Agora me diga, voc acha que est preparado para isso?  uma
responsabilidade e tanto.
Harry deu um sorriso amargo e respondeu:
- Ada, desde que eu nasci lido com a responsabilidade de ser "o menino que sobreviveu", cresci e virei "aquele que
pode destruir Voldemort". Essa vai ser a melhor responsabilidade da minha vida.
A professora sorriu compreensiva.
- Imaginei mesmo... Ento, acho que posso te contar um segredo, para facilitar as coisas.
- Que segredo?
- Pelas tradies de magia antiga um bruxo atinge a maioridade aos 15 anos, e no aos 17 como todos dizem. Essa
histria de 17  s para garantir que vocs terminem a escola - finalizou a professora.
Harry agora sabia o que fazer. E sabia que no estaria quebrando nenhuma regra. Saiu de l e correu at a sala de
Dumbledore. Pegou tudo o que precisava e foi atrs dos amigos. Encontrou todos no Salo Comunal da Grifinria.
Ele estava eufrico e todos perceberam.
- Aconteceu alguma coisa? - quis saber Hermione.
- No, s que tive que correr para escapar de Filch - mentiu o garoto.
Ele sentiu o quanto era estranho mentir para aqueles que sempre confiaram nele. Mas aquele assunto era pessoal demais
para ser dividido.
Rony percebeu o que estava acontecendo e resolveu ajudar. Era difcil, porm ele sabia que era necessrio. Ento
convidou Mione para uma partida de xadrez.
Harry aproveitou a deixa do amigo e chamou Gina a um canto:
- Preciso da sua ajuda hoje  noite - falou baixinho.
- Para qu?
- Ainda no posso te contar, mas se encontre aqui comigo,  meia-noite. Pode ser?
A garota confirmou com a cabea. Estava curiosa, mas faltava pouco menos de duas horas para o encontro marcado.
O tempo passou rpido e logo os alunos comearam a ir para suas camas. Com o clima pesado que estava na escola
desde o seqestro de Neville, era difcil algum ter animo para ficar acordado at mais tarde.
Hermione tambm sentiu sono e chamou Gina para irem para o quarto. A namorada de Harry deu uma desculpa
qualquer e disse que subia em seguida. Rony foi para o quarto e ela pode finalmente perguntar a Harry:
- E ento, precisa da minha ajuda para qu?
- J vou te mostrar, venha aqui - respondeu enquanto tirava a capa da invisibilidade de trs de uma almofada.
- Onde ns vamos, Harry? - perguntou intrigada.
- Calma, voc j vai saber.
Eles andaram um bom tempo, sempre com cuidado para a capa no cair. Logo chegaram a um lugar que logo Gina
reconheceu como sendo o corredor do stimo andar. O mesmo corredor em que ficava a Sala Precisa.
Eles pararam, Harry tirou a capa de cima dos dois e perguntou, com voz firme:
- Eu preciso saber a verdade, Gina.
- Que verdade? - disse a garota sem entender.
- Voc me ama mesmo?
A pergunta pegou-a desprevenida e ela ficou vermelha.
-  srio, Gina. Isso  muito importante.
- Harry, eu amo voc desde a primeira que lhe vi, meio perdido na estao, h exatamente 7 anos.
O rapaz suspirou aliviado. Afastou-se da namorada um pouco e passou trs vezes diante do local onde ficava a sala,
enquanto pensava "preciso de um lugar para fazer o que precisa ser feito". Uma porta grande, de madeira escura,
apareceu na parede.
Harry se virou, pegou a namorada pela mo e a levou para dentro da sala.
Era uma sala redonda, toda branca, tinha cortinas, tapetes, almofadas. Tudo do mais puro branco que eles j tinham
visto. Algumas peas eram bordadas com fios dourados.
Gina no estava entendendo nada. At que reparou no centro da sala, uma almofada quase do tamanho de um colcho
onde estava bordado H&G.
- Harry, isto ...  o que eu estou pensando?
Harry assentiu com a cabea e esperou que ela sasse correndo ou gritasse que ele era louco. Mas ela no fez nada.
Olhou para ele e perguntou:
- E agora? O que a gente faz?
- Isso significa que voc aceita?
- Aceito, aceito sim!
Harry tirou um pequeno pedao de pano do bolso e o entregou a namorada. Quando ela desenrolou, teve uma surpresa
maior ainda.
-  a Andriax, Harry. Eu no posso ficar com ela.  uma jia de famlia.
- Agora voc  a minha famlia, Gina. Aceite, por favor!
Ele tirou o colar das mos da jovem e o colocou em seu pescoo. A pequena fada na ponta do pingente acordou e se
agitou muito, como se estivesse feliz. Um brilho muito forte saiu do pingente em forma de estrela no pescoo de Gina e
envolveu os dois completamente.
- 18 -
Por um triz
Quando dia raiou Harry ainda estava deitado abraado a Gina. Ainda bem, pensou o garoto, que era sbado e eles no
tinham aula. Ia ser muito complicado explicar onde passaram a noite e, principalmente, o que estavam fazendo.
Acordou a jovem com um beijo na testa e disse que precisavam ir. Ainda daria tempo de entrarem escondidos no salo
Comunal e fingir que dormiram ali, enquanto conversavam.
Atravessaram o castelo sob a capa e logo alcanaram a torre da Grifinria. Mas quando entraram pelo buraco do retrato
da Mulher-Gorda, a situao no estava to tranqila quanto eles imaginaram.
Hermione dormia em uma almofada, enquanto Rony olhava pela janela. Ele se virou assim que ouviu o barulho do
retrato girando e como no viu ningum, j foi falando:
- Podem sair da debaixo - ele parecia muito zangado.
Harry tirou a capa e antes que pudesse explicar qualquer coisa foi forado a se calar enquanto o amigo extravasava toda
a preocupao.
- Eu te apoiei, Harry, mas pensei que seria mais cuidadoso. Voc no sabe o trabalho que deu convencer Mione a no ir
atrs da McGonagal para contar sobre o sumio de vocs.
Harry e Gina estavam muito envergonhados. Mas no conseguiam disfarar que estavam felizes, apesar de tudo.
Rony reparou na expresso dos dois e, por fim, perguntou:
- Mas, deu tudo certo? Digo, voc fez o que eu acho que fez?
Harry sorriu, abraou o amigo e disse:
- Fiz sim!
- Agora - disse Gina mostrando o colar no pescoo - ns somos uma famlia s, Rony.
O rapaz no sabia se ficava feliz ou preocupado. Eles no sabiam se tinha dado certo. E no saberiam to cedo. A nica
coisa que conseguiu dizer foi:
- Acho bom vocs inventarem uma tima desculpa para Mione quando ela acordar, se no quiserem contar a verdade.
- No precisa se preocupar, Rony. Eu mesma quero contar a Mione. Ela merece saber!
Eles foram cada um para seu quarto. Aquele seria o dia da fuga. Assim que a festa comeasse e todos estivessem
distrados eles iriam at a sala de Dumbledore, pegariam tudo e partiriam por uma das sadas indicadas no Mapa do
Maroto.
Era necessrio buscar as peas que faltavam. S depois de destruir o ltimo horcruxe  que Voldemort poderia ser
destrudo.
Quando desceram para o caf, Mione ficou para trs com Gina que foi contar a amiga o que realmente aconteceu.
Rony e Harry j estavam sentados  mesa e comiam torradas com gelia e bolinhos de baunilha. Tudo estava tranqilo.
Ningum alm de Hermione tinha dado falta de Harry e Gina na noite passada.
Mas a tranqilidade foi logo quebrada quando uma revoada de corujas invadiu o castelo. A maioria trazia notcias de
parentes ou edies do Profeta Dirio.
Hermione chegou ao salo em tempo de pegar sua edio do Profeta. Ela se sentou junto aos garotos, mas parecia
envergonhada de olhar para Harry.
Ele, por sua vez, ficou imaginando o que Gina tinha contado a sua amiga para que ela agisse desse modo. Ser que tinha
sido assim, to constrangedor? Foi desviado dos pensamentos quando Mione pediu que escutassem a notcia:
Ministra abre fogo contra exrcito de Voc-sabe-quem
A nova Ministra da Magia, Sr Dolores Umbridge, mostrou que vai jogar pesado contra o exrcito
Daquele-que-no-deve-ser-nomeado. Em seu ltimo decreto, assinado na tarde de ontem, ela autoriza o uso de magias
agressivas contra ataques provocados por aqueles que se denominam Comensais da Morte.
" preciso colocar esses monstros em seus devidos lugares" - disse em entrevista exclusiva ao Profeta Dirio.
Umbridge tem mostrado que no  de brincadeira. Ela renomeou todos os chefes de Departamentos e colocou gente de
"sua confiana". A nova promessa do Ministrio, descoberta por Cornlio Fudge e mantida por Umbridge  o jovem
Percy Weasley, encarregado do Departamento de Mistrios.
Indagada sobre a indicao do jovem, um tanto despreparado para o cargo diante de tantos outros bruxos talentosos, a
Ministra apenas informou que "o jovem Weasley  algum muito afeito s normas e saber exercer suas funes".
O que realmente interessa a todos os nossos leitores  que depois que Umbridge assumiu o Ministrio, os ataques de
comensais diminuram sensivelmente.
E toda comunidade bruxa espera que diminuam cada vez mais.
- O Percy? Chefe do Departamento de Mistrios? - indagou Rony perplexo.
- E isso no  bom? Afinal, agora ele pode nos ajudar de verdade - comentou Harry.
Mas a idia de ter um irmo fazendo jogando duplo no era uma coisa que Rony pudesse achar segura. Tinha medo.
Agora que sabia que Percy no era uma vergonha para sua famlia, no queria perder o irmo. Sentia orgulho dele.
Os alunos foram convidados a ajudar na decorao do castelo para a Festa de Dia das Bruxas. Com as varinhas eles
lanavam feitios em abboras para que ficassem flutuando.
Como a decorao sempre fora feita s escondidas, Harry teve a impresso de que aquele ano tudo ficaria muito
bagunado. Principalmente porque cada aluno fazia um enfeite diferente. E Neville conseguiu fazer uma abbora inchar
at explodir.
O pequeno incidente s pareceu agradar Luna, a nova namorada do jovem bruxo desastrado.
Eles trabalharam no salo o dia inteiro e depois subiram para se arrumar. A festa s comearia depois das 8 da noite e
Harry resolveu se deitar um pouco. Adormeceu rapidamente e sonhou. Outro sonho confuso, em que Voldemort
aparecia rindo e abrindo a tampa de uma caixa de madeira escura. A mesma caixa que ele guardava sua varinha, mas
havia mais uma coisa dentro da caixa que Harry no conseguia ver. Ele se esforou tanto que, por um momento, achou
que Voldemort estivesse olhando pra ele. Logo depois a tampa da caixa se fechou e ele viu, atrs de Voldemort, um
rosto que olhava para aquele homem de feies ofdicas com tanto dio. Com tanto nojo. Harry logo reconheceu Snape.
O assassino de Dumbledore. Queria acordar, mas alguma coisa o prendia naquele sonho horroroso. Snape estava
mudado. Havia cicatrizes em seu rosto. Sua mo direita segurava o brao esquerdo como se tivesse ali um machucado
muito dolorido. Voldemort olhou para Snape e disse:
- Gostou das novas peas para minha coleo, Severo?
O ex-professor de Poes no respondeu.
-  uma bela coleo, voc precisa admitir. Eu tenho duas Andriax. Tenho uma Taa ultra-valiosa, tenho uma fortuna
no Gringotes - uma gentileza, no posso deixar de mencionar, do nosso querido Lucius - que passou sua fortuna para o
meu nome depois que o ajudei a fugir de Azkaban. E agora tenho um herdeiro.
- Meu senhor - disse Snape com a voz fria - o senhor vai realmente usar Lestrange para ter seu herdeiro?
- No seja estpido, Severo! - gritou Voldemort - Eu, o bruxo mais poderoso, a um passo de alcanar a imortalidade,
vou me preocupar em ter um filho? Por favor!
- Mas ento...
- Sabe, Severo - disse o bruxo enquanto andava de um lado para o outro - voc tem sido muito leal. Durante anos. Fez
tudo o que eu precisei que fosse feito. Manteve o menino vivo para mim. Assegurou que a fraqueza do jovem Malfoy
no me impedisse de conseguir tudo o que quero. Voc merece um crdito.
Voldemort parou, mostrou a mo e perguntou:
- Voc sabe o que  isso, Severo? Sabe que anel  este?
Snape fez que no com a cabea.
- Eu imaginei. Este anel faz parte das jias Andriax. Existem trs delas. Eu preciso uni-las. E assim que conseguir isso,
terei todo o poder que nenhum bruxo jamais foi capaz de sonhar. E a terceira jia est com a famlia de Belatriz. Ela a
est procurando pra mim. Portanto, haja o que houver, continue mantendo Bella sob aquele encantamento. Ou ter outra
dose do meu desapontamento. Mas vai ser na palma da mo desta vez.
Voldemort riu da ingenuidade de Snape e completou:
- Depois dizem que os pais no ensinam nada aos filhos. Minha me, mesmo depois de morta me ensinou um
encantamento muito interessante.
Os olhos de Snape brilharam com um rancor to profundo e um dio recolhido que Harry jamais imaginou ver. Por um
instante Harry sentiu que Snape olhava pra ele. Tentou desviar o olhar, mas o professor agora falava com ele. Gritava,
desesperado de raiva:
- Saia daqui, Potter. Agora! No estrague tudo seu rapaz estpido e idiota.
Harry acordou gritando. Rony subiu ao quarto correndo. Logo atrs vieram Gina e Hermione.
- O que foi, cara? Por que a gritaria? - perguntou Rony
Ele contou o sonho que tivera.
- E se isso realmente estiver acontecendo? E se eu entrei na mente dele outra vez - disse Harry completamente
desesperado.
- Acalme-se, Harry. E por favor, no v cometer a mesma besteira de achar que seus sonhos so sinais. Voc sabe o que
aconteceu da ltima vez, no  mesmo? - disse Hermione com autoridade.
O rapaz sabia que ela tinha razo. Da ltima vez que ele se deixou levar por um sonho seu padrinho havia morrido e por
pouco, muito pouco, ele tambm no tinha sido destrudo por Voldemort. Se Dumbledore no tivesse aparecido. Mas
desta vez no tinha Dumbledore. E ele sabia que precisava ser mais cauteloso.
- Ok, vocs esto certos. Eu vou me acalmar. Mas a gente no vai desistir da idia de sair do castelo hoje, combinado?
Assim que Harry se achou em condies de descer, eles foram juntos para o salo. A decorao no ficou to perfeita
quanto a dos outros anos, mas pelo menos estava criativa.
A diretora McGonagal fez das trapalhadas de Neville uma das melhores atraes da festa. De tempos em tempos uma
abbora inchava at explodir e espalhar balas e docinhos por todo salo.
As crianas menores nunca viram uma festa daquelas e corriam por todo salo animadas.
Os quatro amigos comeram e procuraram sair do salo sem deixar ningum os ver. Quando alcanaram o corredor,
respiraram aliviados e foram em direo a sala do diretor. Mas eles mal chegaram ao final do primeiro corredor quando
ouviram gritos apavorados vindos do salo.
Gina ia voltar para ver o que tinha acontecido, mas logo muitas pessoas saram do salo correndo, gritado e chorando.
- Fujam, fujam todos - gritava um.
- O castelo foi invadido - gritava outro.
Eles no tinham muito tempo. Precisavam sair do castelo. Mas como deixar toas aquelas pessoas ali?
- Olhem o castelo est cheio de bruxos adultos, aurores, professores. Eles vo saber controlar a situao. Essa  a hora.
Se deixarmos para depois, pode ser tarde demais.
Eles correram para a sala, mas muitos comensais, lobisomens e seres bizarros invadiam as portas e entravam pelo
castelo. Seis comensais tentaram segui-los. Mas hermione conseguiu azarar uma armadura para que casse na frente
deles. Isso os atrasou um pouco.
Assim que subiram a escada para o segundo andar, depararam com dois dementadores. Harry sentiu-se fraco, mas
estava determinado a continuar e puxou sua varinha.
Hermione e Gina foram mais rpidas. As varinhas em punho elas j conjuravam dois patronos corpreos. Perfeitos. Os
dementadores foram afastados.
Esse contratempo fez com que os comensais quase os alcanassem. A todo o momento, raios vermelhos, verdes,
amarelos, passavam entre eles.
Os jovens tambm lanavam feitios, mas como estavam correndo e tentavam lanar os feitios para trs, a maioria
acertou paredes e quadros, cujos habitantes saam nervosos para as pinturas vizinhas.
Gina conseguiu estuporar um comensal, mas ainda havia cinco atrs deles. O inimigo ainda levava vantagem.
Finalmente eles alcanaram a grgula que saiu da frente da escada para que eles passassem.
- Eles no s nossos convidados - informou Harry  guardi da escada - ento, por favor, nos proteja - pediu num
sussurro, como se a grgula pudesse fazer alguma coisa.
As palavras fizeram a grgula despertar. Aquele monstro de pedra ganhou vida. Abriu as asas, ameaadora, aos bruxos
que chegavam at a escada e tentavam passar.
Harry s teve tempo de ver a grgula estapear o rosto de um comensal, cujo capuz caiu e o sangue comeou a escorrer
dos cortes feitos pelas garras da guardi.
A porta se fechou atrs deles e eles comearam a juntar as coisas. Cada um pegou sua mochila e vassoura. Foi a que
perceberam a besteira. Esqueceram de pegar uma vassoura para Hermione.
- No tem problema - disse Harry tentando manter a calma - a gente compra uma para ela quando sair daqui.
- Harry - disse Gina suavemente, com medo que o namorado tivesse um ataque de ansiedade - como vamos sair daqui?
Eles esto l na porta. A grgula foi azarada trs vezes seguidas. No vai agentar muito tempo.
O rapaz percebeu que a namorada tinha razo. Precisavam fazer alguma coisa. Foi quando escutaram um barulho vindo
debaixo da mesa.
Os quatro empunharam as varinhas e apontaram para o local do barulho.
- Saia da, voc est cercado - berrou Harry sem se importar o quo era ridcula aquela frase.
Debaixo da mesa surgiu um ser baixinho, usando um suter listrado enorme, uma boina e meias coloridas. Era Dobby, o
elfo-domstico.
- No machuque Dobby, meu senhor! Dobby s quer ajudar - pediu a criatura.
- Dobby, o que faz aqui? - perguntou Mione.
- Dobby limpa sala de Professor Dumbledore sempre. Dumbledore muito bom com Dobby, e Dobby quer tudo dele
limpinho.
- Mas hoje voc no parece que est limpando nada - observou Rony.
- Dobby ouviu Harry Potter dizer que iam embora, Dobby veio colocar mais coisas nas mochilas de vocs.
O elfo-domstico mostrou as previses que tinha preparado. Havia um pacote na mochila de cada um com carne
defumada, po preto e um saquinho de ervas para chs e remdios, como explicou o elfo.
Eles se emocionaram com a atitude de Dobby, mas no ia adiantar muita coisa se no conseguissem sair dali.
- Vocs podem sair agora mesmo - falou a criaturinha.
- Como Dobby? A sada est cheia de comensais - explicou Mione.
- Mas vocs podem sair por trs. Vejam.
O elfo empurrou um dos quadros dos antigos diretores para o lado, contou seis tijolos a partir do cho e empurrou com
as duas mos dizendo:
- Para fora!
A parede se abriu para os jardins do fundo do castelo. Admirados, os quatro jovens saram.
- Dobby, posso pedir um favor? - falou Harry.
- O que o meu senhor Harry Potter quiser, Dobby faz.
- Volte l para dentro e ajude a conter os ataques. E mande nossas coisas para a casa de Rony.
Dobby concordou com a cabea e desapareceu das vistas dos meninos.
- timo, estamos fora do castelo. E agora? Para onde vamos? - perguntou Gina.
- No d para ir muito longe com Hermione sem vassoura. O que nos faz riscar o Largo Grimmauld da lista - ajuntou
Rony.
O olhar de Harry estava perdido na escurido de fora do castelo. Sem desviar os olhos um minuto ele disse, decidido:
- J sei para onde vamos. Sigam-me!
- 19 -
O esconderijo perfeito
Rony, Hermione e Gina seguiram Harry em silncio. O garoto parecia estar em transe e eles ficaram receosos de
perguntar alguma coisa. S um tempo depois, quando viram Harry se agachar no cho  que entenderam onde ele queria
ir. E concordaram. Aquele seria um esconderijo perfeito.
Eles fizeram a mesma coisa e se arrastaram pelo cho at encontrar o buraco aos ps da enorme rvore que h alguns
anos quase matou Harry e Rony. Caminharam um pouco por baixo da terra e logo estavam na famosa casa
mal-assombrada do povoado de Hogsmeade, a Casa dos Gritos.
Ali era um lugar segura para passar a noite. A casa estava abandonada desde que Sirius a usou para chegar perto de
Rabicho. Mesmo assim, as pessoas do povoado ficavam bem longe daquele lugar.
- Acho bom a gente descansar um pouco. - sugeriu Rony - Essa correria toda acabou comigo.
Eles abriram os sacos de dormir. Gina deitou junto de Harry e Rony se zangou:
- Ei, vocs dois, isso aqui no  uma viagem romntica de lua-de-mel, ta?
- Por que voc no para de implicar com a gente e abraa a sua namorada. Tenho certeza que isso vai fazer muito bem
para voc - retrucou Gina.
Rony se calou. Ficou olhando os dois abraados. Harry j estava quase dormindo. A cena era aconchegante e Rony
acabou aceitando a idia da irm. Pegou seu saco de dormir e foi para perto de Hermione.
Eles acordaram antes do sol nascer. Arrumaram os sacos de dormir e foram pegar alguma coisa para comer. Quando
harry ps a mo em sua mochila encontrou algo que no estava l antes. Mais um carto de Dumbledore.
O carto era uma foto em movimento de Dumbledore voando em uma vassoura sobre uma cachoeira muito alta. A
legenda da foto falava alguma coisa sobre a Amrica Latina. Atrs uma pequena inscrio:
Sem charadas desta vez. No se esquea, ele nunca pde lhe tocar.
Harry ficou intrigado. Aquilo devia ser importante, mas para qu? Os outros tambm no entenderam do que se tratava
a mensagem. Eles sabiam que Voldemort no conseguiu tocar Harry por causa do amor da me do garoto. Mas qual
nova pista aquela informao poderia trazer para o grupo.
Eles resolveram que pensariam no carto depois. Precisavam organizar o plano de busca. E era hora de decidir se
seguiriam o plano de Harry, ou no.
- A gente no tem escolha - falou o rapaz - se no nos guiarmos pelo meu sonho, vamos nos guiar pelo qu?
Era verdade. Se no fosse aquele sonho, eles estariam completamente sem direo.
Hermione conjurou um quadro-negro e comeou a fazer anotaes nele com a varinha.
- Ento - disse - segundo o seu sonho, Voldemort tem a Taa da Corvinal, o anel e a varinha de Andriax, que ele
guarda to bem quanto a sua prpria varinha.
- Isso - confirmou Harry.
Hermione andou mais um pouco at a janela, olhou para o cu e ficou em silncio. Eles estavam amarrados.
- Harry - disse ela por fim - lembra o seu outro sonho, aquele em que voc reviu a cena do cemitrio?
- Lembro, lgico que lembro.
- Se no me engano voc contou que quando a sua varinha se uniu a de Voldemort, ele deixou transparecer um fio de
medo.
- Um fio no, ele pareceu apavorado. Mas o que isso tem haver com a nossa busca?
- Pense um pouco, Harry - exasperou-se Mione - Por que um bruxo to poderoso que j mostrou desprezo por muita
coisa ia se preocupar tanto com uma simples varinha?
A pergunta caiu como uma bofetada na cara do garoto. Era isso mesmo. A varinha s podia ser um Horcruxe.
Hermione voltou para o quadro e o dividiu em duas colunas: Horcruxes inteiras e Horcruxes destrudas. Na primeira
anotou a Taa e a varinha. Na segunda escreveu o dirio, o anel e o medalho.
- Bom, s nos faltam um para completarmos a lista - concluiu Hermione.
- A varinha da Corvinal a gente sabe que ele no pegou - assomou Rony.
- Esperem, Dumbledore me falou de uma suspeita dele. A cobra Nagini. Ele disse que as atitudes da cobra eram muito
estranhas. Pode anotar a, Mione. Descobrimos os seis horcruxes.
- Melhor seria se a gente descobrisse qual  o Horcruxe principal. A o destruiramos de uma vez - empolgou Gina.
- Vamos deixar os sonhos para depois - falou Hermione assumindo a frente da discusso de novo - agora, pra onde
vamos?
- Eu sugiro Hogsmeade - falou Rony - por vrios motivos: est mais perto, a gente pode fingir que ta de folga da
escola e ainda podemos comprar a vassoura pra Mione.
Estava decidido. Eles iriam para Hogsmeade. Deixaram os sacos de dormir na casa para no levantar suspeita e foram
at o povoado.
O medo dos constantes ataques de comensais deixou as ruas do local muito vazias. As pessoas tinham medo de sair de
casa e qualquer estranho era visto com maus olhos.
Eles procuraram uma loja e conseguiram encontrar uma vassoura razovel para Hermione, uma Cleanswip nova. Harry
pagou, mas a garota jurou que depois lhe devolveria o dinheiro.
No havia nada de estranho na cidade e Harry achou que podiam se separar. Ele sugeriu que ele e Gina fossem para um
lado, e Mione e Rony para outro. Mas Rony pediu para ficar com a irm, para descontentamento de Hermione.
- O que aconteceu com ele? - perguntou Harry.
- No fao idia! Acho que ficou meio neurtico com o que vocs fizeram aquele dia - respondeu ficando corada.
Eles andaram mais um pouco e resolveram entrar no Trs Vassouras. Pediram uma cerveja amanteigada e ficaram
conversando. Pela janela, Harry viu quatro homens suspeitos se aproximando do bar. Puxou Mione para baixo da mesa,
tirou a capa da mochila e cobriu os dois, que ficaram ali, agachados.
- As garrafas! - sussurrou Mione.
Harry esticou o brao e puxou as garrafas no exato instante em que um dos homens abriu a porta.
O dono do Trs Vassouras ficou bem irritado com a presena dos comensais.
- Vocs sabem que no so bem vindos - berrou.
- As suas boas vindas no me interessam - respondeu uma voz arrastada bem conhecida de Harry e Mione.
- Traga-nos uma bebida forte - ordenou o outro que vinha logo atrs.
Eles sentaram-se  mesa em frente a que Harry e Mione estavam escondidos, e conversavam sobre uma encomenda. A
um certo momento, Lucius Malfoy falou:
- Vocs j sabem, assim que ela chegar, saiam e nos deixem a ss. Fiquem do lado de fora, de tocaia. Se ela fizer
qualquer coisa para me atacar, j sabem o que fazer.
O garom serviu uma bebida de cor esverdeada. Devia ser forte, pois um dele fez uma careta quando bebeu.
-  bom que isso no seja veneno - falou para o dono do bar.
A porta abriu novamente, mas Harry no conseguiu ver quem havia entrado. Torceu para que no fossem os amigos.
Passos delicados se dirigiram  mesa da frente. Era a tal mulher que Lucius esperava. Os trs homens que o
acompanhavam saram do bar e ele pode cumpriment-la:
- Bella,  um alvio ver voc!
-  bom saber que est vivo, Lucius. Depois do pequeno Draco quase falhar...
- Voc j soube?
- Meu querido, eu sou a preferida do Lorde. Como acha que eu no ficaria sabendo?
- Ento voc tambm sabe que ns no temos mais nada, no  mesmo?
O rosto de Belatriz permaneceu impassvel. Um olhar quase sem brilho algum.
- Foi um belo gesto, doar tudo o que possui para a causa do Lorde - comentou a mulher.
- Bella, voc sabe que no foi uma boa ao. Ele ameaou tirar a vida de Draco.
- Era o que seu filho merecia depois de quase destruir anos e anos de planejamento.
Aquela resposta foi um soco no estmago de Malfoy.
- Ele  seu sobrinho, Bella! E est preso sabe-se l onde e sofrendo que tipo de tortura. Eu j fiz tudo o que pude! Dei
tudo o que tinha! No tenho mais nada agora! S quero o Draco de volta.
A voz do homem, antes to arrogante, era uma splica sentida. Ele estava sendo sincero. Mas a mulher ali na frente no
parecia comovida.
- Eu sei onde Draco est, Lucius. Mas no vou lhe dizer.
- No, no faa isso, Bella. Por favor, eu imploro!
A mulher estudou o rosto de seu interlocutor e comentou, divertida:
- Ia ser hilrio ver voc, Lucius Malfoy, implorando. Mas esse prazer eu guardo para o Lorde. Agora me diga, onde
voc a escondeu?
- Escondi o qu?
- No se faa de desentendido, Lucius. Por muito menos j matei vrias pessoas. Eu quero a jia.
- De que jia voc est falando, Bella?
- Da nossa Andriax. A Jia de famlia.
Foi a vez de Malfoy rir na cara da comensal.
- Voc acha mesmo que ns temos uma Andriax, Bella? Ser que voc  to ridcula a ponto de acreditar que uma jia
desse porte pertence a uma famlia como a nossa?
- Lgico que s pode estar na nossa famlia. Ns somos puro-sangues, Lucius. Eu sei disso.
O homem riu mais uma vez, aparentemente feliz com o desespero que agora mudava de lado.
- Bella, Bella, Bella... Olhe bem para ns. Olhe bem para nossa famlia e tudo o que ns j fizemos. Uma Andriax
nunca caiu nas mos de algum da Sonserina, sua tola. Nossa famlia veio da mesma ral que a famlia do Lorde, ns
somos a escria Bella. Somos descendentes dos malditos. Ns j nascemos com a alma vendida para o diabo, por causa
de uma estpida vingana de uma ancestral ridcula que no agentou ficar sem o papai. E voc ainda acha que temos
uma Andriax?
Malfoy estava vingado. Jogou na cara de Belatriz toda sua revolta pela conduta da cunhada em relao ao seu problema.
E adorou v-la apavorada.
- No pode ser, o Lorde depende de mim, s eu posso ajud-lo. Eu preciso da jia pra ele. Eu falei pra ele... - a mulher
continuou sussurrando frases desconexas.
- Por que est to perturbada, Bella? Ah, deixe-me imaginar. Voc deve ter falado ao seu senhor que possua a jia e
por isso goza da confiana dele, no  mesmo? Bem, acho que voc precisa se preparar para sentir o quanto Voldemort
sabe ser cruel.
- No pronuncie o nome dele, voc no  digno!
- No venha me falar de dignidade sua criatura maldita. Se for preciso, eu mesmo vou at ele e conto a sua mentira. E
vou rir ao v-lo torturar voc. Mesmo que depois disso ele me mate tambm.
Belatriz saiu desnorteada. Os trs homens voltaram at a mesa e Malfoy ordenou:
- Paguem o homem. Ela no trouxe o que eu pedi. Mas levou uma coisa muito pior com ela. Agora vamos, no temos
mais nada para fazer nessa cidade intil.
Os quatro deixaram o bar sem pressa ou correria. No havia o que fazer por ali. Harry e Hermione saram de baixo da
mesa e voltaram para os seus lugares. O garom olhou para eles e comentou:
- Tambm tenho vontade de me esconder quando eles aparecem.
Hermione aproveitou a deixa para puxar conversa com ele:
- Eles vm muito aqui?
- Ah, j vieram. Era quase todo dia. Se reuniam aqui como eles mesmos diziam "no fim do expediente". Bebiam e
faziam a maior algazarra. Nem queriam saber quem entrava no bar, iam logo torturando. Mas desde ontem a noite que o
movimento diminuiu. Acho que s sobraram esses a na cidade.
O assunto morreu. O garom voltou para a cozinha e os dois jovens ficaram em silncio. A porta se abriu novamente e
Gina e Rony entraram correndo na direo dos amigos.
- O que aconteceu? - perguntou a garota ansiosa enquanto abraava Harry.
- Calma, no aconteceu nada - falou o rapaz.
- Ns vimos quando os quatro entraram e depois apareceu mais um - explicou Rony.
- Mais uma, voc quer dizer - corrigiu Hermione enquanto contava o que eles haviam ouvido.
Eles ficaram quietos por algum tempo. Mione pediu cerveja para os dois. O garom trouxe.
- Foi verdade - comentou Harry, como se estivesse pensando alto.
- Verdade o qu? - disse gina colocando as mos no ombro do garoto.
- O meu sonho. Vocs lembram, eu contei que ele falava alguma coisa sobre pegar a terceira Andriax com a Lestrange.
E agora essa conversa confirmou tudo!
- Ainda bem que a gente decidiu seguir seu sonho mesmo sem saber se era realmente verdade. - brincou Rony.
- , mas agora Lucius Malfoy pode por tudo a perder. Se ele contar a Voldemort que Lestrange no tem a jia, ns
corremos um srio risco.
- E se a gente deixasse a jia no Gringotes? - sugeriu Hermione.
-  muito arriscado. Quatro alunos de Hogwarts vo sozinhos at o Beco Diagonal depositar alguma coisa. As pessoas
quase no esto saindo de casa, voc se esqueceu? - argumentou Gina.
- Mas ns tambm no podemos nos arriscar a andar com esse colar - disse Rony olhando para o pescoo da irm,
enquanto ela passava a mo sobre a blusa.
Eles pagaram a conta e saram do bar ainda discutindo qual seria a melhor coisa a se fazer. Andaram mais um pouco e
avistaram uma banca de jornal. Harry se dirigiu at l e pediu um exemplar do Profeta Dirio.
Como ele imaginava, a edio falava sobre o ataque a Hogwarts. Mas as conseqncias desse ataque foram, sem dvida
positivos:
COMENSAIS ATACAM HOGWARTS, MINISTRIO FECHA A ESCOLA
A falta de segurana na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts fez com que a Ministra da Magia, Sr Dolores
Umbridge, assinasse um decreto que autoriza o fechamento da escola.
Na noite passada, mais de 30 comensais, acompanhados de outros tipos de criaturas como dementadores e lobisomens
invadiram a escola provocando pnico nos alunos que saram desesperados pelos corredores, atropelando os prprios
colegas.
O saldo desse ataque foi pssimo. A professora Ada Goldrisch est internada no St. Mungus, na ala especial para os
atingidos pelo feitio Inversucorpus, a nova arma de tortura, usada pelos comensais. Os aurores Phillip Wells e Elizabeth
Willian foram gravemente feridos, mas j se recuperam em casa.
A diretora McGonagal, que assumiu a direo aps o brutal assassinato de Alvo Dumbledore no final do ano letivo
anterior, est desaparecida. Todos apostam em seqestro.
Os ataques s pararam quando um gigante apareceu e atacou os comensais. Muitos fugiram, mas os professores e
aurores que guardavam o colgio conseguiram deter 9 comensais, espantar 15 dementadores e o "Gigante Misterioso"
esmagou, literalmente, 3 lobisomens. Alm disso, arremessou dois comensais s paredes de uma torre do castelo, que
caiu. Os dois ainda no foram retirados dos escombros.
Alguns alunos tiveram que ser atendidos na enfermaria do colgio por fraturas e leses resultantes da correria
desesperada. A nica notcia realmente preocupante  o sumio de quatro alunos bem conhecidos do pblico: Harry
James Potter, Hermione Granger e Rony e Gina Weasley.
 bem provvel que tenham sido levados junto com a diretora do Colgio.
- Perfeito! - exultou Harry.
Hermione se mostrou escandalizada, mas ele nem deixou que ela dissesse nada.
- Olha, ningum morreu, no  mesmo? E todos pensam que fomos seqestrados. Isso  perfeito! Se a escola fechasse,
teramos que voltar para casa. Agora teremos um monte de gente vigiando todos os movimentos dos comensais na
tentativa de nos libertar. Poderemos agir com mais tranqilidade. Vamos voltar para o esconderijo.
Eles voltaram rapidamente para a Casa dos Gritos e resolveram repassar o plano.
- Agora no tem porqu ficar aqui. No h mais nenhum comensal - falou Rony.
- Para onde vamos? - quis saber Gina.
- Para o lugar mais seguro do mundo - disse Harry - vamos para a casa de Sirius. Assim que escurecer, a gente levanta
vo e segue para o Largo Grimmauld.
O dia passou arrastado, lento. Eles tentaram fazer alguma coisa para se divertir, mas a idia de que a cada hora o perigo
estava mais perto tirava o nimo dos jovens.
Assim que o Sol se ps, eles pegaram as mochilas, sacos de dormir e comearam a voar. Rony ficou mais atrs para
ajudar a namorada que no tinha muita prtica com vassouras.
Voaram cerca de duas horas, quando Mione pediu para descansar. Era fcil para os trs, jogadores de quadribol, ficar
tanto tempo no ar. Mas para ela, era exaustivo.
Eles desceram em uma clareira, num arvoredo afastado da estrada, para que nenhum trouxa os visse.
Aproveitaram a pausa para comer alguma coisa e beber um pouco de gua. Quando Hermione sentiu que tinha
condies de prosseguir, eles continuaram. Voaram por mais algum tempo at que avistaram a pequena praa em frente
ao esconderijo.
Como no havia ningum por perto, eles pousaram e memorizando o nmero da casa, andaram em linha reta at que a
porta apareceu. Harry tirou a chave de dentro da mochila e destrancou a fechadura.
Eles entraram. Estava tudo muito escuro e abandonado. Harry pensou, assim que tudo terminasse, ia dar um jeito
naquele lugar.
Hermione falou Lumus e sua varinha se acendeu, clareando o hall e uma parte da escada. Eles decidiram andar pela
casa e ver como estavam as coisas. A luz da varinha de Mione acordou o retrato da me de Sirius, que assim que avistou
os meninos comeou a gritar:
- Impuros, traidores, saiam da minha casa. Principalmente voc menina imunda de sangue-ruim!
Harry puxou sua varinha colocou bem na altura dos olhos do retrato e gritou com a mulher:
- Imunda e impura  voc! Cansei da sua gritaria. Essa casa agora  minha e voc tem que me respeitar e respeitar os
meus convidados. Agora, se quiser manter esse retrato horroroso inteiro  bom calar a boca! E nada de ficar atiando os
outros quadros da casa ou de qualquer parente seu, est me ouvindo?
O retrato se virou, ofendido, mas passou o resto da noite em silncio. Por mais algazarra que eles fizessem.
- Nossa, at eu fiquei com medo de voc - brincou Rony.
Harry sorriu para o amigo.
- Faz tempo que queria dar uma bronca nessa velha.
Os dois riram alto e foram ver o antigo quarto que ocuparam na poca da Ordem da Fnix.
- E a? Vamos ficar aqui de novo? - perguntou Rony.
- Se voc no se importar, Rony, eu preferia ficar no quarto do meu padrinho.
- Ah, tudo bem. Sem problemas. A Gina vai ficar com voc, eu suponho.
Harry no respondeu. Apenas olhou para ele.
- Vou falar com a Mione, ok? - disse Rony e saiu do quarto.
Harry levou suas coisas at o quarto do padrinho. Acendeu uma vela que ainda tinha por l e se sentou na cama.
- No quero pensar em nada por enquanto - falou sozinho.
Na sala Rony dizia a Gina que Harry esperava por ela l em cima.
- Eu vou daqui a pouco. Veja, Mione e eu encontramos algumas latas de comida. Tem sopa e salsichas. Acho que ainda
esto boas. Eu vou pra cozinha tentar esquentar para ns.
Rony se sentou junto da namorada e perguntou:
- Mione, o que voc quer fazer? Digo, voc se importaria de.. de dividir o quarto comigo?
Ela baixou a cabea e pensou por um instante. Depois respondeu:
- No, no me importo. Mas tem uma condio!
- Qual? - perguntou Rony ansioso.
- A gente precisa tomar banho primeiro, eu estou imunda!
Rony deu uma risada to alta que Gina veio ver qual era graa. Quando soube que Mione queria um banho, ela
concordou.
- Ns estamos andando sem parar desde que amanheceu. Todos precisamos de um bom banho, uma sopa quentinha e
cama. Vou subir para falar com Harry.
Ela subiu correndo as escadas e encontrou o jovem deitado na cama do padrinho.
- Harry - chamou baixinho.
- Oi - respondeu o rapaz - pode entrar.
- Vim ver se voc est bem!
- Estou sim. S um pouco cansado!
- A Hermione teve uma idia incrvel: banho! O que voc acha?
Ele sorriu. Era realmente uma idia bem vinda. Quem sabe um banho fosse capaz de tirar o cansao de cima dele.
- Vou preparar as coisas, aqui tem um banheiro. - respondeu  namorada - Bom, acho que estamos com sorte. Tem uns
sabonetes velhos aqui.
- No precisa de sabonete velho, eu trouxe novos comigo. Esto na minha mochila. Onde voc a colocou?
Harry apontou para o armrio. Ela foi at l e tirou dois sabonetes de uma bolsinha. - Vou coloc-los no banheiro. Tem
gua quente, ou a gente vai ter que improvisar?
Eles tiveram que improvisar. Enchiam baldes de gua fria e esquentavam com feitios. Assim foi at que todos estavam
limpos.
- Hora da sopa - chamou Gina - no tem muito, mas  melhor que comer carne defumada o tempo todo.
- E as salsichas? - perguntou Rony.
- Deixei para fritar amanh, para o caf - respondeu a menina.
Acabaram de comer e foram dormir. No dia seguinte vasculhariam a casa em busca de um local seguro para guardar o
colar.
Harry teve a impresso que dormiu antes mesmo de deitar na cama. O calor de Gina ali, do seu lado, fazia tudo ficar
mais aconchegante. Ele dormiu bem, um sono sem sonhos. Acordou bem disposto e humorado.
Gina tambm havia dormido bem. Uma cama  sempre melhor que um saco de dormir.
Os dois desceram para a sala e ficaram conversando sobre o que iriam fazer com a jia e como seria o futuro quando
Voldemort fosse destrudo.
- A gente precisa de um lugar que mesmo que algum consiga entrar na casa, no encontre a jia - falou a menina.
- Que tal uma tbua solta? A gente pode descolar uma e recolocar depois - sugeriu Harry.
-  uma boa idia, mas vamos esperar os dois pombinhos acordarem para resolver isso - falou Gina.
Eles foram para a cozinha preparar o caf e continuaram a conversa.
- E depois, Harry?
- Depois? O qu?
- Se a gente conseguir resolver esse problema, se a gente destruir... Ele. O que vamos fazer?
Era uma pergunta difcil. Ele ainda no tinha parado pra pensar naquilo.
- No sei, acho que vamos voltar para a escola e terminar as coisas de um jeito normal, pelo menos uma vez na vida.
- Voc ainda vai querer ser auror?
- No sei, acho que no. Tenho outra coisa em mente. Mas  um segredo! E no adianta fazer essa carinha que eu no
vou contar!
Eles ainda conversaram um tempo e quando iam comear a comer Hermione apareceu na cozinha.
- Bom dia - disse Gina - onde est o Rony?
- L em cima, trocando de roupa.
Harry achou melhor deixar as duas conversarem. Deu uma desculpa qualquer e subiu para falar com o amigo.
Rony estava calando os sapatos quando Harry entrou.
- E a, cara? Dormiu bem? - perguntou sentando-se na cama.
Rony entendeu a pergunta e limitou-se a responder:
- Dormi, muito bem!
- Ah, qual  Rony? Vai esconder o jogo?
- Voc no me contou nada, contou?
- Eu achei que voc no ia querer saber, afinal ela  sua irm.
- , no quero saber mesmo. Mas tambm no quero contar!
- Tudo bem - blefou Harry - depois eu pergunto pra Gina.
- Como assim? - falou Rony atordoado.
-  que quando eu sa da cozinha a deixei conversando com Mione sobre o que tinha acontecido.
Rony empalideceu e Harry achou que o amigo ia desmaiar.
- Eu no acredito que ela vai fazer isso!
- Mas no tem nada demais, a Gina tambm contou tudo pra Mione.
-  que desta vez no tem um "tudo" pra contar, Harry.
Foi a vez de Harry ficar abismado:
- Como assim?
- Olha, eu sou tradicional, t? Eu quero casar primeiro! A gente passou a noite inteira conversando. Foi s isso! Agora a
Gina vai passar o resto da vida no meu p.
Harry se divertiu com o problema do amigo. Naquele momento eles estavam ali, preocupados com problemas de
jovens. Como Dumbledore queria.
- Eu prometo que no vou deixar a Gina zoar voc! Agora vamos descer que elas esto nos esperando para resolver o
que fazer com o colar.
Eles desceram e depois de uma breve discusso decidiram que procurariam uma tbua solta na sala para deixar o colar.
No foi difcil j que a casa era antiga.
Era quase hora do almoo e ningum mais queria comer carne defumada. Eles combinaram que logo iriam almoar em
algum lugar, mas no conheciam nenhum restaurante bruxo nas redondezas.
- E se procurssemos Percy - sugeriu Gina.
- Sem chances, o nosso disfarce de seqestrados ia por gua abaixo - contestou Harry.
- Rony, e se fizssemos aquilo? - questionou Hermione.
- Aquilo o qu? - adiantou-se Harry.
-  que Rony teve uma idia ontem. E eu acho que pode funcionar.
- Esquece, Mione. Ela no ia cair nessa.
- Para com isso vocs dois e contem logo para gente o que  - ordenou Gina.
Rony contou a idia que teve. Era algo bem simples, mas que ia deix-los praticamente cara-a-cara com o inimigo.
-  brilhante, Rony - animou Harry - Vamos hoje mesmo.
- J? - assustou o rapaz.
- Lgico, no podemos perder tempo. S vou buscar minha capa. E vocs duas, no saiam por a, OK?
- 20 -
O falso fantasma
Os dois garotos se dirigiram ao Ministrio da Magia. Harry andava atrs de Rony, encoberto pela capa. Muitos trouxas
olhavam para Rony, que conversava com uma pessoa invisvel, como se ele fosse louco.
Eles chegaram na cabine telefnica enguiada, Rony discou um nmero pediu para falar com Percy Weasley, no
Departamento de Mistrios.
- Motivo da visita - perguntou a voz feminina.
- Entregar uma profecia sobre a Ministra Umbridge - mentiu o rapaz.
Dois crachs saram pelo aparelho. Em um estava escrito Rony Weasley - Departamento de Mistrios - Profecia e no
outro estava escrito VINI.
Rony examinou bem e viu que em letras quase microscpicas estava escrito Visitante Invisvel No Identificado.
- Espero que a Umbridge no seja to esperta quanto essa mquina - falou Rony.
Eles desceram pelo elevador e chegaram at a recepo. No havia mais revistas na porta nem sequer um porteiro. Rony
se orientou eplas placas que flutuavam prximas as paredes.
Ao ver o irmo mais novo, Percy quase teve um ataque. Por sorte estava sozinho em sua sala.
- Rony, o que est fazendo aqui? Ah, ainda bem que voc no foi seqestrado! Mas o que aconteceu.
O rapaz explicou em poucas palavras a sada deles do colgio e a confuso que fizeram achando que tinham sido
seqestrados. Percy ria feliz enquanto ouvia.
- Voc no tem idia da confuso que criaram. O pessoal dele est por toda parte querendo saber quem foi o traidor que
os seqestrou e no entregou a ele. Pelo menos quatro, dos comensais que fugiram do ataque ao castelo foram mortos
quando voltaram para o lugar que ele est. Harry vai gostar de saber disso!
- J gostei - falou uma voz atrs de Percy.
Harry tirou a capa e Percy quase desmaiou de susto.
- Coloque isso de volta. Se acharem Rony aqui posso inventar uma desculpa, mas voc... Vo me acusar de traidor ou
descobrir meu disfarce.
Harry obedeceu.
- Muito bem, o que vocs querem saber de mim?
- O que foi que roubaram daqui do Ministrio? Voc sabe, quando Screamgeour foi morto.
- Roubaram o portal. Aquele portal em que seu padrinho caiu Harry.
Aquilo no fazia sentido. Como algum ia conseguir chegar perto daquele portal e ainda por cima, carreg-lo?
- O que querem com ele, Percy? - perguntou o rapaz invisvel.
- No consegui descobrir. Nem a Umbridge sabe.
Mais uma pista falsa. Eles acreditavam que o que havia sido roubado s poderia ser um dos horcruxes, mas no era.
- E agora? - perguntou Rony.
- Vamos executar a segunda parte do plano - disse Harry que deveria estar em algum lugar perto da janela.
- Mas antes, Percy, a gente precisa saber de uma coisa - disse Rony - a Umbridge leu o Profeta Dirio?
- No, ela diz que no se importa com as bobagens que saem escritas porque sabe das informaes verdadeiras. Por
qu?
- Porque ela acredita de verdade que me matou na Floresta Proibida de Hogwarts.
Percy fez cara de desentendido e eles explicaram rapidamente o que aconteceu no dia que descobriram a identidade da
ministra. Depois disseram o que pretendiam fazer. Percy aprovou a idia na hora. Seria a sua vingana contra aquela
bruxa asquerosa.
Harry ficou escondido no Departamento de Mistrios, enquanto Percy ia at a sala de Umbridge, seguido de perto por
Rony, que agora usava a capa da invisibilidade.
Percy bateu suavemente na porta
- Com licena, Excelncia - pediu.
- Toda, Weasley. Voc sabe que eu adoro quando me chama assim - respondeu a mulher que usava um vestido longo,
preto, com um bolero peludo, cor de sangue e uma fita, tambm vermelha, presa em lao nos cabelos.
O estmago de Percy revirou. A cada dia ficava mais difcil suportar aquela bruxa velha. Fingir que estava encantado
por ela era pior ainda. Ele engoliu a vontade de esbofete-la, entrou na sala e sorriu:
- Ora, mas a senhora merece muito mais que ser chamada de excelncia. J lhe disse inmeras vezes que o ttulo que
lhe cabe melhor  majestade.
Umbridge riu deliciada com a bajulao. Se havia duas coisas que ela gostava na vida era poder e bajulao. Em
terceiro lugar entrava torturar algum de vez em quando.
- Mas diga, meu querido, o que veio fazer aqui?
- Apenas vim ter a certeza de que no precisa de nada. Sabe como no confio nos seus novos ajudantes. Duvido que a
tratem com o zelo que merece.
- Voc  um amor, Weasley. Mas no se preocupe, quando eu precisar de algum que realmente cuide de mim, pode ter
certeza que irei cham-lo.
- Faa isso - respondeu Percy ainda com um sorriso falso nos lbios - ento, se me d licena, vou voltar aos meus
afazeres.
Enquanto Percy conversava com Umbridge, Rony entrou sorrateiro e se posicionou atrs de um cabide de chapus no
canto da sala.
Quando estavam sozinhos, ele deu incio ao plano:
- Umbridge... Umbridge... - sussurrou.
- Quem est a? - perguntou a mulher.
Como ningum respondeu, ela continuou verificando um documento.
- Umbridge - tornou Rony um pouco mais alto - no reconhece a minha voz?
A velha bruxa se levantou da cadeira olhando para todos os cantos da sala.
- Que brincadeira  essa? - gritou.
- No  brincadeira, Umbridge. Voc me matou, no se lembra? Na floresta de Hogwarts, depois que eu lhe contei a
profecia.
A ministra foi perdendo a cor, pegou a varinha em cima de mesa e apontou para o nada.
- No adianta, seus feitios no podem atingir os mortos.
- O que voc quer aqui? Fale logo e v embora.
- Eu tenho todo o tempo do mundo para seguir voc. Mas no vou fazer isso, pode ficar sossegada. No seria uma
tarefa interessante ficar atrs de uma bruxa velha e encarquilhada como voc.
Umbridge ficava cada vez mais apavorada.
- Voc me matou antes da hora, sabia? Eu tinha mais coisas a revelar a voc.
- Mais coisas? Quais coisas? Por favor, fale... - a voz da mulher agora era uma splica.
- Eu no estou muito certo, os astros falam em cdigo. Primeiro me responda, qual  o plano do Lorde?
Ao ouvir o tratamento que s os comensais do a Voldemort, aliado ao medo que estava sentindo fez Dolores revelar o
que seria feito.
- Na prxima Lua Cheia o Lorde vai at o Altar dos Portais para ampliar seus poderes.
- Eles roubaram o portal para ele, no foi?
- Exato, ele pretende usar as trs jias para retirar todo o poder dos bruxos que j caram naquele portal e assim se
tornar o bruxo mais poderoso de todo o mundo.
- E voc sabe que  Lestrange que ir ajud-lo, no sabe?
- Sei - respondeu amarga.
- Mas voc, Umbridge, voc pode mudar essa histria.
- Do que voc est falando?
- J imaginou, ser a senhora de todas as bruxas? Subir ao poder junto com o Lorde? Porque eu vi, Umbridge, que o
Lorde no vai subir sozinho. Ele vai escolher uma companheira para ajud-lo a governar. E voc j tem experincia. J 
ministra. Por que deixar que Lestrange assuma o poder ao lado dele. Ainda mais sabendo que ela  uma mentirosa.
- Mentirosa?
- Mentirosa, sim... Ela disse ao lorde que  dona de uma coisa que no lhe pertence. Ela o est enganando. E s voc
pode mostrar isso a ele.
Umbridge estava muito afetada. Andava por todo escritrio e Rony teve que se desviar antes que ela esbarrasse nele.
Como da outra vez, dizia coisas que s ela mesma entendia.
Rony pensou o quanto era fcil manipular algum sedento pelo poder.
- Diga, o que eu preciso fazer?
- Voc no acha que eu j ajudei voc demais apesar do que voc me fez?
- Oh, eu no sabia, eu juro que no sabia... Eram as minhas ordens. Eu precisava cumpri-las.
- Vamos fazer um trato, ento. Eu lhe digo o que fazer, se me ajudar tambm. Existe uma certa pessoa com que preciso
acertar contas. Agora que estou morto adoraria assustar o Draco Malfoy.
- Eu sei, eu sei onde ele est! - berrou ela - procure um armazm abandonado, prximo ao Queen's Park, em Londres.
Ele est preso em uma sala no segundo andar. O nico guarda que fica  um projeto mal-feito de dementador mestio.
- Perfeito, Umbridge, perfeito! Agora eu vou lhe dizer o que fazer. Voc precisa atrasar o Lorde. Precisa impedir que
ele v at o Altar. Porque se ele fizer isso, vai acontecer uma tragdia. Ele far o ritual pela metade e isso pode gerar o
efeito contrrio.
- Sim, eu farei isso! - respondeu a bruxa atordoada.
Ela ficou ali, em p, imvel. Parecia ter perdido a noo de todas as coisas. Rony queria sair da sala e no via como. At
que teve uma idia.
- Umbridge, mais uma coisa, o meu irmo, Percy.
Ela despertou do transe:
- O que tem ele?
- Ele merece ser bem tratado. Afinal eu s vim falar com voc em considerao ao que fez por ele. Ento, por que no
manda algum cham-lo para tomar um ch com voc. Ele adora sua companhia.
Ela assentiu com a cabea e saiu da sala para chamar um estagirio e Rony aproveitou para sair da sala.
Caminhou prximo a parede para ter certeza que no ia esbarrar em ningum. E quando chegou a sala de Percy, este
estava bufando de raiva.
- Voc, aposto que foi idia sua! - disse quase jogando um livro no irmo.
- Eu precisava sair de l, ok? - respondeu Rony enquanto devolvia a capa para Harry.
- Mas deu certo? - perguntou o dono da capa.
- Deu. Ela est atordoada e me passou o endereo de onde prenderam Malfoy.
- timo! Agora precisamos fazer contato com Lucius.
- Isso no vai ser problema - falou Percy um pouco mais calmo - Lucius vem ao Ministrio todos os dias. Se quiserem,
amanh eu dou um jeito de marcar um encontro com ele.
Eles prepararam um bilhete annimo, com os seguintes dizeres:
Sabemos tudo sobre seu filho. Se estiver disposto a fazer qualquer acordo, aparea no endereo abaixo.
No se preocupe, no queremos dinheiro!
Percy ainda informou aos garotos onde poderiam almoar e as lojas bruxas que tinha por ali. Na volta para o
esconderijo, eles passaram em alguns lugares e compraram comida e doces para levar para Mione e Gina.
Rony ainda quis comprar um presente para Mione e escolheu um livro antigo, intitulado Runas Numricas e Aritmancia
- a ligao entre as duas cincias mgicas. Harry tambm pensou em levar alguma coisa para Gina.
Entrou em uma joalheria. No havia muita coisa em exposio. Tempos difceis, foi a explicao do vendedor para o
estado de total abandono da loja. Harry achou um anel de ouro branco, com um pequeno rubi em foram de estrela. Era o
que ele levaria.
Rony ficou sem graa com o fato do amigo poder dar uma jia de presente enquanto ele s podia comprar um livro.
- Eu adoraria que a Gina gostasse tanto de ler quanto a Hermione, mas ela no gosta. Tenho certeza que Hermione vai
amar o seu presente.
- Ningum gosta tanto de ler quanto ela. Isso  bvio. Mas, por favor, no entregue esse presente na frente de Mione,
est bem?
Harry concordou. Ele no queria se exibir quando comprou o anel. Mas Gina teria que abrir mo do colar de Andriax. E
aquele era o smbolo do que eles tinham feito. Achou que o anel poderia remediar a situao, at que eles pudessem
reaver o colar.
Chegaram em casa animados e mostraram as compras para as garotas. Foi quando repararam que a casa estava mais
limpa e organizada.
- A gente no ia passar o dia  toa, no  mesmo? - informou Mione.
Eles comeram algumas das coisas que os rapazes compraram e foram para a sala descansar.
- Podem comear a contar tudo. Todos os detalhes - pediu Gina.
Rony narrou tudo, desde a cara de espanto dos trouxas at o apavoramento de Umbridge acreditando estar sendo
assombrada pelo esprito dele. As duas quase choravam de rir com a histria.
Quando Rony terminou, Mione, ainda rindo, comentou:
- Pelo menos atrasamos um pouco as coisas para Tom, no  mesmo? E temos algo para barganhar com Malfoy.
- , Percy foi incrvel! Mame e papai ficariam orgulhosos - disse Gina.
Eles ficaram em silncio. Tinham esquecido de como os Weasley ficariam preocupados com o sumio deles. Mas no
poderiam avisar ningum. Seria colocar mais gente em perigo.
- Talvez Percy os avise de que estamos bem - ponderou Harry.
- 21 -
Troca de informaes
Harry, Rony, Hermione e Gina tentaram se distrair durante o resto do dia. Eles precisavam se preparar para o encontro
do dia seguinte. Desta vez iriam todos eles. Seria mais seguro, caso Lucius tentasse fazer alguma coisa.
Eles ficaram inventando jogos e fazendo pequenos feitios. S quando Gina falou que ia preparar um banho  que Rony
teve oportunidade de entregar o presente a Mione.
- Espero que voc goste - disse  namorada.
Ela pegou o embrulho, curiosa, e abriu o mais rpido que pode. O livro era, com certeza, uma antiguidade.
- Nossa, Rony, isso  demais! No se ensina mais Runas Numricas na escola. A professora disse que no era necessrio
desde que incluram Aritmancia na grade curricular. Mas eu sempre pensei o contrrio. Sabe, runas numricas so
diferentes de nmeros exatos - ia dizendo empolgada.
- Que bom que ficou feliz! - disse Rony.
- Muito, muito feliz - disse enquanto se levantava para beijar o rapaz.
Ela ficou ali, falando o quanto eram importantes todas aquelas informaes. Rony a observava calado, ele no sabia
quase nada daqueles assuntos, mas gostava de ouvi-la. Pela primeira vez nesses ltimos anos ele pensou que havia algo
de bom em toda aquela situao que estavam vivendo.
No andar de cima, Harry esperava Gina sair do banho. Enquanto isso, rememorou tudo o que tinha acontecido nas
ltimas semanas. Ele tinha impresso que cada ano era menor. Que as coisas aconteciam com tanta velocidade que ele
no tinha apenas 17 anos. Tinha muito mais.
Gina saiu do banho usando a mesma jeans e camiseta que estava antes. Eles no podiam se preocupar com roupas ou
luxos. Olhou para o rapaz ali, sentado na cama, com o olhar perdido:
- Um galeo pelos seus pensamentos - brincou.
- No precisa pagar nada, voc tem crdito comigo. - respondeu -S estava pensando no quanto tudo isso  estranho.
Daqui alguns dias a gente vai confrontar Voldemort de frente e parece que vai ser a coisa mais natural do mundo. 
como se eu esperasse por isso desde que nasci.
- Eu tambm no me sinto estranha. Nem com medo. A hora que voc quiser, a gente vai at ele e faz o que precisa ser
feito.
Harry encarou a garota sentada ao seu lado, ainda com os cabelos molhados. Deu um beijo em sua testa e falou:
- At parece que estamos viajando de frias!
- Ou de lua-de-mel - riu divertida.
O comentrio dela fez Harry se lembrar do presente. Pegou no meio de suas coisas e entregou a ela que abriu
imediatamente.
- Harry,  lindo! No precisava!
- Eu sei que no precisava. Mas voc vai ter que deixar a Andriax aqui. E eu queria que voc ficasse com alguma coisa
para se lembrar de mim.
Ela colocou o anel no dedo, deu um beijo no rapaz e desceu para ajudar Hermione a preparar a comida.
Harry chegou na sala, viu o livro sobre uma cadeira e perguntou ao amigo:
- E a? O que ela achou?
- Acho que perdi a namorada, cara!
- Nossa, ela ficou ofendida de ganhar um livro? - assustou-se Harry.
- O problema no  esse!  que ela gostou tanto do presente que agora no larga ele pra nada.
Os dois deram risadas e continuaram conversando sobre como abordariam Malfoy no dia seguinte.
- Acho que devemos pedir uma sala reservada no local que Percy indicou. Assim deixamos o garom avisado para
indicar o lugar ao Malfoy. Seria muito arriscado conversar com ele perto de todo mundo - sugeriu Rony.
- , acho que  isso que temos que fazer. Como  mesmo o nome do lugar?
-  Olho do Furaco. Parece que  meio barra-pesada. Mas Percy garantiu que  um lugar em que ningum vai
estranhar o nosso encontro.
- Na minha opinio - interrompeu Gina - vocs poderiam discutir esse assunto aqui na cozinha, com a gente.
Eles acataram o pedido da menina e foram para a cozinha. Sentaram-se  mesa e continuaram o assunto.
- De qualquer maneira - disse Mione - ns deveramos tomar algumas providncias.
- Tipo o qu? - perguntou Harry.
- Ah, coisas simples, como bluses com capuz ou chapus que impedissem de sermos reconhecidos - respondeu a
garota.
- Voc acha necessrio? - indagou Rony.
- No me leve a mal, mas os seus cabelos so to discretos e irreconhecveis quanto os da Tonks - brincou Mione.
Todos riram e decidiram que sairiam bem mais cedo de casa. Passariam em uma loja, comprariam as roupas necessrias
e depois iriam direto para o Olho do Furaco.
No dia seguinte eles se levantaram bem cedo. Deixaram todas as coisas prontas, caso precisassem procurar outro
esconderijo.
Na loja de roupas, compraram alguns bluses de moletom preto com detalhes em vermelho escuro e grandes capuzes
presos s costas.
O encontro havia sido marcado para as 14h. Ainda eram 11:30 e eles decidiram que o melhor a fazer era esperar no
local. Foram para o Olho do Furaco, pediram alguma coisa para comer e beber e sentaram em uma mesa. O lugar era
mesmo estranho. As mesas ficavam espalhadas de qualquer jeito e seres de todos os tipos entravam e saam sem parar.
Quando o relgio soou 13h, Harry se levantou e perguntou ao garom onde poderia se reunir em particular com uma
pessoa. O garom lhe mostrou um quarto nos fundos do bar. O aluguel era por hora e Harry pagou 1 galeo adiantado.
Seria suficiente para 3 horas de conversa.
Eles explicaram as feies de Lucius Malfoy para o garom e pediu que o encaminhasse ao quarto assim que chegasse
ao local.
Os quatro j estavam acomodados. O local era um tanto sujo. Tinha apenas uma mesa redonda, seis cadeiras, sem
nenhuma janela, s um lampio clareava o ambiente. Tambm havia uma lareira que dava a impresso de no ser usada
h pelo menos 50 anos, tamanha era a quantidade de teias de aranha.
Algum tempo depois eles ouviram uma batida na porta. O garom avisou que era o convidado esperado.
Hermione baixou a luz do lampio, cada um colocou seu capuz e Rony, engrossando a voz, deu ordem para que ele
entrasse.
Estavam os quatro sentados lado a lado e uma cadeira de frente para eles. Gina indicou a cadeira para que o visitante
sentasse.
Por um instante ningum falou nada. At que Malfoy se manifestou.
- Eu recebi o bilhete de vocs. O que sabem sobre meu filho?
Harry reparou que a voz do homem estava cada vez mais fraca.
- Sabemos onde ele est - respondeu Rony ainda engrossando a voz.
- Vocs so... vocs so do grupo de treinamento especial,  isso?
- Treinamento especial? No, no somos. - respondeu Harry tentando disfarar a voz.
- Ento, pelo que h de mais sagrado, me digam onde est meu filho.
Harry levantou da cadeira e tirou o capuz. Os outros trs permaneceram sentados, mas tiraram seus capuzes. Malfoy
olhou incrdulo o rapaz ali na sua frente.
- Voc, aqui? Mas disseram que voc foi seqestrado!
- Uma feliz coincidncia! Mas no posso perder tempo explicando nada a voc. Ns sabemos onde Draco est e como
voc poder solt-lo. Mas queremos alguma coisa em troca.
- Ora, Potter, voc acha mesmo que eu vou negociar com vocs? Eu, que passei anos tentando ca-lo para entregar sua
cabea de bandeja nas mos do Lorde? Essa  a oportunidade que eu tanto esperava. Realmente, voc vai me ajudar a ter
meu filho de volta, assim que eu te entregar para o Lorde. At parece, Lucius Malfoy barganhando com Potter, os
Weasley e essa maldita sangue-ruim da Granger - debochou o homem, assumindo o ar arrogante to conhecido dos
jovens ali presentes.
Antes que Malfoy pudesse executar qualquer ao, um forte raio amarelo cortou o ar e o atingiu direto no peito, jogando
ele contra parede.
Mione deu alguns passos  frente e berrou com ele:
- Acabou Malfoy, acabou a fase de me chamar de sangue-ruim, est ouvindo?
Enquanto ela falava, gesticulava a varinha e mais feitios iam acontecendo. Ela fez Lucius levitar e em seguida o
amarrou com cordas mgicas to perfeitas que at mesmo aurores ficariam com inveja.
- Mione - sussurrou Harry - o que  isso?
- Deixa essa conversa comigo, Harry - disse a garota.
As cordas apertavam muito e Lucius percebeu que no havia como escapar.
- Muito bem, Lucius - disse com uma voz cheia de rancor - vamos deixar algumas coisas bem claras aqui. Voc 
apenas um bruxo medocre. Ns somos quatro jovens bruxos que j enfrentaram todos os tipos de magias que voc
nunca conseguiria imaginar. Ento, pelas minhas contas, acredito que voc esteja em desvantagem.
- Ora sua... - comeou Malfoy antes que uma mordaa aparecesse em sua boca.
- Pelo visto voc ainda no entendeu - disse Mione ainda exaltada -  para voc calar a boca, Lucius. Cale-se e oua.
Acho que fui clara! timo, com essa mordaa voc fica mais amigvel. Agora que tal sentar esse seu traseiro branquelo
na cadeira e ouvir as nossas condies?
Antes que Lucius pudesse fazer alguma coisa, outro jato de luz estourou em seu peito e ele caiu sentado.
Os outros trs olhavam meio assustados para Mione, que tinha assumido o controle da situao.
- Agora vamos ao que interessa - disse a garota mais uma vez - ns sabemos onde aquela aberrao do seu filho est.
Sabemos tambm que ele no esta sendo nada bem tratado. Pelo contrrio, est preso com cordas bem piores que essas,
cordas com espinhos capazes de furar at mesmo a pele de um troll.
Os olhos de Malfoy brilharam de medo.
- No sei o que voc sabe ao meu respeito - continuou a garota - mas acho bom lhe dizer que ainda no inventaram um
feitio que eu no possa conjurar.
Mione fez mais um gesto e da ponta de sua varinha apareceu uma corda enorme, cheia de espinhos duros como ao.
-  uma dessas que est prendendo o seu Draco. Ela se chama Suplicius e tem a finalidade de punir ou castigar quem
no segue ordens especficas. Fazia parte da sesso de condenao do Ministrio da Magia. E s h um jeito dessa corda
se desmanchar. Voc sabe qual ?
Lucius fez que no com a cabea.
- Eu imaginava. Saiba que se tentar solt-la a fora, ou com qualquer outro feitio, os espinhos iro crescer at
atravessar a pessoa amarrada. Voc quer que isso acontea com Draco?
Mais uma vez o homem sinalizou que no, e demonstrava estar cada vez mais apavorado.
- Eu consigo desfazer essa corda, Lucius - informou a menina, num sussurro que deixava aquela conversa ainda mais
assustadora.
Malfoy sabia que no estava em condies de exigir nada. Ele no sabia a gravidade da situao. Agora percebia que a
vida de seu filho corria um grande perigo e ele faria qualquer coisa, at mesmo matar o prprio Voldemort, se tivesse
foras.
Hermione percebeu o que Malfoy estava pensando e tirou a mordaa dele enquanto perguntava:
- E ento?
- Diga o que querem saber - falou Lucius, vencido.
- O endereo de onde est Voldemort - disse Harry.
Ele no esperava por aquilo. Revelar o esconderijo era colocar todos os seus companheiros em risco. Mas queria saber
onde estava Draco. E se inventasse um lugar fictcio...
Como se tivessem lido o pensamento dele, todos os quatro tiraram as varinhas e apontaram para o peito do bruxo, ainda
amarrado.
- No minta para ns, Lucius - desafiou Hermione - ou voc vai descobrir que a sangue-ruim aqui conhece mais que
trs maldies imperdoveis. Acho que voc no vai querer ser encontrado virado pelo avesso, no  mesmo?
As quatro varinhas apontadas para ele e a meno do Inversucorpus foram suficientes para varrer qualquer blefe de sua
mente. Ele respirou fundo e falou:
- Voldemort no est mais em um esconderijo. Ele construiu uma fortaleza. A nica coisa que sei  que ela fica
prximo ao Altar dos Portais.
- Mas que maldito Altar  esse que tanta gente fala? - berrou Harry quase enfiando a varinha na boca de Malfoy - Seja
mais claro!
Malfoy tremia de raiva, de medo e de ansiedade em saber o paradeiro de Draco. Deu outro suspiro e disse:
- Me diga voc, Potter. Ou voc, Srta Granger. Qual o nico lugar do pas que parece um altar, cercado de portais por
todos os lados?
Mione arregalou os olhos. Era to bvio, pensou.
- Stonehenge - sussurrou ela.
- Exato,  naquela direo que fica a fortaleza. Mas no  to fcil assim entrar nela.
- Ento me diga o que precisamos fazer - disse Harry ainda com a voz alterada.
- No posso!
- Claro que pode!
- No, Potter, eu no posso! No posso porque se ele descobrir, vai fazer alguma coisa muito ruim ao Draco! E ele vai
saber.
- Como? - perguntaram Mione e Harry ao mesmo tempo.
- Ele colocou um feitio. Toda vez que algum fala sobre os segredos da fortaleza, alguma coisa acontece l dentro,
como se soasse um alarme. Um alarme que diz qual foi o traidor e para quem ele passou a informao.
Aquilo dificultava as coisas. Eles no poderiam correr o risco de serem pegos na entrada da fortaleza. Precisavam estar
l dentro antes do confronto final.
Mione andava de um lado a outro da sala. Precisava pensar. Ela mesma j tinha lanado uma azarao contra
informantes na poca da Armada de Dumbledore.
- Escute, Lucius - disse pausadamente, colocando os pensamentos em ordem - voc falou que havia uma espcie de
azarao. Uma azarao quanto falar sobre as armadilhas da fortaleza, certo?
- Exato - disse o homem ansioso.
- Ento se voc no falar nada, no vai sofrer a azarao - disse a garota.
- Agora eu que no entendi, Mione - disse Harry.
-  simples: ele no pode nos falar. Mas pode nos levar at l. E qualquer coisa,  s alegar que ns o obrigamos.
- Eu no fao nada at ter Draco ao meu lado, so e salvo - afirmou o homem.
Os quatro se entreolharam, sabiam que Malfoy no era uma pessoa muito confivel. Precisavam garantir que ele no os
trairia.
Hermione sussurrou alguma coisa para Harry, que pareceu gostar da idia.
- Est bem, Malfoy. Ns iremos com voc, Mione ir salvar seu filho, mas queremos ter certeza de que no ir nos trair
- disse o rapaz.
- O que querem que eu faa? - disse indignado o pai de Draco.
Hermione retirou as cordas que o amarravam e lhe ordenou que se ajoelhasse.
- Vocs querem... querem que eu faa... - gaguejou Lucius.
- Isso mesmo, queremos que voc faa o Juramento Inquebrvel - respondeu Harry.
Malfoy pensou por um segundo. No tinha outro jeito. Ele teria que se submeter aquele juramento para salvar seu filho.
Agora ele entendia porque o Lorde nunca quis se envolver com ningum.
Ele se levantou da cadeira e se ajoelhou em frente a Potter. Os dois bruxos deram as mos e Hermione tocou as mos
dos dois com sua varinha:
- Voc jura que no ir nos abandonar assim que tivermos livrado Draco das torturas de Voldemort? - perguntou Harry.
- Eu juro - respondeu Malfoy.
- E jura que far tudo para que eu possa entrar na Fortaleza, sem ser descoberto?
- Eu juro - respondeu mais uma vez.
A cada pergunta e resposta a varinha de Mione lanava uma pequena labareda que envolvia as mos de Harry e Lucius.
- E jura, finalmente, que no ir revelar o nosso paradeiro ou os nossos planos a ningum, nem mesmo ao seu filho?
- Juro - concluiu Malfoy.
A ltima labareda se uniu as demais, formou uma corda de fogo que uniu aquelas duas pessoas magicamente.
Estava feito - pensou Harry - logo ele poderia encarar Voldemort e cumprir sua misso.
- Agora - disse Lucius, quebrando os pensamentos do rapaz - onde est Draco?
- Draco est em Londres - respondeu Rony - num armazm aparentemente abandonado.
Eles explicaram as condies em que Draco estava mantido prisioneiro e combinaram que na manh seguinte se
encontrariam para libertar o rapaz.
Malfoy j estava na porta para sair do quarto quando Harry perguntou:
- S mais uma coisa: que histria  essa de Treinamento Especial?
Malfoy virou-se e respondeu, rapidamente:
- Uma equipe de jovens bruxos, assim como vocs, que esto sendo treinados para se tornarem comensais ainda mais
poderosos que os da minha gerao.
- 22 -
Os novos hspedes
Eles saram do Olho do Furaco e voltaram para o esconderijo. No caminho, pararam para comprar alguns mantimentos,
sabonetes e outras coisas para a casa. Mione comprou um exemplar do Profeta Dirio, que guardou para ler em casa.
- No vejo a hora de descansar. O dia foi bem cansativo - disse Mione.
- Eu no conhecia esse seu lado, Mione - comentou Gina.
- Nem eu conhecia - respondeu Hermione, divertida - mas foi hilrio ver a cara do Lucius quando eu o amarrei.
Eles continuaram rindo e conversando at a porta do esconderijo. Mas antes que Gina encostasse na maaneta, a porta
se abriu e uma grande mo puxou a garota para dentro, enquanto ela gritava.
Os outros trs entraram correndo, com as varinhas em punho, prestes a atacar, quando avistaram o Sr e a Sr Weasley,
Lupin, Tonks, Olho-Tonto e Quim.
A Sr Weasley comeou a falar zangada, pedindo explicaes.
- Muito bem, qual de vocs vai me contar o que est acontecendo aqui?
Nenhum dos quatro falou. Sabiam o quanto eles deviam estar preocupados, mas tambm tinham conscincia de que se
tivessem contado o que pretendiam fazer seriam impedidos.
- Ningum? Vocs tm coragem de fugir do colgio, fingir um seqestro e deixar todos da Ordem completamente
malucos, atrs de vocs, mas no tm coragem de abrir a boca e contar o que est acontecendo? - perguntou Molly,
furiosa.
- Assunto de Dumbledore - respondeu Harry baixo.
- O qu? - perguntou a me de Rony e Gina.
-  isso, era um assunto de Dumbledore. Coisas que ele me pediu em uma carta, escrita antes de morrer. Ns no
falamos nada porque foi assim que ele quis. Ele pediu para que o assunto ficasse s entre ns quatro.
Mais ningum falou nada. Todos esperavam qual seria a reao de Molly Weasley.
- E por que - disse ela finalmente - Dumbledore no queria que soubssemos?
Harry olhou para aquela mulher que ele gostava e respeitava como uma verdadeira me, mas no admitiria que ningum
questionasse um pedido de Dumbledore.
- Exatamente pelo escndalo que vocs esto fazendo agora - responde Harry - Desculpe a sinceridade, mas
Dumbledore conhecia muito bem o temperamento de cada um aqui e sabia que vocs no nos deixariam fazer o que era
preciso. Assim nos pediu segredo. E se acham que eu estou mentindo, mostro a carta a vocs.
- No precisa, querido - desculpou-se, embaraada, a Sr Weasley - eu acredito em voc.
O Sr Weasley interveio na conversa:
- Mas onde estavam at agora? J est quase anoitecendo e ns chegamos aqui logo aps o almoo.
- Fomos adiantar uma parte do pedido de Dumbledore - respondeu Gina.
- Acho bom vocs subirem, tomarem banho e se arrumarem que eu estou preparando a janta. E eu trouxe os males de
cada um para c. - disse a Sr Weasley indo para a cozinha, seguida pelo marido.
Antes que todos alcanassem a escada que levava at os quartos, Lupin chamou Harry:
- Ser que posso falar com voc em particular?
O rapaz assentiu com a cabea e seguiu o ex-professor at a sala. Lupin esperou que Harry entrasse, acendeu a lareira
com a varinha e trancou a porta com um feitio.
Fez sinal para que Harry se sentasse em uma poltrona e colocou a sua bem em frente ao rapaz.
- Bem, tem mais alguma coisa que voc queira me contar? - perguntou Lupin.
- No, no tem nada. Por que pergunta?
- Tonks e eu chegamos meia hora mais cedo que Arthur e Molly. Fomos vistoriar a casa e descobrimos uma coisa
interessante.
Harry procurou no demonstrar nenhum sentimento enquanto ouvia Lupin falar.
- O que descobriram? - perguntou.
- Que a sua mochila no estava no mesmo quarto que a mochila de Rony. Estava junto com as coisas de Gina, e a de
Rony estava junto com a de Hermione.
Harry baixou a cabea. O ex-professor continuou:
- Eu no tenho direito nenhum de me intrometer na sua vida, Harry. Mas depois que Sirius... Bem, acho que sou a
pessoa mais prxima do seu pai que voc conhece. Queria que me considerasse um amigo.
Harry respirou fundo. Nunca imaginou contar nada a ningum. Mas aquele homem estava ali, falando de seu pai. O
rapaz sentiu uma vontade de se abrir com algum. E Lupin era adulto, no era a mesma coisa que falar com Rony. Deu
um sorriso vago e Lupin perguntou:
- Por que esse sorriso, Harry?
-  que Dumbledore me pediu isso na carta, me pediu para ser jovem.
E dizendo isso, contou vrias coisas ao professor. Contou tudo o que havia ganhado nos testamentos, exceto a Andriax e
a histria de sua famlia. Falou sobre o Eterniuns, sobre a busca dos Horcruxes e quais eles j haviam encontrados e por
fim falou de Gina.
Lupin ouvia tudo calado, sorrindo ou fazendo cara de susto vez ou outra. Por fim falou:
- No pensei que fosse algo to srio, assim. Pensei que era uma peraltice de adolescentes.
Harry riu. Lupin tambm. Eles ainda conversaram mais um pouco. Por fim Lupin disse.
- Antes que eu me esquea, Tonks e eu mudamos as mochilas de vocs do lugar. Seria muito constrangedor para Molly
encontrar o que encontramos. A sua continua no quarto que foi de Sirius, junto com a de Rony. E as mochilas das
garotas ficaram no quarto que elas ocuparam das outras vezes.
Harry sorriu agradecido e correu para se arrumar. Ele no ia perder a oportunidade de saborear as guloseimas da Sr
Weasley.
Quando subia, ele encontrou Gina na escada. Ia parar pra falar sobre a conversa com Lupin, mas ela se adiantou:
- Tonks j conversou comigo e com Mione. Voc precisa  falar com Rony.
Ele subiu e encontrou o amigo j de banho tomado.
- Eles consertaram o chuveiro - disse animado - agora temos gua quente.
Eles riram e Harry contou sobre a conversa.
- Nossa - disse Rony -Lupin  mesmo muito legal! A mame teria enlouquecido se encontrasse as coisas daquele jeito.
Agora v tomar seu banho e no demore. J estava com saudade da comida da minha me.
Harry desceu pouco depois e encontrou todos na cozinha, a sua espera para comearem a comer. Havia torta de carne,
sopa de legumes, pur de abbora e pudim caramelado. Os quatro comeram com gosto e foram para a sala curtir a lareira
e conversar. O inverno estava chegando bem depressa aquele ano.
Mione pegou o exemplar do jornal e comeou a ler em voz alta para os amigos. No havia notcias da professora
McGonagal, desaparecida desde o ataque a Hogwarts. Mas o jornal falava que o nmero que bruxos rfos tinha
crescido consideravelmente.
Para Harry aquelas notcias eram muito desagradveis. Ele imaginou a mudana na vida dessas crianas, que seriam
criados como ele foi ou que seriam encaminhados a orfanatos, assim como Voldemort. Naquela noite, quando voltou ao
quarto de Sirius e viu uma foto do padrinho em uma das gavetas, Harry refez a promessa de que, assim que tudo
acabasse, ele daria vida novamente quela casa.
O rapaz se levantou antes do sol nascer para garantir que ningum os impedisse de sair. Trocou-se, arrumou na mochila
s o necessrio, capa, cantil algum dinheiro para comprar poes para os ferimentos de Draco. Acordou Rony que logo
estava pronto e foram para o quarto das garotas. Elas j estavam acordadas e logo que se aprontaram desceram para
encontrar com eles na cozinha.
Ningum quis comer nada, mas Gina pediu para deixar um bilhete para a me, apenas para tranqiliz-la.
Pouco depois estavam na rua, com suas vassouras. Harry percebeu que seria um dia nublado e isso poderia dificultar o
vo, mas teriam que se arriscar.
Eles se dirigiram ao Queen's Park e ficaram procurando o armazm abandonado. No foi difcil encontrar. No havia
nada suspeito por perto, nem guardas, animais ou coisas do tipo. Mione no se animou com isso, ela lembrou aos garotos
que tambm no havia nada que indicasse a localizao do Ministrio da Magia.
Eles procuraram um banco no parque para se sentarem e traarem uma estratgia. A primeira coisa que teriam que fazer
era encontrar a entrada. Eles sabiam que Draco estava no segundo andar. Mas o que encontrariam no primeiro era uma
incgnita.
Harry lembrou que precisavam comprar poes para os ferimentos de Malfoy e saiu  procura de alguma farmcia
bruxa por perto. Ele demorou pelo menos 40 minutos at voltar.
- Que demora, cara! - disse Rony - A gente j estava preocupado!
- Enquanto acreditarem que fomos seqestrados ningum vai nos procurar assim, no meio de um parque - tranqilizou
Harry.
- Agora s precisamos esperar Malfoy chegar - comentou Gina, vagamente.
- No precisam mais - disse uma voz arrastada atrs deles.
Malfoy saiu de trs de uma rvore e perguntou:
- O que faremos agora?
Harry explicou as condies do cativeiro de Draco. Falou do dementador mestio, das cordas que s Mione conseguiria
tirar e das poes para machucados que haviam comprado.
- Vocs pensaram em tudo - comentou o pai de Draco.
- Tudo no - respondeu Gina - ainda no conseguimos pensar na entrada.
- Voc no pode aparatar l dentro? - quis saber Rony.
- No, no posso - respondeu Malfoy - eu nunca estive l e aparatar em um lugar desconhecido  muito perigoso. Alm
disso, no sabemos se existem feitios anti-aparatao.
Eles continuavam sem sada. Gina procurou um lugar de onde avistasse o armazm. De repente, ela teve uma idia.
- O armazm tem ares de abandono, inclusive janelas quebradas. Ento, o que precisamos fazer para achar a porta certa
 forar algum a sair de l.
- O que voc sugere? - perguntou Lucius.
- No sei, mas poderamos tentar acertar algumas pedras nas janelas, ou soltar alguma fumaa l dentro.
- Pedras, vamos fazer uma chuva de pedras nas janelas - disse Harry apoiando a idia da garota.
Eles se posicionaram em pontos estratgicos e com as varinhas comearam a arremessar pedras. Mas nada aconteceu.
Decidiram tentar o truque da fumaa, mas tambm foi intil.
- No entendo - falou Gina -  como se as pedras e as fumaas no atingissem o local.
- Talvez seja isso mesmo - refletiu Mione - uma vez eu li que lugares bruxos em regies trouxas tm barreiras para que
nada influencie o que  feito ali. So barreiras invisveis, detectveis s com um tipo de magia.
- E voc sabe que magia  essa? - perguntou Lucius, como quem espera ouvir uma resposta negativa.
- Sei - afirmou Hermione - e  uma das mais fceis de se fazer.
Ela tomou distncia. Fechou os olhos, gesticulou a varinha e pronunciou algumas palavras. Em instantes uma densa
nuvem se formou sobre o armazm e uma chuva delicada comeou a cair.
O tempo nublado facilitou para que nenhum trouxa se assustasse com aquela chuva.
 medida que a gua caa sobre o armazm, uma bolha, transparente como bolha de sabo, aparecia e revelava uma
nica passagem, abaixo da terceira janela a partir do final do armazm.
Malfoy ficou impressionado com a capacidade de Mione, mas procurou fingir o contrrio.
- Pronto, a entrada do armazm fica naquele ponto, onde no h camada protetora - informou Mione.
- Mas como vamos entrar? Aquilo parece uma parede e bem slida - falou Rony.
- Do mesmo jeito que entramos no St. Mungus.  s encostar e entrar - explicou Mione.
- Deixa que eu vou na frente. Se tiver alguma senha, volto em seguida e aviso vocs - disse Lucius.
Eles atravessaram a rua e Lucius entrou pelo local indicado. Como ele no voltou, eles decidiram entrar. Cada um fez a
mesma coisa, encostou suavemente o nariz, empurrou a cabea e assim que conseguiu ver se tinha guardas, passou o
resto do corpo.
Quando estavam todos l dentro, Malfoy sugeriu:
- Aqui vamos precisar de muito cuidado. Se nos pegarem, todos estaremos perdidos e o Draco, com certeza ir morrer.
Cada um a, deixe sua varinha em um lugar de fcil acesso.
Todos obedeceram.
- timo, agora  hora da encenao - disse enquanto puxava sua varinha e um fio prateado saia dela, envolvendo os
demais.
- O que  isso, Lucius? - perguntou Mione, nervosa.
- Calma,  s um truque. Tente se mexer - disse o bruxo.
Ela tentou e percebeu que as cordas se desfaziam.
- Est vendo?  s um tipo de magia de brincadeira. Assim eu posso fingir que estou trazendo mais prisioneiros.
- Por via das dvidas - disse Potter - eu vou usar o meu jeito de entrar sem ser percebido.
- Como quiser - respondeu Lucius, virando-se para amarrar os outros trs - no vou me responsabilizar.
Harry aproveitou que Lucius estava de costas e colocou sua capa da invisibilidade. Quando o pai de Draco voltou-se
para falar com o garoto levou um susto.
- Onde est voc, Potter? - perguntou olhando para todos os lados.
- Digamos que ele deu um jeito pessoal de no ser visto - respondeu Gina.
Eles seguiram pelo corredor e encontraram duas portas. Na dvida de qual seguir, Harry sussurrou para Rony que iria
por uma e eles pela outra.
- Vamos por esta aqui - disse o rapaz de cabelos vermelhos - Harry vai pela outra.
Lucius no discutiu. Empurrou a porta e fez os jovens entrarem.
A cena naquele lugar seria inesquecvel. A sala seguinte era como um salo de torturas da Idade Mdia. Havia objetos
perfurantes flutuando no ar, prontos para atacar quem os incomodasse. Haviam pedaos de corpos espalhados pelo cho,
sangue espirrado nas paredes. As moas tiveram que fazer fora para no desmaiar.
At Malfoy sentiu-se mal com o que via. Imaginou o que seu filho poderia estar sofrendo.
Eles continuaram a andar. Misteriosamente no havia ningum naquele lugar.
Na sala ao lado, Potter caminhava bem devagar para no fazer barulho. Havia um troll enorme adormecido, com a pele
cor de pedra, vestindo trapos de couro. O rapaz se lembrou daquele animal como um Troll das Cavernas, um animal
muito agressivo que gosta de dormir e se for acordado pode derrubar 10 homens s com seu grito.
Harry reparou na boca escancarada do animal. Cheia de dentes pontiagudos e muito sujos. Ele imaginou que talvez o
que derrube os homens no seja o berro, mas o bafo da criatura.
O troll ainda tinha uma enorme clava, cheia de cravos. Todo cuidado era necessrio, e Harry prosseguiu encostado na
parede oposta da sala. Antes que Harry alcanasse a porta seguinte, ela se escancarou e outra criatura entrou.
Era visivelmente um comensal, pelas roupas que usava, mas ali, debaixo das vestes havia algo estranho. Potter estava
congelado, at sua respirao agora era mais lenta. Aguou a vista e tentou enxergar o que era de to incomum. Logo ele
percebeu, eram pelos. O comensal ali era um lobisomem.
No fazia sentido, pensou Harry. Lobisomens s se transformam em noites de Lua Cheia. E ainda eram, no mximo,
umas 9 da manh. E se ele no estivesse enganado, aquela noite seria de Lua Nova.
Antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, o comensal chutou o troll que estava adormecido.
Este acordou emburrado, e para espanto de Harry, falou, como se fosse humano:
- O que foi, Fenrir?
- Acorde, Will, vim lhe mostrar meu novo visual.
E o lobisomem tirou o capuz e revelou um rosto ainda mais peludo, com presas afiadas. Ele tambm levantou as mos e
mostrou ao outro o quanto suas garras estavam mais resistentes.
- Viu s? O Lorde que me deu tudo isso. Agora tenho fora o ms inteiro, tanto de dia quanto de noite.
- Grande coisa - retrucou o outro - ter tanta fora e no poder usar. No vi a finalidade de me tornar um troll. At agora
fiquei nessa sala desconfortvel dormindo e resmungando.
- Calma, Will. Nossa hora est quase chegando. O Lorde s quer ter certeza de ter todas as armas em mos.
- E agora, o que esto fazendo l dentro?
- Ah, no fao idia. Acho que est tudo parado. O Dr Ferdinand teve que atender um chamado urgente na Fortaleza.
- O que aconteceu?
- Nada de mais. Parece que aquela Nagini est com problemas de sade e o mestre quer que o doutor a cure.
- No entendo o que o Lorde tem com essa cobra.
- Ah, sei l, coisa de gente louca e poderosa - disse Fenrir e deu uma risada misturada com um grunhido.
Ele deu as costas ao troll e saiu novamente.
Harry ainda esperava. Tinha medo que Fenrir pudesse farej-lo. Esperou mais um pouco at que o troll voltasse a
dormir e conseguiu alcanar a porta. Abriu-a devagar e passou, tomando o cuidado de no prender a capa em lugar
nenhum.
Ele no sabia se os amigos estavam bem e se Lucius estaria cumprindo sua parte no trato.
Do outro lado do armazm, um outro comensal intercepta o grupo formado por Gina, Rony, Mione e Malfoy.
- Aonde vo? - quis saber.
- Tenho ordens de levar esse pequeno grupo para um lugar onde possam ficar bem escondidos at o Lorde decidir o que
fazer com ele - respondeu Lucius.
O comensal examinou um por um. Parecia bem jovem e desconfiava das palavras de Lucius. Ele se deteve em
Hermione mais que no resto. Ento falou:
- Pode deixar esta aqui. O Lorde j decidiu o que fazer com eles e eu recebi ordens de cuidar da sangue-ruim.
Os olhos dos trs jovens amarrados se arregalaram. Mione procurou o olhar de Malfoy, mas ele estava mais atnito que
os trs juntos.
Ser, pensava ele, que o Lorde havia invadido o pensamento dele e descoberto o Juramento Inquebrvel?
O comensal tornou a falar:
- Siga por aquela porta, vire  esquerda e os deixe na sala 19. Essa sangue-ruim vem comigo. Depois eu levo o que
sobrar dela e devolvo aos amigos.
Mione acenou com a cabea dizendo que estava tudo bem, eles no poderiam colocar o plano em risco. De qualquer
maneira, se sentisse um grande perigo, poderia se mexer e usar a varinha.
O comensal a levou para uma salinha pequena, que tinha apenas uma cama de campanha e um lampio.
O que ele estaria planejando, pensou a jovem bruxa. Aquele lugar no parecia uma sala de tortura.
Ele entrou em seguida e trancou a porta. O comensal se virou e comeou a tirar as vestes. Hermione se apavorou,
arrancou as cordas e ergueu sua varinha:
- Pare agora mesmo ou lano o pior feitio que conheo em voc - disse a moa.
O comensal no se importou. Continuou tirando as vestes e ela reparou que havia uma jeans e uma camiseta embaixo
daquela roupa preta. Finalmente ele tirou o capuz.
E Hermione no sabia o que fazer.
- Mione, o que est acontecendo? - perguntou o comensal.
- Ah, Vitor, voc... aqui? Eu no sei se me sinto aliviada ou triste.
- Calma, eu tenho explicao. S preciso de mais uma coisa antes de continuar a conversar.
Ele retirou um vidro do bolso, pegou um pequeno comprimido e bebeu. Fez uma careta e voltou a conversar.
- So plulas para tirar sotaque. Assim ningum me reconheceu. Todos pensam que eu sa da escola.
- Todos quem?
- Os outros alunos e professores da Durmstrang. Foram todos chamados por Voc-sabe-quem para fazer parte do
batalho de Treinamento Especial. Eu me recusei, mas depois mudei de idia.
- Voc  um comensal? - perguntou entristecida.
- No, Mione, nunca. Eu vim pra tentar proteger voc. Agora me explica, como voc foi capturada? Foi o Malfoy que
seqestrou vocs em Hogwarts?
Hermione explicou o que eles estavam fazendo ali e disse que Malfoy estava do lado deles.
Krum pediu desculpas pela confuso e disse que a levaria de volta para seus amigos.
Quando saam da sala ele perguntou:
- E voc? Est sozinha?
- No - respondeu ruborizada - estou com o Rony.
- Ah - disse meio decepcionado - ele  um bom rapaz.
Os dois foram at a sala 19, onde o resto aguardava ansioso o que aconteceria dali para frente. Assim que a porta abriu,
Malfoy, Rony e Gina apontaram as varinhas para o comensal que trazia Mione desamarrada.
A menina olhou espantada a reao e entrou na frente de Krum antes que qualquer um pudesse lanar um feitio.
- Calma, pessoal - pediu ela - eu explico.
Eles ficaram aliviados ao saber que quem estava ali era Krum. Exceto Rony que ficou enciumado de pensar que a
namorada havia ficado sozinha com o ex-paquera.
- Vocs querem encontrar o Draco, no  isso? Eu sei onde ele est. Mas no  nada fcil chegar at ele.
- No importa, eu preciso salvar o meu filho - adiantou-se Lucius.
- Ento est bem, sigam-me. E acho bom as moas colocarem panos no rosto. A sala de tortura no  nada comparada a
sala de experimentos.
E era exatamente nesta sala que Potter se encontrava. Era um galpo enorme todo equipado com aparatos mgicos e
cientficos. Parecia que Voldemort estava usando magia e tecnologia trouxa ao mesmo tempo. Havia muitos frascos com
poes, camas com algemas e tiras de couro para amarrar os pacientes.
Em uma dessas camas, Harry avistou um homem se contorcendo e berrando muito. De seu corpo saam espinhos que
davam a impresso de serem feitos de ossos. O sangue se espalhava pela cama a medida que cada espinho perfurava a
carne. Enquanto isso, um homem assistia tudo e anotava as reaes em uma ficha.
O homem na maca parou de gritar e o outro, que parecia um enfermeiro olhou o relgio e fez uma ltima anotao.
Harry aproximou-se assim que o enfermeiro saiu de perto da cama. No dava para reconhecer quem estava ali. O rosto
agora estava coberto por pequenas pontas de ossos e muito sangue.
Havia um pronturio mdico sobre a mesa de cabeceira. Ali Harry leu:
Nome: Florean Fortescue
Idade: aproximadamente 65 anos
Profisso: sorveteiro
Submetido a: tratamento com feitio Spinossa
Conjurador: Dolores Umbridge
Nota para conjurador: 9,8
Observaes: conseguiu fazer o feitio se prolongar por 78 horas, fazendo a vtima sofrer os horrores de ter seu corpo
dilacerado pelos prprios ossos.
Hora da morte: 10h45min
Harry sentiu que ia passar mal. Eles usavam as vtimas para testar novos feitios e ainda faziam uma avaliao de
desempenho do conjurador. Ele procurou uma porta para sair daquele lugar horrvel, mas uma maca separada do resto
das outras por um biombo chamou sua ateno. Ele no resistiu  curiosidade e se aproximou.
Mais uma vez, ele teve a sensao de que ia cair sobre suas pernas. Ali deitado numa maca suja e mal arrumada estava
Peacry Weasley. Harry pegou o pronturio e leu:
Nome: Percy Weasley
Idade: 20 anos
Profisso: chefe do Departamento de Mistrios
Incio do tratamento: 4 de setembro
Submetido a: doses dirias de poo Deformattus
Bruxo responsvel: Dolores Umbridge
Observaes: descobriu que o paciente passava informaes para algum do lado da chamada Ordem da Fnix e
resolveu castig-lo. Assim o paciente ser submetido a uma dose da poo mencionada para que perca todas as suas
feies, antes de ter a mente alterada.
Fazia apenas dois dias que Percy estava l. Talvez existisse um meio de faz-lo voltar ao normal. Mas Harry precisava
tirar o rapaz dali. Procurou poes ou qualquer coisa que fosse capaz de reanim-lo, mas no encontrou nada. Parecia
que cada coisa naquele lugar tinha a nica finalidade de provocar dor e sofrimento.
A porta da entrada se abriu e Harry, ainda sob a capa, avistou Dolores Umbridge com suas vestes de comensal entrando
e indo em direo  maca em que Percy estava. Ela dispensou a presena de outro comensal, que fazia as vezes de
enfermeiro, dizendo que queria ter o prazer de ver a dor de Percy sozinha.
Talvez essa seja a chance, pensou Harry. Ele procurou os vidros de poes mais uma vez e encontrou um frasco de uma
poo chamada Softium.
Assim que ela se aproximou o suficiente, Harry abriu o frasco, tirou a capa e jogou a poo sobre a cabea da mulher.
Imediatamente ela comeou a amolecer, sua pele foi tomando a consistncia de uma gelatina. As plpebras comearam
a pendurar sobre os olhos, as bochechas redondas daquela bruxa com cara de sapo escorriam pelo pescoo como se
fossem feitas de algum lquido viscoso. Ela no conseguia gritar, pois seus lbios pesavam um sobre o outro e escorriam
junto com as bochechas.
Antes que Harry pudesse recolocar a capa, a porta se abriu novamente. Ele se assustou, mas avistou Lucius, Rony e
Gina. Quando Mione entrou ao lado do comensal, Harry sacou a varinha e ia gritar Estupore quando Malfoy falou Accio
Varinha, e Harry ficou olhando tudo atnito, enquanto sua varinha ira parar nas mos do pai de Draco.
-  o Krum - disse Gina correndo na direo de Harry.
O rapaz no conseguiu deter a menina que chegou apressada e viu Dolores, cada no cho, tentando levantar seu corpo
molengo. Quando ela olhou para o lado, nem conseguiu gritar. Harry a segurou antes que casse no cho.
- Gina, o que houve? - perguntou Rony indo em direo a irm - Voc est bem? Fale comigo!
Mas ela no respondia, estava em estado de choque. Ele acompanhou o olhar da irm e avistou Percy na maca.
- No - disse em voz baixa - o que fizeram com ele?
- Uma espcie de feitio. Ele foi atingido duas vezes e ia ser a terceira quando a Dolores entrou. Eu estava aqui e joguei
isso nela - disse Harry mostrando o frasco aos amigos.
- Se foram s duas vezes  bem provvel que tenha cura. Mas ele precisa sair daqui antes que a Dolores acorde e nos
encontre - falou Lucius decidido.
- Eu tenho uma idia - disse Krum.
- Qual ? - quis saber Harry.
- Sei que eles no gostam de corpos espalhados aqui. Dizem que fazem mal. Ento, cada dia um de ns se oferece a
remover os corpos. Eu fao isso, assim dou uma poo do sono pra Umbridge, coloco ela no carrinho junto com os
outros e encontro vocs l fora.
- Tem certeza que isso vai dar certo? - perguntou Rony preocupado.
- Temos que tentar, no h outra soluo - respondeu Vitor.
Eles procuraram a poo do sono e finalmente Mione encontrou. Colocaram uma grande quantidade na boca de
Umbridge, removeram o corpo dela para o fundo do carrinho, colocaram o de Florean em cima e finalmente o Percy.
Krum ainda teve o cuidado de alterar o pronturio informando a morte de Percy.
Vitor empurrou o carrinho e o resto continuou a misso de salvamento de Draco. Eles atravessaram a ltima porta at
chegar a um corredor estreito e sem janelas. Havia uma nica porta e uma criatura estranha vigiando.
- O que querem aqui? - perguntou uma voz grave e etrea.
Harry se lembrou da indicao de Umbridge de que havia um comensal mestio guardando a entrada do cativeiro de
Draco.
Malfoy se adiantou e enfrentou o guarda:
- Quero meu filho, Draco!
- O pequeno s sai daqui com ordens do mestre.
- Pois voc vai obedecer uma outra ordem agora - disse Lucius enquanto lanava um feitio na criatura.
Malfoy tentou estuporar a criatura, mas o feitio apenas bateu em seu peito e sumiu, sem provocar efeito nenhum.
- Estupore - berrou o guarda, e um jato de luz saiu do mesmo local em que tinha sido acertado por Malfoy, indo em
direo ao bruxo e o derrubando ao cho.
Agora s restavam os quatro jovens bruxos.
- E agora, crianas - falou a criatura q se revelou uma espcie de dementador - esto com medo?
- Nem um pouco - respondeu Harry.
Ele levantou sua varinha e os amigos fizeram o mesmo.
- Vo tentar me acertar com o qu? Algum feitio bobo da escolinha? - zombou o comensal.
- No - respondeu Mione - vamos te acertar com um feitio da Armada de Dumbledore.
E ao mesmo tempo os quatro gritaram Expetum Patrono.
O que sucedeu a seguir foi um espanto at para eles. O corredor era muito estreito e ao apontar as quatro varinhas, os
feitios se uniram. Os patronos de cada um se misturaram com o dos outros e no final o que apareceu foi um grande
cavalo montado por um imponente cavaleiro que galopou em direo ao comensal e com um golpe certeiro, lhe arrancou
a alma pela cabea.
O corpo do que seria o dementador caiu como um saco de batatas e eles ficaram olhando o que tinha acontecido. A
inteno no era matar ningum, apenas espantar o dementador.
Rony foi o primeiro que lembrou que deveriam reanimar Lucius e Gina lanou um perfeito Enervate. Malfoy acordou e
quis saber o que eles tinham feito.
- No h tempo pra explicar. A essa hora Krum j est nos esperando do lado de fora - falou Harry correndo para a
sala.
Lucius correu atrs. Harry chutou a porta e entrou. L estava Draco Malfoy, flutuando, muito plido, com manchas
roxas pelo corpo, vrios sinais de cortes e feridas ainda abertas. Ele continuava preso pelas cordas cheias de espinhos.
Harry no gostava muito de Draco, mas nunca quis que o rapaz ficasse daquele jeito. Lucius estava nervoso, tremendo e
era at possvel enxergar duas lgrimas teimosas que insistiam em aparecer em seus olhos.
Hermione pediu silncio e conjurou o contra-feitio. A corda se desfez aos poucos e Draco caiu, ainda inconsciente.
Lucius se adiantou para ele. Abraou o filho e olhou agradecido para Mione.
Harry tirou da mochila as poes que havia comprado e disse a Lucius que aplicasse nas feridas de Draco. Assim que
Draco foi medicado, eles sugeriram a Malfoy que fizesse o filhe levitar. Assim, sairiam mais rpido dali.
O quarto em que Draco estivera trancado tinha uma janela pequena que dava para a rua. Eles podiam tentar aparatar,
mas Rony e Gina ainda no conseguiam.
- S se a gente fosse de mos dadas - sugeriu Rony.
- No existe nenhum feitio para alargar janelas ou abrir buracos em paredes, Mione? - perguntou Gina.
- Existe sim, mas so muito barulhentos - respondeu a garota.
- Vamos tentar o que o Weasley sugeriu - disse Malfoy - Draco est muito fraco e precisa de cuidados maiores.
Eles se puseram em posio de aparatar. Mione levaria Rony e Harry levaria Gina. Para o alvio deles, o quarto no
tinha feitio anti-aparatao e logo eles alcanaram a rua.
Krum j os esperava. Entregou Percy aos rapazes e falou:
- Umbridge est deitada em um buraco no parque. No fiquem preocupados, ela est perdendo crdito desde que
comprou briga com a Lestrange por causa de um fantasma.
Rony segurou o riso e agradeceu o jovem:
- Obrigado, mesmo! Voc salvou a vida do meu irmo!
- No foi nada, eu estou aqui para isso. Ele me chamou para poder cuidar de Mione, mas ela no precisa. J tem voc
pra cuidar dela - respondeu num tom que tentou parecer amistoso.
- Ele quem? - indagou Rony.
Krum pareceu embaraado ao perceber o que tinha dito. Tentou dar uma resposta qualquer, mas no precisou, pois foi
interrompido por Harry.
- E o outro corpo, o do Florean?
- Ah, eu tive que deix-lo na sala de cremao.  o procedimento, todas as vtimas mortas com feitios experimentais
ou poes novas devem ser cremados para que mais ningum, alm do batalho de Treinamento Especial, conhea os
efeitos dos feitios.
- E para onde vamos agora? - quis saber Lucius.
- Como assim, vamos? - questionou Rony.
-  que eu no posso levar Draco para o hospital, l no  seguro. E tambm no posso voltar para casa. Bella pode
entrar l ou achar estranho se eu a proibir de por os ps em casa. Alm disso, Narcisa confia tanto em Belatriz que
contaria para ela na mesma hora em que chegssemos l.
Havia um impasse. O que eles iriam fazer com aqueles dois bruxos? Harry chamou os amigos a um canto e falou:
- O nico lugar seguro, vocs sabem qual .
- Mas Harry, eles so do lado de Tom - replicou Mione.
- No so mais, Mione. Imagine tudo o que ns fizemos juntos.
- S que voc se esqueceu que Draco ia matar Dumbledore para Voldemort - retrucou ela mais uma vez.
- Mas no matou. Eu estava l e vi. Ele no queria fazer aquilo. Foi forado! E no me olhem como se eu estivesse
ficando louco, mas no vou deixar ele morrer aqui fora.
Eles ficaram em silncio at que Rony disse:
- Est bem, Harry, tambm no me sinto feliz em deixar um cara da nossa idade morrer assim. S tem mais um
probleminha. Como eles vo chegar ao esconderijo. Dumbledore morreu.
- Mas ele me deixou como fiel do segredo da ordem, Rony.
Aquela informao deixou os amigos espantados. Harry no tinha mencionado isso antes.
-  verdade, ele me deixou essa tarefa pouco antes da gente sair do castelo na noite em que ele morreu.
- Ento est tudo resolvido - disse Mione, ainda contrariada.
Harry disse a Lucius aonde iriam e lhe informou que ele no conseguiria passar a informao para mais ningum.
Lucius concordou. Eles caminharam um bom tempo, procurando ruas menos movimentadas para no levantarem
suspeitas sobre Draco. Percy ia flutuando ao lado dos garotos coberto com a capa de Harry.
Eles chegaram no Largo Grimmauld n 12 e entraram com os trs novos habitantes do antigo palacete dos Black.
A sr Weasley estava na sala, como de vigia esperando eles chegarem. Quando ouviu a porta abrir, levantou de uma vez
e j veio com sermo para cima deles. Mas antes que pudesse abrir a boca estancou, olhando para a figura de Lucius
Malfoy com Draco no colo.
Eles tiveram o cuidado de manter Percy encoberto por mais um tempo.
- O que... O que  isso, afinal? - foi a nica coisa que conseguiu dizer.
- Eles precisavam de um lugar pra se esconder, pra fugir de Voldemort - informou Gina.
- Mas ele, ele  um comensal - falou Molly apontando para Lucius.
- No  mais, Sr Weasley - disse Harry calmamente - agora ele  s um bruxo que precisava de um lugar para cuidar
do filho doente.
A me de Gina e Rony olhou para Draco, todo ferido e assentiu com a cabea.
- Vou preparar um quarto para vocs - disse a mulher.
- Espere, Molly - pediu Lucius - eu agradeo a gentileza, mas voc precisa preparar um quarto para outra pessoa.
Ela olhou curiosa para o rosto dos garotos. Gina recomeou a chorar e Rony descobriu o corpo do irmo. A mulher deu
um grito de dor.
- Ele est? No, no  mesmo? Ele no est...
- No sr Weasley - respondeu Harry segurando-a pelos ombros - ele est apenas dormindo. Rony vai lhe explicar
tudo.  melhor subir com os dois.
Ela obedeceu ao rapaz e foi com Rony cuidar de Percy. Mione subiu em seguida e depois voltou dizendo que tinha um
quarto pronto para Lucius e Draco. Em seguida chamou Gina para tomar um ch na cozinha.
Harry ficou sozinho na sala. Ia esperar as coisas se acalmarem. Depois tomaria um banho, comeria alguma coisa e
esperaria Lupin chegar para discutir as novas descobertas.
E informar sobre os novos hspedes da casa.
- 23 -
O posto mdico
Lupin chegou acompanhado de Tonks cerca de meia hora depois que todos haviam se acomodado. Harry continuava a
sua espera na sala de estar e, assim que viu o ex-professor passar pela porta, chamou apressado:
- Ei, Lupin, ser que voc tem um tempinho pra mim?
- Claro - respondeu Lupin, despedindo-se de Tonks com um beijo rpido - o que voc quer, Harry?
- Preciso conversar com voc...
Antes que Harry pudesse continuar eles ouviram um grito. Tonks descia as escadas correndo para chamar Lupin.
- H comensais na casa, Lupin - disse fazendo sinal para que subissem e os atacassem.
- No, esperem! - chamou Harry - Era sobre isso que queria conversar com voc Lupin. Lucius e Draco esto
hospedados aqui.
Os dois aurores olharam Harry espantados.
- Como hospedados, Harry? - indagou Tonks - Voc se esqueceu que eles so comensais? Ser que bateu a cabea e
perdeu a memria? Lucius j quis te ver morto e Draco, bem o rapaz quase matou Dumbledore.
- Eu sei que ele quase matou Dumbledore, est bem? Ou voc tambm se esqueceu que eu estava l? Eu vi que Draco
no iria fazer aquilo, ele no queria fazer!
Harry falava em voz alta. Lupin e Tonks apenas olhavam o garoto.
- Eu estive com Lucius ontem, o dia inteiro, dentro do laboratrio de Voldemort. Ele teve todas as chances de me
matar, prender, entregar minha cabea numa bandeja de prata para Tom, mas no fez isso. E agora ele est do nosso
lado!
- Como voc pode ter tanta certeza, Harry? - perguntou calmamente Lupin.
- Ns fizemos um Juramento Inquebrvel. Eu o ajudaria com Draco e ele me ajudaria a derrotar Voldemort.
Aquelas palavras caram como um balde de gelo nos coraes da auror e do lobisomem. Harry estava determinado a
derrotar o Lorde das Trevas.
- Est bem, Harry. Se voc confia, ns tambm confiamos - respondeu Tonks sentindo que aquela no era a melhor
hora para travar uma discusso - Agora nos conte que houve com Draco.
Harry explicou que desde antes de voltar para Hogwarts sabia que Draco estava preso e sofrendo diversos tipos de
tortura. Tambm contou que Voldemort manteve o garoto preso para tentar arrancar de Malfoy tudo o que ele possua. E
por fim, narrou a aventura no Ministrio da Magia, onde conseguiram saber o exato local do cativeiro de Draco.
- Assim, conseguimos marcar um encontro com Malfoy para trocar informaes. Ele estava decidido a fazer qualquer
coisa para salvar a vida do filho.
- E como o rapaz est agora? - perguntou Tonks.
- Ainda continua inconsciente. Mione disse que depois vai preparar uma poo revigorante para ele. Os ferimentos
foram muito profundos.
- Tonks - pediu Lupin - ser que voc pode nos deixar a ss por um instante?
- Est bem, eu vou ver como esto Gina e Mione - disse a mulher e saiu da sala.
Lupin trancou a porta e sentou-se, como da outra vez, de frente para Harry.
- Agora - disse - quero que me conte tudo. Tudo o que voc viu l dentro do laboratrio e o local onde ele est
escondido.
O rapaz contou todas as aventuras do dia para o ex-professor. Especialmente a parte em que avistou Fenrir. Falou da
doena de Nagini e do que aconteceu quando atacaram o dementador-mestio.
- Isso  muito grave, Harry. Realizar experincias de mestiagem ou de ampliaes de poderes  extremamente
perigoso! Ele no teve muito tempo para realizar essas experincias e muitos efeitos ainda no foram testados.
- Mas tem algo ainda pior - disse Harry - eu achei o Florean.
- Srio? E onde ele est?
- Morto. Foi assassinado com um feitio que chama Spinossa. Ele faz os ossos da pessoa se transformarem em espinhos
e rasgarem a vtima de dentro para fora.
Harry chacoalhava a cabea como para tentar apagar as imagens do velho sorveteiro gritando pouco antes de morrer.
- Eles tambm esto criando novos feitios?
O rapaz apenas assentiu com a cabea.
- Onde fica o laboratrio? Ele precisa ser destrudo imediatamente.
Harry ia responder, mas a porta da frente se abriu com um estrondo. Os dois correram para ver o que estava
acontecendo.
O Sr Weasley entrava empunhando sua varinha, fazendo dois corpos levitarem. Harry reconheceu os dois assim que
entraram. Eram os aurores Alastor Moody e Quim Shackelbolt.
- O que aconteceu? - perguntou Lupin, apressando-se em ajudar Arthur.
- Um ataque ao Ministrio. Finalmente Dolores assumiu de que lado est e atacou os aurores l dentro. Outros
funcionaram do Ministrio tentaram intervir, mas tambm foram atacados. Haviam uns 7 comensais l dentro. A maioria
das vtimas foi levada para o St. Mungus.
- E por que voc os trouxe para c? - perguntou Harry.
- Porque fiquei com medo que os comensais invadissem o hospital para terminar o servio. E como a casa  grande e
voc j tinha deixado a Ordem continuar aqui...
- Sem problemas, vamos avisar o pessoal para preparar quartos para os novos doentes - disse Harry enquanto subia as
escadas de dois em dois degraus.
Depois de acomodar Quim e Olho-Tonto, Harry desceu para a cozinha, procurando Gina e Hermione.
- Precisamos preparar muitas poes de cura, Mione. E se todos da Ordem aprovarem a idia que tive, bem, no vamos
dar conta sem ajuda.
- O que voc quer dizer? - perguntou Mione.
- Quero que a casa vire um refgio de aurores. Quero buscar todos que ainda estiverem no hospital e tratar deles aqui -
afirmou Harry.
- Mas - interveio Gina - no temos experincia nenhuma. Cuidar de dois ou trs feridos  uma coisa, mas de 20  muito
diferente.
- Eu sei, por isso vou sair agora e buscar ajuda. Gina, voc vem comigo?
A garota assentiu com a cabea.
- E eu? O que quer que eu faa? - perguntou Hermione.
-  simples, se algum perguntar diga que fomos buscar mantimentos, que os novos hspedes precisam se alimentar
bem e o que tem na despensa  pouco.
Mione concordou e logo Gina e Harry saram escondidos, com suas vassouras. J do lado de fora do esconderijo, Gina
perguntou:
- Onde  que ns vamos, de verdade?
- Quem voc conhece que pode cuidar de um doente melhor que todo mundo?
- A Madame Pomfrey! Mas como vamos encontr-la?
- Ainda no sei, mas vamos atrs de outra pessoa primeiro. Algum que conhece todas as plantas que podem nos ajudar
a preparar remdios e antdotos.
Os dois se certificaram de no ter ningum observando e levantaram vo rumo  casa de Neville Longbottom.
Chegaram em cerca de 40 minutos.
A casa de Neville ficava no alto de uma colina, quase na beirada do precipcio. Era um antigo casaro colonial, com trs
andares. As paredes pintadas de verde musgo faziam a casa parecer muito sria e triste. Apenas as bromlias e begnias
do jardim davam alguma vida aquele lugar.
Harry foi at o porto de madeira branca e procurou uma campainha. No havia nada parecido e ele abriu o porto e foi
at a porta da frente. Tambm no havia sinal de campainha e Harry bateu com o punho fechado na porta.
- Ei, mais devagar - falou alguma coisa que Harry no viu.
O rapaz deu um passo atrs, assustado, procurando o que havia dito aquilo.
- No precisa se assustar, s no me bata novamente, est bem? Quem  voc e com quem deseja falar?
S ento Harry percebeu que o som vinha da porta.
- Sou Harry Potter e queria falar com Neville, Neville Longbotton - disse ainda inseguro.
- Um instante, por favor!
Pouco depois a porta se abriu e a av de Neville apareceu.
- Sr Potter,  um gosto rev-lo, mas o que faz aqui to tarde? - perguntou polidamente a senhora.
- Eu vim falar com Neville. Ns precisamos da ajuda dele em algo muito srio - respondeu Harry.
- Entendo - disse com ar pensativo a av do menino - deve ser mesmo muito importante para voc escapar do
cativeiro.
Harry empalideceu. Tinha esquecido que a notcia de seu suposto seqestro tinha sado no Profeta Dirio.
- Agora se quiser me contar o que est havendo, eu terei o prazer em chamar Neville para voc.
Em poucas palavras Harry explicou que precisava realizar um pedido de Dumbledore e saiu do castelo durante a festa.
O que fez todo mundo pensar que ele havia sido seqestrado e que para se manter seguro, ele no desmentiu.
A velha bruxa o observou de cima a baixo. Depois pareceu satisfeita com a explicao e chamou Neville. O rapaz
apareceu j de pijama. Quando viu Harry fez cara de surpresa e correu para cumprimentar o amigo.
- Harry, ento voc est bem? Todos ficaram preocupados...
- Estou bem sim, Neville, obrigado! Mas hoje eu vim aqui para pedir a sua ajuda. Ser que Gina e eu podemos entrar
para conversar com vocs?
A av de Harry fez sinal para que Gina entrasse e eles se acomodaram na sala de visitas. Ela chamou um elfo-domstico
e pediu biscoitos e chocolate quente para todos.
Quando tudo foi servido Harry comeou a contar sobre o ataque dentro do Ministrio e sobre a resoluo de proteger os
aurores.
-  um belo gesto - disse a velha senhora - mas o que Neville tem com tudo isso?
- Ns precisamos da ajuda dele - disse Gina - Neville  o melhor aluno em Herbologia e sabe todas as propriedades de
todas as plantas mgicas ou no-mgicas.
A senhora esboou um sorriso ao ouvir da capacidade do neto.
-  srio, - afirmou Harry - sem a ajuda de Neville no vamos conseguir salvar a vida de Moody ou de Shackelbolt.
Neville mantinha a cabea baixa. Parecia tenso. Por fim levantou-se do sof e disse:
- S um instante, vou buscar minhas coisas, uma vassoura e vou com vocs.
A av do garoto se levantou para dizer alguma coisa, mas ele a interrompeu:
- Eu sei que nunca vou ser um auror como meus pais, vov. Mas eu vou fazer o impossvel para ajudar outros aurores.
Quem sabe, um dia, eu no consiga curar meus pais? A senhora pode ficar decepcionada comigo, mas j sou um bruxo
adulto e vou fazer o que acho certo.
A voz de Neville era decidida, mas suave. No queria brigar com a av, mas seus olhos brilhavam ante a possibilidade
de fazer a diferena.
A velha senhora apenas abraou o neto e disse:
- Eu tenho orgulho de voc, Neville. E quando eu contar aos seus pais o que voc est fazendo, tenho certeza que
tambm vo se orgulhar.
Neville arrumou as coisas e se despediu da av. Antes de voarem de volta para o esconderijo Harry virou-se para a av
de Neville e perguntou:
- A senhora sabe o endereo da Madame Pomfrey? Algumas fraturas precisam de feitios e ela  a melhor que
conhecemos.
- Deixem comigo, eu a avisarei. Pedirei que ela procure por vocs.
-  melhor pedir que ela procure o Sr Weasley - disse Harry para no ter que revelar o local do esconderijo.
Eles voltaram para o Largo Grimmauld, mas compraram algumas coisas no caminho. A histria da pouca quantidade de
alimento era sria, alm disso, precisavam fazer um estoque de ervas e plantas para Neville poder trabalhar.
Chegaram no Largo e Harry passou a Neville a informao necessria para achar a casa. Eles entraram e tudo parecia
normal.
Mione continuava na cozinha e agora preparava uma sopa para a janta. Quando viu Gina falou:
- Nem precisei inventar histria nenhuma. Esto todos ocupados cuidando dos doentes.
Enquanto ela falava os dois rapazes entraram na cozinha e Mione exclamou:
- Neville! Como chegou aqui?
- Harry foi me buscar - respondeu enquanto guardava as compras em uma prateleira que Harry indicou - Vou ajudar a
cuidar dos doentes.
- Isso  excelente - disse Mione - voc  realmente bom com plantas e ervas. E se no estiver cansado acho que j pode
comear.
Harry e Gina olharam assustados para Hermione.
- O que aconteceu, Mione - perguntou a jovem de cabelos vermelhos, imaginando que tivesse acontecido alguma coisa
com seu irmo.
- Fique tranqila, Percy est bem. Rony veio aqui agora a pouco e me disse que ele recobrou a conscincia. Assim que
a sopa ficar pronta vou levar um pouco pra ele.
- Ento, o que houve? - perguntou Harry.
-  o Draco - disse Mione - As feridas no querem fechar e ele continua perdendo sangue. O pai dele no se agenta de
tanto chorar. Fica andando de um lado para outro dizendo que a culpa foi dele por ter se aliado a Voc-sabe-quem. Acho
que se acontecer algo mais srio, Lucius enlouquece.
- Draco est aqui? - perguntou Neville, com ar de incrdulo.
- Depois eu te explico tudo com calma, Neville. Agora precisamos encontrar um meio de fazer o sangramento parar -
respondeu Gina - Ser que tem algum livro sobre...
- O que provocou os ferimentos dele? - interrompeu Neville.
- Um feitio chamado Suplicius - falou Mione.
Neville comeou a mexer nos pacotes que havia acabado de guardar. Tirou uns trs tipos de plantas diferentes e falou:
-  um feitio antigo, muito forte, mas fcil de tratar. Eu posso fazer o combinado de ervas, s que vou precisar de um
caldeiro e da ajuda de um de vocs.
Gina entregou um caldeiro ao rapaz que comeou a colocar as ervas e amass-las com uma grande colher de pau. Em
seguida adicionou um pouco de leo de castanheira azul e levou ao fogo. De dentro do caldeiro saa uma fumaa
esbranquiada, que desprendia um cheiro agradvel.
Gina, Harry e Mione acompanhavam os movimentos de Neville imaginando o quanto aquele rapaz teria sido brilhante
em Poes se no fosse o professor Snape.
A fumaa assumiu nova cor. Agora ficava laranja e saa do caldeiro em espirais. Neville sorriu e disse para os amigos:
- Est quase pronta, quando a fumaa ficar azul  a vez de vocs. Preciso que algum faa aparecer uma corda, no
mesmo estilo da Suplicius, s que essa corda vai ser banhada nessas ervas antes de enrolar o corpo do Draco.
- Eu fao isso - disse Mione - fui eu quem desamarrou ele. Sei exatamente onde as cordas passaram.
Neville deu uma ltima olhada no caldeiro que estava envolto em uma fumaa azulada e disse:
- Ento me mostre em que quarto Draco est. Precisamos fazer isso com a poo ainda quente.
Eles subiram e chegaram ao quarto onde Draco estava. Lucius chorava ajoelhado ao lado da cama e por um instante
Harry pensou que o pior tinha acontecido. No entanto, o peito do jovem bruxo se mexia, o que significava que ele ainda
respirava.
- Lucius - chamou Gina - Ns viemos trazer um remdio para Draco.
O homem olhou para Gina e se levantou. Parecia um zumbi, sem vida. Sua pele conseguiu ficar ainda mais plida e seus
cabelos perderam o brilho. Ele sentou na outra cama e fez um gesto para que todos entrassem.
Neville no se intimidou. Na verdade, ao ver a situao em que o Sr Malfoy, to arrogante e presunoso, se encontrava,
teve mais foras. Entrou no quarto e colocou o caldeiro quente na mesa de cabeceira.
Chamou Hermione e pediu que ela fizesse a corda. Quando Malfoy viu a corda saindo da varinha, entrou em desespero:
- O que  isso? - gritava - Vo amarr-lo de novo? Vo matar meu filho? Por qu? Por qu? Ser que no tem outro
jeito?
Harry abraou Lucius e o tirou da sala. J no corredor pediu que se acalmasse.
-  s uma corda parecida, para levar o remdio ao lugar certo, Lucius. Eu jurei que iria ajudar a salvar Draco, no
jurei? Ento  isso que eu vou fazer.  isso que estamos fazendo. Agora, por favor, acalme-se. H outros doentes na
casa.
A voz de Harry impunha autoridade e Malfoy, do jeito que estava, s conseguiu obedecer.
Voltou para o quarto e ficou observando a corda sair quente, azulada e cheia de ervas do caldeiro e enrolar o corpo
mole de Draco. Quando finalmente ela alcanou todos os pontos em que a corda do Suplicius esteve, comeou a mudar
de cor.
Ficou roxa, depois vermelha e finalmente atingiu um tom de bege, muito semelhante  pele humana.
Neville suspirou aliviado. Fez sinal para que Mione tirasse a corda e falou para Lucius:
- Pronto, as feridas vo fechar. Voc s vai precisar passar o resto da poo que est no caldeiro duas vezes por dia nas
feridas maiores. As pequenas estaro boas em duas horas.
Lucius agradeceu e foi cuidar do filho que agora parecia dormir. Era um alvio ver que j no tinha sangue escorrendo
das feridas e logo Draco poderia dormir em uma cama limpa.
Neville desceu as escadas e foi para a cozinha. Estava feliz consigo mesmo. Tinha dado certo. Sentou-se numa cadeira e
ficou quieto. Logo Mione e Gina vieram atrs.
- Voc foi incrvel - disse Gina.
- Obrigado! Mas agora eu to cansado. Acho que vou arrumar um canto para dormir.
- Ah, antes disso toma um prato de sopa. Voc no vai dormir de barriga vazia - disse Mione enquanto servia janta para
o rapaz.
Ele comeu, agradeceu as meninas e foi atrs de Harry para saber onde iria ficar. Achou o rapaz em frente ao quarto que
Malfoy estava.
- Como eles esto? - perguntou.
- Voc fez um trabalho excelente - respondeu - Draco no est sangrando mais e Lucius parece bem mais calmo.
Neville ficou olhando para dentro do quarto, perdido em pensamentos.
- O que foi? - perguntou Harry.
- Nada, s estava pensando o quanto  irnico salvar a vida de algum cuja tia quase matou meus pais.
Harry olhou o rapaz a sua frente. Neville tinha amadurecido nos ltimos anos. Desde a Armada de Dumbledore ele
havia criado uma confiana em si prprio que antes no existia. E naquela noite tudo foi posto a prova. Ele enfrentou a
av e ainda enfrentou seu desejo de vingar o estado de sade dos pais.
- Voc  um grande bruxo, Neville - foi s o que Harry conseguiu dizer e indicou um quarto para que ele pudesse ficar.
- 24 -
Pistas adormecidas
Neville foi descansar e Harry desejou fazer o mesmo, mas os acontecimentos daquela noite estavam apenas
comeando. Ele sabia que ao assumir a responsabilidade pela vida daquelas pessoas teria que abrir mo de muita coisa.
Principalmente de ficar com Gina.
J na cozinha Harry conversou com as duas garotas.
- Precisamos dividir as tarefas para no nos desviarmos da busca pelos Horcruxes. Agora estamos perto, s falta
identificar qual  o principal. - falou o rapaz tentando parecer otimista.
- Concordo com voc - disse Mione - as coisas esto bem difceis aqui e quando os outros chegarem, pode piorar tudo.
- Acho que ficaria mais fcil se ns duas ficssemos com a parte da alimentao, preparar tudo, fazer as compras. O
que acha? - perguntou Gina.
- Acho perfeito - disse Harry - No momento seria legal levar um pouco de sopa para sua me, Gina. E se for possvel,
Mione, leve para Olho-Tonto e Quim. Pelo que sei eles j recobraram a conscincia. Eu vou falar com o Sr Weasley.
Cada um procurou executar sua tarefa o melhor possvel. Mione encantou duas bandejas para ficar mais fcil carregar a
comida para o segundo andar da casa.
Harry foi at o quarto em que Percy estava. Chamou por Rony e perguntou:
- Como ele est?
- As dores diminuram, mas ele ainda insiste em olhar no espelho. Acho que sente a mudana quando passa a mo pela
face - respondeu o rapaz com olhar cansado.
- Se voc quiser tomar um banho eu fao companhia pra sua me - ofereceu Harry.
- No vai ser preciso, veja, ele est tomando o calmante que papai trouxe. Logo ir dormir e ns poderemos descansar
um pouco.
- Bom, j que  assim, acho que vou aproveitar e chamar seu pai para uma conversa.
Harry desceu acompanhado do pai de Rony. Eles se dirigiram para a sala de estar, onde poderiam conversar com calma.
O rapaz exps sua idia ao Sr Weasley e esperou pela aprovao. O homem, por sua vez, pensou um pouco e
respondeu:
-  uma idia louvvel, Harry, mas vai despender muito dinheiro. No sei se estamos preparados para uma coisa assim.
- Eu sei disso, j pensei em tudo. O senhor sabe que dinheiro no  problema. E quanto ao pessoal para ajudar a cuidar
dos doentes, ns j trouxemos o Neville para c, ele conhece tudo sobre plantas e ervas. E vamos trazer a Madame
Pomfrey, que era responsvel pela enfermaria de Hogwarts. E depois, as pessoas que forem melhorando podero ajudar
a cuidar dos outros.
- Parece que voc realmente pensou em tudo, no  mesmo?
O rapaz fez um sinal afirmativo.
- Ento est decidido. Amanh vou cuidar da transferncia dos aurores. Mas s os que tiverem autorizao dos
medibruxos ou das famlias, ok? Agora, tem uma coisa que eu queria lhe perguntar.
- Pode falar!
- Como voc fez para aquele retrato calar a boca?
Harry riu divertido e respondeu:
- Nada demais, apenas mostrei a ela que essa no era mais a casa dos Black. Era a Casa da Ordem.
O rapaz subiu as escadas para ver se todos estavam bem e foi para seu quarto tomar um banho. A gua quente do
chuveiro caiu como um verdadeiro blsamo sobre Harry. Ele se demorou mais que o costume e quando saiu teve a
sensao que poderia encarar outra maratona como aquela.
- No, melhor descansar. Amanh vai ser um dia difcil com a chegada dos novos hspedes - pensou se jogando na
cama e adormecendo em seguida.
Harry teve um sono tranqilo, sem sonhos. Nos outros quartos quase todos os hspedes tambm dormiam.
A madrugada ia alta quando sons de gritos ecoaram pela casa. Por um momento Harry imaginou que estivesse
sonhando, mas o barulho de passos pelo corredor o fez despertar.
Ele se levantou, acendeu uma das luzes e foi ver o que estava acontecendo. Harry reconheceu que os gritos eram de
Gina e se apressou em saber se a jovem estava bem.
Quando chegou  porta do quarto, avistou a Sr Weasley sacudindo a filha pelos ombros. Gina estava de olhos fechados
e ainda berrava. Era um grito de dor e medo ao mesmo tempo e Harry percebeu que ela estava tendo um pesadelo.
Ele correu para ajudar e tambm segurou a jovem pelos ombros. Mas no momento que a tocou, uma fora estranha
jogou-o de costas contra a parede e ele sentiu a cicatriz queimar, arder, como se estivesse pegando fogo.
Os gritos agora saram de Gina e foram para Harry. A jovem olhava assustada para todos os lados tentando entender e
ao mesmo tempo explicar o que estava acontecendo.
Quase todos os habitantes da casa se dirigiram ao quarto para tentar ajudar.
Harry se contorcia, gritava esfregava a cicatriz. Seus olhos j estavam cheios de lgrimas. Ao mesmo tempo ele
tampava os ouvidos como se algum estivesse gritando dentro da sua cabea.
Ningum conseguiu fazer nada. De todos os presentes, os nicos que tinham presenciado uma crise de "dor na cicatriz"
de Harry, eram Rony e Mione. E eles sabiam que no adiantava fazer nada. S esperar passar.
Aos poucos Harry foi se acalmando, parando de gritar e ficou estirado no cho do quarto, ofegante.
Gina ainda chorava baixinho, sentada na cama e abraada ao travesseiro.
Finalmente algum tomou uma iniciativa e antes que algum questionasse, Lucius entrou no quarto, pegou o rapaz no
colo e o colocou deitado na cama em que Hermione estivera deitada.
- Algum a - disse com certa autoridade - traga gua para os dois. E alguma coisa para ferimentos leves. Parece que o
jovem Potter aqui esfregou a cicatriz mais do que devia.
Era verdade, a cicatriz de Harry estava sangrando e havia marcas de unha por toda sua testa. Parecia que ele tentara
arrancar a marca da cabea.
Mione e Neville desceram para a cozinha e instantes depois voltaram com gua e uma pomada.
Gina pode beber gua sozinha, mas Harry ainda estava inconsciente.
Lucius pegou a cabea do rapaz, inclinou para trs e foi colocando a gua aos poucos. Depois passou a pomada nos
ferimentos e disse que todos poderiam descansar.
- Amanh ele nos contar o que aconteceu - disse isso e saiu em direo ao quarto do filho.
Molly, Arthur, Lupin e Tonks no sabiam se estavam mais assustados com o que aconteceu a Gina e Harry ou com a
postura de Lucius Malfoy.
Tonks se ofereceu para passar a noite ali e cuidar de Harry e Gina. Molly aceitou, pois ainda precisava cuidar de Percy.
O resto da noite foi de viglia. Hermione dormiu no quarto de Neville, enquanto Rony dormia no saco de dormir ao lado
de seu irmo, caso precisassem dele no meio da noite.
Antes mesmo de o sol nascer, Harry abriu os olhos. Sentia dores por todo o corpo e observou algumas manchas roxas
nos braos e nas mos. Sua cabea girava e a testa parecia que ia derreter.
Ele sentou na cama e Tonks abriu os olhos.
- Como se sente? - perguntou ao rapaz.
- No sei, o que aconteceu?
- Voc teve uma crise enquanto tentava ajudar Gina a sair de um pesadelo.
- Gina - disse aflito - onde ela est?
- Acalme-se, Harry - pediu Tonks - ela est aqui na cama ao lado. Est dormindo. No vai querer acord-la, vai? Ela
dormiu h pouco mais de uma hora.
Ele respirou aliviado.
- Eu estou com sede - disse - parece que vou secar por dentro.
Tonks lhe passou um copo com gua, mas quando notou as mos do garoto levantou apressada.
- Voc est tremendo! E suas mos esto muito roxas. Ser que fraturou algum osso?
Harry mexeu as mos, mas no sentiu dores.
- No acredito, no di nada alm da minha cabea. E a nica coisa que eu sinto  muita sede.
A auror passou as mos sobre a testa de Harry, com cuidado para no provocar dor e notou que o rapaz estava febril.
- Vou buscar um remdio para voc. Agora se deite e espere!
Ela saiu apressada e assim que fechou a porta Harry chamou:
- Gina, voc est acordada?
- Estou sim... s fingi que estava dormindo para no ter que explicar nada para ningum.
- timo, continue assim e tente dormir de verdade. Mas no comente nada com ningum antes de conversar comigo.
- Pode deixar, eu no quero mesmo falar disso com ningum.
Eles ouviram o barulho dos passos de Tonks. Gina virou de lado e voltou a fingir um sono que no sentia. Harry tomou
o remdio e adormeceu, de verdade.
O sol j ia alto quando Harry acordou. Sentia o corpo todo doer, como se tivesse levado uma surra. Os braos ainda
estavam roxos e algumas partes pareciam visivelmente inchadas.
Ele se sentou na cama e percebeu que o quarto estava vazio. Gina j se levantara e deveria estar comendo alguma coisa.
Harry tambm sentiu fome. Tentou ficar de p e percebeu que a tontura havia passado.
Desceu para cozinha sem nem ao menos trocar o pijama. A casa estava silenciosa e ele percebeu que muitos tinham
sado.
Quando chegou no andar de baixo, avistou Mione arrumando uma bandeja com um prato de comida, um copo de suco
de abbora e um pedao de po.
- Harry - admirou-se a moa - j ia levar esta bandeja para voc.
- No se preocupe, eu como aqui mesmo - respondeu o rapaz.
Sentou-se e comeou a comer. Apesar da fome sentia que a comida formava uma bola difcil de engolir em sua
garganta. Era ansiedade. No ficaria tranqilo at conversar com Gina.
- Onde est Gina, Mione? - perguntou.
- Est na sala com a Tonks. Elas foram para l assim que Gina acordou, acenderam a lareira e no saram mais. Rony
tambm j se levantou e desde cedo no sai do lado de Percy.
- Percy melhorou?
- Continua do mesmo jeito. O Sr Weasley disse que ia procurar algum que pudesse ajud-lo. Mas at ele voltar
Neville tem feito um bom trabalho.
- Srio? O que ele fez hoje?
- Um ch que fez Olho-Tonto levantar da cama meia hora depois. E uma compressa com musgos que diminuram o
ressecamento da pele de Percy. S Quim que ainda no pode ser ajudado. Ele fraturou duas costelas e sente muita dor ao
respirar.
Harry ainda fez algumas perguntas. Sabia que devia estar sendo difcil para Hermione ficar ali, sozinha, preparando
comida para um batalho.
Pediu licena e disse que precisava falar com Gina. Assim que chegou a sala, pediu a Tonks para falar a ss com a
jovem.
- E se acontecer aquilo de novo, Harry? - perguntou a auror.
Harry respirou fundo e contou at 10 para no dar uma m resposta  mulher. Depois virou para ela e disse:
- Se acontecer, vocs vo ouvir nossos gritos. A  s vir correndo!
Tonks deu de ombros e saiu para ajudar Mione. Gina ficou olhando para o fogo e Harry se sentou ao lado dela.
- A gente precisa conversar - disse ele.
- Eu sei - respondeu baixinho - ontem a noite, foi terrvel.
- Gina, o que estava acontecendo? Por que os gritos?
- No  s voc que tem pesadelos por aqui, Harry! J tem uns dias que eu tenho tido o mesmo sonho. Snape chega,
comea a conversar comigo. Eu o acuso da morte de Dumbledore e ele me chama de tola. Comea a gritar e tenta enfiar
a mo na minha cabea. Diz que precisa me mostrar uma coisa. A eu acordo.
- H quanto tempo voc sonha com isso?
- Duas semanas.
- E por que nunca me contou?
- Por que eu achei que era um sonho bobo. Estamos envolvidos com esses assuntos todos os dias que pensei que era
coisa da minha imaginao.
- E ontem? E vi o Snape, foi ele que me empurrou, mas ele no estava sozinho. Voldemort tambm...
- Estava sozinho sim, Harry. No comeo estava s o Snape. Ele me disse que teria que mostrar uma coisa nem que
fosse a fora. Ento violentou minha memria e puxou de l uma coisa que eu tinha esquecido completamente. S que a
lembrana doeu e eu comecei a gritar.
- Eu sei, ouvi seus gritos e fui correndo ver o que estava acontecendo.
- No foi s voc que ouviu. Voldemort tambm ouviu meus gritos. No sei como, talvez ele estivesse na mente de
Snape. Mas os dois comearam a discutir.
- Como assim? Eles estavam discutindo dentro da sua cabea?
- Isso, foi muito confuso e os gritos machucavam meus ouvidos. Voldemort queria saber o que Snape estava fazendo.
Ele disse que s queria saber onde ns estvamos. Voldemort no acreditou e comeou a tortur-lo, ele berrava de dor, e
jurava que havia falado a verdade. Foi quando voc chegou.
- Eu pus as mos nos seus ombros e ouvi Snape gritar para que eu sasse de perto. Mas Voldemort me achou antes que
eu pudesse lhe soltar.
- Mas logo voc caiu e eu deixei de ver o que estava acontecendo. S conseguia ver voc se contorcendo no cho. O
que ele lhe fez?
- Ele queria me forar a contar o lugar do esconderijo. Snape pegou a varinha e lanou um feitio que me jogou para
trs.
- Eu no sabia que era possvel lanar feitios pela mente...
- Pois ,  tudo muito estranho. Mas Voldemort veio atrs mesmo assim e minha cicatriz comeou a doer. Ento eu
senti uma mo remexer as minhas memrias e soltar as mais inteis possveis. Voldemort desistiu e eu desmaiei.
Os dois ficaram em silncio. Gina se jogou nos braos de Harry e comeou a chorar. Mas a cena foi interrompida por
um "hum-hum" vindo da porta. Lupin parecia estar ali j h algum tempo.
- Desculpem, mas eu ouvi a conversa.
Gina pareceu perturbada.
- No fique nervosa, Gina. Eu no vou contar para ningum. Mas acho que o importante agora  saber exatamente o
que Snape queria que voc lembrasse. E quais memrias ele trouxe  tona quando impediu Voldemort de descobrir o
local do esconderijo.
Os dois se entreolharam. Depois olharam para o ex-professor. Era verdade. Eles precisavam entender o que Snape
queria invadindo a mente deles assim.
Harry pediu para Lupin entrar e fechar a porta. O homem obedeceu e sentou perto do fogo, junto com eles. O inverno
estava cada vez mais rigoroso e a casa era muito grande e fria.
- Agora, Gina, conte para ns dois o que Snape forou voc a se lembrar.
- Ele me fez lembrar das coisas que eu fiz quando... quando usei o Dirio de Tom.
Aquilo havia acontecido quando ela estava no primeiro ano de Hogwarts e ajudou Voldemort a abrir a Cmara Secreta.
- Eu j disse antes que no conseguia me lembrar das coisas que fazia quando ele me dominava. Mas pensei que s
tinha feito as coisas da Cmara.
- Ento voc fez outra coisa. O que foi?
Ela hesitou um pouco, mas respondeu:
- Eu roubei a taa de Hufflepuffe para ele.
Harry empalideceu. Por um momento Lupin achou que ele ia desmaiar. Agora tudo mudava outra vez.
- Mas como? Eu vi na penseira que Voldemort roubou aquela taa de uma senhora bem velha. Como a taa voltou para
o colgio? - perguntou Harry.
- Algum roubou a taa dele, Harry. E ele a queria de volta. No teve tempo de fazer aquilo, sabe? - respondeu Gina.
Se a taa no era um horcruxe, ento faltava descobrir o sexto novamente.
- E voc, Harry? Quais lembranas Snape trouxe de volta?
Harry sacudiu a cabea para colocar os pensamentos em ordem.
- Ele me mostrou alguns sonhos que eu tive, Voldemort assumindo a forma de uma cobra para atacar o Sr Weasley,
depois lembrei da serpente enorme que apareceu no casaro que era do pai dele e Voldemort ordenava que Rabicho
fosse ordenh-la, e finalmente lembrei da conversa do Fenrir dizendo que Voldemort estava desorientado com a doena
da Nagini, a tal cobra de estimao dele.
- Parece - disse Lupin - que perdemos uma pista, mas ganhamos outra! To valiosa quanto.
Os dois jovens no compreenderam de imediato o que o ex-professor queria dizer. Ante a cara de dvida dos jovens, ele
comeou a explicar, com aquele jeito que usava em sala de aula.
- Em primeiro lugar, deixe-me dizer a voc, Gina, que Harry me contou sobre os horcruxes. Agora, eu acho que Snape
tambm sabe sobre eles e, por algum motivo, quis mostrar que vocs estavam seguindo a pista errada.
- No entendo por qu Snape estaria fazendo isso? Ser que ele se arrependeu de ter matado Dumbledore e quer nos
ajudar, ? - disse Harry, revoltado.
- No sei, Harry. Mas o que ele mostrou  realmente interessante. E acredito que as imagens referentes a Nagini
tambm devem ter algum significado.
Ningum falou mais nada. Todos concentravam seus pensamentos nas novas informaes.
Harry se levantou e saiu da sala sem falar nada. Foi at a cozinha e chamou Mione a um canto.
- Vai l em cima e pede pro Rony ir com voc at a sala de estar. A gente precisa conversar urgente.
Mione subiu as escadas correndo e em menos de cinco minutos estava de volta com o namorado.
Lupin explicou aos dois o que havia acontecido e quais novas informaes entraram para a lista de possibilidades deles.
- Espera um pouco, Harry - pediu Mione - voc falou que Voldemort mandou Rabicho ordenhar uma cobra?
- , foi - respondeu - Por qu?
- Como  que se ordenha uma cobra? Ser que ele bebeu veneno?
- No - disse Lupin - nenhuma magia das trevas inclui ingerir substncias txicas ou venenosas. Ele no poderia beber
o veneno de Nagini, fraco como estava. Pelo tamanho da cobra, o veneno teria destrudo o projeto de corpo que ele
passou anos tentando conseguir.
- Deve haver um outro significado para isso - refletiu Mione.
- Com certeza, mas nem eu que lecionei Defesa Contra as Artes das Trevas para vocs sei o que pode ser - indignou-se
Lupin.
Eles estavam de ps e mo atados. As informaes estavam ali e ningum sabia exatamente o que fazer com elas.
Rony, que at ento se mantivera calado, sugeriu  namorada:
- No tem como pesquisar isso num livro, Mione?
Todos olharam para o rapaz. Aquela era uma idia. Pelo menos era melhor do que ficar sem fazer nada. O problema era
em qual livro procurar e onde arranjar esse livro. Porque no material de escola deles no havia nenhuma referncia ao
uso de veneno de serpente.
- Eu sei para quem pedir um livro assim - disse Lupin, finalmente.
- Para quem? - perguntaram todos, quase ao mesmo tempo.
- Oras, achei que fossem mais espertos. Vocs esqueceram que ns estamos hospedando um comensal, ou ex-comensal
j no sei direito. Com certeza Lucius deve ter livros de magia em casa.
- Mas ele no pode voltar l - lembrou Harry.
- Eu sei disso, mas acredito que ele tenha boa memria e saiba nos indicar alguma coisa. Eu j volto.
Lupins subiu as escadas e bateu  porta do quarto de Lucius e Draco.
- Posso entrar? - perguntou.
- Ah, Lupin, entre.
- Obrigado! Como est Draco?
- Melhor. Veja, as feridas j cicatrizaram. Ele continua inconsciente, mas j bebeu gua e acredito que mais tarde
conseguirei dar um pouco de sopa a ele.
- E a febre?
- Cedeu pouco depois que o Longbottom tratou dele.
O silncio tomou conta do quarto. S o som da respirao profunda e cansada de Draco podia ser ouvida.
- Alguma coisa me diz que voc no veio at aqui s para saber do meu filho, Lupin. Vamos, diga o que voc quer.
- Queria uma informao, Lucius. Coisa  toa. S preciso saber se existe algum livro de magia negra que fale sobre
cobras.
Malfoy estudou o rosto do homem parado a sua frente. No era muito comum um lobisomem se interessar por cobras.
- Alguma espcie preferencial, Lupin?
O ex-professor encarou Malfoy e respondeu:
- Voc sabe que sim. E sabe exatamente qual eu quero.
- No vai adiantar. Aquela espcie no tem em livro nenhum.
-  uma mutao? - perguntou incrdulo.
- No, ele ainda no fazia atrocidades desse tipo. Mas me diga, voc conhece alguma serpente, sem ser de zoolgico,
que tenha vivido mais de 35 anos?
Lupin olhou para ele atnito. Realmente, no seria possvel. Nagini era uma serpente domesticada, com a derrota de
Voldemort ela teria morrido em menos de um ano. Mas ela agentou. Sobreviveu por 10 anos at Voldemort reaparecer.
O ex-professor deu um leve sorriso, perguntou se Lucius precisava de alguma coisa e tendo um "no" como resposta,
desceu para compartilhar a informao com os jovens.
Gina, Rony, Harry e Mione tinham se reunido a Neville na cozinha e comeavam a preparar a refeio que seria dada a
Quim, Draco e Percy. Vendo Lupin mais animado, Gina perguntou:
- E a? Conseguiu o nome do livro?
- Muito melhor! Consegui uma informao muito melhor.
Explicou tudo aos rapazes, no se importando com a cara de "no entendi nada" de Neville.
- Isso lembra da vez que voc e o Sirius me falaram da vida longa do Rabicho - comentou Rony.
- Ser que essa  a confirmao para a suspeita de Dumbledore? - perguntou Harry.
- Provavelmente - comentou Mione - s com uma alma de bruxo, ou melhor, parte de alma, para ela poder viver assim,
tanto tempo.
Ser que a Nagini era o horcruxe principal? Isso explicaria a preocupao de Voldemort com ela. Mas pelo que Harry
sabia, a serpente estava prestes a morrer.
Ele virou-se para Hermione e perguntou:
- Durante as conversas com Dumbledore ele disse alguma coisa sobre os horcruxes poderem ser feitos com criaturas
vivas? - questionou Mione.
- Falou sim, mas disse que  muito arriscado. - respondeu Harry. - Ser que naquelas anotaes que voc encontrou em
rnico, Mione, no tinha nada falando sobre isso com mais detalhes?
- No sei, no tive tempo de trabalhar nelas depois que a gente fugiu - respondeu a garota.
- Hermione, precisamos saber disso logo. Tente terminar a traduo ainda hoje. Ns cuidamos da comida. - pediu
Harry.
A garota adorou a idia de poder sair da cozinha e se dedicar ao que ela mais gostava de fazer: estudar. Subiu para seu
quarto, pegou suas coisas e voltou para a sala pra trabalhar perto da lareira.
A noite j subia no cu quando Mione terminou a traduo. Ela se espreguiou e olhou satisfeita para as anotaes.
Reuniu tudo em ordem e foi para a cozinha atrs de um chocolate quente. Era um timo meio de ser recompensada,
pensou ela.
Ela mal conseguiu entrar na cozinha tamanha era a ansiedade dos amigos.
- Conseguiu? - perguntou Rony aflito.
- Foi difcil? - quis saber Gina.
- Anda, Mione, fala, por favor - implorou Harry.
- Calma - disse Mione - s falo quando algum me trouxer um chocolate quente.
Rony serviu a namorada o mais rpido que pode.
Ela tomou uma boa parte da xcara e respondeu:
- Voltamos a pista certa!
Eles deram vivas e sentaram em volta da moa para ouvir o que ela tinha descoberto.
- Parece que Dumbledore j tinha pensado na possibilidade de Nagini ser o horcruxe principal. Ela destacou o nome
"cobra" em um canto do papel, mas estava escrito em rnico arcaico. Por isso eu no havia entendido.
Todos ouviam atentos. Era uma pena Lupin ter sado com Tonks, pensou Harry. Ele adoraria ouvir tudo aquilo.
- Dumbledore - continuou ela - mencionou a sobrevida no s de animais usados como horcruxes, mas outros bruxos
tambm. Parece que isso j foi uma prtica comum h algum tempo. Mas tem uma coisa mais interessante.
- Mais interessante que isso tudo? - assustou-se Rony.
- Muito mais - respondeu - Segundo as anotaes, um bruxo pode fazer um horcruxe arcdio, isso significa que ele tira
toda sua alma do corpo e a reparte. No sobra nada dentro do bruxo que fez o feitio. Quando um bruxo que tem um
horcruxe arcdio sofre um ataque muito forte e danifica seu corpo fsico, ele ainda consegue sobreviver. Mas para isso
precisa recuperar uma parte de sua alma.
- Recuperar? Ele teria que destruir uma das horcruxes? - perguntou Harry.
- No, na verdade, ele precisa recuperar essa parte aos poucos, sem destruir o horcruxe. Ele tem que realizar um ritual
especfico, utilizar um objeto de valor que possa conter a poro da alma at que ela chegue ao seu verdadeiro dono.
- Mas ser que Voldemort fez isso? - indagou Rony.
- Fez sim, Rony - respondeu Mione - e posso afirmar de que jeito.
- Ento diga, Mione - pediu Gina, aflita.
- Ele bebeu a prpria alma. Era isso que Rabicho "ordenhava" de Nagini. Era para isso que ele queria a taa da
Lufa-Lufa: para recolher as pores de sua alma.
Era uma idia mirabolante demais para ser verdade. Mas at ento todas as coisas que aconteceram eram bem
improvveis. Eles decidiram que o melhor a fazer era aguardar Lupin e contar a ele as novas descobertas.
Gina sentiu o sono bater. No havia dormido nada na noite anterior. Neville lhe preparou um ch calmante, ela tomou
tudo e foi se deitar.
Mione tambm estava cansada. Subiu para o quarto logo depois de Gina. Mas antes passou para ver Percy junto com
Rony.
Neville foi levar os remdios de Quim e tambm ia se deitar em seguida.
S Harry permaneceu na sala. Queria esperar por Lupin ali. Enrolou-se em uma coberta e sentou numa poltrona
prxima  lareira. O calor aconchegante do fogo fez seus msculos relaxarem e, mesmo sem querer, ele adormeceu.
No sentia dor, no via nenhum perigo. Estava numa sala de paredes brancas, mveis simples e uma porta de madeira
clara. Parecia o quarto de um precrio hospital. Sem saber o porqu, Harry se sentou na cama e ficou esperando.
Pouco depois, uma pessoa de vestes azuis escuras entrou pela porta. Harry sentiu um dio enorme invadir seu corao
quando percebeu que aquele homem era seu antigo professor de Poes.
Ele procurou sua varinha, mas estava completamente desarmado. Snape olhava para ele com aquela cara de nojo que
fazia Harry odi-lo ainda mais.
- Escute bem, Potter - comeou ele - eu no tenho muito tempo e nem muita vontade para lhe explicar as coisas. Ento
s vou dizer uma vez. Voc  um incompetente, Potter.
- Veio aqui pra me xingar? - berrou Harry.
- Fale baixo - ordenou Snape - ou vai acabar sendo descoberto. E dessa vez eu no vou poder fazer nada. Desde aquele
dia estou sem varinha. E sim, voc  um grande incompetente. Nunca fez nada sozinho! Sempre teve ajuda de vrias
pessoas. Ento, por um momento apenas, reconhea essa ajuda. Voc no tem a capacidade que aquela sangue-ruim da
Granger tem. Ento fique feliz dela entender mais sobre Dumbledore do que voc.
Harry no acreditou como aquele homem tinha a audcia de pronunciar o nome de Dumbledore, assim, com a maior
naturalidade. Ia retrucar, mas antes que conseguisse abrir a boca, Snape falou:
- Agora v, anda, suma daqui antes que algum aparea!
Harry acordou suando frio. Outro pesadelo. Mas aquele no o fizera sentir medo, s raiva. Ele tinha a estranha sensao
de que a conversa tinha sido real.
Mais tarde Harry contaria a Lupin as descobertas de Mione e descobriria que o ex-professor de Defesa Contra as Artes
das Trevas concordava com Snape.
- 25 -
Remdios para todos os males
Harry acordou cedo no dia seguinte. Trocou de roupa e estava decidido a terminar de desvendar a histria dos horcruxes
o mais rpido possvel. Falaria com os amigos e eles sairiam imediatamente atrs da Fortaleza. A idia de que
Voldemort pudesse ter feito um horcruxe arcdio os deixava sem saber onde estaria a stima parte da alma dele.
Abriu a porta do quarto e deu de cara com o Sr Weasley parado no corredor.
- Ah, Harry, que bom que acordou! Estava mesmo esperando por voc - disse Arthur.
- Bom dia! Me esperando para qu?
-  que h dois dias uma pessoa me procurou e disse que havia recebido um convite seu. Eu disse que ia averiguar e
depois daria resposta. Mas ontem foi complicado falar com voc e eu achei melhor falar agora.
- Que pessoa?
- A Madame Pomfrey. Disse que a av do Longbottom a procurou em seu nome.
- Ah,  verdade, quase me esqueci disso! Eu pedi que ela viesse nos ajudar com os feridos.
- , mas voc precisa falar com ela. Seno ela no vai conseguir encontrar a casa.
- Pode deixar, Sr Weasley. Traga ela aqui antes do almoo. Eu estarei l fora esperando por vocs.
Arthur Weasley saiu para se encontrar com Madame Pomfrey, a responsvel pela enfermaria de Hogwarts. Agora que a
escola estava fechada, ela no tinha trabalho.
A idia de trabalhar com Potter para curar algumas pessoas era interessante. Com certeza Potter estaria lutando contra a
fora das trevas e ela faria qualquer coisa para ajud-lo a vencer essa guerra.
Pouco antes do almoo, Harry se agasalhou e foi para a porta da frente. Andou alguns passos e parou  espera do Sr
Weasley. Aquela pequena pracinha o fez lembrar da vez em que Sirius o acompanhou at a estao de Kings Cross. O
grande cachorro preto corria atrs de passarinhos, pulava, fingia querer morder o prprio rabo. Foi naquele mesmo dia
que Sirius deu a Harry o espelho, que serviria para eles se comunicarem.
O espelho - pensou Harry - ele ainda tinha o espelho que ganhou do padrinho. E o outro espelho deveria estar na casa.
Talvez fosse til agora. Mais tarde ele o procuraria. Teria que revistar o "quarto" que fora do Monstro e o sto da casa.
Harry olhou para a esquina e avistou o homem de cabelos vermelhos, acompanhado de uma senhora, que trajava um
vestido roxo rendado, um chapu pontudo cinza chumbo e sapatos verde-musgo. A reconheceu imediatamente.
- Madame Pomfrey! - exclamou o garoto.
- Potter, que bom rev-lo, e inteiro! - respondeu a bruxa - Espero que todos tambm estejam bem, especialmente
Minerva.
O comentrio fez Harry engolir em seco. A diretora de Hogwarts havia sumido durante a festa de Dia das Bruxas e eles
no se preocuparam em procurar por ela.
- Infelizmente - interveio o Sr Weasley - Minerva no est conosco. H um grupo de aurores procurando por ela, mas
ainda no tivemos nenhum sinal. Mas deixemos as novidades para depois. Agora Harry precisa lhe explicar como chegar
ao nosso quartel-general.
Harry imediatamente deus as instrues e Madame Pomfrey ficou encantada ao ver a casa n 12 do Largo Grimmauld
surgir em sua frente.
- Sempre soube desses feitios, mas devo confessar - disse a bruxa ainda admirada - que esta  a primeira vez que vejo
um de verdade.
Eles entraram e logo todos da casa vieram cumprimentar Madame Pomfrey. Arthur tratou de deix-la a par de tudo que
estava acontecendo na casa.
- Bem, acho que tenho muito trabalho aqui. Preciso de um lugar para deixar minhas coisas, tomar um banho e me
trocar. No posso cuidar de ningum depois de quase trs horas de viagem numa vassoura. O ar desse pas est cada vez
mais sujo.
Molly indicou um quarto para Madame Pomfrey e em menos de meia hora ela j estava de volta, trajando seu uniforme
branco.
- No quer fazer um lanche primeiro? - perguntou Mione.
- No minha cara, primeiro preciso ver os doentes e ver como vocs esto tratando deles. Se o Longbottom puder me
acompanhar ser melhor, soube que ele tem adiantado o meu servio para mim.
Neville seguiu a bruxa em todas as visitas. Ela ficou impressionada com o tratamento que ele aplicou a Draco Malfoy.
- Realmente, Sr Malfoy - disse ao pai do garoto - Eu no poderia ter feito melhor. A minha nica contribuio ser
uma poo que deve ser misturada a gua para que Draco volte a ficar consciente.
Com os outros pacientes no foi diferente. Ela demorou um bom tempo com Quim Shackebolt. O auror havia sido
atingido por vrios feitios e, apesar de estar acordado e consciente, no conseguia falar. Ela ministrou algumas poes
que tinha levado de casa e logo alguns sons saram da boca de Quim.
- Ainda vamos precisar de mais alguns remdios que o jovem Longbottom vai me ajudar a preparar, Shackelbolt, mas
tenho certeza que at amanh, na hora do almoo, voc vai conseguir falar. E esses ossos tambm estaro inteiros.
Mas a parte mais dolorosa sem dvida foi cuidar do jovem Percy. Foi preciso tirar Molly do quarto para aplicar a
primeira dose do remdio.
Percy gemia alto, e se sua boca no estivesse to deformada ele teria gritado. Sua pele comeava a encolher, os ossos
tentavam voltar para seus devidos lugares e isso parecia muito assustador.
Madame Pomfrey disse que foi uma sorte Harry ter lido o pronturio e informado a poo que ele estava tomando. O
tratamento seria muito violento e Percy com certeza sentiria muita dor.
- Vai ser preciso que ele tome duas doses da poo. A dose de amanh vai ser mais forte e assim que fizer o efeito ele
j poder se levantar e fazer tudo normalmente. Ainda bem que Neville fez a poo para a pele amaciar. Se ela
continuasse rgida, as dores seriam muito piores.
Aquela era uma verdade incontestvel, Neville se mostrava cada dia mais habilidoso com os doentes e os preparados de
remdios. Mas o que mais espantava a todos era a dedicao especial que ele prestava aos Malfoy. Todos sabiam que
Neville e Draco nunca se entenderam na escola, e o menino loiro fazia questo de provocar Neville fazendo insinuaes
maldosas sobre as baixas aptides mgicas e sobre o estado de sade dos pais do garoto.
Foi Gina quem decidiu conversar com o jovem bruxo a respeito do assunto, aproveitando aquela tarde de pouco
movimento na casa.
- E ento, Neville? Tem notcias da Luna? - perguntou para puxar conversa.
- Sim, ela me escreveu dizendo que ia fazer uma viagem com o pai at um lugar de nome esquisito, no lembro direito.
Deve voltar na prxima semana.
- Ah, e vocs esto bem?
- Muito bem, a Luna me entende, sabe? E me ajuda muito com vrias coisas - disse pensativo.
- Voc est diferente, Neville. Sua postura, seu jeito... - disse Gina.
-  por causa do Malfoy que voc est dizendo isso?
- ,  sim. Todos tm comentado o quanto voc amadureceu.
O jovem a olhou por um instante e por fim respondeu:
- Os dois ltimos anos foram decisivos pra mim, Gina. Eu parei de ter vergonha dos meus pais, ou de quem eu era.
Percebi que foi essa vergonha que fez Voc-sabe-quem ser o que  hoje. E fez Snape ser o que .
- Foi Luna quem lhe mostrou isso? - perguntou incrdula.
- Em parte. Uma pouco ela, outro tanto Dumbledore e mais uma parte vocs. Hoje eu tenho orgulho de ver que meus
pais esto do jeito que esto por lutaram pelo que acharam certo.
- E quanto aos Malfoy? Por que tudo isso, toda essa ateno?
- No sei. A princpio eu pensei em me vingar. Depois quando vi Draco daquele jeito, quase morto, e o pai quase
enlouquecendo... Eu pensei que Draco no tinha mais ningum. E precisava do pai firme, ao lado dele. Eu tive minha
av pra cuidar de mim, n?
Gina olhou com muita admirao para aquele rapaz ali. Um verdadeiro bruxo, pensou.
- Voc vai ser um timo medibruxo, Neville.
-  o que eu espero - respondeu com um sorriso tranqilo.
Enquanto os dois continuavam a conversar na sala, Harry aproveitou que Mione tinha ido fazer companhia a Rony no
quarto de Percy e arrombou a portinhola que dava para o antigo "quarto" de Monstro.
O lugar estava sujo e cheio de teias de aranhas e outros insetos. Havia muitas quinquilharias. O rapaz pegou um enorme
saco de lixo preto e comeou a tirar tudo dali. Nem perdeu tempo olhando as coisas guardadas. Apenas colocava tudo no
saco. Depois, com calma e ajuda dos amigos ia ver o que Monstro considerava importante.
- Harry? - chamou Mione.
O rapaz levou um susto e bateu com a cabea na parede.
- Mione, que susto! Isso  jeito de chegar?
- O que voc est fazendo a?
- Eu no encontrei o espelho do Sirius no quarto dele. Ento vim ver se esto com as coisas do Monstro.
- Voc no devia...
- Devia sim! Essas coisas no so dele e agora ele est bem longe, ainda em Hogwarts eu espero!
A moa no respondeu. Suspirou aborrecida e continuou olhando para Harry.
- Pronto, terminei! Agora se quiser me ajudar, vou gostar muito!
- Ajudar em qu? - perguntou ainda contrariada.
- Eu vou l pro sto, onde Bicuo ficava escondido, dar uma olhada com calma nessas coisas. Se quiser vir...
Ela pensou um pouco e por fim disse:
- Est bem, mas s se voc me prometer que depois de olhar e separar o que  importante vai colocar o resto no mesmo
lugar.
- Eu prometo, Mione. Agora v chamar Rony, Gina e Neville pra mim, por favor!
Em cinco minutos os amigos estavam reunidos no sto. Havia mais uns dois sacos grandes cheios de coisas velhas.
- Foi da faxina que ns fizemos, lembram? Sirius no teve tempo de... de tirar tudo daqui.
Eles comearam a revistar os sacos com cuidado. Hermione lembrou que eles separaram muitas peas de cristal e vidro
que poderiam se quebrar.
Aos poucos os cinco jovens bruxos comearam a formar uma pilha de talheres velhos, pentes de prata, pergaminhos
rabiscados. Foi Rony que achou um objeto que valia a pena.
- Olha isso, cara - falou Rony para Harry.
Harry largou o que estava fazendo e pegou um caderno muito velho das mos do amigo. Era um dirio.
- Est em branco? - perguntou Gina, que ainda sofria com as lembranas do dirio de Tom.
- No, tem muita coisa escrita. Parece que  de algum bem jovem, mas essa no  a letra do Sirius.
- Deve ser daquele irmo dele. Aquele que Tom matou pessoalmente - argumentou Mione.
- Vamos ler - sugeriu Gina.
Harry se sentou do jeito mais confortvel que conseguiria naquele lugar e comeou a ler em voz alta para os amigos.
No dirio havia passagens do jovem Rgulos em Hogwarts, como era viver na Sonserina, enquanto seu irmo estava na
Grifinria. Ele revelava ter inveja da determinao de Sirius, da capacidade que ele tinha para desafiar os pais. Ele
assumia ser fraco demais para ir contra sua famlia. Se esforava ao mximo para ser admirado pelos seus, j que no
colgio o brilho de Sirius o ofuscava. Apesar de tudo isso, ele ainda admirava a postura do irmo. Especialmente quando
ele saiu de casa.
Harry continuava a leitura enquanto os amigos prestavam cada vez mais ateno. Eles repararam como o estilo da
narrativa mudava. To submissa no comeo, agora assumia um carter violento e revoltado. Rgulos no mencionava
nomes, apenas dizia que ia tomar uma atitude. Que ia surpreender a todos. E que ele ia se arrepender.
- De quem ser que ele est falando, Harry? - perguntou Gina.
- Ser que  de Sirius? - sugeriu Rony.
- No sei... pelas fotos que j vi, parece que eles se davam bem. Pelo menos at Sirius sair de casa.
- Continue - pediu Neville.
Harry concordou e retomou a leitura. Parecia que lia a mesma pgina diversas vezes, to repetitiva eram as palavras.
At que chegou numa parte realmente interessante.
"At agora no sei como consegui! Minha me ficou uma fera quando soube. Me proibiu de sair de casa, como se fosse
adiantar alguma coisa. Escondeu aquele negcio em um lugar que nem eu sei onde , mas tenho certeza que foi por
causa disso que ela passou a tarde inteira lanando feitios nas paredes e nos objetos.
Nunca vou esquecer a cara que ela fez quando eu cheguei em casa e mostrei o meu trofu! Agora o que Sirius faz
deixou de ter importncia. Eu escrevi uma carta para ele contando. Acho que isso vai ser o tipo de coisa que vai deix-lo
orgulhoso e provar que ele estava errado quando conversamos pela ltima vez. Amanh mando uma coruja para ele."
Ningum falou nada. S os passos no andar debaixo  que se faziam ouvir.
- Qual  mesmo a data? - perguntou Mione, quebrando o silncio, enquanto tirava o caderno das mos de Harry.
Assim que olhou a anotao no cabealho, comentou em voz baixa:
- Isso foi na vspera da morte dele.
Todos olharam imediatamente para o rosto da garota.
- Como voc sabe isso? - quis saber Harry.
- Foi na faxina, encontramos um livro que registrava a histria de cada membro da famlia, j que a tapearia s
apresentava os nomes e no as datas de nascimento ou morte.
- Onde est esse livro? Vocs jogaram fora?
- No, ficou l na sala, na estante prxima a lareira.
Antes que algum pudesse fazer alguma coisa, Harry saiu correndo do sto. Desceu at a sala e abriu a estante para
procurar o livro. Sua obstinao era to grande que nem reparou no bicho-papo que saiu do mvel. Harry apenas
empunhou a varinha e falou Ridikulus, e o bicho correu a se esconder em outro canto escuro da casa.
No foi difcil encontrar o livro, j que havia pouqussimos na estante. Em seguida voltou ao sto e encontrou os
amigos ainda perplexos com a atitude do rapaz.
- Vamos ver isso direito - disse procurando pelo nome de Rgulos.
Eles repararam que os Black no eram muito originais. Havia mais de 6 Rgulos na famlia. Finalmente, eles
encontraram o certo pela data da morte. Hermione estava certa. A ltima pgina do dirio foi escrita um dia antes dele
ser assassinado por Voldemort.
- O que voc acha? - perguntou Rony.
-  bvio, no  mesmo? Olha o nome dele: Rgulos Arcthurus Black. R.A.B. S pode ser. Ele fez alguma coisa que
desagradou imensamente Voldemort. Ele diz isso no dirio, chama alguma coisa de trofu. Alguma coisa realmente
perigosa, para fazer aquela bruxa azeda da me esconder e lanar feitios na casa inteira.
- Mas parece que ela no gostou muito do que ele fez. Olha o que est escrito aqui ao lado do nome dele:
Rgulos Archthurus Black assassinado por trair suas razes. Teve justa punio.
- Ta explicado porque seu padrinho odiava essa famlia - disse Rony.
Mas Harry j no prestava mais ateno. Vasculhava o resto das coisas com pressa. Queria o espelho do padrinho e
depois procuraria um jeito de encontrar o que a me de Sirius escondeu e confirmar se foi mesmo Rgulos quem
encontrou o horcruxe antes dele e de Dumbledore.
No adiantou muito procurar, pois o espelho no estava ali. Ser que Monstro o destruiu? No seria possvel. Se ele
destrusse qualquer coisa de seu senhor teria que se punir severamente e Harry no se lembrava de Monstro ter se
machucado.
- Acho melhor a gente descer para comer e depois continuamos a procurar - sugeriu Neville.
Todos concordaram, mas Harry disse:
- Podem ir na frente. Eu vou em seguida.
Harry pegou o dirio novamente e voltou a ler. No que suspeitasse de alguma coisa, mas havia passagens sobre seu
padrinho e assim ele sentia Sirius por perto outra vez. Ficou ainda meia hora no sto, quando reparou em um trecho
engraado:
Ele sempre faz dessas coisas. Outra vez conseguiu deixar a mame irritada e, como sempre, eu fui para o castigo junto
com ele. Ele tem o dom de provocar confuso. No precisa derrubar uma bandeja inteira com torta caramelada em cima
do vestido da Sr Hallter. Foi engraado, mas foi a gota d'gua pra ela. Vamos passar o resto da semana sem sair do
quarto e sem comer (pelo menos ela acha que vai deixar a gente sem comer).
Desde o ltimo castigo que ele deixou tudo guardado no alapo. S espero que ela no descubra.
Alapo... Ser que existia um alapo no quarto dos garotos? Harry desceu e foi procurar, mas no encontrou nada
parecido com isso.
Totalmente frustrado, foi at cozinha onde quase todos estavam  mesa jantando. Percy havia levantado e o ar na
cozinha era de comemorao. Apenas Lucius, Draco e Quim ainda estavam de cama.
A Sr Weasley caprichou no jantar e serviu presunto com molho de abacaxi, frango recheado, arroz de forno e torta de
legumes. A sobremesa foi founde de chocolate com frutas e bolos e todos foram para a sala da lareira para saborear a
iguaria.
Harry chamou Mione a um canto e perguntou:
- Voc conhece algum feitio para revelar alapes ou passagens secretas?
- Conheo, um bem fcil. Por qu?
- Porque eu acredito que tenha um no quarto do... no meu quarto.
A garota pegou sua varinha e comeou a lanar feitios. Mas nada aconteceu.
Os outros trs vieram ver o que estava acontecendo. Mione explicou e todos tentaram ajudar. Mas definitivamente no
existia nenhum alapo ou passagem secreta naquele quarto.
Quando decidiram descer para conversar com os outros e ver se ainda restava um pouco de founde, Neville esbarrou no
guarda-roupa e derrubou um dos livros de escola de Harry, que estava jogado de qualquer jeito sobre o mvel.
O livro caiu e fez um baque surdo. Neville ia se desculpar, mas os outros quatro mandaram ele se calar.
Rony se ajoelhou e comeou a dar pancadinhas no assoalho. Logo encontrou o ponto exato e pediu alguma coisa fina ou
afiada como uma faca. Eles procuraram entre as coisas e Harry encontrou seu canivete e entregou ao amigo que
comeou a trabalhar.
Ele cutucou por volta de toda madeira, raspando a poeira acumulada entre as tbuas. Pouco depois, a tbua rangeu e
Rony achou. O alapo era apenas uma tbua solta, usada pelos irmos Black para esconder suas coisas.
Harry se ajoelhou perto do buraco e comeou a tirar coisas de dentro. Tirou um pedao de brinquedo, um resto de bolo
embolorado e duro, algumas revistas em quadrinho bruxas e finalmente uma caixinha preta.
Colocou a caixinha sobre a cama e abriu. Havia um pergaminho bem velho e um objeto embrulhado em pano preto e
pudo. Harry olhou os amigos e desembrulhou, cuidadosamente, o objeto.
Ali, sobre a cama, os cinco jovens bruxos puderam contemplar o verdadeiro Medalho de Slytherin. Estava trincado ao
meio, mas ainda revelava a serpente em sua superfcie.
Ningum teve coragem de colocar as mos no medalho e Harry tornou a envolv-lo com o pano. Com um sorriso e
quem cumpre uma parte da misso, pegou o pergaminho e ia comear a ler, quando foram interrompidos pelo Sr
Weasley que trazia um recado de Percy. Ele queria falar com Harry, a ss.
Percy e Harry foram conversar no quarto que o primeiro ocupava. Ainda com um pouco de dificuldade, Percy sentou na
cama e pediu que Harry se sentasse ali perto. Depois que estavam acomodados, o jovem Weasley comeou:
- Acho que voc precisa saber por qu a Umbridge fez isso comigo.
Harry no respondeu. Era melhor que Percy falasse tudo de uma vez, sem interrupes.
- Foi no dia seguinte ao que voc e Rony estiveram no Ministrio. Um grupo de Comensais invadiu a sala dela e
comeou a pedir explicaes. Parece que ela se desentendeu com Belatriz Lestrange, acusou-a de mentir para o
Voc-sabe-quem, gritou que o "fantasma do menino Weasley" tinha avisado para ela que Belatriz no era digna da
posio que ocupava.
Harry queria rir, mas aquele no era o momento apropriado.
- Ento - continuou Percy - um dos comensais comeou a rir na cara dela. Disse que estava ficando louca, que nenhum
dos Weasley tinha morrido. Ela no acreditou, disse que tinha matado o Rony, a mando
Daquele-que-no-deve-ser-nomeado. Ento mostraram a nota do Profeta que falava do suposto seqestro de vocs. Ela
viu a data do jornal, somou dois mais dois e veio para cima de mim.
Harry reparou que o jovem tremia ao se lembrar dos acontecimentos.
- Escute - disse para Percy - se no quiser falar disso agora...
- No, eu preciso - interrompeu-o Percy - eu preciso te contar outras coisas. Ela veio para cima de mim. Eu estava no
corredor, j estava quase de sada do Ministrio quando senti uma dor alucinante e percebi que ela estava me torturando
com uma das maldies imperdoveis. Ela berrava de dio e eu de dor. Ainda consegui ouvir quando ela falou qualquer
coisa sobre ter Minerva como trunfo, presa em algum lugar de sua casa. Mas logo um grupo de aurores chegou e
comeou o verdadeiro tumulto. Assim que ela foi desarmada eu desmaiei.
- E voc se lembra de como foi parar l no laboratrio?
- No... suponho que o nmero de comensais era maior que o de aurores e um deles me levou a mando dela. O que sei 
que ela est com a professora McGonagal, Harry.
- 26 -
O plano de resgate
Mais uma vez, pensou Harry, os planos tomavam rumo diferente. At agora ele no tinha feito quase nada do que tinha
planejado com Rony, Gina e Hermione. Sabia que precisava salvar a diretora das mos de Umbridge, mas pensava, com
tristeza, que teria que deixar o confronto com Voldemort para mais tarde e isso daria tempo do inimigo se fortalecer
cada vez mais.
Prometeu a Percy que encontraria uma maneira de tirar McGonagal do cativeiro, mas primeiro precisava conversar com
os amigos. Voltou para seu quarto e ainda encontrou todos, menos Neville que precisou ajudar Madame Pomfrey, a sua
espera.
- E a? - perguntou Rony.
Harry contou tudo aos amigos, que concordaram em resgatar a diretora antes de continuar com o plano.
- Agora voc precisa ler isto, Harry - disse Gina enquanto entregava o velho pergaminho para o rapaz.
Ele pegou o pedao de papel da mo da garota. Surpreso de que nenhum dos amigos tivesse lido.
- Isso  seu, cara - disse Rony -  voc que tem que ler.
Harry desenrolou lentamente o pergaminho e identificou a mesma letra que estava no dirio lido algumas horas antes.
Era uma carta que Rgulos escreveu para Sirius.
Sirius,
Eu sei que voc sempre me disse para tentar ser diferente. Para tentar fazer como voc, peitar a mame e o resto da
famlia e me tornar um bruxo de carter.
Hoje eu fiz uma coisa que com certeza o deixar orgulhoso. Eu descobri a fraqueza dele.
No sei ao certo como, mas descobri que ele se dividiu em vrias partes, meu irmo. Uma das partes eu mesmo ajudei a
esconder. S depois  que tive noo do que estava fazendo. Mas a j era tarde demais.
Essa diviso permite que ele continue vivo, como se fosse imortal. Eu vou tentar voltar l. Mas no sei se vou conseguir.
Avise Dumbledore. Ele precisa saber disso.
R.A.B.
Abaixo da assinatura havia uma data, mas aquela no era a carta que Rgulos escrevera um dia antes de morrer. Era
uma carta mais antiga.
- Faz sentido - comentou Mione - se Sirius tivesse recebido a carta em que seu irmo contava ter destrudo o
medalho, Dumbledore no teria ido atrs dele.
- Algum impediu Rgulos de mandar a carta - sups Rony.
- Algum ou alguma coisa - comentou Gina com ar de desconfiada, enquanto lanava um olhar significativo para
Harry.
O rapaz entendeu imediatamente e, em pensamento, ordenou que Monstro voltasse imediatamente  casa dos Black.
Um instante depois eles ouviram o barulho caracterstico de um elfo aparatando e Monstro se curvava diante de Harry
fazendo uma reverncia horrorosa enquanto xingava o novo senhor.
- Muito bem, Monstro - disse Harry com voz zangada - quero saber onde voc escondeu a carta que Rgulos mandaria
para Sirius.
Monstro fez cara de desentendido. Olhou para Harry e respondeu:
- No sei do que fala, senhor. Monstro no sabe de carta, monstro nem sabe ler. O menino Rgulos, aquele traidor,
Monstro tambm no suporta ele, no suporta traidores...
Ele teria continuado suas lamrias se Harry no gritasse:
- Chega, Monstro! Daqui pra frente trate de me obedecer, se no mando voc para a casa de uma famlia trouxa!
A ameaa fez efeito.
- No, senhor, eu imploro! Monstro ser bonzinho daqui pra frente! Antes um mestio do que um trouxa. Monstro faz
tudo que Harry Potter mandar.
- timo! - disse o rapaz com ar de vitorioso - Agora me diga onde escondeu a carta de Rgulos e o espelho que Sirius
usava para falar comigo.
Monstro indicou uma tapearia no corredor em frente ao quarto. Mas ningum conseguia arrast-la ou retir-la da
parede.
- Anda - ordenou ao elfo - pegue a carta para mim.
Monstro obedeceu e puxou a tapearia sem fazer nenhum esforo. Retirou de l a carta e a varinha que pertencera a
Rgulos e entregou ao seu senhor.
- Onde est o espelho? - perguntou Harry.
- No est com Monstro. Monstro jura, Monstro se queima se estiver mentindo. O espelho, aquele bruxo abortado,
aquele Mundungus roubou o espelho.
Eles se entreolharam. Mundungus havia roubado muita coisa da casa. E agora eles precisavam saber com quem estava o
espelho. Harry teve uma idia.
- Monstro, no quero que saia da casa nem que fale com ningum alm de mim. Voc s poder se comunicar comigo,
e isso  uma ordem, fui claro? Agora, j que voc consegue mover essas tapearias, quero que tire todas das paredes da
casa, e todos os quadros tambm.
Monstro tremeu! Para ele aquilo era uma ofensa  memria de seus antigos senhores.
- E tem mais - ajuntou Harry - guarde tudo no sto. E se fizer tudo direito poder viver l em cima com as tapearias,
quadros e outros objetos antigos da casa.
- O senhor  muito generoso, senhor. Monstro no gosta de Potter, mas far tudo direito para poder terminar sua vida
com os pertences da famlia Black.
- Ah, e tire aquelas cabeas dos seus parentes tambm l do corredor.
Deixaram Monstro ocupado com seus afazeres e foram para a sala. J era muito tarde e apenas Lupin permanecia
acordado.
- O que fazem aqui? J deveriam estar na cama.
Em poucas palavras, Gina contou tudo ao professor. Explicou que tinham encontrado o verdadeiro medalho e agora
iriam ler a carta que Rgulos escreveu para Sirius, mas no teve tempo de mandar.
- Posso? - perguntou indicando o pergaminho amarelado e sujo que estava nas mos de Harry.
O jovem assentiu com a cabea e entregou a carta ao ex-professor. Harry estava com milhes de idias na cabea para
conseguir ler alguma coisa. Ento se sentou perto do fogo, abraado a Gina e ouviu o que Lupin dizia.
Basicamente, a carta apenas confirmava a suspeita de todos. Rgulos tinha voltado ao esconderijo, pegado a horcruxe,
destrudo e colocado uma falsa no lugar. O que ningum sabia at ento  como ele teria conseguido atravessar todos os
encantamentos que Voldemort colocara para proteger aquele pedao de sua alma.
Se Dumbledore sofreu para conseguir, e era um dos maiores bruxos de todos os tempos, Rgulos teria morrido s para
descer a encosta.
A novidade nas informaes  que Rgulos no tinha feito tudo sozinho. Ele apenas mostrou o local e executou o feitio
que quebrou o medalho. Quem trocou os objetos foi Pedro Pettigrew.
- O qu? - perguntaram todos ao mesmo tempo.
- Pelo que diz aqui, Rgulos dominou Rabicho com a maldio Imperius e o forou a se transformar em rato e entrar na
caverna. Como vocs devem saber, um animago, quando assume sua forma de animal, no deixa rastros de magia e pode
atravessar qualquer feitio de proteo.
-  mesmo, a Rita Skeeter fazia isso para entrar em Hogwarts, mesmo depois de ser proibida de chegar perto da escola.
Eles comearam a fazer especulaes sobre o que teria acontecido depois e como Rgulos quebrara o medalho. Harry
continuava calado, observando a varinha do irmo de seu padrinho. Sem ningum perceber, Harry apontou para um
quadro particularmente feio de um tio-av de Sirius e fez um leve movimento. A varinha lanou um raio verde muito
forte que partiu o quadro ao meio, fazendo o velho que j estava dormindo, sair aos berros para outro quadro.
Todos olharam assustados para Harry e ele respondeu com naturalidade:
- Ele usou o Avada Kedavra pra destruir o medalho.
Diante da cara de espanto de seus amigos que no mudava ele completou:
- A gente precisava saber o que deu certo para repetir quando encontrarmos os outros dois, a usei o Priori Encantatem.
- O Harry tem razo - disse Lupin - agora preciso ajudar vocs a bolar um plano eficiente e seguro para resgatar
Minerva. Vou pedir a Tonks para ir com vocs.
- Voc no vai com a gente? - perguntou Rony.
- Infelizmente, no! Amanh  Lua Cheia e vou para um lugar bem afastado daqui! - respondeu melanclico o
ex-professor.
Eles ficaram um bom tempo resolvendo a melhor maneira de salvar a ex-diretora de Hogwarts. Chegaram a concluso
que o melhor seria verificar onde Dolores Umbridge morava e se haviam comensais montando guarda em frente a casa.
Pegariam o endereo com Percy e sairiam em seguida, acompanhados por Tonks para fazer uma vistoria na regio da
casa de Umbridge.
Eles foram arrumar as coisas para a misso e descansar. Ao subir para o quarto Harry reparou que no havia mais
nenhum quadro ou tapearia pelo corredor nem em seu quarto de dormir. Monstro tinha feito um bom trabalho.
- Monstro, venha c - chamou Harry.
O elfo atendeu prontamente, desta vez resmungando mais baixo que da primeira.
- Gostei do seu servio, pode ficar com todas as tapearias no seu quarto novo no sto. Mas no quero que saia dessa
casa, nem que fale com ningum ou insulte qualquer um dos meus convidados. E ajude a Sr Weasley se ela precisar de
voc.
- Como quiser, senhor, Monstro ajuda bruxa traidora do sangue com muita honra - respondeu com uma de suas
exageradas reverncias.
- Ah, e amanh quero que cuide do resto das tapearias, em especial da sala da frente. Vou pedir que o Sr Weasley
arrume tintas e voc pode pintar aquelas paredes. Pode usar mgica, mas faa direito, ou j sabe para onde vai ser
mandado. Agora v descansar!
Monstro estremeceu e disse que faria tudo enquanto subia para o sto.
- Se Mione visse o jeito que falou com ele - disse Rony enquanto entravam no quarto que agora parecia bem mais
limpo que antes.
Eles acordaram com barulho de falatrio no andar de baixo. Apressaram em se vestir e desceram tentando imaginar o
que teria dado errado desta vez.
Rony chegou primeiro ao ltimo degrau e estancou. Harry vinha logo atrs e no conseguiu parar a tempo. Chocou-se
ao corpo parado de Rony e os dois foram para o cho. O barulho do tombo chamou a ateno dos demais que ao olharem
a cena comearam a rir.
Pelo som das risadas Harry percebeu que no teria uma m notcia. Saiu de cima do amigo, ainda sem graa, e avistou
Gina que estava abraada a um rapaz alto, de cabelos compridos. Ao lado deles uma bela moa, de longos cabelos loiros
estava parada.
- Gui, Fleur - comeou Rony - que horas chegaram?
- Agorra mesmo - respondeu a meia-veela, e todos repararam em quanto seu sotaque havia diminudo - querriamos
fazer uma surrpresa.
- E fizeram mesmo - disse alegra a Sr Weasley - agora s faltam Fred e Jorge para a famlia ficar completa.
- E voc, Harry? - perguntou Gui - como tem passado? Precisa visitar a nossa casa. Est linda. E fica pertinho da Toca.
- Eu vou, assim que tudo estiver mais tranqilo, prometo que vou visit-los - respondeu o rapaz com um sorriso.
Gina soltou o irmo e foi ficar com Harry. Todos se dirigiram para a cozinha para tomar um bom caf da manh. A
conversa fluiu animada. At Percy estava falando melhor. De todos os hspedes daquela casa, s Lucius e Draco no
estavam na cozinha.
Eles teriam passado o dia inteiro conversando se Gui no tivesse pedido notcias de Hagrid e de Minerva.
- Hagrid - respondeu Sr Weasley - est protegendo o castelo, junto com o irmo gigante dele. Agora Minerva ainda
no foi encontrada.
Os meninos se entreolharam. Harry chamou Percy a um lado e perguntou onde fica a casa de Umbridge. Percy explicou
que a casa da ex-ministra fica em uma fazenda, bem distante do centro de Londres.  uma casa muito antiga e pertenceu
a uma famlia de sobrenome Olliver.
Percy prometeu que iria ajudar de alguma forma. Fingiu no se sentir bem e os pais o ajudaram a subir. Enquanto isso,
Harry fez sinal aos outros para que sassem. Ele s no esperava que Gui estivesse prestando ateno.
- Posso saber aonde vo? - perguntou entrando na frente da comitiva.
- Vamos dar um passeio - mentiu Gina.
- E para um simples passeio precisam de vassouras, mochilas e a companhia de uma auror?
- Est bem - disse Rony contrariado - vamos procurar a professora McGonagal. Ela est de refm na casa da Umbridge
e a gente vai descobrir um jeito de tir-la de l.
- Vocs vo at a casa de uma comensal assumida, que torturou Harry, quase matou Hermione, Rony e Percy assim?
- Assim como? - questionou Tonks que at ento estivera calada - Eles no esto sozinhos, esto comigo.
- No  disso que estou falando. O que quero dizer  que ningum ia me convidar?
- Mas e a Fleur? - perguntou Mione.
- Ah, ela sabe que eu no agento ficar parado. Vim pra c por causa disso mesmo, pra agir. E ela vai ficar bem com a
mame. Ultimamente ela anda meio nervosa, sabe? Desde que um grupo de comensais tentou invadir a casa dos pais
dela. Aqui ela vai ficar bem protegida.
Ele pegou sua vassoura e acompanhou o grupo. No foi preciso muito cuidado para sair de casa ou sair com as
vassouras, j que o inverno chegara bem rigoroso e quase ningum queria sair s ruas.
Voaram por pelo menos quatro horas por causa do mau tempo e da inexperincia de Hermione com vassouras.
Avistaram um povoado, uma vila parada no tempo, como diria Rony mais tarde. Desceram entre algumas rvores,
esconderam as vassouras com um encantamento e foram em direo ao lugarejo.
J estava anoitecendo. Procuraram algum para perguntar, mas pelo visto ningum queria enfrentar a neve que
recomeava a cair. Avistaram uma estalagem e entraram. O lugar no estava de todo vazio, mas no era agradvel. O
dono do bar veio ver o que eles queriam, mas os rapazes se lembraram que no tinham dinheiro trouxa e s perguntaram
onde ficava a casa dos Olliver.
De cara amarrada, o dono respondeu e disse que h anos aquela famlia se mudara dali. Agora uma velha esquisita
cuidava da casa e no gostava de intrusos por l. Eles agradeceram e saram.
Comearam a caminhar em direo a pequena estrada de pedras que levava ao casaro. Antes que alcanassem o p do
morro em que a casa fora construda, Tonks percebeu que havia alguma coisa errada.
Gui j no os acompanhava de perto, tinha parado um pouco atrs. Seu rosto voltado para o alto, contemplando uma
enorme lua cheia que brilhava no cu de inverno. Ela fez sinal aos outros e todos esperaram alguma reao. Mas ele no
se mexia, no cresciam pelos em seu corpo, nem garras em suas mos.
- Ei, Gui - chamou Gina com a voz mais doce que conseguia fazer - sou eu, a Gina.
O rapaz virou a cabea na direo deles. Seus olhos brilhavam tanto, como se a lua cheia estivesse dentro deles. Sorriu,
e revelou dentes fora do tamanho normal.
- Eu sei quem voc . Espero que no tenha esquecido quem eu sou, Gina. No sou um lobisomem. A lua s me deixa
um pouco mais forte e com algumas caractersticas especiais.
Ele comeou a correr e revelou uma agilidade fora dos padres normais. Todos o seguiram, mas ele chegou ao porto
da casa muito antes. No arfava, parecia estar bem disposto e animado.
- Acho que  por isso que tenho vontade de lutar. No contei a ningum, nem Fleur sabe, mas em noites assim, eu
consigo levantar uma rvore sozinho.
- Isso  fantstico, Gui - respondeu Tonks - mas agora precisamos nos concentrar no problema maior: salvar Minerva.
Eles rondaram a casa e no encontraram sinais de nenhum comensal por perto. Jogaram uma pedra pela cerca que
passou sem problemas. Mas a pedra era um objeto inanimado.
Gui saiu da estradinha e logo em seguida voltou com uma cobra.
- Pronto Harry, agora  s pedir a ela para passar pela cerca.
Harry tentou falar com a serpente, mas ela se recusava a atender o pedido. Dizia que no entrava l, que ela s entrava
quando a outra saa.
- Ser que existe outra cobra a dentro? - perguntou Mione.
- Alm da Umbridge? - brincou Harry - O que sei  que precisamos testar se algum objeto mgico pode passar por
cima da cerca.
Tonks puxou sua varinha, encantou um pedregulho e o arremessou. Na mesma hora a pedra levou um choque e voltou
para o mesmo lugar, ainda soltando pequenos raios.
-  - disse a auror - acho que no  seguro.
- Quem sabe se a gente a fizer sair, o encantamento pare - sugeriu Hermione.
-  uma idia interessante, mas o que tiraria a bruxa velha de sua casa numa noite como essa? - questionou Harry.
- Quem sabe cascos de cavalo? - sugeriu Rony - Na floresta ela ficou apavorada com os centauros.
- Ia ser complicado enviar o som at a janela e ela poderia nem ouvir. Tem que ser algo bem grande, que imponha
medo e exija uma certa urgncia.
- A Marca Negra - disse Gui.
Todos olharam para ele. Conjurar uma Marca Negra era algo muito arriscado. Especialmente se tivesse outros
comensais por perto.
- No se preocupem. No h mais ningum aqui. No sinto cheiro de nada humano ou meio-humano alm de ns. Pode
fazer.
Tonks respirou fundo e j ia lanar o feitio quando Harry a interrompeu.
- Espere, no faa isso com a sua varinha. Use esta aqui - disse entregando a varinha que era de Rgulos. - Ela j
pertenceu a um Comensal. Assim voc mantm a sua varinha com magias dignas.
A auror, que hoje tinha um cabelo muito longo e cacheado com mechas verdes, aceitou de bom grado e logo conjurou
um smbolo no ar. Ela no conhecia o feitio da Marca, mas projetou um sinal bem idntico.
- timo - falou Gui - agora precisamos que Tonks seja voluntria mais uma vez.
- Por que ela? - quis saber Hermione.
- Porque ela pode ficar diferente. Vamos fazer um barulho, uma exploso, alguma coisa que chame a ateno da bruxa
velha para a janela. Assim que ela vir a marca ir saber que algum morreu e precisamos de um corpo.
- Tudo bem, eu vou! - disse Tonks. - Mas s se vocs prometerem que vo estupor-la assim que ela chegar perto de
mim.
Promessa feita, Tonks, agora de cabelos loiros, lisos e na altura dos ombros, nariz mais fino e traos bem delicados,
deitou-se sob a Marca.
Hermione, Gina, Harry e Rony, escondidos atrs de arbustos, lanaram vrios feitios ao mesmo tempo em uma nica
rvore fazendo-a explodir.
O silncio do lugar fez o som parecer assombroso e logo a janela se abriu.
O rosto de Umbridge expressava uma mistura de pavor e admirao que a deixava ainda mais feia. Ela fechou a janela,
vestiu um pesado casaco de peles e saiu para checar quem tivera a ousadia de fazer um ataque em suas redondezas sem
convid-la.
O plano era perfeito, ela agora se aproximava do corpo de Tonks. Agachou lentamente para ver o rosto do "morto" e
sem entender porque endureceu e caiu de borco em cima da auror que agora gritava para que tirassem aquele peso de
cima dela.
Hermione saiu feliz com seu desempenho. Fizeram um perfeito Petrificus Totalus silencioso.
Eles levitaram Umbridge e a empurraram para dentro da casa, sempre tomando o cuidado de reforar o feitio de
tempos em tempos.
A casa da ex-ministra conseguia ser to estranha quanto ela. Havia objetos que lembravam uma menininha de 15 anos
misturados com objetos de tortura e livros de magia negra. Os cmodos eram iluminados por velas vermelhas que
flutuavam acima da cabea deles e peles de animais faziam s vezes de tapete. Algumas plantas carnvoras espalhadas
pela casa, enfeitadas com lacinhos coloridos completavam o estilo bizarro daquele lugar.
- Precisamos encontrar a professora. Se conheo bem a Umbridge, ela deve ter uma sala de torturas, um cativeiro ou um
calabouo - disse Harry.
- A casa tem dois andares compridos e um poro. Aparentemente no tem sto. Ento acho melhor nos separarmos... -
ia dizendo Tonks at que Gui a interrompeu.
- No podemos nos separar. Temos que ir todos juntos e levar a velha junto. Eu sinto cheiro de traio saindo junto com
o suor dela.
- Est bem, vamos todos - concordou a auror que agora voltava seus cabelos ao tom rosa habitual.
Eles se dirigiram ao poro. Encontraram a porta trancada e foi a vez de Rony usar sua varinha para abrir a porta. Estava
tudo escuro e quando ele pronunciou Lumus viram um verdadeiro laboratrio, ou melhor, um consultrio mdico.
O poro era todo branco, tinha uma mesa cirrgica no centro e vrios instrumentos que eles j tinham visto no St.
Mungus.  direita da entrada eles viram uma porta mais limpa ainda, com uma janela de vidro ao centro. Harry foi at l
e quando olhou para os amigos eram seus olhos que brilhavam de maneira intensa.
Sem mencionar uma palavra, fez um gesto com sua varinha e a da ex-ministra, que estava escondida entre suas vestes
voou para as mos do garoto. Mais um gesto e Umbridge sentiu um zumbido invadir seus ouvidos.
- Virem essa velha nojenta para l. Ela no pode saber o que quero aqui. J cuidei para que ela no escute, agora
cuidem para que ela no veja.
Dizendo isso, entrou na sala. Pouco depois um claro verde refletiu na janela de vidro.
Todos se sobressaltaram quando a porta tornou a se abrir e Harry saiu de l, ileso.
- O que aconteceu? - perguntou Gina.
- Menos um, agora s faltam trs. - respondeu e fez um sinal para que procurassem a professora em outras salas da
casa.
Ele devolveu a varinha para o bolso de Umbridge e reforou o petrificus de Hermione.
Eles olharam em mais uns cinco cmodos at encontrar uma nova porta trancada. No foi de admirar que um simples
alorromora fosse capaz de abrir. Umbridge no era uma bruxa brilhante. Mas para garantir que no havia nenhuma
armadilha, o corpo duro e flutuante da ex-ministra foi empurrado para dentro antes dos outros entrarem.
Como nada aconteceu, eles foram para dentro e a cena foi no mnimo chocante. Muito mais que a de Draco, j que eles
sabiam o que encontrariam quando fossem resgatar o garoto.
A diretora estava amarrada a parede. Pesadas correntes mgicas a seguravam com braos e pernas separados e sem tocar
o cho. Era como uma sala de tortura medieval, pensou Harry.
As roupas de Minerva estavam muito esfarrapadas e sujas, seu rosto estava mais magro e ela parecia inconsciente. Seus
braos, pernas e seu rosto apresentavam sinais de cortes ainda recentes.
Harry e Gina reconheceram aqueles cortes. Eram parecidos com os que deixaram a mo de Harry cheia de cicatrizes.
Mas o corpo da ex-diretora no tinha sido marcado com a frase "No devo contar mentiras". A inscrio tatuada a fora
em Minerva McGonagal era uma espcie de texto, escrito em rnico antigo.
A vida da diretora corria perigo e eles no se preocuparam em tentar traduzir o que estava escrito. Desfizeram o
encantamento das correntes e Gui pegou a professora no colo.
- E agora? O que a gente faz com ela? - perguntou Tonks.
- Ela precisa ficar viva, ainda no fez tudo o que tinha que fazer - respondeu Rony j do lado de fora da casa.
Gina, Harry e Hermione reconheceram aquele tom de voz do garoto.
- E o que ela tem que fazer, Rony? - perguntou Mione.
-  ela quem vai impedi-lo de provocar um estrago maior. Ela precisa viver.
Os trs fizeram cara de que " melhor obedecer" para Gui e Tonks. Eles se certificaram de que ela ainda ficaria umas
boas 9 ou 10 horas petrificada e saram da casa, trancando a porta por fora.
A noite estava ainda mais fria e eles decidiram que seria perigoso viajar com a professora naquele estado. Decidiram
aparatar. Gui voltaria direto com a professora para o Largo Grimmauld n 12, enquanto o resto pegaria as vassouras e
depois aparataria tambm.
Quando entraram em casa, a diretora j estava sendo medicada pela Madame Pomfrey e por Neville. Todos queriam
saber o que havia acontecido e, aos poucos, eles foram contando toda histria.
Percy pareceu bem melhor depois que viu a diretora viva e a salvo no esconderijo da Ordem. A Sr Weasley ordenou
que eles tomassem uma xcara de chocolate bem quente e fossem se deitar.
Quando chegaram ao quarto tudo estava diferente. A lareira estava acesa, as paredes com cores novas e as roupas de
cama foram trocadas. Harry chamou Monstro e perguntou:
- Voc fez tudo isso?
- Como o senhor Potter mandou, Monstro fez. Monstro cuidou da sala e depois daqui, e como podia usar magia,
Monstro fez mais rpido, senhor mestio Potter.
Os insultos do elfo agora no o incomodavam mais. Ele estava realizando um grande trabalho, s de se livrar de toda
aquela tranqueira que deixava Sirius to infeliz, Harry j ficava contente.
- Ento, Monstro, pode pegar os quadros para o seu quarto tambm.
O elfo guinchou de alegria e deu um sorriso horroroso para Harry.
- Agora v descansar! Amanh continue o servio nos outros quartos.
Rony saiu do banho mais cansado que nunca. Deu boa noite a harry e desmaiou na cama ao lado. Harry tambm tomou
um banho quente, pos seu pijama e foi deitar. Antes de adormecer, pensou que agora sim, aquele lugar ficava com cara
de uma casa, de um lar.
- 27 -
Hogwarts novamente
A manh seguinte chegou sem maiores complicaes. A professora McGonagal, apesar dos cuidados de Madame
Pomfrey, continuava inconsciente. E nenhuma poo ou feitio conseguiam fazer as cicatrizes desaparecerem.
- Menos mal - comentou Hermione - pelo menos vou poder traduzir o que a Umbridge quis escrever no corpo da
diretora.
- Voc vai ter que fazer isso com muito cuidado, Mione - assomou Gina - a professora no  bem um pedao de
pergaminho.
- Eu sei, mas a Madame Pomfrey concordou em me ajudar e hoje a tarde eu vou estar junto dela quando for trocar os
curativos. Mas agora o que mais me interessa  saber o que Harry encontrou naquela sala e que jato verde foi aquele.
O rapaz, que estava sentado perto da lareira da sala de estar, olhou para as duas. Sabia que elas iriam perguntar o que
ele tinha visto e temia pela reao das duas.
- Vamos Harry, conte pra gente, vai? - pediu Gina.
- Eu conto, com uma condio: no quero ningum me olhando como se eu fosse um trasgo de vestido de seda, est
bem?
- Sem problemas! - responderam as duas.
- E nada de ficarem falando de mim pelas costas. Agora algum pode chamar o Rony? Esse  o tipo de coisa que eu no
quero ter que repetir, nem em palavras.
Assim que Rony chegou, Harry comeou a contar.
- Eu j tinha visto aquela sala antes. No meu ltimo sonho com Snape, ele estava naquela sala. Eu a reconheci
imediatamente, mas quando eu sonhei o quarto estava vazio. No tinha nenhum paciente. Acredito agora que ela ainda
no estava pronta. Mas quando olhei pela janelinha, l na casa da Umbridge, eu vi que o quarto estava ocupado e vocs
devem saber por quem, n?
- Pela cobra, a Nagini - concluiu Rony, que agora entendia porque a outra cobra no quis entrar l.
- Exatamente! - disse Harry.
- E aquela luz verde, Harry? Voc fez o... a maldio? - perguntou Gina.
Ele no respondeu, apenas afirmou com a cabea.
- E pelo que pude perceber voc usou a varinha da Umbridge. - assomou Mione - Muito esperto, assim se Voldemort
desconfiar de alguma coisa a culpa vai cair em cima dela.
- Ento agora a gente s precisa descobrir quais so os outros dois horcruxes, se considerarmos que Voldemort fez um
arcdio, e destru-los junto com a varinha dele.
- At parece que vai ser assim to fcil - comentou Harry.
- Pode no ser fcil, mas  o que a gente combinou que ia fazer, no  mesmo? - desafiou Gina.
- Ei, calma a, eu no estou dizendo que a gente no vai. S estou dando a chance de vocs desistirem. Ainda d tempo!
- Esquece, Harry, ningum aqui vai desistir - afirmou Rony.
- Est bem, est bem! Mas a gente vai precisar da ajuda do Lucius, esqueceram?
Era verdade. Sem Lucius Malfoy eles no conseguiriam encontrar a fortaleza de Voldemort. Mais tarde conversariam
com Lucius. Talvez Draco pudesse ficar sob os cuidados de Madame Pomfrey para eles poderem partir.
A casa do Largo Grimmauld estava muito mais aconchegante. Sem aquelas tapearias velhas e os quadros dos membros
mau-humorados da famlia Black. As paredes foram todas pintadas. A sala agora era salmo, o que deixava muito
aconchegante quando a lareira era acesa. Os quartos todos pintados de branco ou bege, com roupas de cama claras e
cortinas combinando. E at o tapete da escadaria fora trocado.
S faltava arrumar a cozinha. E era isso que Monstro faria aquele dia, antes de fazer um ltimo favor a Harry.
Estavam todos mudando as coisas de lugar na casa. A Sr Weasley agora dava polimento nos mveis com sua varinha
enquanto Hermione e Gina reparavam o estofado das cadeiras e sofs.
A porta da frente se abriu de uma vez e um Sr Weasley com seu pouco cabelo atrapalhado, todo esfolado e sujo, entrou
esbaforido.
- Cad Harry? Preciso falar com ele, urgente!
- Estou aqui - respondeu o rapaz.
A Sr Weasley correu para o marido ms ele fez um gesto indicando que ela parasse.
- Estou bem, Molly. Agora s preciso falar com o Harry. - e virando-se para o jovem, perguntou - Voc ainda pensa
em transformar esse lugar num refgio para os aurores e para as vtimas dos comensais?
- Penso sim, s no tive tempo antes por tudo o que aconteceu...
- Perfeito - interrompeu o homem - ento venha comigo!
Ele puxou Harry para fora da casa. Todos os que estavam na sala os seguiram. Ali, na praa, havia um enorme
caminho parado.
- O que est acontecendo? - perguntou.
- St. Mungus foi atacado hoje de manh. Muitos pacientes internados morreram, mas os que conseguiram se safar
foram removidos imediatamente. Os casos mais graves foram encaminhados a outros hospitais bruxos em pases
vizinhos. Eu conversei com alguns medibruxos e eles acreditam que os ataques no vo parar. Ento pensei em
escond-los aqui.
- E onde esto todos? - perguntou Harry, revoltado pelo ataque ao hospital que seu av construra.
- No caminho. Ele foi enfeitiado para transportar a todos com segurana. Venha ver.
E abrindo a caamba do caminho, Harry avistou uma ambulncia gigantesca, diversos leitos espalhados, alguns
equipamentos prprios dos hospitais bruxos. Tambm haviam medibruxos e enfermeiros entre as camas, cuidando dos
doentes.
A um canto, Harry viu duas pessoas conhecidas e ficou um pouco mais aliviado. Os pais de Neville tinham sido trazidos
tambm.
- So todos de confiana, Sr Weasley? - perguntou Harry.
- So sim, tenho certeza.
Harry tomou todas as providncias para que os doentes fossem instalados na casa. Todos os quartos foram ocupados e a
cozinha foi dividida ao meio, sendo que uma parte ficou para o preparo das refeies e outra para o preparo de remdios
e poes.
At o quarto que pertencia a Gina e Hermione foi ocupado, e elas, assim como Gui e Fleur, foram dormir no quarto de
Harry. O rapaz cedeu a cama para o casal e passou a usar o saco de dormir.
Neville ficou muito feliz de poder ficar perto dos pais e mais feliz ainda quando recebeu uma carta de Luna, entregue
pelo Sr Weasley, que tinha ido avisar a av do rapaz sobre o ataque ao St. Mungus.
A carta informava que Luna chegaria em dois dias e pedia para ajud-lo. Os jovens bruxos se animaram com a idia de
ter mais um membro da AD na casa e Harry ficou de ir junto com Neville buscar a garota.
Agora eles trabalhavam incansavelmente, e na mente de Harry o desejo de acabar com Voldemort ficava cada vez mais
forte. Mandar atacar um hospital era algo cruel demais.
O Profeta Dirio daquela manh, trazido por Tonks, informava que o ataque no foi s ao St Mungus. Vrios outros
lugares foram atacados. O nmero de seguidores de Voldemort era cada vez maior e eles no sabiam quem tinha
aceitado de bom grado o lado das trevas e quem estava sob a Maldio Imperius. Alm disso, os trouxas estavam
alarmados com a situao. Vrios relatos de inferis foram registrados.
Como no ano anterior, os dementadores espalhavam uma onda de infelicidade por todo pas. Fenmenos "naturais"
como furaces, tremores de terra, lava brotando no quintal de trouxas e sumio de prdios inteiros, pontes e
monumentos fez o Ministro dos Trouxas tomar uma atitude drstica.
Ele foi aos jornais apelar ao "outro ministro" que o atendesse. Mas no havia mais ministro da magia e ele ficou com
cara de louco na frente de todos. O que o fez o caos se espalhar ainda mais.
A maioria das famlias trouxas viajou para outros pases. Os vos estavam lotados at a semana seguinte.
Em contra-partida, apesar das empresas areas no registrarem nenhuma chegada aos aeroportos, o nmero de pessoas
no parecia diminuir. Bruxos de vrias partes do mundo vinham a Inglaterra para oferecer ajuda aos dois lados.
Todos ficaram alvoroados com as notcias e faziam inmeros planos para ajudar de alguma forma. Os doentes que j
estavam em fase de recuperao ajudavam a manter a casa limpa, realizando pequenos feitios.
Logo depois do almoo, o resto da famlia Weasley, Fred e Jorge, chegou com novas notcias ruins.
- Todo Beco Diagonal foi destrudo. O nico prdio que ainda resiste  o Gringotes. Acho que os duendes so mais
fortes que imaginamos. - contou Fred.
- S escapamos porque decidimos semana passada que hoje de manh viramos visit-los - completou Jorge.
Parecia que Voldemort ficava mais forte a cada instante. Eles decidiram que falariam com Lucius aquela noite e depois
que pegassem Luna, iriam para a fortaleza procurar as horcruxes que faltavam e encarar Voldemort.
Os gmeos Weasley levaram para a casa uma grande quantidade de seus produtos. A loja era de logros e brincadeiras,
mas eles tambm fabricavam algumas coisas bem teis, como o p que espalhava escurido, o pntano instantneo, as
bolhas (que Harry no tivera coragem de usar). E eles contribuiriam com a misso de "caa ao tesouro" com essas
invenes.
Logo eles tambm foram "convidados" a trabalhar e ajudar com os doentes. E faziam o que sabiam fazer melhor:
distraam as pessoas e os fazia rir. Molly Weasley ficaria brava se Madame Pomfrey no elogiasse o auxlio dos rapazes.
- Sabe, s vezes, quando a gente no tem remdio, o melhor  rir mesmo - disse aos dois enquanto subia para ver a
diretora.
Voltou em seguida, chamando a todos, pois Minerva finalmente recuperara a conscincia.
Estava plida e fraca, mas conseguiu ficar sentada na cama e tomava um prato se sopa com muita fome. Assim que viu
seus ex-alunos ali, parados na porta, sorriu e fez sinal para que entrassem.
- E no diga apenas dois ou trs, Pomfrey. Acho que todos esses jovens brilhantes podem me fazer um pouco
companhia.
Hermione conjurou cadeira para todos e eles se sentaram ao redor da professora.
- Quebrando as regras outra vez, hein Potter? - brincou a professora.
Todos riram e Harry respondeu:
- Mas desta vez a senhora gostou, n?
Mais risadas.
- Gostei sim! Obrigado, a todos vocs. Foram muito corajosos! Aquele lugar estava sempre cheio de comensais, no
entendo como conseguiram entrar.
Eles explicaram que Gui farejou o local e descobriu que estava quase vazio, depois contaram o plano de forjar uma
marca, de Tonks fingir estar morta e de Hermione petrificar Umbridge.
Minerva parecia surpresa com a ousadia do plano. Apesar de simples, era arriscado.
- Ento Gui realmente no virou um Lobisomem - disse olhando para o jovem de cabelos compridos ali perto - virou
um perdigueiro.
Eles ainda conversaram bastante sobre os acontecimentos dos ltimos dias. Minerva queria saber de tudo. Ficou
alarmada com o ataque a St Mungus e as notcias do dia.
- Agora que a senhora j sabe de tudo, professora, que tal nos contar o que aconteceu l? - pediu Harry.
- No sei se  adequado - ajuntou Madame Pomfrey.
- No tem problema, eu conto - assentiu Minerva, e olhando para a enfermeira - fiquei semanas sem falar com
ningum. Preciso exercitar minha voz.
Ela contou que havia sido estuporada pelas costas por um bando de comensais. O castelo estava de pernas para o ar e
ela foi levada. Quando acordou j estava amarrada na parede.
- Ali, de frente para mim, Dolores Umbridge exibia sua Marca no brao esquerdo. Dizia que seria a senhora de toda
magia e que precisava da minha ajuda. Lgico que disse que no ajudaria. Mas ela respondeu, cnica como sempre, que
no estava pedindo, estava apenas informando. Ento retirou uma pena verde escura de uma gaveta e com um gesto
estranho a pena flutuou e veio na minha direo.
- Aposto que a pena comeou a escrever sobre a senhora, cortando sua pele - opinou Harry.
- Exatamente! A pena escrevia e me cortava, e o sangue entrava por ela e ela ia mudando de cor. Depois de uma hora
dessa tortura, a pena parou e depositou o meu sangue num vidro. Ela sorriu e disse que por hora bastava.
- Todo dia ela fazia isso? - perguntou Rony.
- No, todo dia no. Ela fazia isso a cada trs horas. No segundo dia eu fiquei inconsciente e no lembro de mais nada.
- A senhora no se lembra do que a pena escrevia? - perguntou Gina.
- Infelizmente no, eu no tive estmago suficiente para observar minha pele ser rasgada em forma de letras.
- No se preocupe, Minerva. Hermione anotou tudo o que estava escrito em seu corpo antes da gente dar um jeito nas
cicatrizes.
- Estava tudo em rnico e eu vou traduzi-las hoje a noite, professora - disse a jovem.
- Fico grata, Hermione. Mas agora precisamos fazer uma coisa muito importante. Eu preciso de um pergaminho e da
minha varinha. No quero usar uma pena to cedo.
O pergaminho foi providenciado e com a varinha a ex-diretora de Hogwarts comeou a escrever um bilhete. Depois,
enrolou, selou e pediu que algum enviasse a Hagrid.
- Ns vamos precisar de um lugar bem maior que este para abrigar todos que quiserem lutar do nosso lado. Hagrid vai
preparar o castelo para nossa volta.
A professora ainda quis conversar mais um pouco, agora sobre assuntos mais amenos. Falava da habilidade de Neville,
do namoro de Gina e Harry, de Rony e Hermione. Perguntava a Fleur quando teria um filho e se ele estudaria em
Beauxbatom ou em Hogwarts. Todos falavam ao mesmo tempo, at que a paciente parou no meio de uma palavra
olhando para a porta.
Ali, de p diante deles, estava Draco Malfoy. O olhar ainda perdido, mas caminhava com certa tranqilidade.
Ele entrou no aposento e foi direto at Hermione. Parou na frente dela e entregou um pedao de bolo.
- Obrigado, lembro de voc cuidando de mim - disse com voz fraca - voc  meu anjo da guarda?
Todo ficaram pasmos. Malfoy no a reconhecia. E provavelmente no reconhecia ningum ali.
Ela no soube o que responder. Ele se virou e j estava de sada quando Lucius entrou assustado.
- Draco, Draco, voc est andando! - disse emocionado.
- Estou, sempre andei - respondeu no reconhecendo o prprio pai - me desculpe, o Sr quem ?
Ele olhou atnito, o desespero comeando a voltar. E mais uma vez Neville tomou a frente da situao.
- Calma Draco, esse senhor  mdico. Ele est cuidando de voc. Por isso sempre dorme ao seu lado, est bem. O nome
dele  Lucius, Lucius Malfoy.
- Ah, muito prazer, doutor Malfoy. Ento vamos, eu preciso dormir. Amanh vou ver minha tia Bela. Ela vai me visitar
e trazer um presente que ele mandou para mim.
- Ele est delirando - comentou Lucius aflito.
- Espere - pediu Harry - espere Draco.
O jovem loiro olhou para ele e, por um momento, Harry teve impresso de ter visto um brilho de lucidez em seus olhos.
- Eu sei que conheo voc. Voc estava com ela, no estava? - e apontou para Mione.
- Estava sim, mas que presente sua tia vai trazer para voc?
- Eu ainda no sei o que . Sei que ele deixou com ela, para ela guardar, sabe? Ele gosta muito dela e ela diz que vai
casar com ele.
- Chega meu fi... quer dizer, chega Draco, voc precisa se deitar.
Ele sorriu para o pai e foi para o quarto.
O silncio reinou na sala, at que Madame Pomfrey disse:
- Ele sofreu demais, s vezes o sofrimento enlouquece as pessoas.
Neville que ainda estava no quarto balanou a cabea e saiu. Harry tinha certeza que ele ia ficar com os pais.
O dia seguinte prometia grandes aventuras. Harry e Neville buscariam Luna e eles ajudariam a encaminhar o pessoal
para Hogwarts. A professora McGonagal achou a notcia da chegada de Luna muito oportuna, j que o pai da garota
possua uma revista e eles precisavam divulgar que Hogwarts reabriria no como escola, mas como quartel-general de
todos os bruxos que queriam lutar contra as trevas.
O Pasquim, a revista em questo, no tem tanta credibilidade, no entanto muitos bruxos o lem por diverso e quando a
notcia fosse divulgada toda a Inglaterra ficaria sabendo.
A jovem bruxinha loira chegou sem maiores complicaes. No achou nada estranho na casa, apenas informou a Sr
Weasley que deveria cuidar melhor dos cantos das paredes, pois havia indcios de aparecimento de sloptins, um tipo de
mofo capaz de devorar at mesmo uma vaca.
Sr Weasley j havia preparado tudo para o transporte das pessoas at Hogwarts. O posto mdico tambm seria
transferido para l, j que as estufas de herbologia eram grandes o suficiente para fornecer material para fabricao de
remdios e o castelo tinha quartos mais que suficientes.
Antes que todos sassem da casa, Harry deu uma ltima tarefa a Monstro.
- Monstro, eu preciso que voc faa uma coisa para mim. Quero que olhe nesse espelho e diga o que v, est bem?
- Est, senhor, est bem! Monstro olha e diz para senhor Harry Potter mestio o que est vendo no espelho.
O elfo pegou o espelho das mos de Harry e comeou a olhar. A princpio no expressou reao nenhuma. At que seus
olhos brilharam de emoo e suas mos comearam a tremer.
- O que foi, Monstro? O que est vendo? - perguntou Harry.
- Monstro v a senhora, altiva, bela, andando com um belo vestido. Ah como tem classe, como  pura!
- De quem voc est falando, Monstro? Fale j e pare de enrolaes - ordenou Harry.
- Sim senhor, Monstro v senhora Narcisa junto com sua adorvel irm. Ela sim deveria ser dona de Monstro. Ela sim 
puro-sangue!
Harry ouviu o nome de Narcisa e adivinhou que a irm em questo era a detestvel Bleatriz Lestrange. Seu sangue
ferveu e ele sentiu que se pudesse atravessaria aquele espelho e acabaria com ela na mesma hora.
- Onde elas esto, Monstro? Voc reconhece o lugar?
- No, senhor,  um lugar muito bonito. As paredes so escuras e distintas, os mveis so antigos e ricos. Mas Monstro
nunca esteve l?
- Eu ordeno que fale a verdade, Monstro, ou tiro tudo o que est no sto e mando queimar.
O elfo guinchou de medo.
- No senhor Potter, Monstro diz a verdade. Monstro no conhece o lugar.
- Est bem, mas diga outra coisa. Elas esto nervosas?
- No, parecem bem felizes. Senhora Narcisa um pouco plida, mas a palidez  uma marca das famlias distintas.
Harry tomou o espelho das mos do elfo e subiu as escadas de dois em dois degraus. Foi at o quarto de Draco e Lucius
e perguntou:
- Lucius, quer saber como est sua mulher?
- Do que est falando, Potter?
- Eu sei que ela est com Belatriz. Monstro me disse.
- E o que um simples elfo-domstico pode saber?
- Ele viu, Lucius. Atravs deste espelho.
A princpio Lucius no entendeu. Mas depois reconheceu o objeto.
- Ela tem um espelho igual a esse. Conseguiu o ano passado pelo que soube. Mas nunca imaginei por que Bela ia querer
um espelho?
- Provavelmente, ela queria espionar tudo o que eu fazia.  um par, Lucius. Um se comunica com o outro. E ela deve
ter imaginado que eu o usava. Mas eu s usei enquanto Sirius estava vivo. Depois guardei no fundo do malo e no tirei
mais.
Lucius pegou o espelho das mos de Harry. Olhou com cuidado e por fim falou:
- No sei se seria seguro, Potter. Narcisa pode querer saber onde est Draco e isso seria muito arriscado. Ela sempre
contou tudo para a irm. No vai ser diferente agora.
- Tudo bem! Mas nenhum de vocs consegue contar a ela o local do nosso esconderijo. Ainda mais que estamos de
mudana. De qualquer maneira, fique com o espelho. Voc pode mudar de idia quando chegarmos a Hogwarts.
Quando a casa j estava quase vazia, Harry procurou Hermione para pedir um favor, mas no conseguiu encontrar a
garota.
- O que quer com ela? - perguntou Gina.
- Ah, s queria pedir que ela lanasse um feitio naquela tbua solta que a gente usou para esconder a jia. S no caso
do Mundungus voltar aqui.
- Se quiser eu mesma posso fazer isso. Hermione j foi para Hogwarts. Foi junto com Rony e Percy.
- , pode ser, voc tambm  excelente com feitios!
- Obrigada! Assim que todos sarem da casa eu lano o feitio. S para no deixar ningum desconfiado.
Eles partiram ao fim da tarde. Os doentes que ainda no tinham se recuperados foram no caminho ambulncia. Muitos
bruxos aparataram em Hogsmeade e tantos outros foram de vassoura.
A escola estava novamente lotada. Mas o clima era diferente. Todos os bruxos usavam vestes simples, que
possibilitavam maior movimentao (idia da Madame Hooch). Muitos poliam suas varinhas ou cuidavam das
vassouras.
No havia mais tanto luxo no castelo. A diretora McGonagal ordenou que os elfos guardassem todas as tapearias,
peas de prata, armaduras, enfim, tudo que pudesse dificultar a circulao dentro do castelo.
As refeies servidas seriam simples, mas nutritivas. A enfermaria dobrou de tamanho e assim que todos estavam
acomodados, o grupo de centauros entrou pelo salo principal.
O lder deles, um centauro de pele morena e pelo castanho, se dirigiu  diretora:
- Seja bem vinda, McGonagal! Enquanto estiveram fora, nada de anormal aconteceu por aqui. Nenhum ataque ou
tentativa de invaso.
- Ainda bem, pelo menos temos a segurana dessas paredes. Os feitios lanados para proteger Hogwarts ainda existem
e isso nos d uma vantagem. Alm disso, j fui informada que centenas de bruxos de diversos lugares do mundo viro se
juntar a ns, em no mximo uma semana.
- Sinto dizer que acredito que no teremos tanto tempo assim! Ns iremos resistir e toda ajuda  bem vinda, mas receio
que antes disso, alguma coisa acontea.
- Por que diz isso, Magoriano?
- Porque sei que muitos seres da Floresta Proibida se uniram a ele. As aranhas, as almas perdidas, as drades e alguns
seres aquticos tambm.
- No acredito! As drades? Mas por qu?
- No sei ao certo, mas elas deixaram a floresta a noite passada.
- E os sereianos?
- Esses sero eternamente fiis ao lado de Dumbledore. Afinal, Dumbledore salvou o povo deles da extino. E eu
consegui algum auxlio extra.
- Quem vem nos ajudar?
- Testrlios, espritos das montanhas, alguns kobolds e os dellings.
- Os dellings? Voc conseguiu ajuda dos dellings? E Dain? Vir tambm?
-  possvel. Mas  preciso resolver a situao dos elfos domsticos antes que eles cheguem. Voc sabe o quanto Dain
pode ser temperamental.
- Vou cuidar disso agora mesmo! - respondeu Minerva indo tratar desse assunto.
Enquanto isso Magoriano saiu  procura de outra pessoa, com quem precisava ter uma sria conversa. Procurou entre os
muitos bruxos e logo avistou os cabelos vermelhos de Rony Weasley.
O jovem bruxo de cabelos vermelhos estava sentado a uma mesa junto com Mione, Gina e Harry. Eles conversavam
sobre o quanto o castelo estava diferente. Era incrvel como todos aqueles bruxos se entendiam mesmo falando lnguas
distintas. Alm disso, cada um executava feitios diferentes, que os jovens ali nunca tinham visto.
Magoriano se aproximou sem nenhuma cerimnia e j foi falando:
- Ei voc, bruxo do cabelo de fogo, precisamos conversar!
Rony olhou assustado para os lados, como se quisesse se certificar de que aquele centauro no falava com ele. Mas no
vendo mais ningum, perguntou:
- Voc, quer dizer, o senhor precisa falar comigo?
- Exato, e pode me chamar de voc. Venha comigo agora, precisamos dar uma volta.
Rony se levantou imediatamente e seguiu o centauro at o jardim do castelo. Os amigos nem tiveram tempo de
questionar qualquer coisa.
Do lado de fora, o cu estava muito estrelado. Era quase vspera de Natal e a neve chegava a bater nas canelas de Rony.
Fazia frio, mas o rapaz no quis incomodar o centauro, que parecia no notar a neve e o vento.
Eles andaram por um tempo e j estavam quase na orla da floresta quando Magoriano finalmente parou.
- Aqui est bom, as luzes do castelo no iro nos atrapalhar!
Rony queria perguntar o que iriam fazer ali, mas teve medo. Ele sabia o quanto centauros ficam ofendidos facilmente.
- Agora, jovem, pode me dizer o seu nome?
- Rony, quer dizer Ronyald Weasley.
- Muito bem, Rony, Firenze me contou sobre seu dom. Saiba que  muito raro que meros humanos consigam conversar
com os astros e a energia do cosmos.
Mais uma vez Rony no disse nada. Apenas olhava para o lder dos centauros, imaginando aonde aquela conversa iria
chegar.
- Eu o trouxe at aqui para ver se concorda comigo, meu jovem. Preciso saber se no ouvi errado. Agora, por favor,
tente ouvir o que ela diz - concluiu Magoriano apontando uma estrela enorme, de brilho esverdeado que apontava no
cu.
- No conheo essa estrela, nunca a vi antes. De que constelao ela ? - perguntou Rony, tentando se lembrar de
alguma das aulas de astronomia.
- De nenhuma, rapaz. Essa  pi Her, uma das estrelas que formam a Keystone, um outro tipo de agrupamento de
estrelas chamado asterismo.
- E o que h de to enigmtico nessa estrela? - perguntou o rapaz que j comeava a ficar mais confiante.
- H algum tempo, um de nossos ancestrais fez uma previso que mencionava essa estrela. Eu ouvi a mesma coisa. Mas
queria ter mais uma opinio. Agora, deixemos de conversar entre ns, vamos tentar conversar com ela.
Rony se sentou na neve sem se importar se molharia a roupa. Olhou para a estrela e se deixou levar por inmeros
pensamentos. Ficou ali mais de meia hora, ouvindo as histrias que a pi Her dizia.
Finalmente ele levantou os olhos para o centauro, que tambm sentara na neve e esperava pacientemente.
- Parece que o herdeiro voltou. O herdeiro dos olhos de Thor.
- Foi o mesmo que eu ouvi - comentou em voz baixa Magoriano.
- Mas no entendo, como o herdeiro vai aparecer? O que ele precisa fazer? E por que a estrela est to assustada assim?
- Venha meu rapaz, vamos conversar com meus irmos - disse Magoriano enquanto guiava Rony pela Floresta at o
territrio dos centauros.
Enquanto isso, dentro do castelo, Harry, Gina e Mione tentavam imaginar o motivo de Magoriano. A conversa foi
interrompida quando Mione olhou o aglomerado de elfos domsticos em frente  mesa de McGonagal.
- O que est acontecendo l? - perguntou curiosa.
- No fao idia - respondeu Harry e Gina quase ao mesmo tempo.
- Vamos l ver - chamou j de p.
Eles correram, mas s conseguiram ouvir o final da conversa.
- Ento, por esse motivo, todos os elfos aqui presentes que no se sentirem felizes em trabalhar conosco aqui em
Hogwarts, ajudando a todos os seres que quiserem lutar contra a fora das trevas est livre a partir de agora.
Os elfos domsticos se agitaram, cochichavam entre si at que Dobby pediu para falar.
- Dobby j ser livre Senhora, no pertence de Hogwarts, mas quero viver aqui enquanto for possvel e enquanto
considerarem Dobby til.
Os outros elfos domsticos, muito mais de 100, concordaram que o melhor seria ficar em Hogwarts.
- Est bem! Fico feliz em saber que so bem tratados aqui e que querem continuar a nosso lado. Quando Dain chegar,
ficar feliz tambm! - finalizou a diretora e saiu para checar outros detalhes.
Os elfos voltaram aos seus afazeres. Uns foram preparar a comida, outros organizar as novas camas que haviam sido
espalhadas pelo castelo e outros foram acender as lareiras.
Harry, Gina e Hermione ficaram parados ainda algum tempo, sem entender.
- Fiquei na mesma - comentou Harry.
- Ela falou Dain? Falou que Dain ficar feliz?
- Foi o que eu entendi - respondeu Gina - Mas no fez muita diferena para mim.
- Vocs no entendem o que isso quer dizer, no ? Dain  o soberano de todos os elfos.
- Elfos domsticos tm um soberano? - perguntou Harry surpreso em perceber que ainda no sabia tudo sobre o mundo
dos bruxos.
- No, Harry. Dain  o soberano de todos os elfos mesmo, no s os domsticos, mas todas as raas de elfos. A
participao dele foi fundamental em todas as guerras contra as foras das trevas nos ltimos 400 anos.
- 400???? Uau, quanto tempo vive um elfo? - perguntou Harry.
- Pelo menos 1.200. - informou Mione.
A conversa fluiu durante um bom tempo. Eles ficaram imaginando como seria ser um elfo e viver tanto tempo. Mione
estranhou a demora de Rony, mas no podia sair do castelo para procur-lo.
O jantar j estava na mesa, todos de banho tomado, quando Rony voltou com as vestes encharcadas por causa da neve e
as pontas do nariz e das orelhas vermelhas de frio.
A me do rapaz o mandou subir imediatamente e tomar um banho. Mais tarde Harry levaria sopa ou chocolate quente
para ele.
Os jovens, acostumados a rotina escolar de Hogwarts, voltaram a dormir em seus antigos dormitrios. Logo que acabou
de comer, Harry subiu com uma caneca de chocolate quente para o amigo e Mione levou um pedao de bolo. Gina
acompanhou os dois e eles se sentaram frente  lareira do salo comunal da Grifinria.
Hermione contou tudo o que descobrira sobre os elfos e Rony explicou a conversa que teve com os centauros.
- Quem ser esse herdeiro dos olhos de Thor? - interessou-se Gina.
- Nem eles sabem - respondeu Rony - s sabemos que  algum que vai se revelar antes do desfecho.
Diante da cara de dvida dos amigos ele completou:
- Eu sei que no faz sentido algum. Mas para mim faz.  como se cada uma das palavras j estivesse traduzida para
mim.
- Ento explique o que voc acha que ! - pediu Hermione.
- Eu no consigo! O que eu sei que algum que tem a fora de Thor nos olhos vai aparecer, ou vai se revelar, e mudar a
histria. O final no vai ser como pensamos.
Eles ficaram calados. Imaginar que o final seria diferente era desanimador. Todos imaginavam que no final Voldemort
iria ser derrotado e eles poderiam seguir com suas vidas.
Aquela noite todos dormiram com uma nuvem de tristeza no corao.
- 28 -
O presente de Natal
A manh da vspera de Natal chegou com muita neve e pouca animao. O castelo no era mais um lar de estudantes,
mas sim um verdadeiro quartel-general e todos os habitantes esperavam ansiosamente o momento do confronto.
O clima era terrvel. Nada de enfeites, comidas especiais ou presentes. As conversas giravam em torno dos mesmos
assuntos dos dias anteriores: quantos haviam morridos, quando enfrentariam os comensais, quais os tipos de criatura
estavam do lado de Voc-sabe-quem.
Harry acordou cansado. Nos ltimos dias, por maior que fosse o cansao, ele no conseguia se sentir restaurado mesmo
depois de longas horas de sono. Seu cansao naquela manh era tanto que ele no teria se lembrado que era Natal se no
tivesse encontrado um pequeno embrulho nos ps de sua cama.
Era um pacote embrulhado com papel dourado e um lao vermelho. Um carto dizia que o presente era de Gina. Ele
desembrulhou e encontrou um bolo de frutas com calda de chocolate. Guardou para comer mais tarde. Precisava descer
para ver em que p estavam as coisas dentro do castelo.
Quando chegou ao salo principal encontrou a menina junto com Rony, Mione, Neville e Luna tomando caf da manh.
Sentou-se com eles e comeou a comer e conversar.
Enquanto conversavam algumas corujas chegaram com correspondncias. Edwiges apareceu apenas para cumprimentar
seu dono, j que no havia ningum de fora do castelo que pudesse escrever a Harry.
No entanto uma enorme coruja negra, com manchas amarelas ao redor dos olhos, pousou em frente ao rapaz,
empertigou o corpo com altivez e esticou a pata em que trazia um pequeno pacote e um envelope verde musgo,
destinado a ele.
Edwiges piou indignada com a presena da enorme e esnobe coruja e saiu para o corujal. Harry pegou o envelope e
abriu:
Potter,
Espero que considere isso como um presente de Natal. Consegui com um amigo meu que trabalhava no Departamento
de Mistrios, no Ministrio da Magia.
L.M.
-  do Lucius - informou Harry.
- O Lucius te mandou um presente de Natal? No acredito! - exclamou Rony.
- Pois ,  meio estranho pensar que ele agora est to mudado - comentou Hermione.
- Estranho foi ver o Draco te chamando de anjo da guarda - falou Rony.
- No v me dizer que est com cimes do pobre coitado que nem sabe quem !
- No, no tenho cimes dele. Tenho pena! T certo que ele foi bem cruel ano passado, mas no precisava ficar daquele
jeito.
- Ei, estamos esquecendo do pacote que o Harry recebeu - lembrou Gina.
Todos pararam de falar e olharam para o rapaz que segurava o pacote com uma mo. Ele comeou a desembrulhar e
encontrou uma caixinha de papelo. Dentro dela havia apenas um pequeno frasco com um lquido prateado.
Harry conhecia aquele tipo de lquido. Era uma memria. Por que Lucius daria uma memria de presente para Harry?
A resposta estava na etiqueta pregada no frasco. Era uma das lembranas de sua me. Alguma coisa que ela achou
importante guardar. E que outras pessoas tambm acharam j que o frasco estava no Departamento de Mistrios.
- Estranho - comentou Gina - o Ministrio no est fechado?
- Percy disse que os antigos funcionrios podem entrar l para ter certeza que as coisas esto em ordem - disse Rony.
Harry se levantou. Iria at a sala de Dumbledore procurar a Penseira para ver a lembrana de sua me. Mas antes que
pudesse dar um passo a porta se abriu sozinha e ele se sentiu preso ao cho.
Todos os outros bruxos ficaram de p, como se uma estranha fora os movimentasse.
Um claro invadiu o salo principal e assim que a luz diminuiu eles avistaram um ser alto, magro, que trajava vestes
amarelas como o sol. Carregava uma espada muito antiga, com o cabo trabalhado em ouro amarelo e a lmina em prata
afiada. Tambm usava uma capa leve, laranja, bordada com fios de ouro.
Todos olhavam a estranha criatura. No era humano. Tinha orelhas pontudas, olhos amendoados de um azul quase
branco, os cabelos prateados, compridos at a altura da cintura, presos numa bem feita trana. E parecia que pesava o
mesmo que qualquer um dos fantasmas do castelo.
O ser foi diretamente at a diretora McGonagal, fez uma breve reverncia e falou em uma lngua que eles
desconheciam.
A voz da criatura era to intrigante quanto toda sua figura. Depois de uma pequena conversa, a diretora ficou de p e
falou:
- Peo um minuto da ateno de vocs! Hoje Hogwarts tem a honra de dar as boas vindas a Dain, senhor soberano dos
elfos e um amigo inestimvel que sempre nos socorre nas horas de maior aflio.
O salo irrompeu em aplausos. Todos queriam saudar o famoso Dain. Ele, no entanto, se manteve quieto, observando
todos no salo.
Ele olhou para o grupo de Harry, mas ao contrrio do esperado no esboou nenhuma reao ao olhar para o rapaz.
Por esse motivo Harry simpatizou de imediato com ele.
Quando todos se acalmaram Dain comeou a falar. No um discurso comum, mas uma fala cantada, muito bonita.
Ningum entendeu nada, e ele no se importou com isso, pois no estava falando com nenhum dos presentes na sala.
A porta se abriu novamente e uma delegao de elfos entrou. Todos muito parecidos com Dain, a nica diferena era a
cor dos cabelos. Mais vermelhos que os cabelos de toda famlia Weasley. Os olhos eram cor de sangue e davam aos
elfos uma expresso quase diablica. Se no fosse a leveza com que caminhavam provocariam pnico em todos
presentes.
Eles caminharam por todo salo com uma preciso incrvel. E chamaram mais ateno que um grupo de veelas. Cada
elfo carregava um tipo de arma. Havia espadas, lanas e arcos e flechas.
S quando estavam bem prximos  que Harry percebeu que metade da delegao era composta por mulheres.
A diretora falou mais uma vez e anunciou que aqueles seres eram os daillings, ou elfos vermelhos, e que iriam lutar
contra a fora das trevas junto com os bruxos.
Apesar da notcia, o clima no melhorou no castelo. Todos estavam tensos. Na noite anterior uma reunio entre os
bruxos mais respeitveis decidiu que iriam marchar em direo ao laboratrio em Londres na manh seguinte.
Harry chamou os amigos para o acompanharem at a sala de Dumbledore. Queria ver a lembrana de sua me. Eles
subiram correndo e, uma vez dentro da sala do ex-diretor, comearam a procurar a Penseira.
No foi difcil de encontrar. Um objeto daquele tamanho no poderia ser facilmente escondido. Estava guardada em um
armrio do lado esquerdo da sala.
Harry colocou-a sobre a mesa, do mesmo modo que Dumbledore fez em todas as vezes. Abriu o frasco e despejou o
contedo com cuidado. Deu as mos aos amigos e indicou o que deviam fazer.
Logo eles estavam caindo e desceram at uma sala bem escura, de paredes antigas, cheias de quadros. Velas coloridas
iluminavam fracamente a cena. Havia vrios jovens espalhados em grupos. Era uma sala de aula de Hogwarts.
A um canto estava Llian Evans e mais algumas amigas. Elas riam e olhavam um objeto sobre a mesa. Todos os alunos
faziam o mesmo.
- Muito bem - falou uma voz suave atrs de Harry - agora deixem suas mentes vazias. Mais vazias que de costume. E
olhem atentamente.  preciso enxergar atravs da fumaa que a bola de cristal mostra.
Era uma aula de Adivinhao. Mas a professora no era a Sibila Trelanwey. Era uma bruxa realmente velha. Pelo Harry
reparou a professora era cega e mesmo assim andava pela sala como se visse todos os alunos e falava com eles
diretamente.
- Olhem com ateno! Tenho a sensao que vamos descobrir coisas interessantes nesta aula.
Nesse momento a me de Harry levantou-se assustada.
- Professora Woolbergh, depressa, Antonieta est... est passando mal.
A menina em questo tinhas as mos coladas na bola de cristal, os olhos virados, e uma expresso de pnico nos olhos.
- Acalmem-se, todos! Todos quietos, esse rebulio s vai piorar as coisas. - disse a professora enquanto ia em direo 
mesa da me de Harry.
O estado da garota era assustador. Agora ela comeava a tremer.
- Eu sabia que Antonieta daria problema se cursasse Adivinhao. Ela  muito sensvel! - comentou a professora -
Vamos minha querida, est na hora de ir para seu quarto.
A voz da professora ficou ainda mais suave. Mas s serviu para deixar Antonieta mais nervosa. A menina agora gritava
desesperadamente.
- No posso! No posso sair agora! No sem antes avisar do nascimento! O Nascimento do herdeiro.
A professora suspirou. Sabia que agora era tarde demais para interromp-la. Assim so as profecias, quando vm,
precisam de espao, precisam ser ouvidas.
- Quem  esse herdeiro, Antonieta? - perguntou.
- Ele vai nascer daqui alguns anos. E vai provar que a lenda  verdadeira.
Muitos alunos se olhavam assustados. Outros procuravam sair de fininho da sala. S Llian continuava ao lado da
colega, e ouviu atentamente cada palavra dela.
- Qual lenda, Antonieta? - perguntou a me de Harry.
- A lenda do filho do deus, que vai ser capaz de expulsar os mortos...
A lngua da moa comeou a enrolar e ela foi caindo lentamente para trs da cadeira. Antes que batesse no cho, a
professora a amparou e pediu a dois alunos que estavam do lado de fora da sala que levassem a jovem Antonieta para a
enfermaria.
A lembrana foi sumindo e os quatro voltaram para a sala de Dumbledore.
- O que isso quis dizer? - perguntou Gina.
- No sei! No sabia que minha me tinha lembranas guardadas dentro do Ministrio - comentou Harry.
- Pelo que eu sei, qualquer pessoa que presencia uma profecia  chamada ao ministrio para deixar a lembrana
guardada como registro. - informou Mione.
- Voc j leu alguma coisa sobre um filho de deus capaz de expulsar mortos, Mione? - perguntou Harry.
- No, infelizmente nunca ouvi falar nada parecido.
Rony, que at ento estivera calado, se levantou e disse:
- Eu preciso ir, preciso fazer uma coisa.
- Aonde voc vai, Rony? - perguntou Mione.
- Vou falar com Magoriano.
E sem dar tempo para mais perguntas ele saiu da sala.
Os trs ficaram se olhando sem entender. Rony andava muito estranho desde sua conversa particular com o lder dos
centauros.
- Vocs vo descer para almoar? - perguntou Gina tirando os outros dois de seus pensamentos.
- Nossa,  mesmo! J est na hora do almoo! Vamos sim. - exclamou Mione.
- Vo vocs. Eu vou ficar mais um pouco aqui - respondeu Harry olhando para o fundo da Penseira.
As meninas saram e Harry se jogou na cadeira. Com um profundo suspiro, colocou os ps sobre a mesa (j comeava a
se sentir  vontade naquele lugar) e falou para si mesmo:
- Este vai ser o pior Natal de todos. Pior at do que todos que eu passei na casa dos Dursley.
- Isso  realmente muito triste, Potter. - disse uma voz que Harry reconhecia muito bem.
Virou-se procurando em todos os lados, mas no conseguiu vislumbrar ningum. Ele tinha certeza que ouvira a voz de
Dumbledore.
- Voc se esqueceu de olhar para cima, meu rapaz - disse o diretor.
Harry olhou e viu que, pela primeira vez, o quadro de Dumbledore estava falando, como os outros quadros.
- O seu quadro, quer dizer, o senhor nunca falou antes!
- Ah, eu no tinha muito o que dizer! Mas posso garantir a voc que acompanhei tudo o que voc e seus amigos
passaram nesta sala.
- Eu destru mais uma, sabe, a cobra!
- Essa  uma boa notcia, Potter! Mas ainda assim eu me preocupo.
- Com o que, senhor?
- Com esse clima horrvel. O Natal  um dos meus feriados preferidos. O castelo todo enfeitado, com as 12 rvores que
Hagrid escolhe a dedo, as comidas, a alegria. E pensar que amanh uma boa parte dos bruxos que esto aqui vo partir
para sua primeira batalha, sem uma festa de confraternizao antes. Isso  triste. Realmente triste.
- O que o senhor sugere?
- Se eu ainda estivesse no castelo, ativamente  claro, porque eu nunca vou deixar esse lugar, faria uma grande festa, e
encontraria um presente que pudesse animar todos que vo para a batalha amanh.
- Eu nem sei como fazer, quero dizer a diretora McGonagal acha...
- Potter, voc me perguntou o que eu faria. E eu respondi. No disse para fazer como eu. Faa o que voc acha que
deve ser feito. Agora  hora de voc tomar decises sozinho, Harry. Agora eu devo descansar. Outro dia conversamos
mais!
Imediatamente a imagem do quadro fechou os olhos e ressonou. Harry ainda chamou o diretor vrias vezes, mas no
obteve resposta.
Saiu frustrado da sala. No entendera uma palavra da lembrana da me e agora Dumbledore o deixava mais confuso
ainda.
Andou durante muito tempo. No tinha fome e nem nimo de contar aos amigos a conversa com o quadro. Mais tarde
explicaria a todos.
Ele andou sem rumo e quando percebeu estava novamente no corredor do 7 andar. De repente teve uma idia. Passou
diante do que seria a parede da Sala Precisa trs vezes mentalizando:
- Preciso de um lugar para encontrar um presente que traga esperana.
A princpio nada aconteceu. Harry imaginou que seu pensamento havia sido muito vago e j dava as costas para a
"porta" quando ouviu um barulho. Virou-se para olhar e viu a porta surgir.
Entrou apressado e deparou-se com um enorme viveiro de pssaros. Aves de todas as cores, tamanhos e espcies viviam
ali. Harry comeou a andar entre elas at que encontrou o que estava procurando. Ali, no centro do viveiro, estava
Fawkes, a fnix de Dumbledore.
Ela voou at Harry e pousou em seu ombro, deixando bem claro que iria com ele. Harry notou que havia um
pergaminho embaixo do poleiro em que a ave estava. Abaixou-se, pegou o pergaminho e leu. Tinha apenas uma palavra
escrita: Forttiori.
Ele saiu apressado em busca dos amigos, com Fawkes voando atrs dele. Encontrou Rony no corredor que levava a
torre da Grifinria.
- Harry,  a Fawkes! Mas o que...
- No d tempo de explicar, precisamos falar com Hagrid e com os elfos domsticos.
Os dois correram o mais rpido que podiam at a cabana de Hagrid. Harry explicou sua idia e foi apoiado pelo
guarda-caa e por Rony que ainda no sabia o que o amigo queria fazer.
Hagrid saiu em seguida e disse que at o entardecer tudo estaria pronto.
Harry saiu apressado novamente e foi atrs de Dobby. Encontrou-o conversando com alguns elfos vermelhos em seu
idioma natural.
- Senhor Harry Potter! Dobyy fica feliz em ver o senhor!
-  muito bom te encontrar, Dobby. Preciso de um grande favor seu!
- Dobby faz qualquer coisa pelo senhor Potter. Foi o senhor Potter que deu a Dobby a liberdade - disse para um elfo
particularmente alto ali perto.
- Dobby, eu preciso que voc pea aos outros para preprara um jantar tpico de Natal. Com bolos de frutas cobertos
com calda de acar, peru recheado, carneiro, bombas de chocolate... Voc sabe como . Um jantar da poca de
Dumbledore. Ser que d tempo?
- Tempo? Dobby e os elfos no precisam de tempo, senhor! Ns faz tudo para hoje a noite.
- Sabia que podia contar com voc, Dobby. Hoje a noite, quando eu der o sinal voc deve servir a comida, combinado?
- Combinado, senhor!
Harry saiu animado. Rony atrs dele ainda queria saber onde o rapaz havia encontrado a ave. Harry explicou tudo o que
aconteceu e Rony concordou que aquela seria uma idia e tanto.
Eles procuraram manter a ave escondida no quarto deles durante o resto do dia. Gina e Hermione tambm ajudaram a
cuidar de Fawkes enquanto no chegasse a hora do jantar.
Quando o relgio soou dezenove horas, os quatro desceram, esperando ver o salo enfeitado, as pessoas surpresas com a
riqueza das refeies e ficarem encantadas com a ave de Dumbledore. Mas a cena que encontraram foi desanimadora.
No havia quase ningum no salo, a porta estava escancarada e a neve entrava com o vento, deixando o cho molhado
e escorregadio.
Eles foram at a porta e descobriram o que estava acontecendo. Havia uma grande confuso. A diretora McGonagal
tentava controlar os nimos, mas parecia uma misso impossvel. Muitos elfos vermelhos cercaram um grupo de seres
que Harry no enxergava, e falavam sem parar, indignados.
Hagrid andava de um lado para o outro e parecia concordar com os elfos. Enquanto isso os bruxos que estavam
hospedados no castelo tomavam partido na discusso.
Os quatro ficaram ali ouvindo a briga. O plano de inspirar mais alegria com uma festa de Natal tinha ido por gua
abaixo. Irritado, Harry pegou sua varinha, mirou para o alto e sem saber ao certo o que estava fazendo, berrou:
- Fortiori!
Na mesma hora um jato alaranjado saiu de sua varinha e formou no cu o desenho de uma gigantesca fnix, de asas
abertas. Ento Fawkes levantou vo e comeou a cantar.
O canto do pssaro no era um lamento triste como no dia do enterro de Dumbledore. Mas uma marcha de unio e
coragem. E lentamente as cabeas foram se virando para o alto e contemplaram aquela marca no cu.
Quando a discusso parou, os quatro jovens bruxos puderam ver o motivo da briga. Havia uma delegao de anes em
pleno jardim de Hogwarts.
Gina deu um passo a frente, ampliou a voz e perguntou:
- Podemos saber que baguna  essa?
- Os elfos e os anes no se entendem - respondeu a diretora - e esto discutindo para ver quem vai nos ajudar a
derrotar Voc-sabe-quem.
- Ora, isso  ridculo! - falou Harry - Hoje  noite de Natal e vocs esto discutindo para saber quem vai lutar contra o
inimigo.
- Por favor, vamos ser sensatos - pediu Mione - quem  inimigo de Voc-sabe-quem  nosso amigo.
Ningum falou mais nada. Ficaram olhando o cu. A imagem da fnix de asas abertas no tinha sumido. Ganhava mais
cores a cada instante.
O amontoado de pessoas comeou a se dividir ao meio, a medida que duas figuras atravessavam o jardim entre eles e
iam em direo aos jovens ainda na escada da entrada do castelo. Eram Dain e Magoriano.
- Quem fez essa marca? - perguntou o centauro.
- Eu - respondeu Harry - fiz a marca e trouxe Fawkes de novo. Foi um presente de Dumbledore.
O elfo falou alguma coisa em uma lngua incompreensvel para os humanos e o centauro traduziu:
- Um belo presente, Harry Potter. Um belo presente!
Dain deu as costas a Harry, falou alguma coisa para os elfos vermelhos e se dirigiu ao lder dos anes. Tirou sua espada
da cintura e a entregou ao homem, que no devia ter mais que 1,40m de altura, longos cabelos e barbas bem negros e
usava uma roupa de couro com placas de metal.
A diretora convidou todos para a entrar, mas os anes preferiram ficar de fora do castelo e montar acampamento.
Fizeram isso com uma velocidade inigualvel. E logo o barulho de metal sendo trabalhado fez-se ouvir por toda
Hogwarts.
Os anes, assim como Hagrid explicou mais tarde, eram timos ferreiros. Faziam armas e armaduras com perfeio. A
prpria espada de Grifindor foi feita por um ancestral daquele ano que ficou com a espada de Dain.
Quando o jantar foi servido, a surpresa foi geral. H muitos dias no tinham uma refeio to farta assim. A diretora
chamou um dos elfos-domsticos e quis saber o que significava aquilo.
- Foi Dobby que disse para elfos fazerem isso. Disse que foi pedido de Harry Potter.
Como era de se esperar, a diretora foi tirar satisfaes.
- Potter, como ousa dar ordens aos elfos da cozinha do castelo?
- No dei nenhuma ordem, diretora. Apenas pedi que fizessem um jantar digno de uma noite de Natal.
- Mas voc h de convir que no estamos no melhor momento para comemorar o natal.
- Eu sei. E sei tambm que amanh um grupo invadir o laboratrio. E todos estavam muito infelizes. Com tanta
tristeza seriam derrotados em menos de cinco minutos. - respondeu decidido.
A diretora fitou-o admirada. No era a primeira vez que Harry a enfrentava aquele ano.
- E tem mais - disse correndo para o centro do salo aumentando sua voz novamente - Os comensais tm a marca deles.
Aquela horrvel caveira com lngua em forma de cobra. Agora, ns temos a nossa marca. Eu convido todos aqui para
participar da Ordem da Fnix, e sempre que ganharmos uma batalha, seja contra 100 ou apenas 1 comensal, vamos
marcar o cu para deixar claro que estamos resistindo. Quem estiver contra Voldemort, que erga sua varinha e grite
Fortiori.
A reao foi maior que Harry esperava. Praticamente todas as varinhas foram apontadas. Apenas aqueles que no
tinham suas varinhas em mos  que no responderam.
Centenas de fnix enormes marcavam o cu encantado do salo principal. Os bruxos tinham um novo nimo, comeram
com gosto e foram dormir confiantes na vitria do dia seguinte.
- 29 -
O ataque da Ordem
A manh de 25 de dezembro chegou com um bom pressgio. No havia nuvens no cu e apesar do frio, a neve parara de
cair. O sol frio do inverno dava um brilho especial aos galhos das rvores, molhados pela neve derretida.
Os anes j estavam a postos com inmeras espadas reluzindo  claridade daquele dia especial. Eles esperavam o
batalho que deveria sair dentro de pouco tempo.
Antes que todos acordassem, um ano j de idade bem avanada pediu que as espadas fossem postas lado a lado no
cho do acampamento. Depois, retirou um saco de veludo negro de sua bolsa de viagem e caminhou ao lado das
espadas. Ele espalhava sobre elas um p prpura enquanto pronunciava frases em uma lngua muito antiga, que nem
mesmo os outros anes conheciam.
Quando terminou cada espada emanava um brilho etreo, as lminas pareciam ainda mais afiadas e o peso havia
diminudo pela metade.
Os bruxos, escolhidos a dedo para formar o batalho, comearam a sair do castelo. O ano mais velho entregou a cada
um deles uma espada. E assim que eles as seguravam, o nome do "guerreiro" aparecia gravado no cabo.
Harry, Rony, Gina e Mione observavam tudo a um canto do jardim. Queriam ir junto com eles, mas acharam melhor
esperar o resultado desse primeiro confronto. Se fosse positivo, eles procurariam Malfoy, que tinha ficado na casa que
fora de Sirius. E partiriam para a fortaleza de Voldemort.
O exrcito rumou para o centro de Londres, seguindo as instrues dadas pela diretora McGonagal. Eles aparataram de
Hogsmeade direto para o parque, que ficava prximo ao barraco utilizado como laboratrio.
No havia mais necessidade de esconder coisa alguma dos trouxas, afinal, a maioria deles j tinha se mudado da
Inglaterra.
Um bruxo armeno conjurou uma magia difcil, para encontrar a porta do laboratrio. Assim que a identificaram,
dividiram o grupo em 3 frentes de combate. A primeira, de reconhecimento, entraria estuporando e paralisando quem
estivesse na primeira sala. A segunda, entraria para dar reforos e eliminar as magias anti-invaso e a terceira, ficaria
encarregada de cuidar dos feridos e dos refns, caso houvesse algum.
A primeira frente encontrou poucos problemas. Haviam poucos guardas na entrada e logo eles foram estuporados e
amarrados. Quatro bruxos voltaram para o parque levando consigo os guardas aprisionados. Estes eram novamente
enfeitiados por trs bruxos chineses, que conheciam magias diferentes. Os guardas foram transformados em pequenos
camundongos. Assim, poderiam ser aprisionados em uma gaiola mgica especial.
O segundo grupo entrou e os problemas comearam a aumentar. Eles se dirigiram para a sala de torturas e encontraram
um grupo razoavelmente grande de comensais se divertindo com dois trouxas presos a camas de pregos.
- Olhem, invasores! - berrou um dos comensais.
Os membros da Ordem estuporaram alguns comensais antes que pudessem se virar, mas os comensais usavam feitios
perigosos e logo comearam a ganhar vantagem.
Uma deciso precisava ser tomada, e eles teriam que fazer isso em um segundo: usar ou no usar feitios mais
agressivos. A deciso foi tomada por um jovem bruxo, que usava uma capa com um capuz.
Gui Weasley puxou sua varinha e gritou Crucius com tanta fora que fez o comensal mais prximo bater de encontro a
parede e desmaiar de dor. Depois disso, Gui se virou para o resto e falou:
- So inimigos e merecem ser tratados como tal. Usem o que for preciso, mas hoje este laboratrio no ficar inteiro!
Era a inspirao que faltava. Se algum da famlia Weasley, que sempre foi conhecida por sua bondade e lealdade,
usava uma magia to forte assim, os outros bruxos tambm usariam.
A luta ficou em p de igualdade em relao aos feitios, mas o nmero de membros da ordem era bem maior que os
comensais. Por mais que estes gritassem, convocassem aliados ou qualquer outra coisa, sempre ficavam em
desvantagem numrica.
Os bruxos de outras nacionalidades comearam a usar os feitios prprios de seus pases. Um dos feitios mais usados
(e ensinados posteriormente) foi o Apicus, lanado por um bruxo mexicano. Um enxame de abelhas mgicas atacava o
rosto do adversrio e este, se tivesse sorte, ficaria sem enxergar e falar por pelo menos umas duas semanas.
Outro feitio ensinado por um grupo de feiticeiros africanos provocava uma grave insolao nos comensais. Eles apenas
murmuravam, quase que sem gesto algum, a palavra Igneasolis e um sol ofuscante dominava a cabea do inimigo e
minava suas foras gradativamente.
A batalha na sala de torturas durou um bom tempo. E os membros da ordem avanaram para as salas seguintes.
O que aconteceu no foi diferente. Um a um os comensais eram derrubados e transformados em ratos. Uma equipe se
ofereceu para fazer a faxina - que era retirar os comensais derrotados e levar para a gaiola do lado de fora.
Quando os membros da ordem entraram no setor de testes de poes e feitios novos, a situao se complicou um
pouco. O setor estava cheio com nada menos que 12 dementadores mestios, que agora possuam um corpo fsico muito
resistente e varinhas.
Sem os capuzes usuais, eles revelavam uma face putrefata, sem olhos, com uma enorme boca, cheia de dentes
pontiagudos e escuros. As mos possuam garras afiadas e eles exibiam, com orgulho, enormes berrugas e bolhas cheias
de pus por toda pele. Quando essas bolhas estouravam, o lquido que saa queimava a pele de quem estivesse por perto.
A tristeza emanada pelos dementadores era cada vez mais forte e chegava a pesar no ar. Mas nada, nem ningum,
conseguiria impedir a ordem de realizar sua misso. Os bruxos conjuravam feitios para os outros comensais e tentavam
manter afastados os dementadores.
A luta prosseguia cada vez mais violenta, at que a porta de trs do enorme salo se abriu e entraram um troll das
cavernas e um lobisomem bem feroz.
Gui reconheceu imediatamente Fenrir e partiu para cima dele, enquanto os outros tentavam deter o troll.
O jovem Weasley ia lanar um feitio, mas foi impedido enquanto Fenrir caoava dele:
- Ento veio me pedir para terminar o servio? No me admira,  muito melhor ser um lobisomem do que um humano
fraco - grunhiu.
- Engano seu, Lobo. Vim apenas para terminar o que eu devia ter terminado aquela noite no castelo. Minha natureza
humana  muito mais forte que o seu instinto animalesco e nada do que fizer agora poder mudar isso em mim.
- Voc no sabe o que est falando, menino idiota - retrucou Fenrir com uma mistura de grunhido e risada - agora eu
tenho a fora de 5 da minha espcie. Sou um lobisomem em tempo integral e posso estraalhar voc a hora que eu
quiser.
Gui tinha a viso muito mais aguada agora. Reparou nas feies do lobisomem e viu uma gota de suor brotar entre
seus pelos. Aquilo s podia significar que Fenrir Greyback no estava em suas melhores condies. Aproveitando-se
disso, Gui provocou:
- Ento, se faz tanta questo de terminar o servio, vem me pegar Tot - e frisou bem a ltima palavra.
Greyback sentiu o sangue subir e correu atrs de Gui. Mas o rapaz revelava uma agilidade invejvel at mesmo para um
lobisomem. Corria entre os outros bruxos, desviava de feitios, que invariavelmente acertavam Fenrir, subia em cadeira,
mesas, armrios, derrubava biombos.
O lobisomem ia ficando cada vez mais para trs. Arfava cansado, mas no desistia. Continuava a correr atrs do bruxo.
Gui parecia que tinha tomado Felix felicis tamanha era sua sorte. Nada o atingiu, ele no parecia nada cansado. Muito
pelo contrrio, seu nimo melhorava sempre que via o que estava acontecendo ao seu agressor. At seus cabelos
pareciam no sair do lugar.
Ele olhou para trs mais uma vez e viu o que estava torcendo para acontecer, Greyback havia cado de joelhos e
arquejava com as mos (ou patas) sobre o abdmen.
Gui Weasley se aproximou com cuidado e sentiu no ar o cheiro de medo. Deu um sorriso vitorioso e falou:
- Ento o Tot j cansou? Que pena! Agora que eu ia buscar uma coleira pra gente passear...
A provocao foi demais para Fenrir. Ele saltou para cima do rapaz e tentou abocanh-lo. No conseguiu, os reflexos de
Gui estavam perfeitos, mas ainda assim acertou as garras na altura do peito do rapaz. O ferimento comeou a sangrar e
arder e Gui urrou de dor.
- Vou mostrar a voc quem precisa usar coleira - ameaou Fenrir indo novamente para cima do garoto.
Mas Gui j estava a postos e, no lugar da varinha, empunhava a espada dada pelos anes. O corpo de Fenrir Greyback
veio de encontro a espada e a lmina fria e reluzente entrou em suas carnes.
Ele berrou de dor. Uma dor muito profunda, jamais sentida antes. Sentia como se a maldio Cruciatos se concentrasse
naquele pedao de sua carne. Berrou a todos os que ainda estavam de p que fugissem, que fossem para a fortaleza.
Will, o troll das cavernas, no apresentava nenhum ferimento e pegou Fenrir no colo antes de sair do laboratrio,
deixando Gui sem terminar o que havia comeado. A espada cravara bem na cintura do lobisomem, mas o jovem bruxo
ainda no sabia se seria o suficiente para mat-lo.
Os membros da ordem checaram o resto das instalaes. Recolheram todas as informaes que julgaram importantes e
destruram o resto das coisas. O saldo da batalha tinha sido o seguinte: duas perdas para ordem (dois jovens bruxos
ingleses), 9 comensais mortos por picadas de abelhas, 4 por insolao e mais 24 detidos na gaiola.
Infelizmente os trouxas no resistiram aos ferimentos. No entanto seus corpos foram retirados do local para serem
enviados a um hospital prprio para que fossem devolvidos s famlias.
Antes de comearem a aparatar em Hogsmeade, um dos bruxos do grupo virou para a trs e conjurou a marca da ordem.
A enorme Fnix pairou sobre o local que tinha abrigado o laboratrio do Lorde das Trevas.
O relgio marcava quatro horas e o sol j ia se pondo. O clima em Hogwarts era tenso. Ningum tinha notcias do que
estava acontecendo em Londres e a aflio j tomava conta das pessoas.
Muitos andavam sem parar, outros tentavam se distrair com livros, jogos ou qualquer atividade. Mas qualquer barulho
vindo da porta tirava a ateno de todo mundo.
A porta finalmente se abriu e uma pessoa entrou. Mas no era ningum que fazia parte do batalho enviado a Londres.
Era Remo Lupin que chegava de uma viagem muito especial.
Ele esperava que sua notcia fosse alegrar a todos. Mas esqueceu-se do que ia dizer quando soube da empreitada. Falaria
com eles mais tarde. Agora queria notcias de todos.
Pouco depois que Lupin chegou, ouviu-se uma balburdia no jardim. Os anes gritavam coisas incompreensveis. Logo
uma flauta comeou a tocar, seguida de tambores e outros instrumentos estranhos. Era uma msica alegre e todos
entenderam do que ela falava.
Falava de vitria! - imaginou Harry olhando ansioso para a porta e alegre para os amigos.
Todos correram para a porta. O batalho voltava quase que completo e aquilo era um bom sinal. Logo cada bruxo
procurou seus amigos e familiares para contar o que havia acontecido.
Gui veio ao encontro de Fleur que estava sentada numa cadeira. Na ltima semana a meio-veela recebeu a notcia de
que sua me havia sido morta por um comensal. Desde ento sua sade ficava cada vez mais frgil.
Ele aproximou-se da mulher, ainda com os cortes a mostra e deu-lhe um beijo na testa, um beijo cheio de amor e
ternura, que fizeram as cores voltarem a face plida da jovem.
- Vou at a ala hospitalar cuidar disso aqui - disse baixinho - voc quer vir comigo?
- Querro sim! Estava prreocupada.
- Mas agora j pode se acalmar. No aconteceu nada srio e ns ganhamos.
Eles caminharam para a ala hospitalar e quando Gui passou por Lupin, que conversava com Tonks em uma mesa,
lanou sobre ele um tufo de pelos ensangentados.
- Nosso amigo Fenrir mandou lembranas - brincou Gui.
Lupin pegou o tufo, olhou para o rapaz e perguntou, um tanto incrdulo:
- Voc fez isso?
- S isso no, fiz muito mais. Deixei nele a minha marca. No sei por qu, mas tenho a sensao de que ela tambm no
vai cicatrizar muito bem. Como as minhas feridas. - respondeu passando a mo sobre as marcas deixadas pelo
lobisomem - Depois eu lhe explico direito.
A noite foi de comemorao em Hogwarts. Havia msica, dana e at os fantasmas brindavam com os vivos. Todos
estavam felizes. S Harry ainda permanecia tenso. Dentro de mais dois dias ele partiria rumo a Fortaleza.
Estava sentado com os amigos, tentando prestar ateno na conversa, quando sentiu uma mo enorme em seu ombro.
Virou-se e deu de cara com Hagrid.
- Ah, oi Harry. Preciso falar com voc. A ss, se for possvel!
Harry lanou um olhar para os amigos e se levantou para acompanhar o gigante.
- 30 -
O segredo de Hagrid
Hagrid guiou Harry at o lugar mais silencioso que encontrou, o fim de um corredor no segundo andar. Ele ajoelhou pra
ficar da altura do rapaz e pela cara do guarda-caa, Harry percebeu que o assunto era srio.
- Olha, eu... eu no sou um cara comum, voc sabe disso, n? - comeou Hagrid.
Harry no sabia se devia responder ou no. Por fim, apenas balanou a cabea, sem dar certeza de sua resposta.
- E voc tambm sabe que quando eu coloco uma coisa na cabea, bem, fica meio difcil de tirar.
Harry olhou mais uma vez para o rosto de Hagrid. No sabia aonde aquela conversa iria chegar.
- Hagrid, voc sabe que pode confiar em mim. Eu nunca contei para ningum sobre as coisas que voc fazia.
- Eu sei, mas agora  um assunto mais delicado. Tem haver com voc, Harry.
- Comigo?
- Isso, eu escondi isso de todo mundo. S Dumbledore me entendeu e me ajudou.
- Escondeu o qu? Hagrid, eu estou comeando a ficar preocupado.
- Venha comigo, Harry. Preciso lhe mostrar algumas coisas.
O meio-gigante saiu apressado do castelo em direo  floresta proibida. Harry corria atrs tentando manter uma
aproximao razovel.
Hagrid embrenhava-se cada vez mais entre as rvores. Caminhava sempre apressado. Parecia que queria terminar logo
com aquilo, como se tivesse medo de alguma coisa. Ou pior, medo de desistir.
Harry o seguia de perto e no conseguia imaginar o que Hagrid poderia ter para lhe devolver. Ainda mais um segredo
to bem guardado, afinal, ele sabia que Hagrid nunca fora bom em guardar segredos. O ar gelado doa os pulmes do
garoto.
O guarda-caa parou de repente e Harry trombou em suas pernas.
- J cheg... - ia perguntar, mas Hagrid o interrompeu.
- Quieto, no faa barulho! Agora tente se aproximar devagar - pediu sussurrando.
O rapaz obedeceu-lhe o melhor que pode. Quando se posicionou ao lado de Hagrid, pode ver uma mancha escura
andando lentamente pela floresta. A criatura no tinha pressa. Parecia que estava a passeio.
Sem querer, Harry deu um passo atrs e pisou em um galho seco, que estalou provocando um eco na floresta silenciosa.
Os dois assustaram-se e ficaram esperando a criatura correr, espantada pelo som do galho.
No entanto, ela levantou a cabea e quando viu os dois parados caminhou at eles. Farejou os dois e ficou ali, olhando,
como se esperasse que falassem alguma coisa.
Harry procurou o olhar de Hagrid, mas no encontrou. O guarda-caa estava paralisado, admirando a criatura,
emocionado com a situao.
No era um dos bichos que Hagrid costumava idolatrar. Parecia totalmente indefeso, pequeno e simples. Nada de
espinhos, bicos afiados ou chamas lanadas pela boca. A criatura que encantava o meio-gigante era uma simples cabra.
O jovem bruxo ficou sem saber o que dizer. Por fim, perguntou:
- Hagrid, que bicho  esse? - imaginando se tratar de um bicho perigoso com aparncia inofensiva.
- Uma cabra, Harry. Vai me dizer que nunca viu uma?
- Eu conheo cabras, mas queria saber o que essa tem de to especial?
- Essa cabra eu ganhei da minha me, Harry, antes dela ir embora. Me pediu que cuidasse dela com muito carinho e a
mantivesse em segurana.
A cabra, perto do guarda-caa parecia um cachorrinho de bolso. Por que, afinal de contas, Hagrid teria que cuidar de
uma cabra? Harry pensou muito e fez essa pergunta ao meio-gigante, que respondeu:
- Ah, Harry, s vezes eu esqueo que voc no cresceu no mundo mgico. As crianas bruxas aprendem desde cedo
uma lenda que diz que existe uma cabra que nasceu junto com o mundo. Essa cabra s deixa ser ordenhada em pocas
de guerra, e seu leite alimenta o guerreiro escolhido por uma profecia.
- Nossa, nunca ouvi nada disso! Mas a Hermione deve saber toda a histria dessa lenda. - comentou Harry.
- Mas no  uma lenda, Harry.  real. E sou eu quem cuida dela.
- Quer dizer que essa cabra  to velha quanto o mundo?
Hagrid deu uma risada sufocada para no assustar o bicho.
- No seja bobo, Harry. Nenhum animal vive tanto tempo assim. Ela  uma descendente da cabra da lenda.
- E por que sua me estava com essa cabra?
- Agora eu no posso lhe contar, preciso fazer uma coisa antes que ela mude de idia. Depois voc pergunta para a
Mione. Ela lhe contar tudo!
Hagrid deixou Harry no mesmo lugar, se aproximou cuidadosamente da cabra e ajoelhou-se. Tirou um cantil de couro
do bolso do casaco e fez alguma coisa que Harry no conseguia ver.
Depois, virou-se para o rapaz e entregou o cantil.
- A est, o leite de Held. Faa bom proveito!
Harry continuou com a cabea cheia de dvidas. Guardou o cantil em seu prprio bolso e seguiu calado, atrs do
meio-gigante.
O jovem achou que eles voltariam para o castelo, mas Hagrid se embrenhou ainda mais na floresta. Harry quase no
conseguia acompanh-lo. O adiantado das horas aumentava o frio.
Depois de quase 30 minutos de caminhada, ele chamou pelo amigo:
- Hagrid, espere um pouco! Onde voc est me levando?
- Eu disse que tinha uma coisa relacionada a voc que precisava mostrar.
- E onde est essa... essa coisa?
- Logo ali, mais uns 15 minutos, Harry, eu garanto que voc vai adorar!
Harry torceu para que a coisa em questo no fosse nada ao gosto de Hagrid. Normalmente, as coisas que o guarda-caa
do castelo gostava eram gigantescas e perigosas.
- Pronto, chegamos! - avisou Hagrid.
Harry viu um galpo, velho, mas bem construdo, feito de madeira e sem janelas. Apenas uma porta larga indicava a
entrada do lugar.
Havia uma enorme corrente mgica e um cadeado com dentes, caso algum tentasse arrombar.
- Medidas de segurana - explicou Hagrid - tive que coloc-las quando os comensais invadiram o castelo.
Ele tirou o guarda-chuva cor de rosa do bolso e fez um aceno suave. Logo as correntes sumiram e o cadeado virou um
bichinho parecido com uma borboleta.
- Agora, ajudaria se voc fizesse uma luzinha a, Harry.
- Lummus - murmurou o rapaz cada vez mais interessado em saber o que haveria dentro do galpo.
Hagrid abriu a porta larga e Harry pode avistar um objeto muito grande, coberto por um tecido grosso e escuro.
O meio-gigante puxou o pano com um movimento rpido e revelou o que havia debaixo.
- E ento? Gostou?  seu presente de aniversrio! - falou Hagrid.
Harry estava boquiaberto.
- Mas, voc j me deu... quero dizer, voc me escreveu... e isso deve ser caro... eu... - o rapaz continuou a balbuciar
algumas coisas, at que Hagrid o interrompeu.
- Escuta, esse presente no  meu.  do Sirius. Uma vez ele me pediu que guardasse isto aqui. Que daria a voc quando
fizesse 17 anos. Ele no teve tempo, mas eu fiz cumprir a palavra dele.
Harry abraou Hagrid comovido. Agora ele tinha alguma coisa que era realmente a cara de seu padrinho.
Eles voltaram para o castelo muito mais rpido do que o jovem poderia imaginar. Quando chegaram, a festa ainda
continuava animada.
Harry correu at os amigos e falou:
- Venham, venham ver o que meu padrinho deixou para mim!
Gina, Mione, Rony, Luna e Neville o seguiram at o jardim. L chegando encontraram uma moto enorme, preta, com
detalhes em prata. Sobre a direo havia uma figura de um lobo uivando.
Hagrid explicou-lhes que ela era enfeitiada e que podia voar. Contou que foi nela que ele levara Harry at a casa de
seus tios quando ele derrotou Voldemort pela primeira vez.
A moto era linda e muito bem cuidada. Os assentos eram macios e, como Harry descobrira na volta para o castelo, ela
era muito fcil de ser conduzida.
Eles voltavam para a festa quando Harry segurou Gina pelo brao.
- Vamos passear nela depois da festa? - perguntou com o mesmo ar irreverente de seu pai.
- Vamos, deve ser uma delcia!
De volta ao castelo, Harry foi pegar sua varinha para brincar com Rony, quando se lembrou que havia algo mais em seu
bolso. Tirando o cantil com o leite da cabra Held, ele foi atrs de Hermione.
A jovem estava sentada, comendo uma tortinha de abbora e rindo das piadas de Luna.
- Mione, preciso falar com voc - disse em tom de quem faz um pedido.
Ela se endireitou na cadeira e respondeu que ele poderia falar.
- Voc sabe alguma coisa sobre a lenda de uma cabra que nasceu junto com o mundo?
- Sei sim,  uma histria que contam para as crianas. Para que elas comam direito.
- E como  essa histria?
- Por que quer saber? Est tendo dificuldades para comer? - zombou Rony que acabara de chegar e ouvira a conversa.
- Deixa de ser bobo! - respondeu Harry rindo - Depois eu explico o motivo, agora preciso saber da histria.
- OK. Sente-se ento. A lenda diz que, assim que o mundo foi criado, uma cabra surgiu para dar de comer ao primeiro
homem. O leite da cabra amamentou esse homem at ele conseguir seu alimento sozinho. Mas o leite da cabra era to
bom, que ele ficou muito forte, desafiou os deuses para um duelo e venceu.
- Como prmio, os deuses lhe concederam um desejo. Como muitos outros homens j haviam aparecido e as guerras
eram constantes, ele pediu para se tornar mais alto que as rvores e montanhas, para poder enxergar ao longe quando os
inimigos se aproximassem.
- Os deuses concederam o pedido e ele virou o primeiro gigante. Mas havia uma condio: sua fora s existiria
enquanto a cabra sobrevivesse e suas geraes fossem protegidas. Assim, a cabra  passada de gerao para gerao,
afim de que os gigantes mantenham sua fora. - finalizou Mione.
Harry olhava para a garota e segurava o cantil dentro do bolso. Retirou o objeto e colocou na mesa.
- O que  isso? - perguntou Luna.
- Leite. Da "tatatataraneta" dessa cabra - falou Harry.
- Ah bom, pensei que fosse kumkis. Meu pai usa um cantil desse para guardar kumkis, sabe, ele  muito inflamvel.
Ningum assustou com o comentrio de Luna. Ela era especialista em fazer comentrios em horas imprprias, mas os
amigos no importavam com aquilo.
O que todos queriam saber agora era como Harry conseguiu aquilo. E ele teve que explicar que quem cuidava da cabra
agora, era Hagrid. Que todos aqueles animais perigosos eram para impedir que a cabra fosse atacada. E que Hagrid
deu-lhe o leite sem explicar o que fazer com ele.
- Acredito que o nico jeito de usar um cantil de leite  bebendo - sugeriu Gina.
- Eu sei, mas tem um lance de hora certa de usar. Quando vai ser a hora certa?
Todos pensaram a mesma coisa. A hora da batalha contra Voldemort. Mas ningum falou e o assunto morreu.
A festa estava no final, quando Harry chamou Gina para o passeio de moto. Eles saram sorrateiramente e alcanaram o
jardim, onde a moto estava estacionada. Subiram e Harry ensinou a ela como dar partida.
Em poucos instantes a moto deslizava pela grama molhada co castelo.
- Vamos voar? O cu est lindo e merc um vo, voc no acha? - perguntou Harry.
Gina s respondeu com um aceno de cabea e Harry deu o comando para que a moto levantasse vo.
Eles sobrevoaram o jardim, passaram por cima do salgueiro lutador, pela orla da Floresta Proibida, pelo lago, onde
puderam ver o reflexo da moto na gua e se viraram para voltar para o castelo.
J estavam a meio caminho quando Harry ouviu Gina gritar.
Ele olhou para trs assustado. A jovem estava ali, firme na moto voadora, mas seu rosto estava apavorado e suas mos
apontavam para alguma coisa distante.
Harry olhou a direo que ela apontava e tambm se preocupou. A Marca Negra pairava sobre algum lugar de
Hogsmeade.
- 31 -
O verdadeiro herdeiro
Eles voltaram imediatamente para o castelo, torcendo para que ainda houvesse bruxos acordados. Encontraram muito
poucos.
Foram para a torre da Grifinria e chamaram por Rony e Hermione. Logo, um grupo de 30 bruxos, incluindo Lupin,
Tonks, Minerva, Hagrid e os 6 jovens, partiam em direo ao vilarejo vizinho de Hogwarts.
A ida foi cheia de tenso. A todo instante as varinhas eram puxadas para morcegos e outros animais noturnos.
Quando chegaram ao povoado, muitos moradores estavam nas ruas, assustados com o que havia acontecido. Alguns
choravam e outros juravam fazer justia.
A diretora de Hogwarts perguntou a um dos moradores o que havia acontecido de to terrvel assim, para que as pessoas
sassem de suas casas.
- Eu no sei. No quis ir ver. Ouvi as pessoas gritando, chorando de dor, implorando para serem mortas. Foi horrvel s
de ouvir. Imagina ver alguma coisa!
- E de onde vinham os gritos? - perguntou Tonks, que usava um cabelo ruivo intenso e liso.
- Dali - disse o homem apontando para o Trs Vassouras.
Os membros da Ordem seguiram para o bar. Mas nada do que eles esperavam os prepararia para o que viram no local.
Mais de 12 pessoas mortas, incluindo Madame Rosmerta. Todas com requintes de crueldade. Nenhum sinal de Avada
Kedavra. Ningum foi poupado de sofrimento naquele lugar. Os corpos estavam estraalhados, virados pelo avesso
cheios de marcas de cortes.
Foi Luna quem percebeu um detalhe mais mrbido ainda. Quatro mos, separadas de seus respectivos corpos
apontavam para uma inscrio na parede, feita com sangue humano.
Isso  s um aviso: devolvam o herdeiro antes que o Lorde decida busc-lo pessoalmente.
No fazia sentido. Ningum sabia de nenhum herdeiro. Eles saram do bar desanimados. O dia que comeara com uma
vitria to significativa perdera sentido com a grande quantidade de mortos.
-  uma retaliao - sugeriu Lupin - pelo que aconteceu hoje de manh.
- Tudo bem - concordou Tonks - mas essa histria de herdeiro no encaixa.
- Vocs no resgataram ningum de l, no  mesmo? - perguntou para um dos bruxos que participou do ataque ao
laboratrio.
- No, s havia dois trouxas que morreram assassinados por comensais. Se fossem herdeiros de alguma coisa no
seriam torturados at a morte. - respondeu o bruxo.
- E se for algum dos prisioneiros? - arriscou Minerva.
- Pode ser! Amanh daremos veritasserum para eles e depois os interrogaremos. - disse Tonks.
- Os prisioneiros continuam em Hogwarts? - perguntou Lupin incrdulo.
- Continuam. E esto bem presos onde ns os colocamos - respondeu Minerva - Amanh mostro nossa "penitenciria"
a voc. Agora vamos todos descansar.
Os jovens voltaram para a torre, mas eles no queriam dormir. Tinham um palpite bem diferente do da diretora. E iriam
discuti-lo antes de dormir.
- Vocs pensam o mesmo que eu? - perguntou Mione.
- Que o herdeiro foi salvo por ns? Ou seja, que o herdeiro  o Draco? - completou Gina.
- , pelo visto pensamos igual! - respondeu Harry.
- Mas se fosse Draco, Aquele-que-no-deve-ser-nomeado j teria vindo atrs. A gente resgatou Draco h um bom
tempo. - argumentou Rony.
- No se ele estivesse ocupado - comentou Luna, como quem comenta sobre o tempo de uma tarde de domingo.
Eles se olharam. Sim, poderia ser aquilo. Draco estava muito bem guardado. Ningum descobriu a primeira invaso ao
laboratrio, nem a morte do dementador, que era guarda exclusivo de Draco. E eles ainda contaram com a ajuda de
Krum.
- Ento, temos que procurar Lucius. Draco corre perigo! - falou Harry, decidido.
- E descobrir o que ele vai herdar - somou Luna.
Aquela noite a jovem loira estava inspirada e s fez comentrios teis. Harry, ao ouvir isso, lembrou-se do sonho em
que Voldemort contava para Snape que j tinha um herdeiro. Mas que ele no herdaria o poder, nem o lugar dele.
Harry pensou o quanto era incrvel que essa histria de herdeiro aparecia constantemente nos ltimos dias. Primeiro a
profecia de Rony. Depois a lembrana de sua me. E agora, o recado deixado pelos comensais.
Estava quase amanhecendo quando eles finalmente foram vencidos pelo cansao e adormeceram ali mesmo, aos ps da
lareira do salo comunal.
Todos acordaram com o corpo dolorido e com frio, a lareira estava quase apagada. Eles se arrumaram e voltaram para o
salo principal. Com certeza um ch bem quente os deixaria animados de novo.
J sentados tomando o ch servido com bolinhos de baunilha, ningum quis falar nada sobre a noite anterior. A imagem
das doze pessoas totalmente dilaceradas no Trs Vassouras no saa da mente deles.
Ficaram em silncio por um bom tempo. Gina percebeu que seu ch havia esfriado e foi aquec-lo com a varinha. Antes
que pudesse voltar a beb-lo, a porta do castelo se abriu e um bruxo de roupa preta, usando uma capa da mesma cor,
com um capuz que lhe cobria mais da metade do rosto entrou.
Vrios bruxos vinham atrs tentando impedi-lo. O bruxo s virava sua varinha e impedia os feitios como se lesse a
mente dos conjuradores.
Ele caminhava direto para os garotos, e eles se levantaram com as varinhas j em mos. Assim que chegou perto o
suficiente, o bruxo tirou o capuz.
- Lucius! - exclamou Mione - O que faz aqui???
- Preciso falar com o Harry,  urgente e gravssimo! - respondeu o ex-comensal da morte.
Harry teve que gritar a todos que estava tudo bem e a diretora teve que intervir para que acreditassem que Lucius
Malfoy no era mais um comensal da morte.
Os dois foram para a sala da diretora junto com ela, onde poderiam conversar mais tranqilos. Lucius no aceitou a
cadeira que Minerva ofereceu. Seu nervosismo era to grande que ele andava de um lado a outro da sala sem parar.
- Agora pode dizer, Lucius, qual o problema? - falou Harry.
- Eu vi, Potter, naquele espelho que voc me deu. Vi a Belatriz conversando com o Lorde. E eles falavam sobre o
Draco.
Harry olhou preocupado para a diretora.
- O que falavam sobre ele exatamente? - perguntou McGonagal.
- Falavam que ele no poderia ter sumido. Que Belatriz deveria encontr-lo o mais rpido possvel. E que se fosse
preciso, era para matar Narcisa caso ela soubesse o paradeiro do filho.
- Ele no disse o porqu de tanto interesse assim? - perguntou Harry.
- No, no disse. Mas tenho quase certeza que Narcisa sabe. Ela est sendo muito bem tratada na Fortaleza. E voc sabe
que Voldemort no dispensa bons tratos com qualquer um.
- Mas ela sabe que o Draco est com voc? - quis saber o jovem bruxo.
- No, eu no tive coragem de conversar com ela. Primeiro porque Bela vive ao seu lado, como se a vigiasse. E
segundo, bem, ela no entenderia tudo o que eu fiz por ele.
As ltimas palavras saram quase que sussurradas. Pelo visto, Narcisa daria a vida do filho, mas no aceitaria que ele
mudasse de lado ou que recebesse ajuda dos inimigos de Voldemort.
- Eu sei - continuou Malfoy - que elas desconfiam de mim. Eu fiquei muito tempo afastado. Mas tive medo de que
algum dos meus antigos companheiros usasse legilimncia em mim. Eu nunca fui bom oclumente.
Finalmente, Malfoy parara de andar e se jogara em uma cadeira. Parecia exausto, aflito, indefeso at.
- Sinto que mesmo naquela casa, Harry, Draco corre perigo. Afinal, ele no consegue se defender. Nem sabe para que
serve uma varinha.
Aquilo no era mais uma informao. Era uma splica para que algum ajudasse a proteger seu filho. Malfoy mudara
muito e se no fossem as condies em que eles encontraram Draco, qualquer um poderia jurar que estava fingindo.
- Diretora - disse Harry depois de um tempo - o professor Slughorn ainda est no castelo, no  mesmo?
- Est, Potter. Mas no vejo em que o professor possa ajudar! - respondeu-lhe Minerva.
- Se no se importar de me esperar aqui Lucius, eu volto num instante com a soluo dos seus e dos nossos problemas.
- disse o jovem, que saiu assim que Lucius fez um sinal com a cabea.
Mais de 20 minutos haviam se passado quando Harry retornou com o ex-professor de Poes. Este se mostrou admirado
com a presena de Lucius Malfoy, mas logo todas as explicaes foram dadas.
- Agora  sua vez de explicar o que quer do professor, Potter - pediu McGonagal.
-  muito simples, ns vamos trazer Draco aqui para o castelo. As condies so melhores aqui para cuidar da sade
dele. E depois Lucius vai para a Fortaleza, na esperana de encontrar Draco.
- Harry, isso  loucura. O Lorde saberia assim que eu pisasse na Fortaleza que eu estou mentindo. - contestou Lucius.
-  para isso que o professor Slughorn est aqui. Lembra, diretora, do que ele fez na memria da Umbridge? Pode
repetir na do Lucius e ele vai manter Draco e ele mesmo em segurana. Alm de descobrir o que querem com ele.
-  uma idia interessante, Harry. Mas tem um pequeno inconveniente - argumentou o professor.
- Qual? - perguntaram os outros trs ao mesmo tempo.
- Lucius pode no se lembrar de nada. Inclusive que vocs o esto ajudando. E isso ser perigoso, at para Draco.
- No h nada que possa resolver isso? - perguntou Harry aflito.
- S se existir algum lao mais profundo entre vocs. O que eu imagino no ser possvel - disse Slughorn.
- Um lao? Precisa ser um lao de afinidade? Ou pode ser um lao mgico?
- Lao mgico? Como um...
- Um juramento inquebrvel?
- Bom, um juramento inquebrvel resolveria a questo. Mas Malfoy, voc faria um juramento desses?
- No faria - respondeu o homem - eu j fiz, Slughorn. Agora faa a sua parte o mais rpido possvel!
- Primeiro precisamos tirar o Draco da casa e traz-lo para c. Assim, modificamos a memria uma vez s!
Harry deixou os trs conversando e foi informar aos amigos sobre a vinda de Draco para o castelo.
- O combinado - disse Harry - foi de Lupin e Tonks buscarem Draco no Largo Grimmauld e o levarem em segurana
para o castelo. Para no haver problemas caso ele se recuse a acompanhar os dois, Lucius vai junto e vai faz-lo
adormecer com uma poo. Depois, eles vo aparatar em Hogsmeade. Mais precisamente na Casa dos Gritos e vir para o
castelo.
-  um plano e tanto - comentou Gina - acho que no tem possibilidade de falhas.
Eles partiram antes mesmo do almoo, com a previso de regressarem em no mximo duas horas.
- Mais um perodo de tenso e ansiedade - reclamou Mione.
- Tem sido assim todos os dias este ano - completou Rony.
- , mas o que irrita  que  uma tenso que no resolve nada. Todo dia alguma coisa acontece e atrasa nossos planos.
Parece at de propsito - desabafou a namorada de Rony.
- Sei como voc se sente, Mione. Alis, acho que sinto at mais que voc. Por mim, acabava com essa histria de uma
vez. Ia l naquela fortaleza e dava um fim nisso tudo. - extravasou Harry.
- Mas agora isso vai acabar, no  mesmo? Assim que alterarem a memria do Lucius a gente vai com ele para a
Fortaleza - argumentou Gina.
- No sei, no sei se deveramos sair antes de descobrir essa histria do herdeiro e do que Voldemort quer com Draco. -
assomou Harry.
Eles continuaram conversando, quando um garoto de uns 12 anos chegou e entregou um bilhete a Harry. Era da diretora
e o chamava imediatamente a sua sala.
Ele obedeceu ao chamado e foi at a sala da diretora. Chegou e antes que pudesse bater a porta se abriu e McGonagal o
convidou para entrar.
Havia mais uma pessoa na sala, mas estava sentada no escuro e Harry no pode ver quem era.
- Bem, Potter, o chamei aqui para lhe informar que a sua prima j est completamente curada - disse a diretora.
- Prima? - estranhou Harry.
A pessoa ao fundo da sala se levantou e veio para a claridade.
- J se esqueceu de mim, Harry?
Ento o jovem finalmente viu quem era. Ada Goldrisch estava ali, de volta ao castelo.
Ela foi at o jovem e o abraou. Eram os nicos parentes bruxos que ambos possuam.
- Agora, pode me contar tudo o que aconteceu! No tinha como vir para c antes por causa dos ferimentos. Tinha uma
dieta rigorosa e umas poes horrveis para beber. S agora consegui autorizao do meu medibruxo - falou Ada.
Harry e Minerva contaram a professora de Histria da Magia Avanada tudo o que havia se passado. Ada se mostrou
muito interessada na batalha do laboratrio e na presena de elfos e anes no mesmo ambiente.
- Vou deix-los conversando, preciso verificar se Lupin e Tonks deram alguma notcia - disse McGonagal enquanto
saa.
Assim que a diretora saiu, Harry pode perguntar o que o estava incomodando tanto.
- Ada, voc sabe alguma coisa sobre o herdeiro dos olhos de Thor?
- Sei - disse um pouco surpreendida -  uma profecia muito antiga, Harry.
- Eu sei disso, mas queria entender o que so os olhos de Thor.  alguma jia, assim como a Andriax, ou um objeto
mgico?
Ada se levantou e comeou a andar pela sala. Parecia bastante compenetrada, como se escolhesse bem cada palavra que
ia usar. Por fim, ela disse:
- Harry, a profecia dos olhos de Thor  a mais antiga no cumprida at hoje. Ela existe h pelo menos 600 anos! Onde
voc ouviu isso?
- O Rony disse que as estrelas falaram com ele sobre essa profecia - respondeu o rapaz em voz baixa.
- Ento, a profecia veio  tona outra vez?
- No s a profecia. Ns temos uma pista muito forte sobre quem  esse herdeiro.
Rapidamente ele contou os ltimos acontecimentos  professora.
- Faz sentido, Harry. A profecia diz que o herdeiro dos olhos de Thor vai possuir uma arma incomum, a nica arma
capaz de expulsar os mortos.
- Como assim? Que mortos?
- A verdade  que a parte sobre essa profecia se encaixa em uma longa histria. Uma histria que diz que quando o mal
se levantar todo aquele que pertenceu ao mal em vida ir se levantar e engrossar as fileiras dos seguidores do tormento.
- Inferis, mortos-vivos!  isso, no ? E eles so fortes e nojentos, fariam uma grande diferena, com certeza! -
exclamou Harry, lembrando do Inferi que o segurou na caverna.
- Isso mesmo! E a nica arma que pode faz-los voltar para os seus lugares  a luz que sair dos olhos de Thor.
- Ento, se Malfoy for mesmo o herdeiro, por que Voldemort o quer? Ele sabe que a famlia de draco sempre foi fiel a
ele. - argumentou Harry.
- Talvez eu possa lhe responder. Pelo que sei, esse  o rapaz que quase assassinou Dumbledore ano passado. Uma tarefa
bem difcil para um comensal daquela idade.
Harry abaixou a cabea e continuou a ouvir os argumentos da professora.
- Voldemort no daria uma tarefa desse porte a Draco por puro capricho. Ainda mais tendo Snape dentro do castelo.
Ento, raciocine comigo, Harry: por que Draco Malfoy? Para se vingar de Lucius? Se fosse uma simples vingana ele
teria matado o homem ou algum de sua famlia.
- E - completou Harry - ele no teria castigado Draco depois. Afinal, ele conseguiu o que queria. Dumbledore est
morto.
- Perfeito! - exclamou Ada.
- T, mas ainda no consigo entender! - disse Harry um pouco sem pacincia.
- Os olhos de Thor so uma herana divina. Um presente dado por uma entidade boa, benfica. Mas o herdeiro pode ser
destitudo desse presente se cometer um crime. Ento...
- Se Draco assassinasse Dumbledore, deixaria de ter os olhos e no ofereceria mais perigo ao exrcito de Inferis de
Voldemort - concluiu o rapaz.
Eles continuaram discutindo as implicaes da profecia e como Draco poderia ajudar estando ainda doente. O jovem
bruxo chamou a professora para almoar junto com os amigos, ao que ela aceitou de bom grado.
Voltaram para o salo principal e encontraram todos discutindo se o plano sobre Draco e Lucius daria certo.
O almoo foi servido e eles mal tocaram na comida, tamanha era a expectativa. Estavam no final da sobremesa, quando
Lucius entrou, indicando caminho ao filho e seguido de perto por Lupin e Tonks.
- Tudo certo - avisou a auror, que usava um cabelo crespo, curto e loiro.
- Muito bem, Draco - disse Lucius ao filho - voc vai ficar aqui para ser cuidado pelos melhores medibruxos do
mundo.
- Ah, est bem - falou o garoto que aparentava ter emagrecido uns 5 quilos e tinha o olhar abobalhado - Onde  o meu
quarto?
Draco ocupou um quarto conjugado ao da diretora de Hogwarts que achou mais prudente do que deix-los com os
outros da sua idade.
- Agora - disse Lucius determinado - onde est Slughorn. Eu preciso "esquecer" muitas coisas!
- 32 -
A Fortaleza do Mal
O procedimento com Lucius foi bem diferente do que Harry havia imaginado. Ele pensou que fariam do mesmo jeito
que foi feito com Dolores Umbridge. Mas Lucius estava consciente e isso era um detalhe que no poderia ser ignorado.
Slughorn pediu  diretora que deixasse Lucius inconsciente. Mas ela sugeriu que se chamasse Madame Pomfrey para
dar-lhe alguma poo para dormir.
Lucius no agentou nem um minuto aps ingerir a poo. A luz da sala foi diminuda e logo as lembranas de Lucius
vagavam na penumbra. Slughorn agia com cuidado. Parecia um cirurgio, tamanha era sua concentrao e ateno aos
detalhes que precisavam ser alterados.
A primeira lembrana mudada, ou melhor, completamente retirada foi da conversa no Olho do Furaco. Depois foi
apagada a lembrana do plano e do resgate.
Por fim, Slughorn colocou em Lucius imagens de um sonho em que ele tentava salvar Draco e via Belatriz batendo na
cara do rapaz.
Outros detalhes e cenas foram sendo criados lentamente para que os pensamentos de Lucius no entrassem em colapso.
Foram mais de 5 horas de trabalho rduo.
Mione, Rony, Gina e Harry acompanhavam tudo de perto para informar o que precisava ser alterado.
Lucius ainda dormiria por mais ou menos 2 horas antes de acordar, e isso, definitivamente, no poderia acontecer dentro
do castelo. Ele foi levado at Hogsmeade e deixado numa rua escura e deserta.
Tonks iria vigi-lo de perto. O acompanharia at a Fortaleza. Sabiam que ele iria aparatar em Stonehenge e de l
seguiria a p at o esconderijo de Voldemort que, assim como Hogwarts, tinha feitios anti-aparatao.
No castelo a notcia de que aumentavam as chances de um confronto direto com o Lorde das Trevas e todo seu exrcito
se espalhou rapidamente. Foram montados clubes de duelos para treinamento de feitios enquanto os elfos e os anes
ensinavam muitos bruxos como usar bem suas espadas.
No muito longe dali, Lucius acordou. Estava sentado no passeio ao lado de uma casa abandonada. Sacudiu a cabea
como se tentasse entender como fora parar ali. De repente uma idia surgiu em sua mente:
- Draco, preciso encontrar Draco. Ele pode estar em perigo! E s tem uma pessoa que poderia oferecer tanto risco assim
ao meu nico filho.
Mal acabou de dizer e aparatou, como estava programado em sua mente, em Stonehenge.
Tonks foi atrs, cuidando de alterar sua aparncia de tempos em tempos. Assim, Malfoy no se sentiria perseguido nem
correria o risco de travar uma batalha intil com ela.
O lao de Malfoy era com Harry, e mais ningum estava a salvo da verdadeira essncia do bruxo.
Foi particularmente complicado seguir Lucius at a Fortaleza. No se podia simplesmente andar em linha reta. Os
feitios estavam espalhados por vrios lugares e era preciso saber onde pisar, como num campo minado.
Tonks procurava deixar uma distncia segura, mas precisava ver onde Lucius passava.
Num determinado lugar, Lucius Malfoy parou, tirou sua varinha e comeou a pronunciar um encantamento. Eram
palavras carregadas da mais profunda Magia Negra. Por fim, levantou a manga esquerda e a marca negra em seu brao
brilhou.
Um porto se fez visvel e logo todo um castelo apareceu. Tonks ficou admirada com a perfeio da magia. O castelo
era uma cpia fiel de Hogwarts, mas suas janelas e portas eram feitas da mais pura esmeralda, e o porto principal tinha
lapidado em si a mesma caveira com lngua de cobra que aparecia nos cus quando os comensais atacavam.
Ela percebeu que no teria como entrar no castelo, pois assim que Lucius entrou tudo voltou a ficar invisvel.
Num esforo de memria herico, Tonks fez o caminho de volta at o monumento turstico e aparatou novamente em
Hogsmeade.
Assim que Lucius entrou na Fortaleza, foi direto ao salo principal. Era ali que se lembrava de ter visto Belatriz
esbofetear Draco. Chegou ao local e presenciou uma cena que deixaria qualquer um confuso.
Sua cunhada estava ali, bebendo um clice de qualquer coisa, ajoelhada aos ps de Voldemort. E entre um gole e outro,
fazia juras de fidelidade eterna.
Lucius entendeu do que se tratava. Belatriz estava enfeitiada. Era por isso que de uns tempos para c ela havia lhe
parecido mais irracional. Sua obedincia ao Lorde chegava a ser como uma obsesso.
Era um trunfo que Lucius no deixaria passar. Posicionou-se de frente ao bizarro "casal" e disse:
- No creio que este seja o momento mais oportuno para tratar do assunto que me traz aqui. No entanto no tenho
tempo a perder. Vim buscar meu filho.
Belatriz deu um salto ao ouvir a voz do cunhado. Mas Voldemort no esboou reao nenhuma. Apenas falou:
- Boa noite, Lucius! - a voz de serpente cada vez mais vibrante - O lado das trevas pode ser muito cruel, mas sem
dvida nenhuma no  mal educado.
- No tenho tempo para boas maneiras, meu Lorde. Preciso encontrar meu filho e sei que essa a - disse apontando com
a varinha para Belatriz - o est escondendo.
Voldemort olhou lentamente para a mulher ali parada, com ares de que no estava entendendo nada.
- Tenho certeza que est enganado, Lucius - sibilou Voldemort. - Bela no esconderia de mim onde est o jovem
Malfoy. Um jovem pelo qual eu tenho um interesse particular.
- No, meu Lorde. Nunca faria tal coisa - respondeu a bruxa indignada.
- Deixe de ser dissimulada, Bela. Eu a vi. Vi quando voc esbofeteou meu filho esta manh. Vi atravs do seu espelho
mgico que por uma feliz coincidncia faz par com o meu espelho.
Belatriz estava atordoada. Ela no tinha feito nada daquilo. Mas de que outra forma Lucius teria descoberto o espelho?
- Meu caro Lucius - comeou Voldemort - Draco esteve conosco durante muito tempo e voc bem sabe que ele
realizava grandes servios para a nossa causa. No entanto, ele teve que ficar uns dias no laboratrio e foi seqestrado
pelos partidrios da chamada Ordem da Fnix.
- No tente me enganar, Voldemort - berrou Lucius.
O tom de voz do bruxo, somada a pronncia do nome que todos temiam pronunciar fez o Lorde das Trevas se interessar
mais pelo assunto.
- Voc est muito mais ousado, Malfoy - comentou.
- No tenho mais nada a perder - respondeu  provocao com o olhar duro.
- Nem sua amada esposa?
Lucius teve um flash em que via Narcisa sendo bem tratada e parecendo feliz ao lado de Bela, dentro da Fortaleza.
- Narcisa  minha esposa, sim. Mas no to amada quanto meu filho. Se ela admite ser bem tratada enquanto seu filho 
esbofeteado e mal-tratado pela tia, ento no merece nada que venha de mim.
Seguiu-se um silncio sepulcral dentro do salo. Lucius pode ento reparar que at por dentro a Fortaleza era igual
Hogwarts. O mesmo teto encantado, os mesmos mveis e at alguns quadros semelhantes.
Depois de um bom perodo, Voldemort falou:
- Muito bem, chega dessa brincadeira. Voc sabe perfeitamente que seu filho no est aqui. Est em Hogwarts ou em
qualquer outro lugar ocupado pela Ordem.
- O que a Ordem ia querer com o Draco? Pelo que eu saiba eles no se incomodariam se meu filho morresse depois que
descobriram a tarefa que voc deu a ele - desafiou Lucius mais uma vez.
- Agora chega! - berrou Belatriz - Quem voc pensa que  para entrar aqui e duvidar da palavra do Lorde? Vou
mostrar a voc como deve se portar diante dele.
Ela puxou a varinha e j ia amaldioar Lucius. Mas este foi mais rpido e antes que ela comeasse a pronunciar
qualquer feitio, foi atingida na cara por um cruciatos.
A bruxa caiu com as costas na parede e urrou de dor. Imediatamente vrios comensais surgiram e se posicionaram para
atacar. Lucius continuava a amaldioar a cunhada e nem percebeu a presena dos outros.
Voldemort deixou que ele a torturasse um pouco mais e, com um gesto, ordenou o ataque. Dois comensais estuporaram
Lucius, que caiu de borco no cho. Mais uma ordem e eles amarraram o bruxo e o levaram para outra sala. Outros
comensais levaram Belatriz para receber os cuidados necessrios.
- Agora - disse Voldemort a si mesmo - preciso ter uma conversa com Narcisa.
Com um gesto de varinha uma porta se abriu e Narcisa apareceu solicita. Caminhou at a cadeira de Voldemort,
ajoelhou-se e falou:
- A suas ordens, meu lorde e senhor!
- Narcisa, minha cara, hoje eu recebi a visita de algum muito interessante. No momento est "descansando" e depois
gostaria de lev-la at ele. Por hora gostaria de saber se teve alguma notcia do paradeiro de Draco.
Pelos olhos da bruxa passou uma nuvem negra de aflio e ela respondeu:
- Nenhuma, meu senhor.  como se meu pequeno tivesse sumido da face da Terra. O que  uma pena, visto as
recompensas prometidas graas a lealdade de nossa famlia.
Voldemort olhou com seu habitual desprezo para aquela criatura to submissa e inexpressiva.
- Pode se levantar agora, Narcisa. E me acompanhe. Voc precisa ver uma cena inesquecvel!
Os dois seguiram caminho por um corredor enorme, cheio de quadros de pessoas sendo torturadas, at alcanarem uma
porta.
- Abra - ordenou Voldemort e a porta atendeu prontamente.
Era uma sala escura, com iluminao indireta, que deixava um ar cadavrico a quem quer que estivesse no local. Ali
estava preso Lucius Malfoy.
Narcisa assustou-se, mas no demonstrou compaixo nenhuma pelo marido.
- Lucius, no me admira v-lo aqui numa condio to deplorvel. Com certeza, meu querido filho sumiu de vergonha
de voc.
Malfoy, que estava amarrado a uma parede mgica de gelo, vestindo apenas as roupas de baixo, olhou para a esposa e
no respondeu nada.
- Afinal, um pai ausente causa traumas em qualquer filho - completou Narcisa.
- Ser espancado pela tia causa mais traumas, Narcisa - retrucou ele finalmente.
- No seja estpido, Lucius. Eu estive com Bela esse tempo todo e posso afirmar que ela no est com Draco.
- Se ela no est com ele, pelo menos sabe do paradeiro do M-E-U filho - berrou Malfoy.
- Ser que o frio est lhe deixando surdo, Lucius? Bela no sabe de nada!
- Ento Snape sabe - disse ele - afinal, foi a ele que voc recorreu ano passado, Narcisa. Lembra-se?
- Snape - interrompeu Voldemort - est ocupado com alguns servios mais simples agora que eu o deixei sem varinha.
Por esse e outros motivos  que acho que est me escondendo algo, Lucius. Trouxe Narcisa aqui na esperana de voc
abrir o jogo. Mas j que isso no foi eficiente, vou ter que mudar de ttica.
E dizendo isso Voldemort puxou a varinha e apontou para Narcisa, torturando a mulher bem diante do marido.
Lucius parecia no se importar tanto com o sofrimento dela.
Voldemort percebeu e resolveu usar uma ttica mais poderosa. Um jato laranja saiu de sua varinha e Narcisa comeou a
"virar do avesso".
Os berros de dor ecoavam pela fortaleza, mas todos que viviam ali j haviam se acostumado a isso.
Foram momentos de agonia. A pele de Narcisa se esticava e mudava de lugar, os tecidos se misturavam e os ossos
comearam a ficar expostos. Mas nada fazia Lucius falar alguma coisa.
Por fim, Voldemort se cansou do jogo e assassinou a mulher ali mesmo. Sem se preocupar em dar um fim ao corpo, deu
as costas e deixou Lucius Malfoy amarrado ao gelo, na companhia daquela coisa amorfa que um dia tinha sido o corpo
de sua mulher.
- 33 -
O remdio dos deuses
Enquanto isso, em Hogwarts, todos esperavam ansiosos a chegada de Tonks. Ningum conseguia se concentrar e a
maior parte das atividades foi deixada de lado.
Harry no conseguiu comer, conversar nem mesmo ficar com Gina. O que ele precisava era de um pouco de solido.
Sem que os amigos percebessem, dirigiu-se  sala de Dumbledore. A grgula, j acostumada a presena do rapaz, saiu
do caminho e ele passou.
A sala continuava do mesmo jeito. A lareira, acesa por Dobby, conservava o calor do ambiente. Harry se sentou na
cadeira do diretor e ajeitou uma almofada deixada por Hermione.
Por alguma razo, nenhum dos quadros se mexia. No faziam barulho nenhum. Aos poucos, aquele calor aconchegante,
junto com o silncio, fizeram Harry adormecer.
J fazia uns cinco minutos que ele tinha pegado no sono, e o quadro de Dumbledore falou:
- Obrigado, meus amigos. O jovem aqui precisa de um bom descanso. A hora dele est quase chegando.
Harry dormia profundamente. Um sono pesado, reparador. Coisa que h muito tempo ele desconhecia. Mas o sono, que
a princpio seria reparador foi um verdadeiro tormento.
O rapaz comeou a se agitar na cadeira. Ele queria acordar, mas no conseguia. Debatia-se e murmurava coisas sem
sentido.
Ele andava por um longo corredor, escuro e frio. No sabia onde estava, mas sentia que precisava correr. Ia cada vez
mais depressa, to depressa que parecia voar. O corredor ficou mais largo e logo ele viu uma porta.
Esticou o brao, girou a maaneta e parou assustado.
Ali estava ele, Harry James Potter, com um ano de idade, aconchegado nos braos de sua me. Ela parecia preocupada.
Ele ouviu um forte estrondo e a porta se abriu novamente. E um Voldemort bem mais humano entrou no quarto. Llian
segurava Harry com muita fora.
Voldemort se adiantou e disse qualquer coisa. Harry no conseguia entender as palavras, mas dentro dele tudo fazia
sentido. Llian discutiu com Voldemort e ele tirou sua varinha.
- agora - pensou Harry.
Mas Voldemort apontou a varinha pra si mesmo. Llian se assustou e entrou na frente de Harry. A cena escureceu e s
voltou a clarear quando Llian saiu da frente mais uma vez e tentou argumentar com Voldemort.
O Lorde das trevas riu sarcasticamente. Olhou para ela com desdm, mas mudou sua expresso imediatamente.
Os olhos de Llian fixavam um ponto atrs dele. Ele se virou e no entendeu para onde aquela jovem bruxa estava
olhando. S Harry sabia. Sua me olhava para ele ali parado, presenciando toda a cena.
Nesse momento, algo ainda mais estranho aconteceu. Harry se sentiu puxado, como se fosse aparatar. Passou atravs de
Voldemort e foi "sugado" pelos olhos de sua me. Agora ele via toda a cena pela perspectiva de Llian. Sentia o corao
disparado, mas no conseguia identificar se era o seu ou de sua me.
Voldemort decidiu que j era hora de acabar com toda aquela histria e se preparou para atacar a criana. Llian, ao
contrrio do que muitos sempre pensaram, se colocou calmamente entre Harry e Voldemort. Os olhos de Llian, ento,
brilharam alm do normal e uma luz os envolveu.
Harry, atravs dos olhos de Llian, viu Voldemort recuar. Ele deu uns passos para trs e virou o rosto. Suspirou, como
se procurasse foras e empunhou novamente a varinha.
Um raio verde saiu de sua varinha e atingiu Llian bem no peito. Harry foi jogado para fora do corpo de sua me. Ele
percebeu que ela no gritou. No foi arremessada longe. Apenas caiu de joelhos, com a cabea voltada para seu
assassino e os olhos ainda abertos.
A luz no sumira e Voldemort agora avanava para Harry. Mais uma vez ele apontou a varinha para si mesmo e depois
murmurou alguma coisa e apontou para o beb.
Desta vez no foi um jato de luz verde que saiu da varinha. Mas uma fumaa branca e espessa. O olhar de Tom Riddle
parecia muito mais doentio. E assim que a "fumaa" atingiu o garoto, uma nova exploso aconteceu.
Outro brilho esverdeado se espalhou por todo o quarto e Voldemort deixou de existir.
O jovem beb Potter continuava no bero. A exploso o fizera chorar e a cicatriz sangrava. Harry observava a criana
machucada e sentia sua cicatriz doer e sangrar.
A vontade de chorar era grande. No entanto no havia ningum para cuidar da criana ali no bero.
- Eu sei que isso  s um sonho - disse a si mesmo enquanto se adiantava para a criana.
Mas ele nem chegou a pegar a criana no colo, pois ela havia parado de chorar e pegado no sono. Harry ento se
ajoelhou ao lado da me. Era estranho ver que ela continuava com os olhos abertos, e aquela luz continuava a dar um
brilho estranho ao ambiente.
O rosto de Llian estava tranqilo. No demonstrava medo, rancor ou qualquer sentimento ruim.
Harry ouviu barulhos vindo do corredor e quando se ps de p para ver quem entraria ali descobriu que estava
novamente na sala de Dumbledore. Rostos assustados olhavam para ele, inclusive os quadros que momentos antes
estavam silenciosos.
- O que aconteceu? - perguntou Rony.
- Voc est bem? - quis saber Gina.
- Estou bem sim. Mas, o que vocs fazem aqui e por tem tanta gente? - perguntou Harry percebendo a presena de
Hermione, da diretora, de um elfo, dos Weasley e de Hagrid, alm de Lupin e Ada.
- Os quadros ficaram assustados, Harry - comeou a explicar Lupin - e foram nos chamar para vir socorrer voc.
- Me socorrer? Mas eu no estava em perigo! - falou o rapaz.
- Mas tambm no estava normal. Quando chegamos aqui voc estava agachado, segurando alguma coisa e chorando.
Quando Gina ps as mos em voc, sua reao foi se colocar de p e pronto para atacar, como se estivesse de varinha
em punho. - respondeu-lhe a diretora Minerva.
O rapaz ficou ainda mais atordoado.
- Foi s um sonho... um sonho bobo... - disse o jovem bruxo.
- Tem certeza que foi um sonho bobo? No tem nada de especial nele? - perguntou Lupin que conhecia bem o
contedo das coisas que Harry costumava sonhar.
- Tenho, dessa vez eu tenho certeza! - disse com a voz mais firme que conseguiu fazer.
O resto do dia foi tenso. O pior, para Harry, no era lembrar o sonho, mas sim a sensao de ver atravs dos olhos de
sua me. De, por um breve instante, no sentir seu costumeiro dio por Voldemort.
Quando lembrava disso, seu corao balanava entre a raiva, o dio, o desejo de vingar a morte dos pais e uma piedade
profunda daquele ser que h muito deixara de ser humano.
Tonks voltou ao castelo e informou que at ali tudo sara como o
planejado. Ela conseguiu descobrir como chegar at a
fortaleza, mas disse que s um comensal conseguiria entrar, por causa da identificao da marca.
Agora, a nica coisa que podiam fazer era esperar Lucius voltar com boas notcias.
J era noite, quando Mione comentou:
- Ele est demorando muito, vocs no acham?
- Sei l - respondeu Rony - no deve ser to simples entrar na Fortaleza. Ainda mais ocultando tantas informaes
como Lucius est fazendo.
-Bom, eu no agento mais ficar aqui sem fazer nada - reclamou Harry - Vou dar uma volta no acampamento dos
anes e ver como andam as coisas.
- Vou com voc - disse Rony.
- E vocs? Tambm vm? - perguntou Harry a Gina, Mione e Luna.
- No, vamos at a ala hospitalar visitar Fleur. Coitada, cada dia est mais plida. - respondeu Gina.
- Eu vou aproveitar e contar ao Neville sobre os Ungrelbeers que meu pai vai trazer semana que vem - falou Luna.
Eles se entreolharam, deram de ombros e cada um foi fazer o que tinha falado.
Harry e Rony andavam de uma barraca a outra no acampamento dos anes, observando tudo com ateno. Em uma
delas havia uma pilha de armaduras bem leves e resistentes. Em outra eram forjadas espadas e pontas para flechas e
lanas.
Os anes estavam sempre animados. Trabalhavam cantando e bebendo vinho, e alguns tentavam ensinar seu idioma
para os bruxos.
Os dois jovens bruxos se preparavam para voltar ao castelo quando Rony parou de repente.
- Rony - chamou Harry - est tudo bem?
Mas Rony no respondeu. Apenas se ajoelhou no cho e comeou a apertar as tmporas com as mos. De seus olhos
brotavam grossas lgrimas e ele soluava.
Todos que estavam de fora do castelo foram ver o que estava acontecendo. Harry no sabia como agir. Tentou levantar
o amigo para lev-lo a ala hospitalar, mas no conseguia. Nos ltimos anos Rony cresceu tanto e ganhou msculos bem
mais que Harry, de modo que ficava pesado demais para ser carregado pelo amigo.
- Me ajudem aqui - gritou desesperado.
Trs anes fortes correram na direo dos dois e revelaram o quanto eram fortes. Carregaram Rony para dentro e,
guiado por Harry, chegaram a ala hospitalar.
- Mas o que aconteceu desta vez? - perguntou Madame Pomfrey.
- No sei - respondeu Harry - ele no disse nada. Apenas ajoelhou e comeou a chorar e gemer.
- Vamos, coloquem o rapaz aqui nesta cama - disse a enfermeira apontando para uma cama ao lado de uma grande
mesa cheia de frascos e vidros.
Mione, Gina, Luna e Neville j estavam l quando eles chegaram e tentavam ajudar de alguma maneira.
Rony no conseguia falar nada, apenas bebeu a poo que Madame Pomfrey ofereceu e aos poucos a dor foi sumindo e
ele se rendeu ao sono.
- Eu acho que ele teve outra crise - falou Harry.
-  bem provvel - comentou Mione que no deixava de ficar preocupada, apesar de saber que era normal.
- Mas ele no falou nada? - perguntou Neville.
- No... isso  o mais frustrante - respondeu Harry.
Eles continuaram ali conversando em voz baixa, na expectativa que Rony acordasse a qualquer momento.
Harry se jogou em uma cadeira e enfiou as mos nos bolsos do casaco. S ento se lembrou do que carregava ali e tirou
de dentro dele o cantil que Hagrid lhe dera.
- O que  isso? - perguntou Mione.
- Ah, lembra daquela histria da cabra? Ento, o Hagrid me deu isso. Disse que fortalece...
Ia continuar a explicar, mas Draco entrou na enfermaria naquele exato momento. Cumprimentou a todos com sua
anormal cordialidade, em especial Mione, a quem ele continuava a chamar de "anjo da guarda" e foi falar com Madame
Pomfrey.
- Boa noite, minha senhora. Onde esto os remdios que devo tomar esta noite?
- Ah querido, boa noite pra voc tambm. Esto ali, naquela mesa ao lado do Weasley.
Draco foi at l, pegou um frasco e deu uma golada. Colocou o frasco novamente na mesa e j estava se despedindo de
todos quando comeou a gritar.
- Parem, por favor parem! No foi culpa minha, vocs sabem disso. Crabbe, presta ateno, a gente  amigo esqueceu?
Harry correu para o garoto, os olhos dele estavam vidrados, como se estivesse em transe. Por mais que o sacudia,
Malfoy continuava a berrar.
Madame Pomfrey tentou faz-lo parar, mas ele continuava a se debater, gritar e chorar.
- No coloquem essa coisa em mim de novo, eu no agento mais. Eu fao qualquer coisa, o que ele quiser. Mas parem
com essa tortura. Eu estou com sede, com fome e sinto dores terrveis! Crabbe, me ajuda....
Malfoy desmaiou antes de terminar a frase. Todos ajudaram a coloc-lo em uma cama. Harry afrouxou a gola do pijama
do rapaz enquanto Madame Pomfrey foi buscar sais para tentar reanim-lo.
Passou o frasco prximo ao nariz do garoto que acordou imediatamente ainda agitado.
- Parem, parem, Crabbe o que... - e parou de falar assim que abriu os olhos e deparou com Madame Pomfrey ali na sua
frente.
Olhou ao redor e fixou os olhos em Hermione.
- Granger? O que faz aqui? - perguntou um tanto irritado.
- Voc, voc sabe quem eu sou? - perguntou a jovem bruxa.
- Claro que sei. Agento voc h sete anos! Como no poderia saber quem  a senhora sabe tudo? - s ento se deu
conta de que estava novamente em Hogwarts.
Ningum falou nada. Harry se aproximou e Draco se agitou novamente.
- Potter, voc tambm? Isso  um pesadelo?
- No, Draco! - respondeu Harry - Agora voc vai ficar bem. Pesadelo foi o que passou naquele lugar.
Draco ia retrucar, mas reparou nas marcas que tinha nos braos.
- Ento, aquilo tudo... Aquilo tudo realmente aconteceu?
Todos acenaram que sim.
- Uau! - falou num sussurro - E o Crabbe? O que aconteceu com ele?
Eles se entreolharam e foi Mione quem respondeu:
- No vimos Crabbe l, Draco. Provavelmente foi levado para outro lugar.
Uma nuvem de dio cobriu o olhar do rapaz e ele respondeu:
- No foi levado para lugar nenhum. Era ele quem me amarrava todos os dias e me fazia beber coisas horrveis. Crabbe
virou um monstro. Foi transformado em uma espcie de dementador e no reconhecia mais ningum.
Eles se lembraram do jovem dementador mestio que haviam matado para salvar Draco.
- Ento, ele foi destrudo, Draco - explicou Gina - quando fomos buscar voc.
Um silncio constrangedor tomou conta do lugar e s foi quebrado quando Madame Pomfrey perguntou, quase aos
berros:
- Muito bem, quem foi o engraadinho que trocou os remdios do Malfoy?
Todos se viraram e perceberam que ela segurava o cantil de Harry.
- Ningum fez isso,  s que eu tirei do meu bolso esse cantil e no imaginei que se o colocasse ali algum ia beb-lo -
foi se explicando Harry.
Madame Pomfrey ainda gastou uns 10 minutos falando o quo perigoso aquilo poderia ser e s ento os deixou a ss de
novo.
Harry guardou o cantil novamente e voltou para perto dos amigos. Hermione contava para Draco como o tinham tirado
de dentro do laboratrio e porque ele havia sido trazido para Hogwarts.
Ele ouvia tudo atento, apesar de ter recuperado o ar arrogante de antes.
- E onde est meu pai agora? - quis saber ao fim da narrativa.
- Est na Fortaleza. Para nos ajudar a resolver essa histria de uma vez.
Ele deitou a cabea no travesseiro e no falou mais nada. Os outros entenderam que ele queria descansar e comearam a
sair.
Estavam na porta quando ele falou novamente:
- Er... obrigado, por tudo! - e virou de lado procurando dormir.
A notcia de que Draco recobrara a sanidade espalhou rapidamente pelo castelo. Alguns professores vieram visit-lo e
logo ele estava sabendo quase tudo quanto era possvel saber sobre os acontecimentos daquele ano.
O que todos queriam saber, mas ningum conseguia explicar era como Draco melhorara to repentinamente.
- Eu tenho uma suspeita - ponderou Mione no dia seguinte, quando foram visitar Rony.
- E qual ? - quis saber Gina.
- Parece que ele bebeu aquele negcio que o Hagrid deu a Harry. E se aquilo tiver poderes curativos? - disse em voz
baixa.
- Faz um certo sentido. Mas a gente nunca vai descobrir isso, Mione. - resmungou Harry.
- E por que no? - questionou ela.
- Por que no ningum em quem a gente possa testar - rebateu Harry.
- H sim - disse uma voz atrs deles.
Eles se viraram e deram com Neville parado na porta da ala hospitalar.
- Eu ouvi a conversa de vocs e concordo com o que a Mione disse. - afirmou com convico Longbottom - E se
precisam de algum para testar, eu me ofereo.
Todos ficaram atnitos. Ningum sabia o que responder. Foi o prprio Neville que quebrou o silncio.
- Pelo que eu ouvi, o que tem a nesse cantil  leite. E nunca ouvi falar que leite faz mal. A recuperao de Draco 
animadora e talvez esta seja a chance que eu espero h anos. Por favor, me deixem tentar.
O pedido do rapaz foi to singelo, que Harry no teve coragem de negar. Passou o cantil para as mos dele e o
acompanhou at a ala em que estavam os pais do garoto. Mione ficou com Rony, que ainda se recusava a falar.
Neville entrou no quarto dos pais, falou qualquer coisa com eles e pegou dois copos. Colocou uma dose generosa do
leite em cada copo e ofereceu aos dois.
Eles beberam devagar, devolveram os copos ao garoto e voltaram ao seu estado de prostrao.
- , parece que foi coincidncia - suspirou o jovem.
Junto com Harry, ele deixou o quarto e foi em direo a Mione e Rony. Gina cuidava de Fleur e Luna devia estar
entretida com alguma de suas idias estranhas.
Um barulho forte invadiu o local. Parecia que muitas coisas estavam sendo quebradas e logo gritos de dor e desespero
cortaram o ar. Por uns instantes todos se desesperaram e puxaram suas varinhas, mas logo identificaram que o som vinha
do quarto dos pais de Neville.
Correram para l e encontraram tudo revirado. O Sr e a Sr Longbottom estavam cados no cho, arfando, com o olhar
no teto.
- "Alice"? - chamou o Sr Longbottom.
O corao de Neville disparou, aquele era seu pai falando, depois de tantos anos. Ele fezfora para no chorar e esperou
um pouco mais, para ver se sua me respondia.
- Sim querido, o que foi? - falou uma voz cansada de mulher.
- Voc est bem? - ele quis saber.
- Estou um pouco cansada, e sinto algumas dores e voc?
- Estou bem. No se preocupe, tudo vai ficar bem agora - respondeu tentando tranqiliz-la.
Harry assistia tudo muito emocionado. Daria qualquer coisa para estar no lugar de Neville, que recuperara os pais e
agora poderia ter uma famlia de verdade.
Invejava o amigo, mas ficava muito feliz por ele. Algum ameaou dizer alguma coisa, mas Harry se virou e fez um
gesto pedindo silncio.
Neville se adiantou e disse, com a voz embargada:
- Me, pai? Sou eu, Neville.
O casal Longbottom se levantou do cho. Alice olhou para o rapaz e seus olhos finalmente voltaram a brilhar. Ela
correu e abraou o jovem, que agora chorava feito uma criana. O pai de Neville abraou os dois e eles ficaram ali, por
muito, muito tempo.
- 34 -
Notcias boas e ms
Harry e os outros voltaram  cama de Rony e contaram ao amigo o que tinha acontecido com Draco e com os pais de
Neville.
- Fico muito feliz - disse Rony.
- E voc? Est melhor? - perguntou Harry.
- Sim, foi uma daquelas crises. Nada de muito especial - respondeu tentando parecer sincero.
- Qual o problema Rony? Voc no est falando a verdade - disse Harry ao amigo.
Ele respirou fundo.
- Est certo, eu conto o que aconteceu ontem. Eu fiquei sabendo que ns vamos lutar, Harry, na prxima Lua Cheia.
- Mas isso  daqui 2 semanas. E se Lucius no aparecer para nos explicar aonde devemos ir? E se o nosso pessoal no
estiver preparado?
- No importa as circunstncias. Ns teremos que lutar e impedir que ele realize o ritual l no Altar. A Umbridge j o
segurou tempo demais, e agora ela no vai poder fazer nada.
Harry baixou a cabea e ficou quieto por uns tempos. Depois disse, com uma firmeza de voz que ele mesmo estranhou:
- Ento acho bom avisar a todos. Precisamos nos preparar. No vamos enfrentar Voldemort e seu exrcito sem estarmos
todos conscientes disso.
Antes que Rony dissesse ou fizesse qualquer coisa, harry j havia partido para o salo principal do castelo e avisava a
todos os bruxos, elfos, anes e centauros que a guerra estava marcada e aconteceria em duas semanas.
Os preparativos se aceleraram. Todos estavam preocupados, mas a melhora de Draco e dos Longbottom foi vista como
um bom pressgio.
Todos os bruxos tentavam aprender feitios novos, e ganharam dos anes belas armaduras que repeliam feitios
estuporantes ou petrificantes.
A nica coisa que tirava o nimo de todos era a falta de notcias sobre Lucius Malfoy. H dois dias ele tinha partido
para a Fortaleza, e ningum mais o vira.
No final daquela tarde um fato chocou todos no castelo de Hogwarts. Um embrulho foi jogado no porto do castelo.
Dois anes foram busc-lo e trouxeram para o jardim. Assim que um deles abriu a caixa o espanto e a indignao foram
geral.
O embrulho continha um corpo de mulher, todo deformado. A cabea, separada do corpo, estava por cima e um bilhete
foi amarrado em um dos dedos. Dizia apenas:
J acabamos com a me. Se no nos entregarem o filho, destruiremos tambm o pai.
Ass. Comensais da Morte
Ento, aquela mulher devia ser Narcisa Malfoy, me de Draco. Aquela altura seria mais prudente que o rapaz no
soubesse da morte da me. Ele ainda se recuperava e poderia ter uma recada com a notcia.
Precisavam encontrar uma maneira de evitar que Lucius fosse morto antes da grande guerra, sem, no entanto, ter que
entregar Draco.
O dia ainda reservaria muitas surpresas para eles. O Profeta Dirio, que agora s publicava um exemplar a cada 15 dias,
lanou uma edio extraordinria sobre um ataque macio que aconteceu naquela tarde.
Segundo o jornal, mais de 150 trouxas foram assassinados, quando um comensal provocou um acidente de trens.
Os jovens estavam sentados no salo principal discutindo sobre os acontecimentos quando um pssaro muito colorido e
de cauda grande entrou pela janela, com alguma coisa na boca.
Ele foi em direo a Luna e deixou a "coisa" cair no colo da menina. Era um pequeno pacote que se abriu sozinho e de
l surgiu uma boca flutuante que comeou a falar:
Menininha, acabei de chegar e te espero no porto. Vieram 19 comigo, acho que vo ajudar.
Beijocas do papai.
A menina pulou da cadeira e falou:
- Preciso achar a diretora, vocs sabem onde ela est?
- Provavelmente na sala dela. - respondeu Gina - Mas o que aconteceu?
- Meu pai chegou, e trouxe reforos. - gritou ela enquanto corria para a sala de McGonagal.
Instantes depois a menina passava novamente, acompanhada da diretora e de alguns professores. Todos com cara de
incredulidade.
Harry, Mione, Rony e Gina se levantaram e seguiram a comitiva. Foram at o porto e pararam assustados.
O pai de Luna era um homem alto, forte, com os cabelos levemente ruivos e uma barba espessa. Parecia um dos antigos
vikings que dominaram os mares do norte da Europa. Tinha o mesmo ar afetado da filha, e falava sem parar, com uma
voz grossa, feito trovo.
Mas no foi o pai da garota que assustou a pequena comitiva. Foram os "acompanhantes" do Sr Lovegood.
Seres nunca antes imaginados. Pareciam lobisomens, mas tinham a mesma altura de Hagrid. a diretora no entendia o
que eram e nem sabia como deveria agir.
Foi Luna que se adiantou e abriu o porto. Deu um abrao apertado no pai e foi conversar com um dos seres que estava
ali. Logo o puxava pela mo e fazia as "honras da casa":
- Diretora, este aqui  o Randur. Um velho amigo de nossa famlia. Ele  lder dos Ungrelbeers e decidiu lutar do nosso
lado.
A diretora esticou a mo ainda receosa e balbuciou um quase inaudvel "muito prazer".
O ungrelbeer falou, com uma voz limpa e num perfeito ingls:
- Nosso povo est honrado em lutar contra as trevas, minha senhora. Sei que deve estar com medo. Afinal so poucos
na Terra que j viram algum da nossa espcie. Mas pode ficar sossegada, no atacamos pessoas boas, e s nos
alimentamos de peixes, folhas e mel.
Harry estava de queixo cado. Uma das histrias de Luna no era mentira. Os Ungrelbeers existiam e estavam ali, para
lutarem contra Voldemort.
Aos poucos eles entraram no jardim e logo alcanaram o acampamento dos anes. Alm dos bruxos, nenhum outro ser
demonstrou surpresa ao v-los ali. Alguns elfos at cumprimentaram Randur e outros da tribo.
Rony sussurrou para Harry:
- Que ser que eles so? Algum tipo de lobisomem, talvez?
Um jovem ungrelbeer, de pelagem castanha e dourada se virou e respondeu, assustando os garotos que no imaginavam
que ele pudesse ter ouvido a conversa.
- Na verdade somos mais para uma juno de seres humanos e ursos. Mas nosso povo sempre existiu e no
"transmitimos" a nossa raa como uma infeco igual aos lobisomens.
- Ah... obrigado - falou Rony.
- No h de qu! A propsito, meu nome  Jonh. Podem contar comigo sempre que precisarem.
Ele saiu para se juntar aos outros e deixou os dois para trs. Mione e Gina conversavam animadas com Luna e os
amigos dela. Logo, Harry e Rony se juntaram ao grupo e comearam a contar as coisas que estavam acontecendo.
Os anes informaram que no teriam como fazer armaduras para aqueles seres, mas eles no se importaram. Pelo que
parecia, os Ungrelbeers eram to resistentes quanto os centauros.
Os jovens amigos foram atrs de Neville na ala hospitalar para contar as novidades, mas l chegando outra cena os
esperava. Gui, Percy, Fred, Jorge, Carlinhos e o Sr e a Sr Weasley rodeavam a cama de Fleur.
A jovem parecia ainda mais aflita e Gui tentava, em vo, acalm-la.
A Sr Weasley se precipitou em direo a Rony e Gina:
- Ainda bem que chegaram! Estamos todos aflitos, aqui!
- O que aconteceu, me? - perguntou Rony, olhando assustado dos familiares para Harry e Mione que ficaram para
trs.
- No sabemos ainda, mas a Madame Pomfrey pediu a Fleur que escrevesse  famlia, chamando com certa urgncia.
Rony e Gina correram para abraar o pai e os irmos e ficar ao lado da cunhada. Deveria ser algo muito grave.
Normalmente a Madame Pomfrey no gosta da ala hospitalar to cheia.
Harry e Mione foram para perto de Draco e ficaram ali, conversando com o garoto, mas atentos a qualquer sinal da
responsvel pela ala hospitalar.
Passaram-se cinco minutos desde que haviam chegado, mas para todos ali a sensao era de que sculos j haviam
passado durante a espera. Fleur no parava de chorar. Temia ter alguma doena muito grave.
Madame Pomfrey entrou, finalmente, com um envelope amarelo ouro na mo.
Quando a Sr Weasley olhou o envelope, caiu sentada em uma cadeira e desatou a chorar. Fleur se desesperou e
abraava Gui, procurando esconder o rosto nos braos do marido.
- Mas que baguna  essa aqui? Isso  uma ala hospitalar e no um salo de festas. O que fazem aqui todos vocs?
- Fleur nos escreveu informando que a senhora pedia a presena da famlia dela aqui - respondeu Gui.
- Exatamente, a famlia "dela", ou seja o marido. No pensei que todos vocs viessem. E voc, Molly, faa o favor de
se controlar.
-  que - disse a Sr Weasley entre soluos - eu sei o que tem nesse envelope.
- Lgico que sabe. Alis, sabe mais que muita gente que eu conheo, pode-se dizer que voc sabe disso seis vezes.
Agora deixem de bobagens. J que esto aqui, fiquem at o final.
Madame Pomfrey entregou o envelope a Gui, visto que Fleur no conseguiria enxergar nada com os olhos inchados.
O rapaz abriu o envelope, retirou um pedao de pergaminho delicado e leu em voz baixa. Depois, abraou Fleur com
carinho e falou alguma coisa em seu ouvido que a fez chorar ainda mais. Depois passou o pergaminho ao pai e aos
irmos.
De longe Harry e Mione no escutaram a conversa. Mas vendo que agora eles se abraavam, riam e choravam juntos,
eles resolveram que poderiam se aproximar.
Rony correu para abraar Mione e disse a garota:
- Eu vou ser tio!
Mais ningum falou nada. No havia o que falar. Ficaram todos rindo, satisfeitos.
- Nossa - falou por fim o Sr Weasley - mais um Weasley vem a.
Fleur que agora estava mais calma e podia ler o resultado do exame, corrigiu:
- Um Weasley no, senhorri, vo ser dois.
A cena foi to hilria que at Draco se divertiu, vendo tudo da sua cama. A Sr Weasley engasgou com a gua que
estava tomando, Gui quase desmaiou e os outros estancaram de repente, parecia que tinham sido enfeitiados.
Realmente o exame constatava, seriam gmeos. S no sabiam ainda se seriam dois meninos, duas meninas ou um
casal.
- Bem, felicidade dobrada - comentou Percy.
E todos voltaram a rir, conversar e sugerir nomes para os gmeos.
- 35 -
O conclio dos puros
Depois de passar a euforia dos Weasley com a notcia da gravidez de Fleur, veio a preocupao. Gui estava determinado
a ir lutar na grande batalha e todos estavam apreensivos com isso, afinal ningum sabia o que os esperava.
Todos treinavam duro, e at os elfos domsticos treinavam as tcnicas de duelo ensinadas pelos elfos vermelhos. Tudo
ia relativamente bem, at que Draco recebeu alta de Madame Pomfrey e foi at o jardim.
Assim que saiu, sua primeira reao foi observar tudo de perto, tentando entender por que estavam todos to agitados.
Viu Harry conversando com um dos centauros e foi em direo ao rapaz:
- Ei, Potter! - chamou com a voz arrogante de sempre, que agora ele tentava controlar - O que est acontecendo? Por
que esto todos de armadura?
Harry olhou para o centauro, que fez um aceno com a cabea, e respondeu:
- Estamos nos preparando, Draco. Daqui uma semana vamos partir e enfrentar Voldemort.
- Mas, Potter - gaguejou o rapaz - o meu pai ainda no voltou! Pode ser perigoso para ele, no acha?
- Vai ser perigoso para todo mundo, meu jovem - respondeu o centauro.
Draco saiu dali contrariado. No poderiam fazer uma coisa dessas. E se acontecesse alguma coisa a seus pais? E se
Voldemort soubesse onde ele estava e se vingasse?
Foi com esses pensamentos que entrou no castelo e deu de encontro com algum.
- Ei, por que no olha... - comeou a xingar, mas parou quando percebeu o olhar brilhante da mulher em quem tinha
esbarrado.
- Desculpe-me, mas pelo que percebi era voc que andava cabisbaixo. Vamos ver, cabelos loiros, bem lisos, pele clara,
lbios finos... Voc deve ser o mais novo dos Malfoy, estou certa?
Draco apenas balanou a cabea. No conseguia pronunciar uma nica palavra. Sentia um misto de medo e admirao
por aquela mulher. Muito mais do que sentira quando encontrou Voldemort pessoalmente.
- Ah, ainda no me apresentei. Sou Ada Heleonor Goldrisch, professora de Histria da Magia Avanada - falou
estendendo a mo para cumprimentar o rapaz.
Malfoy pegou a mo da bruxa e um calor invadiu seu corpo e ele sentiu a voz voltar a garganta.
- Muito prazer - conseguiu finalmente falar - no sabia que existia essa matria em Hogwarts.
- Ah, isso  muito normal. A maioria dos bruxos no sabe mesmo muita coisa importante. Mas, aonde ia com tanta
pressa?
- Lugar nenhum. Ia para o meu quarto.
- Ento no vai se incomodar se eu o convidar para um ch?
- Longe de mim, recusar qualquer pedido seu - respondeu imediatamente, sem medir o contedo de suas palavras.
A verdade  que Draco Malfoy estava completamente encantado com a presena de Ada. Eles procuraram uma mesa
mais isolada no salo e logo estavam bebendo um saboroso ch com limo.
Eles conversaram durante um bom tempo e s encerraram a conversa quando Harry e Gina entraram no salo.
- Com licena, Draco. Mas agora preciso ter uma conversa sria com aqueles dois - disse indo em direo ao casal.
Draco ainda acompanhou Ada com o olhar e depois foi para o quarto, sem pensar em nada alm da voz daquela bruxa.
Ada conversou alguns instantes com Harry e Gina, tomando o cuidado de mudar de assunto quando algum diferente se
aproximava. No final da conversa, Harry perguntou:
- Acha que isso  realmente necessrio?
- Acho sim. Se quiser tirar suas dvidas pode conversar com Magoriano. A idia foi dele - respondeu Ada.
- Por mim est tudo bem! Ainda mais que se ele fizer isso, vamos ter certeza que no ir nos trair na ltima hora.
- Ento est combinado - falou o rapaz - hoje a noite, as 21h em ponto, ns iremos com Draco ao centro da floresta.
- Hagrid ir acompanh-los para evitar ataques e eventuais problemas - informou a prima de Harry.
Nem Gina, nem Harry comentaram com ningum a conversa. Arrumaram tudo o que foi preciso e por volta de 20h
bateram a porta de Draco.
- O que querem? - perguntou mal-humorado.
- Ada pediu que vissemos busc-lo. - disse Gina - H algo que ela ainda precisa conversar com voc.
O nome da professora fez milagre e Draco s colocou uma capa quente sobre o corpo e seguiu os dois. Nem mesmo
quando encontraram com Hagrid na porta do castelo ele fez objeo.
S reagiu quando tomaram o rumo da Floresta Proibida.
- Esperem a? Vocs no querem que eu entre neste local horrvel! - falou amedrontado.
- No tem com o que se preocupar - respondeu Hagrid - todas as criaturas malignas j foram engrossar as fileiras do
exrcito de Voc-sabe-quem. Ande depressa, a professora Goldrisch no pode ficar esperando.
Eles se embrenharam pela floresta at alcanar uma clareira enorme.
-  aqui que eu deixo vocs - disse Hagrid dando as costas.
- Hagrid - chamou Harry - Voc no vai participar?
- No, no! Grope vai nos representar. Ele  mais indicado para isso - respondeu dando uma piscadela.
Os trs jovens bruxos entraram na clareira. Havia trs pedras ao centro, sendo a do meio a mais alta. O resto era
escurido. O cu, cheio de estrelas, tinha apenas um pequeno feixe de lua. Chegava perto de 21h quando um barulho
chamou a ateno dos trs.
Eles se viraram e ali estava a mais estranha reunio de criaturas que um bruxo pode presenciar. O centauro Magoriano
era o primeiro da fila, seguido de perto por Dain, Randu, o ano Harun, Grope e Dobby. Mais atrs, uma criatura
realmente interessante apareceu: um sereiano, com duas pernas e uma bolha de gua que lhe cobria a boca e as guelras e
permitia que respirasse. Por fim, apareceu a professora.
Ela trajava um belo vestido preto, leve como fumaa, com boradados que representavam as fases da lua. Sobre a cabea,
um vu cravejado de pontinhos brilhantes que lembravam um cu estrelado. Ela trazia nos braos dois mantos, um azul
claro e outro completamente branco, que entregou respectivamente a Gina e Harry.
Os dois vestiram na mesma hora. Dobby aproximou-se e entregou qualquer coisa ao casal. Eles foram at Malfoy e
pediram que ele subisse na pedra central.
Sem saber qual a razo de tudo aquilo, Draco apenas obedeceu. Havia alguma coisa no ar que o impedia de sair
correndo ou de contrariar qualquer ordem.
Assim que estava de p, sobre a pedra central, Harry e Gina subiram nas outras duas pedras de modo que ficaram um de
cada lado de Draco, e comearam a cobri-lo com um manto liso, metade branco e metade vermelho sangue.
Quando todos estavam posicionados, Ada comeou a falar.
-  finalmente chegada a hora que todos ns sempre esperamos meus amigos.  hora do Conclio dos Puros... Mas
ainda faltam duas presenas importantes em nosso crculo, e no quero comear as apresentaes sem que eles tomem
parte.
Ningum, apesar do aviso da possvel demora, saiu de seu lugar ou falou qualquer coisa. Apenas um vaga-lume
comeou a piscar atrs de uma rvore.
Logo o brilho do vaga-lume foi ficando cada vez mais forte. Ada estendeu o brao e a pequena criatura pousou na
palma de sua mo. O brilho ficou ainda mais intenso. A bruxa colocou o ser no cho e ele comeou a crescer.
Em pouco tempo o que estava ali no era mais um vaga-lume. Mas uma bela fada. Pequena de estatura e grande de
corao, como muitos diziam. Tinha apele levemente esverdeada, os cabelos longos e lisos eram cor de ferrugem, assim
como os olhos. Duas asas pesquenas batiam apressadas em suas costas e a mantinham flutuando. No devia ter mais que
1,5m, e todo seu corpo parecia feito de cristal.
- Minha senhora - adiantou-se Dain, beijando a mo da frgil criatura.
- Dain, meu querido e sempre amado Dain - respondeu a fada, com uma voz incrivelmente doce.
Malfoy j no se importava com o motivo de sua presena ali. S a viso de Ada e da fada juntas j valia a pena.
Reparou que a voz da pequena fada no saiu de sua boca, mas diretamente de seu corao, para o corao dos demais.
- Meus amigos e companheiros nesta luta que h de vir - falou Dain com a voz vibrante - eu os apresento a dona e
senhora nica de minha vida, a rainha das fadas, Lithia.
Todos se curvaram em honra a rainha.
- Meus queridos - disse ela daquele jeito que comovia o mais duro dos coraes - no me reverenciem. No sou eu a
presena mais importante da noite. Apenas Ari caminho para que o mais ilustre surja agora, entre ns.
Ela apontou para uma estrela longe no cu e ela comeou a descer. Harry, Gina e Draco imaginaram o que aconteceria
quando aquela estrela chegasse perto demais.
No entanto, antes que pudessem encontrar uma resposta, a estrela foi chegando cada vez mais perto e tomando uma
forma realmente admirvel.
Um homem enorme, de quase 3 metros de altura surgiu no cu. Em suas costas um par de asas feito uma grande ave.
Trajava apenas uma veste longa e branca, amarrada a cintura por uma corda de linho dourado. Tinha mos fortes e
carregava consigo uma espada de cristal.
Pousou entre os presentes e s ento abriu os olhos, revelando um tom de azul que no existe aqui na Terra.
Segurou a espada entre as mos, como se empunhasse uma enorme cruz e com um leve sinal cumprimentou a todos.
- Este - informou Lithia -  o grande guerreiro arcanjo Nandriel. Que veio em nosso auxlio numa hora to difcil.
Todos fizeram nova reverncia e Ada voltou a falar.
-  chegada a hora do Conclio ter incio. Hoje, noite de Lua Crescente. Noite de lua que nos induz ao crescimento e
aprimoramento. Noite que nos permite deixar os erros para trs e tomar novo rumo em nossa vida.
A bruxa andava entre os membros do conclio, mas Malfoy sentia o olhar dela dentro do seu peito.
- Estamos todos ns, aqui reunidos, para decidir o rumo que deve seguir a vida da famlia desse jovem aqui presente.
Como todos vocs sabem, h milnios a famlia Malfoy carrega a maldio de ser descendente de Lurstre, o grande
traidor e propagador da desavena em nosso mundo.
Todos assentiram.
- Hoje temos a chance de mudar essa histria de uma vez. De aliviar a famlia de um crime cometido h tanto tempo
que foi esquecido por muitos. E podemos fazer isso atravs do arrependimento deste jovem aqui - e apontou para Draco.
- Impossvel - falou o sereiano - impossvel Ada. Voc sabe que tal ritual de perdo s pode acontecer com a presena
de trs wichans. E pelo nosso conhecimento, s voc  dessa famlia.
- H outros Wichans aqui - respondeu o arcanjo - h outros dois wichans, meu amigo. Um por nascimento e outro por
amor.
- Tudo bem, mesmo que haja os trs wichans aqui, o que ganharemos com isso? - perguntou o ano.
- Ganharemos um presente do destino, meu caro amigo - respondeu Magoriano.
- Exatamente, o destino quis que o jovem Malfoy aqui herdasse os olhos de Thor. E vocs sabem que esse dom no
deve ser desconsiderado. H uma razo para que isso tenha acontecido - falou a bruxa.
- O Grande Mago e Criador do Universo no quer mais que a famlia seja hostilizada. O prprio Lurstre j saiu do
inferno. Mas  preciso retirar a maldio lanada. E essa deciso  de vocs - se pronunciou o arcanjo Nandriel.
Todos se entreolharam e Ada apenas sorriu.
- Esto de acordo que se as condies forem razoveis, podemos realizar o ritual? - perguntou aos participantes.
- Sim, estamos de acordo!  preciso que haja paz entre os nossos para que a guerra se acabe - responderam todos,
dando a impresso que aquela era uma fala h muito tempo decorada.
- Ento, que o ritual se inicie! - ordenou a bruxa e com um gesto, um crculo de fogo envolveu as trs pedras centrais.
O arcanjo ergueu sua espada e traou o ar com 3 golpes distintos, desenhando com luz alguns smbolos.
- Eu, Ada Heleonor Goldrisch Wichan, dona do sangue puro da magia e dos elementais do ar perdo a todos os
descendentes de Lurstre.
- Eu, Harry Wichan James Potter, dono do sangue puro da magia e dos elementais do fogo perdo a todos os
descendentes de Lurstre.
- Eu, Gina Weasley Wichan, nova herdeira do sangue puro perdo a todos os descendentes de Lurstre.
- Cientes de que o grande traidor j teve punio suficiente e recebeu perdo do Grande Deus, ns, membros do
Conclio dos Puros, filhos diretos das primeiras criaturas mgicas existentes neste mundo, tambm perdoamos e
retiramos a maldio que sempre marcou os descendentes do primeiro bruxo das trevas - disseram todos os outros em
uma s voz.
O arcanjo agora tomava a frente do ritual e foi at malfoy. O crculo de fogo se abriu e ele falou:
- Filho, se queres dar a devida honra ao nome de tua famlia e tirar para sempre o peso de traidores das costas dos seus,
ento aceita o nosso convite para que lute do lado certo e nos ajude a vencer o grande mau que pode assolar o nosso
mundo para sempre.
Draco nem pensou em recusar. Pela primeira vez em toda sua vida sentiu uma vibrao boa em seu corpo. No tinha
mais vontade de provar que era o melhor ou que tinha mais coisas que ningum.
- Aceito o seu convite - respondeu em voz baixa, sem saber ao certo como se portar diante do arcanjo.
 Ento - Lithia falou ao corao do garoto - mostre que confia em nossas boas intenes. Atravessa o fogo sagrado e
sers para sempre livre da maldio, assim como todos os seus.
Lithia reavivou as chamas ainda mais. Gina e Harry deram as mos para draco descesse da pedra. Ele aceitou e colocou
os ps no cho novamente. Retirou os sapatos, respirou fundo e caminhou para o crculo de fogo.
Sem hesitar, Draco Malfoy fechou os olhos e atravessou. Sentiu o fogo arder em sua pele, e quase imaginou ter sido
enganado. Logo percebeu que apenas o local em que havia sido marcado como um Comensal da Morte  que estava
ardendo.
Quando chegou do outro lado foi recebido com aplausos e vivas. Todos o abraaram, inclusive Harry e Gina que
seguiram atrs dele. O fogo havia se apagado e todos conversavam.
Nandriel se despedia de todos quando Harry perguntou:
- No vai ficar para lutar do nosso lado?
- No, meu jovem. O jeito dos arcanjos lutarem  diferente, s confrontamos diretamente os demnios que aparecem
por aqui. Mas esta no  uma guerra nossa. Por mais difcil que possa parecer, Tom ainda  humano. E deve ser
derrotado por um humano.
Deu as costas antes que a conversa pudesse continuar e voltou ao cu.
Todos as outras criaturas voltaram para o castelo e o sereiano voltou para o lago. No caminho de volta Draco estava
bem mais alegre e conversava animado com Harry e Gina.
No meio do caminho, Draco fez um gesto e Gina reparou:
- Draco, sua marca sumiu!
Ele olhou para o brao. Passou a mo no local que antes estivera a caveira com lngua de cobra e respondeu:
- Prefiro pensar que ela nunca esteve aqui!
-  melhor pensar assim mesmo - respondeu Harry.
- S uma coisa no entendi - disse o bruxo loiro - que lance  esse dos olhos de Thor?
Gina e Harry tiveram que explicar que s ele poderia dominar os Inferis e que Voldemort o mandou atacar Dumbledore
para faz-lo perder o direito  herana.
Eles chegaram ao castelo e Draco parou na porta.
- No vai entrar? Est frio a fora e, alm disso, a gente ainda no comeu nada - falou Harry.
- Podem ir na frente. Tenho mais uma coisa pra fazer.
Draco saiu apressado. Procurou o acampamento dos anes e pediu pra conversar com um deles. No foi preciso nem 10
minutos de conversa e ele estava de volta ao salo principal.
Jogou-se na cadeira ao lado de Hermione e Rony e, junto com Harry e Gina, contou tudo o que tinha acontecido na
floresta. Mas no mencionou o que fizera antes de entrar no castelo. Isso seria uma surpresa.
Depois que Draco se retirou, Rony perguntou a Harry:
- Mas ser que podemos confiar nele? Digo, todos esses anos e tudo o que ele aprontou...
- Eu pensei nessa possibilidade - respondeu Harry - mas antes de tudo comear Ada me explicou algumas coisas.
Parece que foi para evitar problemas assim que o tal arcanjo foi chamado.
- Como assim? - perguntou Rony mais uma vez.
-  simples - interrompeu Hermione - um ser celestial  capaz de obrigar qualquer pessoa a falar a verdade s com sua
presena.  como se ele transpirasse veritasserum. Draco no poderia mentir, nem se fosse o maio oclumente de todos os
tempos.
Todos olharam para Hermione espantados.
- O que foi, gente? - perguntou ela - Ah, eu sempre esqueo que vocs lem muito pouco.
A conversa ainda continuou. Harry e Gina tiveram que explicar que esse ritual era na verdade uma espcie de
julgamento. E se algum ali no estivesse disposto a perdoar a famlia de Malfoy, nada teria acontecido.
- Mas e todas aquelas criaturas que vocs falaram - comentou Neville - Elas tinham mesmo que estar presentes?
- Pelo que eu entendi - disse Gina - precisava que sete representantes dos povos antigos participassem.
- , sete  um nmero mgico - falou Luna, com seu jeito habitual.
Deveria ser verdade, eles pensaram, afinal Voldemort j havia dito isso h muitos anos, quando se interessou pelas
horcruxes.
De repente, Harry se deu conta de que havia parado de procurar as horcruxes. Mas ele faria isso assim que o ritual fosse
impedido. Ele sabia que no destruiria Voldemort na prxima batalha. Mas de qualquer maneira precisava impedir que
Voldemort se apoderasse dos poderes do portal.
- 36 -
O ltimo pesadelo
Faltavam apenas trs dias para a Lua Cheia. O relgio andava apressado aqueles ltimos dias e todos evitavam imaginar
o resultado do confronto que viria. Cada um procurava ocupar seu tempo, e sua mente, da melhor maneira possvel. As
aulas de novos feitios foram trocadas por treinamento pesado.
Os elfos vermelhos, grandes estrategistas, passavam e repassavam as tticas escolhidas. As armaduras e espadas
recebiam o ltimo polimento. Os arcos eram encerados. As fadas tentavam espalhar um pouco de paz no corao dos
bravos guerreiros que iriam se aventurar na batalha.
Harry j havia desistido de encontrar as horcruxes. O mais importante era enfrentar Voldemort na Lua Cheia e impedir
que ele realizasse o ritual no Altar dos Portais.
No jantar daquela noite, Harry, Gina, Neville, Luna, Mione, Rony e, agora, Draco dividam uma mesa e conversavam
sobre os planos de Voldemort.
- No vai ser muito difcil impedi-lo - observou Mione - afinal, ele no tem as trs jias.
- Isso  verdade - assomou Rony - a terceira est muito bem guardada. E ns sabemos disso.
- Mas por que ele est to confiante? Por que marcar um ritual sem tudo o que  preciso para realizar? - perguntou
Draco, que ainda no sabia de toda histria.
- Porque a sua tia Bellatriz disse a ele que tem a terceira jia - respondeu Harry.
- Ah! Quando ele souber, vai ser o fim do mundo para ela - comentou Draco, mais uma vez.
Eles se calaram e comearam a comer. O jantar parecia no ter gosto de nada, mas eles comiam por necessidade.
Tentaram ainda travar alguma conversa sobre outros assuntos, mas nada lhes vinha em mente e resolveram se deitar.
Draco agora ocupava uma cama no mesmo quarto que Harry, Rony e Neville, apesar de ainda no se darem muito bem.
Eles se deitaram e ficaram em silncio. O sono demorou a vir, tamanha era a ansiedade que sentiam. Assim, s depois
de uma hora e meia rolando na cama  que adormeceram.
Com as meninas no foi diferente. Elas ainda conversaram sobre algumas trivialidades, como que roupa seria mais
apropriada para usar sob as armaduras e se existia algum feitio para prender os cabelos impedindo que eles caiam sobre
os olhos durante a batalha.
A madrugada ia alta quando Harry percebeu que estava tendo um novo sonho. Era estranho, pensou o garoto, como ele
poderia ter conscincia de estar em um sonho e no conseguir control-lo ou, pelo menos, sair dele.
Harry andava por uma trilha numa floresta escura e densa. No havia vento, e as rvores pareciam feitas de concreto.
Aos poucos ele reparou que naquele lugar no existia vida. Nada de insetos, de animais noturnos, nenhum barulho. Nem
mesmo seus passos provocavam rudos. A nica coisa que conseguia escutar era seu corao batendo cada vez mais
forte.
A trilha seguia praticamente reta. Algumas vezes fazia uma leve curva  direita ou  esquerda, mas no saa disso.
Quanto mais ele caminhava, mais acreditava que aquilo no teria fim.
Seus sonhos, na maioria das vezes, costumavam ser cheios de ao e conflitos. Tanto que aquela falta de ao era
angustiante.
Num certo ponto, a trilha comeou a ficar mais larga. E foi se alargando at parecer uma estrada, onde poderiam passar
tranqilamente dois caminhes lado a lado.
Continuava tudo muito escuro e sem vida, apesar das rvores estarem mais distantes dele, que caminhava pelo centro da
estrada.
A sensao era de que ele j havia caminhado quase 5 km naquela trilha. At que  sua frente a estrada se transformou
numa grande clareira.
Ele olhou para os lados e se dirigiu para o centro do local. Ento, as rvores comearam a se mexer e fecharam a
passagem que dava para a trilha. Harry estava preso naquela clareira.
A mesma sensao claustrofbica que ele teve no labirinto, h trs anos, invadiu sua mente. Ser que mais uma vez ele
enfrentaria Voldemort longe dos olhos e do alcance de todos?
Um movimento chamou-lhe a teno e ele se virou.
Sentada a um canto estava uma pessoa, envolta em uma coberta, com o rosto entre as mos.
Harry se aproximou devagar, com a varinha em mos. A pessoa escutou sua respirao e levantou o rosto.
Era Gina.
A garota levantou-se rapidamente e, deixando o cobertor no cho, correu em direo a Harry e se jogou em seus braos.
- O que  isso tudo, Harry? O que voc faz aqui no meu sonho?
- Este sonho  meu, Gina. Como chegou aqui?
- Por uma trilha, eu segui uma trilha e ela veio parar aqui. Quando tentei voltar no encontrei o caminho. Como voc
chegou?
- Do mesmo jeito... Acho que estamos presos aqui! - refletiu o jovem enquanto olhava tudo ao redor.
Depois de um longo perodo de observao, ele falou:
- Gina, voc trouxe sua varinha?
Ela olhou desconcertada para Harry.
- No... eu estava dormindo, Harry. E no costumo dormir agarrada a minha varinha.
Harry no respondeu. Puxou sua varinha apontou para o alto e berrou:
- Accio varinha da Gina.
Nada aconteceu. Nenhum sinal de que o feitio tinha funcionado.
- Lummus - disse Harry.
E mais uma vez nada aconteceu. A escurido continuou a mesma.
- Isso  pssimo! Sem magia como vamos sair daqui? - desesperou-se Gina.
Harry queria acalmar a garota, mas estava to preocupado quanto ela.
- No pode ser, Giny. Tem que haver uma sada daqui. Vamos procurar.
Eles comearam a procurar uma brecha entre as rvores. Mas estas pareciam no querer deix-los sair. Tapavam cada
centmetro com folhas e galhos, investiam contra eles e uma delas chegou a mandar Gina longe, de costas ao cho.
Era uma luta injusta. Os galhos cortavam os rostos e as mos dos dois e um cip conseguiu tirar a varinha da mo de
Harry.
O que mais os deixava apreensivo  que alm da respirao ofegante de ambos devido ao esfora de lutar contra aquelas
rvores, nenhum outro som era produzido.
- Se no estivssemos respirando - falou Harry - ia jurar que estamos perdidos numa floresta no meio do vcuo.
- No pense em nada, Harry, vamos continuar! Por favor, eu quero sair daqui - falou Gina se desesperando novamente.
Nesse momento um novo som se fez ouvir. Uma risada. Amarga e forada. O som vinha de todos os lugares, passava
entre as folhas e cercava os dois jovens bruxos.
- Quem est a? - berrou Harry.
Novamente a mesma gargalhada estranhamente sinistra tomou conta do ar. Harry e Gina se olharam e um abraou o
outro na tentativa de procurar abrigo e proteger ao mesmo tempo.
-  extasiante - disse a voz - ver que finalmente voc tem um medo real de mim, Potter.
Harry olhou para o alto. Esperava encontrar o dono da voz em algum lugar e sua intuio dizia que a voz vinha do alto.
- Pode procurar a vontade, Potter. Voc no vai me encontrar, a no ser que eu queira.
A voz comeou a ficar familiar. Harry conhecia aquele tom enojado, aquele jeito superior e frio de falar. Foi a risada,
nunca ouvida antes, que confundiu seus sentidos.
- Snape, seu maldito, aparea! - berrou Harry com toda fora.
- Ora, ora, ora... Mas at aqui, em meus pensamentos voc tem a audcia de me insultar, Potter? Acho melhor se
controlar, se no quiser que eu...
- Que voc o qu? Me mate como fez com Dumbledore? Vamos l, todos j sabem o covarde que voc . No vai fazer
diferena se matar ns dois.
- Chega, Potter! J lhe disse para NUNCA me chamar de covarde! Agora cale-se. Voc est na minha mente. Eu trouxe
o casalzinho para c e aqui tenho controle de tudo. Posso transformar este num sonho maravilhoso, veja.
O cu at ento escuro se abriu por completo. Era uma manh agradvel. A floresta agora tinha vida. Pssaros
cantavam. Havia borboletas e flores e eles puderam sentir o vento novamente.
- Ou ento - falou Snape novamente - posso fazer isto virar um pesadelo do qual vocs nunca em toda sua vida iro
esquecer.
O cu voltou a se fechar. Sem estrelas, luas ou qualquer outra luz. Havia apenas escurido at que um brilho verde
cortou o ar como um cometa. No mesmo instante centenas de dementadores rodearam os dois jovens. Eles sentiam as
foras se esvaindo, mesmo tendo certeza de que aqueles no eram dementadores de verdade.
As criaturas comearam a rodar em volta dos dois cada vez mais rpido. Iam mudando de cor at se tornarem um
imenso borro verde que comeou a subir e tomou a forma do rosto de Voldemort.
A imagem do Lorde das trevas abriu a boca e uma serpente gigantesca saiu de l pronta para devorar Harry e Gina.
Quando sua bocarra se aproximou o suficiente para sentissem seu hlito, Snape falou outra vez e eles voltaram para a
floresta em que estavam antes.
- Acredita em mim agora, Potter? Eu posso destruir voc se quiser. E o melhor de tudo, ningum vai descobrir.
Amanh, pela manh, vo encontrar seu corpo frio e sem vida. Mas meu objetivo  outro.
Harry se adiantou para falar outra vez, mas Snape arrancou a voz de sua garganta.
- No, Potter! Por que no faz como a senhorita Weasley e fica quietinho enquanto eu termino o que tenho que fazer?
No adiantava. Eles estavam nas mos, ou melhor, na mente doentia de Snape. A nica alternativa era esperar. Harry
sentou-se ao lado de Gina.
Agora, no cu, o rosto de Snape flutuava ameaador.
- Voc pode no acreditar, Potter. Mas nunca quis matar voc. E continuo no querendo. Seria um desperdcio de
poder. Agora, a nica coisa que quero  completar a minha misso. Cumprir meu juramento.
Harry e Gina tremiam. Olhavam aqueles dois olhos enormes fixados neles.
- Vai haver um ataque, Potter! Um ataque para distrair a ateno da Ordem. Amanh a noite. No deixe ningum ir at
l.  apenas uma armadilha tola. O Lorde tem 12 drages a seus servios e vai us-los para incendiar todos os bruxos
que forem ao local da emboscada.
Harry queria dizer alguma coisa, mas estava sem voz.
- Eu posso ler seus pensamentos, Potter! Sei que voc quer saber o motivo de preparar uma emboscada. Ele sabe que o
exrcito de vocs  grande e poderoso. E no quer correr o risco das coisas sarem erradas na hora do ritual. Assim,
quanto menos bruxos aparecerem para atrapalh-lo, melhor.
- Oua bem - continuou Snape - o importante  o exrcito estar inteiro na noite de Lua cheia. Lorde vai contar com as
presenas de lobisomens, dementadores, drades e outras criaturas que mesmo eu nunca consegui imaginar. E voc,
senhorita, certifique-se de que seu estpido namorado no vai por tudo a perder.
Snape fechou os olhos e voltou a abrir.
- E antes que os deixe acordar, no se esquea de um detalhe, Potter. Ele nunca conseguiu lhe tocar. Nunca!
A voz de Harry finalmente saiu e ele berrou:
- Volte aqui e se explique seu...
Neville, Rony e Draco pularam da cama e foram acudir o rapaz.
- O que foi, Harry? - perguntou Rony.
- Outro sonho, Rony. Um sonho estranho... - respondeu procurando seus culos e sua varinha.
- Que significa tudo isso? - quis saber Draco.
- Ah, nada demais - disse Neville ainda com sono - Harry sempre teve pesadelos. Sinais, sabe?
Harry se levantou, vestiu o roupo e foi para o salo comunal. Precisava saber se Gina realmente participou daquele
sonho. Ele precisava daquela afirmao para acreditar que realmente estivera na mente de Snape.
Faltava pouco menos de meia hora para amanhecer e no havia ningum no salo. Os feitios impedindo os rapazes de
entrarem no dormitrio das moas ainda existiam e o jeito seria esperar Gina descer para poder conversar com ela.
A lareira ainda estava acesa. Faltava ainda cerca de duas semanas para o inverno acabar e Harry sentiu frio. Sentou-se
prximo ao fogo e ficou rememorando tudo o que aconteceu aquela noite.
S despertou de seus pensamentos quando sentiu uma mo tocar seu ombro. Era Gina.
- O que faz a? - perguntou a moa.
- Estava esperando por voc. Queria conversar.
- J imagino sobre o qu. A resposta  sim.
- Ento aconteceu de novo? Outro pesadelo em conjunto.
- Aquilo no foi um pesadelo, Harry. Foi um seqestro de conscincias. Ele seqestrou nossas mentes. Precisava falar
aquilo de qualquer maneira e o nico jeito de se fazer ouvir foi esse.
- Mas voc... Voc acreditou no que ele disse?
Gina respirou fundo e disse:
-  estranho, mas acredito sim. O que temos a fazer agora  avisar todos sobre a emboscada. No vai ser nada fcil
convenc-los de que no poderemos ajudar as vtimas. Mas precisamos tentar. No podemos correr o risco de
transformar metade de nosso exrcito em churrasco.
Ela tinha razo. Era o que precisavam fazer. Mas confiar em Snape e aceitar que ele dera uma informao til ainda
fazia o estmago de Harry revirar.
Uma coisa, pensou ele, era perdoar Draco por tentar salvar sua famlia a qualquer custo. Outra era aceitar ajuda de
algum como Snape.
- Vai ser um dia agitado. Vamos chamar os outros e explicar a situao - disse Harry enquanto corria para chamar
Rony, Neville e Draco.
Gina tambm voltou para o dormitrio, a fim de chamar Hermione e Luna.
- 37 -
A marcha
- Mas vocs acham que a gente deve confiar no Snape? - perguntou Rony ainda espantado com o acontecido.
- No sei muito bem, Rony - respondeu Harry - Mas faz sentido, voc no acha? Manter todo o pessoal unido at a
hora certa de atacar o nosso alvo principal? Afinal, o que a gente quer  acabar com Voldemort. Depois disso, o resto
fica fcil!
- Potter - chamou Draco, se manifestando pela primeira vez aquele dia - como voc vai fazer para falar com eles l
fora?  muita loucura chegar e dizer: "Olha gente, eu sonhei com o seboso do Snape e ele me disse pra gente ficar
quietinho deixando os comensais fazerem a festa hoje a noite". Isso no vai colar.
Luna no segurou uma risada:
- Seboso do Snape. Essa foi tima! - comentou ainda rindo.
Todos se olharam e a risada da garota os contagiou. Era bom dar umas risadas para descontrair. Mas Harry voltou ao
assunto em questo.
- Eu pensei nisso, e sei de um jeito para tirar todos de perto do ataque e impedir que eles fiquem sabendo. Como se
fosse uma mera coincidncia.
Harry explicou rapidamente o plano aos amigos e deu algumas instrues de como eles deveriam agira nas prximas
trs ou quatro horas.
Pra comear, deveriam preparar suas coisas. Arrumar tudo o que fosse preciso, vassouras, capas, varinhas. Deixar tudo
pronto.
Isso no levou mais que meia hora. Ningum ia carregar muita coisa. No estavam saindo de frias. S Harry levaria
uma coisa a mais: a capa da invisibilidade. Mas ele no pretendia us-la. Tinha outros planos em mente.
Os jovens se reencontraram no salo comunal e comearam a colocar o plano em prtica. Cada um ia para uma ala do
castelo. Harry falaria com Hagrid. Rony com os centauros. Hermione e Gina falariam com os elfos domsticos. Neville
conversaria com Madame Pomfrey. Luna conversaria com os Ungrelbeers. E Draco procuraria Ada.
O objetivo de cada um era simples, convencer o maior nmero de pessoas possvel que era besteira deixar para se
deslocar para o local do ritual em cima da hora. Deveriam partir naquele mesmo dia, para se organizarem no local e
descansarem a fim de estarem bem preparados para a batalha.
A abordagem de Harry foi perfeita:
- Ei Hagrid, como est Grope?
- Ah, est bem. Ele  forte voc sabe! E est super animado para lutar.
- Eu imagino... Mas tenho uma dvida, Hagrid.
- Pode falar!
- Ah, bem... gigantes so rpidos?
A pergunta deixou Hagrid um tanto constrangido.
- Bem, Harry. Os gigantes so grandes. Tm corpos pesados. Normalmente so mais lentos, apesar de darem grandes
passadas... Alm disso so temperamentais, voc sabe, n? Mas por que pergunta isso?
- Ah, nada demais.  que eu fiquei imaginando como seria aparatar junto com um gigante.
- Que bobeira  essa, Harry? Nenhum bruxo conseguiria aparatar com um gigante.
- Ento como Grope vai para o Altar dos Portais daqui dois dias, Hagrid? Ser que ele chega rpido l?
Harry saiu de perto e deixou Hagrid com aquela sensao de que alguma coisa precisava ser feita.
Enquanto isso, na ala hospitalar, Neville tambm cumpria seu papel.
- Escuta, Madame Pomfrey - chamou o rapaz.
- Pode falar, Neville. Algum problema com seus pais?
- No exatamente!  que eu estava pensando quando eles vo poder aparatar novamente.
- Ah, Neville! No sei ao certo, mas acho meio arriscado que eles faam isso. Caso acontea alguma "recada", eles
podem se perder no meio do caminho.
- Hum... ento isso vai ser um problema!
- Por que diz isso, meu jovem?
- Bom, a senhora sabe que a grande batalha ser em dois dias. E meus pais juraram que vo l, nem que for para fazer
nmero. Mas sem poder aparatar, vai ser difcil! Preciso ir agora, fiquei de ajudar a Luna com algumas coisas.
E saiu sem dar tempo de Madame pomfrey responder.
Todos os outros seguiram a mesma linha de conversa. Rony s precisou dizer que os centauros no aparatam. Hermione
e Gina comentaram com Dobby que seria melhor se algum checasse o terreno, para ver se era propicio para uma luta.
Mas com Luna e Draco a conversa foi diferente.
Jovem chegou perto do amigo Randur, daquele jeito desligado de sempre.
- Oi minha linda - disse o ungrelbeer - o que faz por aqui?
- Ah, vim trazer um recado do pessoal - respondeu a menina, esquecendo do combinado de "jogar verde".
- E qual  o recado?
- Nada demais, parece que  pra gente ir pro Altar hoje mesmo.
- Mas a batalha  daqui dois dias, minha querida.
- Eu sei disso, mas concordo com eles.  mais seguro ir de uma vez. Alm do mais vocs no so to geis assim, n? -
comentou Luna como quem fala sobre uma borboleta que acaba de passar.
- Voc tem razo, Luna. Alis, como sempre, n? - brincou o ungrelbeer.
Enquanto isso, Draco tentava arrumar uma desculpa convincente para Ada. Mas nada realmente interessante lhe vinha a
mente e ele ficou parado, observando a professora organizar algumas coisas em uma mochila, que pelo visto ela levaria
para a batalha.
- Pode falar o que voc quer, Draco. Minhas mos esto ocupadas, mas eu posso ouvir voc!
O rapaz se assustou com a perspiccia da professora.
- No  nada demais,  s que... Bem, o que acontece  que...
Mas ele no conseguia inventar nada.
- Fale a verdade, Draco. Em mim voc pode confiar - disse Ada com aquele brilho especfico no olhar.
- Est bem,  que o Potter teve um sonho estranho. E ele acha que a gente precisa ir para o Altar hoje ainda.
A bruxa voltou a mexer na mochila e, depois de um tempo em silncio, respondeu:
- Ele tem razo. Diga-lhe que pode contar com o meu apoio!
Quando se reencontraram no salo comunal, todos traziam boas notcias.
- Perfeito! - exaltou Harry.
- Ainda bem que j arrumamos as coisas - comentou Neville.
Dobby apareceu neste exato momento, anunciando que a diretora McGonagal gostaria de ver todos reunidos no salo
principal.
Instantes depois eles chegaram ao salo e o encontraram abarrotado de bruxos, centauros, fadas, elfos e, at mesmo,
anes.
- Um instante, por favor! - pediu a diretora - Eu os chamei aqui porque soube do interesse que vocs tm em partir
ainda hoje para o local em que confrontaremos as foras das trevas. Mas antes de deixar o castelo,  importante
estabelecermos algumas regras. No podemos todos simplesmente aparatar no centro de um ponto turstico to
importante.
Houve um burburinho no salo. Tonks levantou a mo e tomou a palavra.
- Realmente no podemos aparatar l. Mas no  por ser um centro turstico. Os dementadores cuidaram de afastar todo
mundo da regio. O problema  dar de cara com esses monstros ou cair nas armadilhas que eles preparam.
- Ento - adiantou-se um bruxo africano - como vamos fazer?
Todos comearam a dar palpites ao mesmo tempo e uma verdadeira confuso se formou no local.
- Silncio! - berrou McGonagal - Esta  a pior hora para discutirmos feito um bando de velhos caducos e teimosos. Se
algum tiver alguma idia que valha a pena ser mencionada, por favor, venha at a frente e diga para todos.
Ningum quis expor seus pensamentos. Estavam todos constrangidos com o que a diretora falara.
- Bem, j que ningum tem uma idia brilhante para nos ajudar, sugiro que tomemos o caminho mais simples. Quem
tiver mais disposio, voar at Amesburry e encontrar um lugar pra ficar. No deve ser difcil, j que quase 70% da
populao abandonou o pas. Alguns iro aparatar tambm na mesma cidade. No se esqueam de ser discretos. O
ltimo grupo, formado por todos que no sabem aparatar e no voam, vai sair mais a noite, assim que ns terminarmos
as chaves de portal.
A diretora silenciou e esperou que houvesse perguntas ou protestos. Mas vendo que ningum se manifestava, concluiu:
- Agora, vamos arrumar nossas coisas!
Logo todos estavam arrumados e prontos para partir. McGonagal e mais alguns bruxos selecionados a dedo ficaram
preparando algumas chaves de portal. Enquanto isso outros bruxos j se deslocavam para o porto do castelo e
aparatavam ou preparavam suas vassouras.
Os anes comearam a entregar tudo o que tinham preparado naqueles dias. As espadas mgicas e armaduras brilhavam
e eram leves como uma capa de seda. Malfoy foi procurar o ano com quem tinha conversado no dia do conclio e
voltou da conversa muito mais animado.
- O que  isso que voc tem a? - perguntou Rony.
- Espera s mais um pouco, Weasley. Voc e os outros j vo saber.
Draco saiu para uma sala vazia e logo voltou, usando uma armadura diferente das dos demais. A dele tinha um desenho
especial: um grande olho sobre dois martelos cruzados. Era o smbolo da sua herana. Uma armadura especialmente
encantada para refletir o olho de Thor quando chegasse a hora de lutar.
Na cintura ele carregava uma espada comum que ele esperava usar depois de derrotar os inferis.
Parou junto dos companheiros e esperou os comentrios que estava acostumado a ouvir de Crabbe e Goyle sempre que
aparecia com alguma coisa nova. Mas s Hermione falou:
- , uma coisa a gente tem que admitir, voc tem bom gosto.
E saiu para pegar suas coisas. Ela preferiu aparatar, pois poderia atrasar o grupo caso fosse voando.
L pelas sete e meia da noite todos j tinham deixado o castelo. McGonagal foi a nica que ficou para trs. Ela era a
diretora daquela escola e queria ter a certeza de que todos sairiam de l sos e salvos.
Trancou a ltima porta, a do salo principal e lanou o ltimo feitio, e com uma lgrima nos olhos se dirigiu para o
porto e aparatou.
Aos poucos eles foram ocupando algumas casas abandonadas, sem deixar que ningum percebesse, exatamente como
Slughorn os ensinou.
Tonks foi "checar o terreno" e ver se conseguia descobrir alguma coisa. Voltou logo, pois as poucas pessoas que ainda
estavam na cidade e que se arriscavam a sair de casa no queriam conversar. Estavam amedrontadas.
- Parece que de hora em hora uma patrulha de comensais, dementadores e lobisomens fazem uma ronda ofensiva.
Ameaam todos e ningum pode falar nada. S uma pessoa quis conversar.
- E o que ela disse? - perguntaram Harry, Rony e Hermione que estavam na mesma casa que Tonks, Lupin e os
Weasley.
- E-L-E, a pessoa  um homem. Mas ele no disse nada! - respondeu a auror.
- Como assim, nada? - perguntou Mione perplexa.
- Eu no deixei. - respondeu Tonks enquanto mudava a cor do cabelo, e deixava todos de boca aberta - Achei melhor
se ele falasse com todo mundo. Ele est esperando l fora.
Todos se esqueceram da discrio e correram para fora da casa. Mas no era um trouxa que esperava ali para conversar.
- Mundungus?! - espantou-se a Sr Weasley.
- 38 -
A queda da Ministra
- O que faz aqui seu ladro... - comeou a berrar Harry.
- Acalme-se, Harry - pediu Tonks - se voc ouvir o que Mundungus tem a dizer vai mudar de opinio a respeito dele.
- Impossvel, Tonks! - continuou nervoso o rapaz - Voc sabe o que ele fez? Ele roubou as minhas coisas, as coisas
que eram do MEU padrinho. Entrou l quando no havia mais ningum da Ordem presente e saqueou a casa. E por qu?
Para vender por qualquer galeo.
- S fiz o que Dumbledore mandou - comentou Mundungus, o olhar distrado enquanto mexia em um dos botes
frouxos de suas vestes imundas.
Todos pararam. At Harry ficou calado, com a boca aberta.
- Ordens de Dumbledore? Como assim? - perguntou o Sr Weasley.
- Vocs so engraados, nunca confiaram em mim. Esse a at j quis me bater. - disse apontando para Harry - Mas
Dumbledore confiava. E eu respeitei ele mesmo depois do que aconteceu. E s fiz o que ele mandou fazer.
- Dumbledore mandou voc vender as minhas coisas? - perguntou Harry, em tom de ameaa.
- No seja ridculo, rapaz - respondeu Mundungus com um sorriso - ele s me pediu para fazer as coisas certas
chegarem s pessoas certas. Por exemplo, o espelho mgico que est nas mos de Belatriz. Foi Dumbledore que me
pediu para fazer chegar at ela. E s para esclarecer, Harry, eu no ganhei um nuque com isso.
Mais uma vez eles estavam boquiabertos. Molly, Tonks, Lupin e Arthur no sabiam do que ele estava falando, mas o
resto dos garotos sabia muito bem. E foi graas ao espelho que eles descobriram o que Belatriz estava fazendo.
- Espero um momento - falou Harry finalmente - como Dumbledore pediria isso a voc? O outro espelho estava
comigo, no teria utilidade para ele ou para quem quer que seja se eu no soubesse do plano.
Eles olharam para Mundungus esperando a reao. E calmamente ele respondeu:
- Voc realmente sabe como pensar pequeno, Harry. Eram 3 espelhos. O seu, o de Sirius e o de Dumbledore. Agora, eu
no vim at aqui para dar explicaes de nada disso. Vim para dizer que j comearam a preparar o ritual. Esto l nos
portais, e quem est coordenando tudo  a Umbridge.
A expresso de todos mudou bruscamente.
- Por que Umbridge foi escolhida? - perguntou Arthur.
- Parece que  a ltima chance dela provar que  til pra alguma coisa. Ela fez muitas besteiras, sabe? Primeiro
aprontou a maior briga com a Lestrange, depois no conseguiu manter Minerva como refm e ainda perdeu uma coisa
que Voc-sabe-quem precisava. Pelo que eu soube ela s no est morta porque  a nica que sabe como carregar o
portal do jeito certo. Mas se ela falhar em algum momento, vai ser adeus definitivamente. Agora eu preciso ir, se me
virem aqui vou estar perdido. E morto vai ser difcil ajudar!
Despediu-se e sem esperar resposta saiu gingando, como um verdadeiro bbado trouxa.
O silncio tomou conta deles e um a um entrou na casa novamente. Sentaram-se em volta de um fogo improvisado na
lareira, onde um bule fervia gua para um ch.
- Ento, o que vamos fazer? - quis saber Hermione.
- No sei - respondeu Lupin - no sei se  prudente atacar agora. Nem sabemos quantas pessoas esto l com ela.
- Aposto que ningum ia querer ajud-la, todos os comensais tm pavor dela - comentou Mione.
- Como voc sabe disso? - perguntou Tonks.
- Quando o Rony e eu fomos seqestrados na floresta eu os ouvi conversando e falando horrores sobre ela e sobre a
Lestrange.
- Por mim - disse Harry - algum devia ir at l. S para dar um susto. E se o portal j estiver l, vai ser fcil impedir
Voldemort de realizar o ritual.
- Est bem, Harry. Eu vou sair e falar com algumas pessoas - disse Lupin.
- No - interrompeu-o Sr Weasley - eu fao isso, Lupin. Hoje  vspera de Lua Cheia e sabe-se l como voc vai
reagir. Ah, propsito, amanh, voc e Gui sairo cedo de casa. Para no colocar ningum em perigo.
Lupin apenas concordou com a cabea e Arthur Weasley saiu para convocar alguns voluntrios.
Cerca de meia hora um grupo de 15 bruxos devidamente disfarados deixava a cidade e ia em direo ao Altar.
Levaram quase 50 minutos para chegar, porque resolveram voar baixo e bem devagar, para no serem vistos por
ningum.
O movimento no local era intenso. Muitos bruxos passavam com pedaos de madeira e montavam archotes ao redor de
todo o monumento.
Outros usavam as varinhas para limpar o lugar e outros ainda se ocupavam de deixar todas as pedras sem musgos ou
qualquer resqucio de sujeira que pudesse impedir as energias de correrem pelo local.
Umbridge estava no centro do lugar, bem em cima da marcao onde o Portal do Vu seria colocado. De l ela
organizava toda preparao e parecia satisfeita consigo mesma. Dar ordens era o que ela sabia fazer de melhor.
Os bruxos da ordem espionavam tudo com calma. Deveria ter pelo menos 50 comensais trabalhando ali. Eles no
poderiam atacar diretamente sem comprometer a segurana de ningum.
- Algum sugere alguma coisa? - perguntou Arthur.
- Eu tenho uma idia - falou um bruxo de uns 45 anos, vindo da Grcia.
Aos poucos ele explicou a sua idia. Teriam que arrumar um jeito de atrair algum comensal para perto de onde o grupo
estava e enfeiti-lo. A Maldio Imperius deveria ser o bastante para o comensal causar uma grande confuso.
- A questo agora - falou um bruxo italiano -  como vamos atra-lo.
Eles comearam a discutir qual o melhor jeito. Dois se ofereceram para forjar uma briga, como se fossem trouxas
perdidos por ali, e sem que os outros percebessem enfeitiariam o primeiro comensal que viesse tirar satisfaes ou
expuls-los dali.
E assim eles fizeram. Dirigiram-se para a estrada que os turistas usavam para chegar ao monumento, a varinha
escondida sob a manga comprida do bluso flanelado, e comearam andar e discutir.
- Eu disse que voc pegou o caminho errado! - gritava um.
- Eu peguei? Foi culpa sua que ficou me amolando enquanto eu olhava o mapa. Culpa sua, est ouvindo?
- Tudo bem, mas se voc no tivesse deixado o mapa cair naquela poa de lama, ns teramos como achar o caminho de
volta, est ouvindo.
A discusso atraiu muitos olhares. Alguns comensais apontaram suas varinhas na direo dos dois homens que fingiam
estar ocupados demais na discusso para prestar ateno nas varinhas.
Umbridge tinha um grave defeito, que era uma vantagem para seus inimigos, era uma mulher muito previsvel.
Mundungus no mentira. Aquela era a ltima chance da Ministra e ela no deixaria uma discusso de "trouxa" ofuscar
seu brilho.
- Barlach - berrou Umbridge para um bruxo alto e corpulento que passava perto - v ver o que aqueles infelizes esto
fazendo por aqui. E se for preciso, d um jeito definitivo em tudo isso.
Barlach no gostou muito da ordem que recebeu, mas pelo menos era melhor fazer isso que ficar capinando musgo de
pedrinhas.
Ele chegou sem nenhuma cerimnia empurrando os dois falsos trouxas para trs e berrando alguma coisa que a
princpio eles no entenderam.
- O que esto fazendo aqui? - berrou ele de novo.
- A, no disse que voc ia nos arranjar confuso. - disse um dos bruxos para o outro - Nada, para falar a verdade nem
deveramos estar aqui. Mas o meu irmo  incompetente demais para olhar um mapa.
- Dem o fora daqui imediatamente se no quiserem ir discutir no inferno - berrou Barlach.
Os dois "trouxas" se entreolharam e balanaram a cabea fingindo um temor alm da conta.
Assim que deram os primeiros passos em direo oposta ao monumento, um deles tirou sua varinha, apontou para as
costas de Barlach e murmurou:
- Imperius!
O bruxo estancou na mesma hora e ficou parado. O bruxo mais velho se aproximou de Barlach e ordenou:
- Agora, voc vai me obedecer. Oua bem, voc precisa atrapalhar a Umbridge. Desmoraliza-la. Causar problema,
provocar brigas e discusses entre os comensais que esto sob as ordens dela. E no deve, em hiptese nenhuma, falar o
porqu de suas atitudes. Agora v e no me procure mais.
Barlach voltou ao centro do monumento e os dois falsos trouxas voltaram para o grupo.
- Esperem o espetculo. E quando a confuso tomar conta do local, vamos aparatar - sugeriu o bruxo mais novo.
Dominado pela maldio Imperius, Barlach voltou ao centro como se fosse retomar seus afazeres. Mas invs disso,
puxou sua varinha e estuporou Umbridge.
Os comensais ali perto no sabiam se socorriam a bruxa ou se repetiam o feito de Barlach. Este por sua vez comeou a
atrapalhar o servio dos outros e isso foi o suficiente para que eles travassem uma pequena luta.
Feitios estouravam de todos os lados. Umbridge havia se recuperado e agora tentava, em vo, acertar Barlach que
corria de um lado para outro lanando feitios. As luzes que saiam das varinhas se misturavam e no final, ningum sabia
ao certo com quem estavam lutando.
Os bruxos da ordem aproveitaram a confuso e aparataram na cidade em que os outros estavam escondidos. Eles no
tiveram tempo de ver o que aconteceria depois.
O barulho chamou a ateno dos guardas da Fortaleza, que ficava bem prxima do Altar. Alguns soaram o alarme e
logo um batalho de dementadores e comensais foi dar um jeito na confuso.
O batalho era comandado por Belatriz Lestrange, que fazia questo de checar tudo em que Umbridge estava envolvida.
A primeira coisa que fez foi estuporar Barlach. Depois foi andando em direo ao centro do monumento. A cada passo
que dava, os bruxos paravam de lutar.
Lestrange era poderosa. A preferida do Lorde e por isso temida e respeitada, como uma verdadeira rainha.
Alguns bruxos que ainda continuavam lutando foram amaldioados por ela que berrava:
- Cruccios!
A dor era tanta que eles caam quase inconscientes. Esse era o feitio que Lestrange sabia fazer melhor.
Quando finalmente chegou at Umbridge, perguntou numa voz calma e ao mesmo tempo ameaadora:
- Posso saber que confuso voc aprontou dessa vez, Dolores?
- No fiz nada, foi culpa do Barlach. Ele chegou do nado e simplesmente me estuporou - respondeu Umbridge com a
voz amargurada.
- Ele estuporou voc sem motivo? Ento merece um trofu - zombou Lestrange.
Alguns seguraram o riso. Lestrange era to bem quista quanto Dolores Umbridge, mas pelo menos era uma bruxa
incrvel, poderosa e gozava da proteo do Lorde. Enquanto Umbridge era a bruxa mais medocre que muitos ali j
tinham visto. V-la sendo humilhada em pblico era um presente para eles.
- Quer que acabemos com ele, senhora? - perguntou a Lestrange um bruxo calvo e magro, referindo-se a Barlach.
- No, precisamos saber por que esse infeliz causou toda a baguna. Enquanto isso, vamos lev-los para o Lorde.
- Lev-los? Quem mais deve ser levado, senhora? - perguntou o mesmo homem.
- Oras, Barlach e Umbridge - respondeu Lestrange, deliciada ao ver o horror brilhar nos olhos da ministra.
Na casa ocupada pelos Weasley a agitao era total com as novidades.
- Agora ela vai ter o que merece - comentou Percy.
-  horrvel pensar assim, - comentou Mione - mas tenho que concordar com voc. Duvido que ela saia viva depois
dessa confuso.
- E voc, Harry? O que acha? - perguntou Rony ao amigo que at ento permanecera calado, de mos dadas com Gina.
- Acho que demos uma lio em Umbridge, mas de qualquer jeito teremos que lutar amanh. O Portal do Vu no
estava no lugar e no foi destrudo. Com ou sem a ajuda de Umbridge, Voldemort vai realizar o ritual.
Aquilo era verdade. Eles conseguiram complicar as coisas para Umbridge, mas o Altar estava pronto, esperando apenas
a colocao do Portal. Na noite seguinte, a batalha aconteceria, de um jeito ou de outro.
- Vamos dormir, queridos! - disse a Sr Weasley - Amanh vai ser um dia cheio.
Eles se levantaram procuraram se acomodar em algum lugar para dormir. E o sono s veio porque o ch que a Sr
Weasley preparou era especial. Ela sabia que todos estavam ansiosos e precisariam de uma "ajudinha" pra pegar no
sono.
De volta a Fortaleza, Lestrange conduzia os dois prisioneiros at a presena de Voldemort. Fazia questo de olhar com
desdm para Dolores e assumir a pose de rainha sempre que algum comensal passava perto.
Sua vontade de humilhar a ministra era to grande que ficava lanando pequenos feitios nela durante todo o trajeto.
Quando chegaram a sala de Voldemort, este j os esperava. Pegou Lestrange pela mo e a conduziu at uma cadeira
prxima a dele. Depois sentou-se, apoiou o brao esquerdo em seu trono e segurou o prprio queixo, como se estivesse
pensando no que fazer.
-  impressionante como a incompetncia transborda at nas pequenas coisas. Limpar cho, pedras e colocar archotes.
Era s isso.
Voldemort suspirou. Um suspiro cnico, cheio de malcia e desprezo.
- Agora - continuou ele - preciso decidir o que fazer com vocs. Barlach, voc sempre foi um comensal muito
dedicado. Nunca desconfiaria de voc. E por isso, vou lhe conceder um enorme benefcio. O da dvida. Bela, minha
cara, traga Snape at aqui. Precisamos vasculhar a mente de nosso fiel companheiro.
Belatriz Lestrange se levantou e imediatamente saiu em busca de Snape. Voldemort era excelente em Legilimncia, mas
no gostava de gastar seus preciosos dons em mentes como a de Barlach.
- E eu, meu Lorde? - perguntou Umbridge, completamente aterrorizada.
- Voc, Dolores! O que vamos fazer com voc? No sei ainda. Vou esperar Bela voltar de dar o seu destino de presente
para ela.
Umbridge ficou petrificada. Seu pavor aumentou e ela comeou a tremer. Em instantes estava gritando feito uma louca.
- No, por favor, meu Lorde! No deixe Belatriz decidir o meu destino... Ela vai querer me ver morta...
- Dolores, choramingar assim no fica bem para uma pessoa da sua idade. E Bela tem sido uma companheira
inestimvel. Merece ganhar um presente.
- Eu sei o que ela lhe disse - berrou Dolores em desespero - Mas ela no tem o que voc quer. Eu sei disso! Ela est
mentindo!
Voldemort tirou lentamente sua varinha de um bolso oculto em suas vestes, apontou para Umbridge e disse:
- Voc me cansou, Dolores! Quietus.
A voz da ministra sumiu. Ela ainda tentava gritar, abria a boca, pronunciava as palavras, mas no saa nenhum som.
Dolores se virou pensando em sair correndo daquele lugar, mas dois comensais parados na porta indicavam que ela no
teria chance nenhuma.
Belatriz voltou acompanhada por um Snape bem mais magro e plido. Os cabelos, antes ensebados, agora estavam
secos e sem vida. Os olhos fundos indicavam o quanto ele estava fraco.
- Severo - falou Voldemort com seu ar cnico -  bom v-lo novamente. Precisamos dos seus servios como
legilimente. Voc sabe o quanto me desgasta entrar em mentes to medocres.
Snape apenas concordou com a cabea.
- Agora, faa-me um favor. Descubra o que aconteceu para que Balarch se comportasse de maneira to estranha.
O ex-professor de Poes se posicionou de frente a Balarch e tentou usar Legilimncia. No foi muito difcil. Em pouco
tempo, Snape descobriu o que Voldemort queria.
- Ele foi dominado. Maldio Imperius. Mas no d para saber quem fez isso, porque nem ele viu. Foi atingido, ao que
parece, pelas costas.
Voldemort olhou incrdulo. Depois pareceu se convencer e disse:
- Perfeito, Severo. Pode se retirar. Voc parece meio cansado hoje.
Snape fez uma reverncia e saiu da sala.
- Agora, sua vez Dolores! Bela, gostaria de lhe presentear com o destino de Dolores. O que acha?
O sorriso cruel que apareceu no rosto de Belatriz Lestrange foi indescritvel. Ela se aproximou de Umbridge, passou a
mo pelo rosto assustado da ministra e respondeu:
-  o melhor presente que eu poderia ganhar, meu Lorde.
- Ento, nos diga! Estamos todos curiosos para saber o que far com ela: vai ser um Avada, um Crucios ou vai vir-la
do avesso?
Belatriz analisou bem as feies da bruxa velha. Depois, ajoelhou-se diante de Voldemort e deu sua sentena.
- J fiz minha escolha, mas submeto-a a vossa aprovao. Eu desejo, para Dolores Umbridge, um beijo de dementador.
As pernas de Umbridge bambearam e ela caiu de joelhos. Preferia mil vezes ser torturada, virada do avesso, do que
receber o beijo do dementador.
Voldemort sorriu, dessa vez com sinceridade. Era agradvel perceber o quanto Lestrange poderia ser cruel.
Pela primeira vez, desde a chegada dos dois prisioneiros, Voldemort se levantou e deu a ordem:
- Avisem a todos, hoje um dementador ser escolhido para beijar a nossa ministra.
Os guardas saram e duas horas depois, no salo principal da Fortaleza, uma pequena arquibancada havia sido montada.
No centro, Dolores Umbridge aguardava de mos e ps amarrados, para evitar qualquer tentativa de fuga.
Sua varinha foi solenemente destruda diante de todos os comensais presentes e at Lucius Malfoy foi convidado a
assistir o espetculo.
Todos aguardavam ansiosamente. Voldemort, sentado em seu trono, acima de todos, deu a ordem para que o
dementador escolhido entrasse no salo.
Ele trajava sua veste habitual, uma longa e escura capa esfarrapada, com um capuz que cobria seu rosto. O dementador
escolhido era o nico que ainda no possui corpo fsico o que provocaria mais medo na vtima. Ele entrou rodeando todo
o salo, entre os gritos de medo e excitao dos presentes e foi at Dolores Umbridge.
A cena que se seguiu foi chocante at para Lestrange. A criatura levou as mos at os ombros da ministra e com seus
dedos longos e podres levantou-a do cho.
Os olhos de Umbridge revelavam pnico, seu corpo tremia cada vez mais, de frio e de medo. Todos diziam que o beijo
do dementador era pior que a morte, mas ningum conseguia explicar o porqu disso. E agora ela saberia.
Suspensa no ar, o dementador segurou-a com uma nica mo e com a outra retirou o capuz. Seu rosto era uma imensa
massa disforme de carne em decomposio. Sem olhos ou nariz, a nica coisa que "adornava" aquela face era uma boca
de lbios rachados e secos, num tom acinzentado.
Antes que Umbridge pudesse desmaiar, o dementador aproximou o rosto da ministra de seus lbios. Quando encostou
os lbios na pele da velha bruxa, ela estremeceu e caiu plida, olhos abertos como se tivesse visto seu pior pesadelo
acontecer.
Umbridge finalmente descobrira o que de to terrvel havia no beijo do dementador. Ela no morreria. Seu corpo
continuaria ali, de olhos abertos e funes vitais perfeitas. Mas sua alma, a partir daquele momento, dividiria espao
com tantas outras almas j sugadas pela mesma criatura. Ela habitaria a mente do dementador, um lugar feito de tristeza,
angstia e desespero.
A criatura saiu pela mesma porta que entrou e a platia no sabia se aplaudia ou se chorava. S Voldemort pareceu se
divertir com a situao. E foi justamente ele quem quebrou o silncio.
- Amanh, meus fiis seguidores, vamos realizar o ritual que far de mim o maior bruxo de todos os tempos. E quem
estiver do meu lado, ser recompensado devidamente.
Todos aplaudiram mais por obrigao do que por vontade. A cena do beijo ainda lhes perturbava os pensamentos.
- 39 -
A Guerra: A Fnix e a Serpente
A manh chegou rpida e foi anunciada pelo canto de uma ave mgica. Fawkes sobrevoou todos os lugares em que os
membros da Ordem estavam. Seu canto inspirava nimo e coragem.
Bruxos e bruxas de todas as partes do mundo se preparavam para combater o exrcito do Lorde das Trevas. Cada um a
seu modo, tomaram um belo caf da manh, preparado antecipadamente pelos elfos domsticos. Dobby instruiu cada um
dos elfos a preparar a comida com um pouco de mgica, para que todos se sentissem bem depois da refeio.
Alimentados, eles comearam a cuidar das armaduras, espadas, arcos e varinhas. Poliam, limpavam, deixavam tudo
perfeito.
Gui e Lupin tinham sado antes mesmo do sol nascer, seguindo o conselho de Arthur Weasley. Eles se encontrariam
pouco antes do anoitecer.
A Lua Cheia teria sua fora mxima s 19h17min. Horrio em que teriam que estar em combate, para impedir
Voldemort de realizar o ritual. Assim, combinaram de sair todos juntos da cidade l pelas 16h. Gastariam mais de uma
hora a p, pois mesmo que as armaduras fossem leves, eles no deveriam se cansar a toa.
Vendo que todas as suas coisas estavam arrumadas, Harry retirou um pacote de uma mochila e foi atrs de Draco. O
rapaz conversava entretido com o ano que fizera sua armadura.
- Voc garante que isso vai funcionar? - perguntou o jovem bruxo.
- Se voc no esquecer as palavras certas, vai funcionar sim! - respondeu o ano, parecendo ofendido com a pergunta.
Harry fez um movimento mais brusco para chamar ateno e Draco se virou.
- Ah, oi Potter! Faz tempo que est a?
- Acabei de chegar! Escuta, eu preciso conversar com voc. Sobre uma coisa muito sria.
Draco olhou Harry nos olhos e entendeu que no era nada que pudesse ser adiado. Concordou com a cabea e seguiu
Harry, que procurou um banco numa praa perto dali.
Eles se sentaram e Harry comeou a falar.
- Voc sabe que o exrcito de Voldemort  forte...
- Sei - interrompeu Draco amargurado - tenho marcas na pele at hoje.
- Ento - continuou Harry - sabe o quanto precisamos da sua ajuda. Voc sabe qual  a sua misso.
- No se preocupe, Potter. J disse no Conclio que estava do lado certo agora.
- Mas no  s isso, Draco. Tem mais coisas. Eu, quer dizer, todos ns tememos por voc. Se Voldemort ou sua tia, ou
qualquer outro seguidor fiel dele o encontrar durante a batalha,  quase certo que tentem lhe matar. E no duvido que
consigam no meio de tanta confuso.
- Mas ele no sabe que eu estou do lado de vocs, Potter!
- Sabe sim, Draco. Por que acha que seu pai no voltou? Porque Voldemort o prendeu para forar voc a se juntar a ele.
- Agora no tem mais jeito. Eu jurei para Ada, para Nandriel. No posso mais voltar atrs. E quem garante que meu pai
no est l por vontade prpria? Ele sempre foi partidrio de Voc-sabe-quem.
- Seu pai mudou muito, Draco! E eu tenho certeza que ele est preso.
- Como pode ter tanta certeza assim, Potter? Voc o viu num dos seus sonhos esquisitos?
Aquela era a hora. Harry precisava contar a verdade sobre Narcisa. No achava justo que Draco no soubesse. Ele sabia
como era ignorar a verdade sobre os pais.
- Eu soube da priso do seu pai quando...
- Quando o qu, Potter? - impacientou-se Draco.
- Quando os membros da Ordem receberam uma caixa mandada por Voldemort e por sua tia.
- O que tinha na caixa? - perguntou o bruxo loiro sentindo que era alguma extremamente ruim.
- O corpo... da sua me - finalizou Harry numa voz sumida.
Draco olhou para o cho. No queria bancar o covarde na frente de Harry Potter que tinha perdido os pais com apenas
um ano, vivido da pior maneira possvel e ainda tinha enfrentado Voldemort vrias vezes e de uma certa maneira sempre
levava a melhor. Mas sabia que o rapaz ali tinha razo. At seu ex-amigo Crabbe o tinha torturado, quando estava preso.
- O que voc sugere? - disse num esforo sobre-humano para no chorar - Que eu v escondido em alguma caixa ou
coisa parecida? Ou ento que algum professor me transforme num animal ou objeto fcil de ser carregado?
Harry percebeu o quanto aquela situao era difcil para Malfoy.
- De jeito nenhum, todas essas possibilidades poderiam prejudicar o seu dom. Ou atrapalhar o seu cabelo - falou
tentando descontrair um pouco.
Funcionou, Malfoy riu sem jeito e Harry continuou a conversa.
- Eu vim aqui emprestar uma coisa para voc. Algo que foi do meu pai e que agora eu acho que vai ser muito til para
proteger voc e nos ajudar a vencer essa batalha.
Harry entregou o embrulho e Malfoy o abriu. L dentro estava a Capa da Invisibilidade.
- Eu vou ficar invisvel?
- Isso, e s vai aparecer quando os Inferis comearem a atacar. S precisa ter cuidado com os dementadores. Eles
podem ver atravs da capa.
Draco sorriu. Experimentou a capa do pescoo para baixo e Harry brincou:
- Voc ficaria bem mais bonito se cobrisse a cara.
Os dois deram uma boa gargalhada, mas ficaram srios imdediatamente.
- O que vai acontecer depois dessa batalha? - perguntou Malfoy.
- Depois que impedirmos o ritual vai ficar mais fcil destruir Voldemort. O exrcito dele vai ter um belo desfalque.
Principalmente depois que voc aparecer e acabar com os inferis.
- Mas e "ele"? Vai ser destrudo?
- No - respondeu Harry - pelo que eu sei, parece que ele tomou algumas providncias para que isso no acontea.
Diante da cara de dvida de Draco, Harry completou:
- Ele  como um gato, Draco. Tem sete vidas.
Os dois seguiram em silncio para a casa onde estavam as coisas de Harry. Todos esperavam por eles. Fizeram uma
reunio antes de sair e o Sr Weasley falou:
- Chegou a hora pela qual esperamos ansiosamente. No h mais como voltar atrs. E nem h razes para que isso
acontea. Somos muitos! Somos fortes! Mas acima de tudo somos o bem! E eu no me lembro de uma nica vez, desde
que o mundo  mundo, em que o bem no tenha vencido o mal. O mal pode persistir! Pode tentar quantas vezes quiser,
mas nunca, ouam bem, NUNCA ir ganhar. Enquanto houver criaturas humanas ou no que desejem que esse mundo
seja um bom lugar para se viver, o mal no ter vez.
Bruxos, anes, elfos e todas as criaturas presentes, inclusive Grope, ouviam o discurso do pai de Rony.
- Hoje eu peo a vocs que lutem por Dumbledore, para que tudo o que ele fez nesses ltimos anos tenha valido a pena.
Os presentes prorromperam em aplausos frenticos, enquanto muitos gritavam palavras de incentivo e nimo.
Quando todos estavam saindo, os gmeos Fred e George Weasley saram da casa com grandes caixas e pediram que
esperassem.
- Temos algumas coisas inteis que podem ser muito teis - falaram ao mesmo tempo os dois rapazes.
E comearam a distribuir bisnagas de bolhas, que provocavam grande bolhas cheias de pus fedorento onde espirrassem;
mal-cheiro expresso, o prprio nome j dizia, bastava abrir a caixa e ningum conseguiria ficar perto (vinha com
mscaras anti-odor) e mais outros apetrechos muito criativos.
Eles finalmente partiram e como previsto, cerca de uma hora depois avistavam a plancie em que se encontrava o Altar
dos Portais.
O movimento ali era intenso. Comensais corriam para todos os lados, dementadores cercavam o local. Lobisomens
eram comandados por Fenrir, que exibia uma bela cicatriz deixada pela espada de Gui, e mancava um pouco ao andar.
Todos os bruxos da Ordem se posicionaram de acordo com o combinado. Lupin e Gui ficaram mais atrs. O sol estava
quase sumindo no horizonte e os relgios marcavam 18h.
-  agora - falou Arthur Weasey, que tinha assumido o controle da Ordem nos ltimos dias.
Os elfos dispararam flechas na direo dos comensais. Muitos foram atingidos, e como as pontas tinham sido forjadas
pelos anes os ferimentos eram graves. Trs caram mortos com as flechas trespassadas na cabea ou corao.
Os outros que estavam perto deram o alarme e todas as criaturas vieram socorrer.
Voldemort j estava presente no local, mas parecia no se importar para aquilo. Sua ateno estava totalmente voltada
para o Portal do Vu que estava sendo colocado no centro do Altar.
Os comensais apontavam suas varinhas na direo de onde tinham vindo as flechas e lanavam toda sorte de feitios
que conheciam.
Logo os bruxos da Ordem comearam a revidar e foram mostrando a cara. As fadas lanavam feitios estranhos que
deixavam os adversrios atordoados e facilitava o trabalho dos anes.
Grope tentava pisotear todos os seres de capuz que encontrava em seu caminho. Hagrid ia junto, visto que resistia a
maior parte dos feitios.
O meio-gigante aproveitou que um comensal havia sido estuporado por quatro bruxos ao mesmo tempo e pegou-lhe a
varinha "emprestada". Agora poderia lanar todos os feitios que sabia. No eram muitos, mas era mais que seu
guarda-chuva cor-de-rosa podia fazer.
A lua apareceu detrs de uma nuvem e todos os lobisomens comearam a uivar. Lupin passou correndo entre os bruxos
e se juntou aos de sua espcie. Gui foi atrs, apesar de no ser um lobisomem completo, sentia necessidade de ir para l.
Aquele uivo era um chamado para ele. E o melhor, ele podia se comunicar com os lobisomens apesar de manter a forma
humana.
Era impossvel dizer quem estava ganhando at que uma imagem marcou o cu. A fnix colorida, criada pelo Fortiori,
bateu suas asas sobre o campo de batalha.
Em seguida, um comensal revoltado berrou:
- Morsmordre!
E a caveira com lngua de cobra tambm apareceu, dando a todos a certeza de que a luta estava apenas comeando. E
no ia terminar to cedo.
- 40 -
A Guerra: Lutas uivos e sangue
Aquela era uma luta entre iguais. Ambos os lados mostravam-se fortes e conhecedores de magias impressionantes. A
cada momento a excitao era maior.
Harry, Rony, Mione, Gina, Luna, Neville e Draco ficaram para trs. Eles ficaram encarregados da misso de acabar
com o ritual. Alm disso, Draco tinha duas coisas para fazer: comandar os inferis quando eles aparecessem e acertar as
contas com sua tia Belatriz.
Enquanto isso, os lobisomens se agrupavam a um canto, uivando e correndo. Ainda no tinham atacado ningum.
Fenrir foi para o centro da roda e chamou todos os lupinos ali para acabarem com os humanos e prometeu, como
recompensa para quem caasse mais, um belo centauro, que ele faria questo de pegar.
Muito riram. Uma risada estranha misturada com grunhido. Mas Fenrir no gostou da reao.
- O que est acontecendo aqui? - perguntou exasperado - Eu lhes ofereo um banquete e s metade me parece com
fome????
Gui acompanhava tudo encostado numa rvore, imerso na escurido. Um sorriso zombeteiro no rosto, a espada j fora
da bainha.
- Vamos, todos ns sabemos o quanto os humanos podem ser saborosos. Ao ataque!
Apesar do comando, poucos se mexeram e foram atacar algum bruxo. Um ataque rpido e falho. Eram pouco lupinos
contra muitos bruxos, fadas e outras criaturas.
Fenrir bufava de dio. Suas narinas se alargavam e seus lbios caninos tremiam. As pupilas dilatadas pareciam dois
buracos negros.
- O que  isso? Como ousam no me obedecer? - berrou o mais alto que pode.
- Talvez - respondeu um dos lobisomens com a voz mais calma que sua espcie permitia - porque agora eles sabem
quem voc realmente , Greyback.
Era Lupin, o ex-professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Ele caminhava entre os lobisomens tranquilamente.
Fenrir Lobo Greyback o olhava firmemente. Estudava seus movimentos.
Aquilo era ridculo, pensava Fenrir. Um lobisomem fraco e sentimental como Lupin jamais poderia tomar a frente
daqueles que sempre estiveram sob seu comando.
- Oras, Lupin...  uma honra ver aqui a minha cria favorita. E pensar que eu escolhi a dedo antes de atacar voc. Agora
pensa que pode me superar?
- Se ele no puder, eu tenho certeza que posso, Tot - falou Gui saindo de trs das sombras. - Ainda tenho que levar
voc para passear.
Houve uma exploso de uivos e risos, e Fenrir explodiu de raiva. Partiu para cima de Gui e imediatamente todos os
lobisomens comearam a lutar entre si.
Eles se esqueceram dos bruxos ali ao lado lanando seus feitios e travaram uma batalha particular. De um lado, os
lobisomens que ainda apoiavam Fenrir. Do outro, os lobisomens que apoiavam a Ordem.
Fenrir uivava com dio. Ser trado pelos de sua espcie era algo que ele no admitia. At meia hora antes, aqueles
lobisomens se diziam do lado do Lorde das Trevas. Mas assim que Lupin e Gui se manifestaram, eles mudaram de lado.
Dois lobisomens de pelagem castanho-avermelhada tentaram abocanhar Gui, mas Fenrir berrou:
- Deixem o rapaz, ele  assunto MEU!
E correu o mais rpido que pode para alcanar Gui, que mostrava mais uma vez sua agilidade e sorte.
- Vem, Tot - berrava Gui enquanto corria - vamos dar um belo passeio.
Fenrir demonstrava seu cansao mais uma vez. A cicatriz deixada por Gui no dia do ataque ao laboratrio ainda
provocava dor. O exerccio intenso, junto ao ar frio da noite que chegava, fazia Greyback sentir como se a lmina da
espada ainda estivesse entranhada em sua cintura.
Gui tomava distncia, depois parava para esperar o lder dos lobisomens, provoc-lo e ento correr novamente.
Lupin, por sua vez, lutava contra um de sua espcie. Os dois estavam sem varinhas e suas nicas armas eram as garras e
os dentes.
O primeiro a levar uma mordida certeira foi Lupin. Seu adversrio aporveitara de um momento em que o ex-professor
virar para ver se Gui estava bem e lhe abocanhou o brao.
O sangue espirrou na cara do lupino que olhou para Lupin com ar superior. O ex-professor, que sempre tivera uma
aparncia cansada, agora revelou o que realmente sabia fazer.
Com um nico impulso ele saltou para cima do oponente e lhe derrubou ao cho. Alguns lobisomens pararam de lutar
para ver a briga entre os dois que estavam cados e rolavam, tentando ver quem dominava quem.
Lupin levou a melhor, esperou ficar sob o adversrio e fez com que ele acreditasse t-lo vencido. Mas assim que sentiu
as patas do animal se afrouxarem levemente, deu uma guinada com o corpo e cravou os dentes no pescoo dele,
acertando a jugular.
O ex-professor se levantou, com a boca suja do sangue de seu agressor. Uivou com todas as foras que podia e saiu
novamente em direo a outro seguidor de Voldemort.
Dois lobisomens que estavam do lado da Ordem tambm haviam sido mortos. O saldo da batalha ainda estava
empatado.
Os bruxos continuavam seus duelos. Enxames de abelha passavam por todos os lados. Gritos dos que eram cruelmente
torturados ecoavam na noite fria. A imagem de bruxos sendo virados do avesso provocava mal-estar nos presentes.
Os centauros entraram na guerra. Galopavam e investiam contra todos de que desconfiassem. A patada de um centauro
pode ser fatal, mas ele s mata em ltimo caso. Na maioria das vezes apenas desmaiam os inimigos e deixam o "servio
sujo" para outros fazerem.
Os anes j no tinham tanto escrpulo assim. Suas espadas luziam sob a iluminao dos archotes. Eles sempre foram
um povo guerreiro e destemido. Num combate  sempre melhor estar com os anes do que contra eles.
Logo os comensais tambm perceberam isso, quando sentiram as espadas rasgarem suas vestes e seus corpos. Muitos
perderam os membros, outros tiveram apenas cortes superficiais.
As armaduras forjadas por eles e enfeitiadas pelo druida da tribo repeliam a maioria dos feitios mais simples. Para
estuporar o bruxo que usasse uma daquelas armaduras s se o acertasse na cabea.
No entanto, isso dificilmente acontecia e o conjurador do feitio acabava estuporado no lugar de sua vtima.
Mais 15 minutos de batalha e a Ordem comeava a deixar um verdadeiro rastro de destruio. Muitos bruxos se
animaram com o que viam pelo cho e disparavam fortioris para o cu.
A nica parte que ainda continuava em igualdade era a luta dos lobisomens. Eles sabiam lutar muito bem. Estava no
sangue e isso dificultava um pouco as coisas para ambos os lados.
Lupin parecia um rapaz de 15 anos tamanha era sua vivacidade. Corria, confundia os inimigos e, seguindo o exemplo de
Gui, comeou a fazer provocaes. Sentia-se no tempo de escola com Tiago e Sirius.
Gui, para surpresa de todos que prestavam ateno na luta dele com Fenrir, parou de vez. No que estivesse cansado.
- Essa brincadeira de pega-pega perdeu a graa. - zombou ele - Ganhar toda hora fica chato.
- Concordo com voc. J est na hora de perder esse sorrisinho zombeteiro - disse Fenrir entre os dentes, enquanto
saltava para cima de Gui.
O jovem Weasley no esperava que Fenrir ainda tivesse tanta fora e no conseguiu desviar da investida. O lobisomem
derrubou Gui ao cho e todos ouviram um berro agudo de dor.
- 41 -
A Guerra: Certo x fcil
Os olhos de Fenrir brilhavam de um jeito diferente. Um jeito nunca visto por seus companheiros em anos de
convivncia. Todos esperaram seu uivo, mas ele no emitiu nenhum som. Uma gota de sangue escorreu do canto de seus
lbios e todos ali perto perceberam que aquele brilho no olhar significava uma nica coisa: derrota.
Quando Gui parou de correr, momentos antes do ataque, tomou o cuidado de ficar com a espada em mos. Assim que
Fenrir pulou para cima dele, a espada atravessou seu abdmen, ele uivou e caiu de lado, espalhando no cho o sangue
que saa do ferimento e de sua boca.
Os lobisomens que lutavam contra o exrcito de Voldemort uivaram em comemorao. Logo outras fnix marcaram o
cu.
Pela primeira vez Voldemort demonstrou alguma irritao. Talvez porque Fenrir tivesse sido derrotado, porque a hora
do ritual se aproximava e aquele baguna no lhe permitia concentrar ou porque via claramente que seu exrcito estava
sendo massacrado.
Ele deu alguns passos em direo ao conflito, mas Belatriz chamou sua ateno.
- Meu lorde, faltam apenas 20 minutos. No gaste a sua energia com essa gente que no vale a pena.
- Eu tenho energia de sobra, Bela - respondeu Voldemort com sua frieza natural - O que eu no tenho  pacincia para
aturar incompetentes. Vou resolver isso, a minha maneira.
Ele se dirigiu para fora do Altar. Harry observava cada movimento dele e acenou para os amigos. Aquela era a hora que
esperavam para por um fim no ritual.
Caminharam sorrateiramente at uma das pedras do crculo dos Portais e se esconderam. Ainda no podiam ser vistos.
Malfoy seguia-os de perto, tomando o cuidado de se manter coberto pela capa da invisibilidade.
Voldemort se aproximou do conflito, tirou cuidadosamente sua varinha do bolso e apontando para o cu, berrou:
- Morsmordre ureos!
A marca negra apareceu no cu, mas muito mais viva e agressiva. A cobra investia contra as aves e elas se desfaziam
em inmeros pontinhos brilhantes.
A batalha cessou, todos estavam assustados olhando para o Lorde das Trevas. O medo estampado naquelas faces deu
novo nimo ao bruxo. Ele apontou a varinha para a prpria garganta e murmurou:
- Sonorus!
Sua voz agora estava ampliada e tudo o que ele falasse seria ouvido por todos os presentes.
Ele fechou os olhos e comeou a falar um encantamento. Harry no conseguia entender, mas os bruxos mais velhos dali
sentiram suas peles arrepiando a cada palavra dita.
Voldemort continuava. Era um encantamento longo, numa lngua antiga. As nicas palavras que Harry e os outros
conseguiram entender foram ptridos, ordenus e servus. Mas nem precisaram pensar muito para entender o que estava
acontecendo.
O cho comeou a tremer e rachar e logo eles viram mos apodrecidas aparecerem. Centenas de inferis comearam a
surgir do cho, outros saam direto da Fortaleza e se encaminhavam para o Altar.
A presena de tantos bruxos vivos ali deixava os inferis desorientados. Eles atacavam todos que estivessem no caminho.
Suas mos frias agarravam punhos, pescoos e pernas. Muitos foram asfixiados at, na melhor das hipteses,
desmaiarem. Outros no tiveram tanta sorte assim.
Draco, assistindo a tudo, sentiu que tinha chegado a hora de agir. Fez fora para lembrar o encantamento ensinado pelo
ano e retirando a capa da invisibilidade chamou a ateno para si.
- Acho que no vai ser to fcil assim, Voldemort - berrou o jovem, num acesso de coragem que at lhe permitiu
pronunciar o nome do Lorde das Trevas.
Voldemort se virou, encarou Draco e disse, o mais calmo possvel:
- Sabia que voc viria, Malfoy. Mas no tenho certeza se vai manter essa pose de heri por muito tempo.
Andou mais alguns passos de volta ao centro do Altar e chamou:
- Rabicho, Snape, mostrem ao nosso amigo aqui a surpresa que eu preparei para ele.
Os dois comensais que estavam escondidos at agora apareceram empurrando uma espcie de carroa de madeira.
Colocaram a carroa bem a vista e a viraram. Ali estava Lucius Malfoy acorrentado, com visveis marcas de tortura por
todo o corpo.
Assim que viu o filho, Lucius pareceu bem aliviado. Draco estava a salvo. Pelo menos por enquanto.
- Ento, Draco, o que me diz? Aposto que, em toda sua curta e medocre vida, voc jamais imaginou ver seu pai assim.
Uma situao muito ridcula para algum da sua linhagem, no acha?
Draco ficou em silncio. Olhava o pai humilhado por aquela gente e sentiu um dio invadir seu peito.
Voldemort entendeu o que se passava por dentro do garoto e disse:
- Eu sabia que voc no era um heri, Draco. Ningum da sua famlia . Sabe isso que voc est sentindo agora? Isso 
-D-I-O, Draco. Heris no sentem isso - completou Voldemort com uma risada grosseira.
Ele esperou mais alguns segundos estudando as expresses no rosto do jovem bruxo.
- Snape - chamou Voldemort - mostre ao nosso querido Draco o que ir acontecer ao pai dele se ele no tomar a
deciso certa.
Snape puxou sua varinha, que fora devolvida aquele dia, apontou para um bruxo qualquer e falou:
- Cruccios!
O bruxo caiu se contorcendo todo e berrando cada vez mais alto com a dor que sentia. Snape acompanhava a tortura
com o mesmo olhar que dava para os alunos da Grifinria, quando estes levavam a melhor sobre a Sonserina.
- Agora - falou novamente o Lorde - sua vez, Rabicho.
Aquele homem asqueroso, que ainda tinha cara de rato, pegou a varinha da mo de Snape e berrou a plenos pulmes:
- Avada Kedavra!
O bruxo parou de se contorcer na mesma hora.
Draco sentiu um aperto na garganta. A vida do pai dependia dele. Voldemort j havia assassinado sua me. No teria
pena de seu pai, como nunca teve pena de ningum.
- Vamos, Draco, saia daqui e leve seu pai com voc.  mais fcil salvar seu pai e a si mesmo. Ou vai querer ter uma
vida como do Potter? Sem pais, sem famlia, sem ningum?
Aquilo balanou o corao de Draco. No queria viver sem uma famlia. Ele se precipitou em direo ao pai, decidido a
salv-lo. Mas uma voz dentro da sua cabea o fez parar. Falava coisas desconexas, mas que faziam um certo sentido.
- Potter vive sem os pais desde que tinha apenas 1 ano. Voc j  um bruxo adulto. Nem sempre o fcil  o certo. Eles
se arriscaram para salvar a sua vida. No me decepcione.
A ltima frase ele conseguiu identificar. Era a voz de Ada. Era um trecho de uma das conversas que tiveram depois do
conclio. A imagem de Nandriel voltou a sua mente e ele se lembrou do juramento que fez.
Ali, de onde havia parado, ele chamou Voldemort e falou:
- Se eu fizesse o que me pede, Voldemort, perderia muito mais que um pai.
Os olhos de Lucius se encheram de lgrimas. No estava triste. Sentia orgulho do filho que ousava fazer o que ele nunca
teve coragem, desafiar o Lorde das Trevas.
Ento, antes que Voldemort pudesse responder, Draco lanou o encantamento que o ano lhe ensinou:
- Arimeus trhetuo ogrinume al undrin stalloms.
Eram palavras que Voldemort no conhecia e, por isso mesmo, no imaginava o efeito que teriam.
Os olhos de Draco comearam a brilhar. Um jorro de luz saiu de suas pupilas. Sua armadura magicamente forjada pelos
anes tambm ganhou brilho. O olho, desenhado na frente, tambm se abriu e despejou para todos os lados, o mesmo
brilho que emanava dos olhos do rapaz.
Os inferis, a princpio, comearam a berrar de dor. Soltaram os bruxos imediatamente e caram no cho. Depois, seus
corpos foram se recompondo. A pele no tinha mais a aparncia podre. As cores voltaram s faces daquelas criaturas e
suas roupas se refizeram.
Agora eles tinham uma expresso feliz. Seu tempo de escravido tinha acabado e finalmente eles poderiam seguir para
outros planos e descansar.
Sorrindo e aliviados, seus corpos comearam a assumir uma forma etrea e eles desapareceram no cu.
- Voc no devia ter feito isso, Draco! - berrou Voldemort - Acho que no entendeu do que eu sou capaz, no 
mesmo?
Ele j ia puxar sua varinha quando Bela chamou:
- Est na hora, meu senhor!
- Snape, termine o servio em Lucius, agora mesmo! - ordenou cheio de dio enquanto voltava para terminar o ritual.
Snape pegou a varinha novamente das mos de Rabicho, apontou para Lucius e falou:
- Avada Kedavra!
Draco se virou antes de perceber que o jato que saiu da varinha de Snape no foi verde e sim vermelho.
Mione correu para ajudar Draco. Abraou o rapaz e o levou para um canto do crculo de pedras.
- Fique aqui, est bem? Voc j fez mais do que devia!
Ele apenas concordou com a cabea, as lgrimas escorrendo pelo rosto.
A menina voltou correndo e chamou os amigos:
-  agora! Ele vai comear o ritual.
- 42 -
A reconquista da magia antiga
Eles correram para impedir a realizao do ritual. Voldemort j se posicionava diante do Portal do Vu e se preparava
para abrir uma caixa, quando Harry gritou:
- Voc no vai conseguir!
Ele se virou com uma expresso mista de incomodo e diverso.
- Oras, se no  o jovem "garoto que sobreviveu"! O que o faz pensar que eu no vou conseguir?
- Ns vamos lhe impedir - falou Mione se aproximando de Harry.
Voldemort deu uma sonora gargalhada. Olhou para os seis jovens bruxos, lhes deu as costas e abriu a caixa.
- Estupore! - berrou Mione.
Um jato de luz amarela atingiu Voldemort na nuca e o fez cair de cara na caixa que ia abrir.
- Sua menina insolente - berrou Belatriz - como ousa ataca-lo pelas costas?
A tia de Draco apontou sua varinha para Mione e gritou o mais alto que pode:
- Cruccios!
Hermione j conhecia bem aquela dor. Umbridge a atacara na Floresta quando seqestrou Rony e ela. A jovem ainda
fez fora para demonstrar o mnimo possvel de dor.
Neville puxou sua varinha, apontou para Lestrange e a estuporou com tanta fora que a bruxa foi jogada para trs.
- No vou deixar que ela faa com mais ningum o que fez com os meus pais - disse enquanto se preparava para atacar
Lestrange mais uma vez.
O barulho da luta atraiu a ateno dos demais e logo muitos comensais apareceram para proteger o Lorde das Trevas.
Era uma batalha difcil. Luna se revelava uma grande duelista. Seus feitios eram executados silenciosamente e
produziam os efeitos mais bizarros. O que ela mais gostava de fazer eram transfiguraes. Deixava bruxos com cabea
de doninhas, patas de cavalo no lugar dos braos e caudas de peixes no lugar das pernas. Eram tantos animais misturados
que cada bruxo atingido demoraria horas para se livrar do feitio.
Neville tambm lutava com afinco. Espantou seis dementadores de uma vez com um patrono corpreo perfeito. Seus
movimentos davam a todos a impresso de que havia recuperado a auto-confiana junto com os pais.
Rony tambm lutava, no to bem quanto os amigos ou a irm, Gina. Ele nunca fora muito bom em feitios ou duelos,
mas no desistia. Lanava para todos os lados os feitios que passavam pela sua cabea, de modo que os adversrios no
conseguiam adivinhar o que ele ia fazer em seguida.
Gina travava uma luta particularmente fcil com um comensal magrelo. Ele mal conseguia se levantar e j era
derrubado novamente. O duelo s terminou quando a garota se cansou e deixou o comensal amarrado com um suplicius,
do jeito que Mione lhe ensinara dias antes.
Mione tambm lanava todos os feitios que conhecia. Usou picus, solaris e tudo o que aprendeu naqueles ltimos dias
e em todos os outros que estudou em Hogwarts. Era sem dvida, uma das mais brilhantes bruxas naquele local.
Voldemort j havia se recuperado do golpe levado na nuca e retirava um objeto da caixa. Um anel que Harry logo
identificou como sendo uma das jias de Andriax. Em seguida, retirou a varinha que Harry tambm reconheceu.
Voldemort tinha duas das jias de sua famlia.
Ele comeou a traar um desenho no cho em volta do Portal do Vu, enquanto pronunciava um encantamento. O Portal
comeou a brilhar, o vu se agitou e um feixe de luz, vindo de algum lugar do cu, desceu sobre o Portal.
- Agora - disse Voldemort, os olhos faiscando de ambio - s mais uma pea e eu conquistarei os segredos da Magia
Antiga e de todos os bruxos sacrificados nesse portal.
O corao de Harry disparou. Precisava fazer alguma coisa, mas no sabia exatamente o qu. Ento, o prprio
Voldemort lhe deu a dica que precisava.
- Bela - chamou o Lorde das Trevas - d-me o colar agora. Est na hora.
A comensal comeou a suar frio. Como iria dizer para o Lorde das Trevas, o grande e temido Lord Voldemort, que no
tinha o colar.
- No est com ela - falou Harry, tentando aparentar uma calma que no sentia.
O rosto de Belatriz Lestrange perdeu a cor. Voldemort olhou lvido para harry.
- Que blefe mais ridculo, Potter. Esperava mais de voc. - e virando-se para a bruxa ordenou - ande Bela, entregue-me
o colar imediatamente!
Mas ela no se movia. Estava petrificada de pavor.
- J disse, Belatriz nunca teve uma Andriax, Voldemort! - falou Harry.
- Como assim? A famlia dela  nobre. S ela poderia ter uma Andriax. - respondeu transpirando raiva e frustrao por
todos os poros.
- Ah no - falou Harry controlando a ansiedade - a famlia dela, assim como a sua, sempre pertenceram  escria do
mundo bruxo. Sabe, uma mentira bem contada!
- Cale-se, Potter - berrou Belatriz acertando o rapaz com um cruccios bem no peito.
Ele caiu de costas no cho e gritou. Mione ouviu o berro de Harry e correu para ajud-lo.
Voldemort olhava de Harry para Belatriz e depois mirava o Portal do Vu.
Mione chegou e quando viu que fora Belatriz a autora do disparo contra o amigo, tomou o duelo para si e comeou a
medir foras com uma das mais fiis comensais da morte.
Harry ofegava, as mos sobre o abdmen. Ajoelhou-se e respirou fundo. Assim que conseguiu se levantar uma cena o
chocou imensamente. Belatriz estava fazendo com Mione o mesmo que fizera com Sirius.
Voldemort sara da frente do Portal e vinha em direo a Harry. Enquanto isso Mione, envolvida pelo duelo, era
encurralada sem perceber.
Harry prendeu a respirao e numa frao de segundos, aconteceu: Mione fora empurrada com um simples Estupore
que no conseguiu bloquear.
- No!!! - berrou Harry, mas era tarde demais. Mione j havia cado atravs do vu e no aparecera do outro lado do
Portal.
Ele se ajoelhou balanando a cabea. Mas logo uma veste longa e preta parou a sua frente. Voldemort estava ali, ao
alcance de suas mos.
- No fique aborrecido, Potter. Assim que eu conseguir o colar, vou poder usar todas as habilidades de sua amiguinha
tambm - disse debochado.
- Cala a boca - respondeu Harry tentando atingir Voldemort com um feitio.
Mas ele foi mais rpido e bloqueou Harry.
- Agora me diga como sabe da Andriax?
Se Voldemort descobrisse - pensou Harry - que a Andriax lhe pertencia, ia acabar torturando-o at conseguir por as
mos na jia. Ento respondeu a primeira coisa que lhe veio  mente:
- Rony me falou. Ele viu numa das profecias.
Vendo que Voldemort desconfiava de alguma coisa, ele completou:
- Umbridge tambm sabia. Rony a avisou no dia em que ela o levou para a Floresta.
Voldemort virou-se furioso e berrou por Belatriz. A comensal correu para ele, mas tentava no olha-lo diretamente.
- Voc me enganou, Bela. Traiu minha confiana, meu afeto!
- No, meu senhor, eu no... eu juro que... - ela comeou a engasgar, tossir e colocar a mo no pescoo.
S ento Harry percebeu que Voldemort apontava a varinha para ela.
- Eu lhe disse uma vez que quem mente para mim no mente nunca mais, Bela. Norem!
O engasgo piorou. Agora ela segurava o pescoo com as duas mos, a lngua para fora e os olhos ficando cada vez mais
arregalados. Aos poucos seu rosto foi ficando roxo e ela caiu, morta por asfixia.
- Eu guardei algumas das minhas "criaes" s para mim. - disse satisfeito - Agora vamos ver o seu amigo, para que
ele me diga onde est realmente o colar.
Voldemort foi at onde Rony duelava e acenou para o comensal parar. O jovem bruxo ruivo suava. Sua respirao
estava cansada. Se Voldemort no interferisse, ele seria derrotado rapidamente.
- Venha comigo, rapaz - ordenou.
Rony nem chegou a questionar. Apenas acompanhou Harry e Voldemort. Eles caminharam um pouco e Voldemort
indicou um lugar para que os dois ficassem.
- Agora Rony,  esse o seu nome no  mesmo? Que tal me contar onde est o colar?
Rony no entendeu do que ele estava falando.
- Ande rapaz, no me enrole. Voc avisou Umbridge de que Belatriz no estava com o colar! Agora preciso que voc
me diga onde ele est!
- Eu no sei! Eu s sabia que no estava com ela! As estrelas no disseram mais nada - respondeu apavorado.
- Eu posso arrancar essa informao de voc se eu quiser, rapaz.
Voldemort esticou o brao na altura do rosto de Rony e abriu a mo direita sobre a testa do
rapaz. Depois fechou os
dedos vagarosamente e comeou a puxar uma espcie de fio invisvel.
Mas tudo o que vinha da mente de Rony eram imagens inteis, fragmentos de lembranas de menor importncia. O
primeiro beijo em Mione, o vo na firebolt de Harry, o jogo de quadribol em que foi um excelente goleiro, Pitchi
pulando feito louca.
- No  possvel! Voc est tentando me enganar! Eu sei que existe essa informao dentro de voc. Posso sentir!
Mas nada fazia Rony soltar a informao que Voldemort queria. Irritado por no conseguir a informao, Voldemort fez
Rony levitar quase um metro do cho e arremessou o rapaz longe, dizendo:
- Voc no me serve para mais nada!
Rony voou quase quatro metros, bateu a cabea em uma das pedras do crculo e caiu imvel. Um filete de sangue
escorria de sua cabea.
Harry assistia a tudo sem poder fazer nada, cada uma de suas investidas contra Voldemort era bloqueada antes que ele
conseguisse pronunciar a segunda slaba.
Voldemort no sabia mais o que fazer. Apenas mantinha Harry sob seu olhar. O jovem ainda tentou fugir e ver se Rony
estava bem, mas foi petrificado e amarrado ao Portal do Vu com cordas mgicas. Voldemort tirou a varinha das vestes
de Harry e diante do rapaz falou:
- S existe lugar para uma dessas aqui, Potter!
E partiu a varinha do garoto em duas.
A batalha continuava do lado de fora do crculo. Mas a preocupao maior de Voldemort era com o ritual feito pela
metade.
Harry sentiu que a nica coisa que poderia fazer era provocar Voldemort, deix-lo bem irritado e quem sabe conseguir
escapar daquelas cordas.
- Voc fez papel de bobo - riu-se Harry - passou por um velho bruxo ridculo que se deixa enganar por uma qualquer
como Belatriz.
- Cale-se, Potter!
- Fico aqui tentando entender como foi que caiu nessa cilada? Sempre ouvi falar maravilhas a seu respeito, mas  tudo
balela, no  mesmo?
- E j mandei voc se calar!
- Por que quer que eu me cale? A verdade lhe incomoda, T-O-M? - Harry frisou bem o nome verdadeiro de Voldemort.
Aquilo foi demais. O Lorde das Trevas puxou sua varinha, apontou para Harry, mas antes que ele pudesse atacar, uma
voz feminina gritou expelliarmus e ela voou longe.
Atrs de Voldemort, Gina empunhava a sua varinha e olhava desafiadora para ele. Com mais um movimento, ela desfez
as cordas que prendiam Harry.
Antes de se soltar por completo, Harry ouviu Voldemort dizer:
- Accio varinha!
Ele usara a Varinha de Andriax para recuperar a prpria varinha. Agora armado novamente, ele apontava para Gina. A
jovem estava distrada, vendo Harry se soltar.
Quando ele conseguiu sair, ouviu Voldemort dizendo:
- Olhe para mim, querida! Uma bruxa talentosa como voc... Uma pena, realmente uma pena! Mas me deixe ter o
prazer de olhar seus olhos enquanto a vida deixa seu corpo.
Um jato verde, que Harry conhecia como ningum, desprendeu-se da varinha de Voldemort e atingiu Gina, bem no
peito.
Uma luz muito forte brilhou no Portal do Vu, o cho estremeceu. Harry gritava desesperado enquanto via Gina cair,
quase em cmera lenta, a alguns centmetros de onde estivera antes.
Tudo parou. S Harry e Voldemort se mexiam. Bruxos, lobisomens, elfos e todas as criaturas que ali estavam, sem
exceo, pararam e esperaram. O que significava aquela exploso?
Eles no conseguiam enxergar dentro do crculo de pedra, a luz, que sara do Portal do Vu, formara uma parede
luminosa em volta de todo o Altar.
Dentro do crculo, Harry estava ajoelhado ao lado de Gina, chorando enquanto segurava a cabea dela no colo.
- Bem, - ele escutou Voldemort dizer - acho que no vou realmente precisar do colar.
- Seu, seu maldito! Voc destruiu a vida dos meus amigos por causa desse colar! E agora age como se tudo isso fosse
uma brincadeira? - falou Harry mais amargurado que nunca.
Voldemort sorriu.
- , exatamente isso! No preciso mais do colar, Potter. Para falar a verdade, nunca precisei. Sou praticamente imortal.
Mais cedo ou mais tarde encontro um meio de me tornar imortal para valer.
Harry explodiu. Agora no adiantava guardar mais segredo. Sozinho ele nunca conseguiria destruir as horcruxes.
- Eu sei o que voc fez. E sei que no est to forte como diz estar. Sua cobra de estimao foi morta, no  mesmo?
O bruxo olhou nos olhos do menino.
- Eu cuidei disso pessoalmente. E como voc deve se lembrar fui eu quem destruiu o seu precioso dirio, no  mesmo?
E j sei sobre as outras horcruxes.  uma questo de tempo para voc voltar a ser mortal e eu poder lhe destruir.
Voldemort no se mostrou surpreso. Muito pelo contrrio. Havia satisfao em seu rosto. Foi deliciado que ele
respondeu:
- Potter, ns somos muito parecidos, voc no acha?
- Eu no sou nada parecido com voc! - respondeu irritado.
-  sim! Agora mesmo! Essa sua vontade de fazer a diferena, de aparecer como Snape sempre me disse... E hoje, essa
raiva, esse dio, o tornam ainda mais parecido comigo. Fiz bem em marcar voc como meu igual.
- Ento - respondeu Harry desafiante - deve saber que  o seu igual o nico capaz de lhe destruir.
Voldemort riu mais uma vez. No era essa a reao que Harry esperava. Imaginava v-lo com raiva ou medo quando
soubesse que suas horcruxes no eram mais segredo. No entanto ele parecia bem animado, quase feliz.
- Hogwarts nunca ensina direito seus alunos - comentou Voldemort, num tom reflexivo, que deixou Harry ainda mais
irritado - Sabe, Potter, existe um detalhe sobre as profecias que, pelo visto, voc no aprendeu. Elas podem no
acontecer.
A ltima frase foi dita num sussurro audvel, como se ele fingisse contar um segredo.
- Eu no preciso saber toda a profecia para entender do que ela trata. Quando Snape me contou o que tinha ouvido, eu
tomei as minhas providncias. Sabia que voc poderia me destruir. Mas eu no ia deixar isso acontecer.
- Mas aconteceu! Eu destru voc aquela noite!
- Seu tolo! - berrou Voldemort - Voc acha que um beb cheirando a leite azedo ia ser capaz de destruir o bruxo mais
temido de todos os tempos?
*#Harry balanava a cabea sem entender. Aquela era a histria que todos conheciam e espalhavam. At Voldemort
confirmara isso, no encontro que tiveram no cemitrio, trs anos antes. O que ele dizia agora no fazia sentido.
- Vejo que ainda no entendeu, Potter! Mas no se preocupe, eu fao questo de explicar. Quando soube que voc
poderia me destruir, eu estudei. Estudei muito tudo o que existia sobre magia negra. Eu j conhecia as horcruxes. J
tinha garantido as minhas seis preciosidades: meu dirio, minha varinha, ao medalho e o anel da minha nobre famlia,
minha querida Nagini e,  claro, o quadro da famlia Riddle. Alis, este foi o primeiro. Fiz no dia que assassinei toda
minha famlia trouxa.
Harry respirou fundo. Estava ali desarmado, preso por paredes de luzes, todos os amigos mortos ou feridos. Ele no
tinha mais pelo qu lutar.
- Mas quando voc nasceu... Eu percebi que aquelas seis horcruxes eram pouco. Voc prometia grandes feitos. E eu
descobri um jeito mais eficaz. Descobri a possibilidade de fazer um horcruxe arcdio.
Harry se lembrou da conversa com os amigos no Largo Grimmauld, quando falavam sobre esse assunto.
- Seria o nico jeito de voc no realizar a profecia, Potter.
- Mas de qualquer maneira, eu fiz voc enfraquecer. Com a ajuda da minha me.
- No seja pattico! Aquilo tudo fui eu quem fez. Sua me se sacrificou por voc. Muito bonito! Mas no ia adiantar
nada. Eu no queria te matar, Potter. Eu nunca quis!
- Mentiroso!
- No estou mentindo. Estou falando a mais pura verdade! Se voc seria o nico capaz de me destruir, eu poderia mudar
essa situao, colocando em voc a nica coisa capaz de me manter vivo: uma das minhas horcruxes.
Harry sentiu seu estmago revirar. Era loucura demais! Ele no poderia ser uma horcruxe.
- Assustado com a possibilidade, Potter? Mas foi isso que eu fiz. Fiz de voc o meu horcruxe arcdio. Sabia que voc
seria super protegido. Que Dumbledore no deixaria nada de mal acontecer a voc.
- Mas e todos esses anos, todos os ataques, no cemitrio voc tentou...
- Ah, uma mentira, para ser bem contata precisa ser bem encenada. Enquanto houvesse rumores que eu tentaria acabar
com voc, a sua segurana estaria impecvel.
- No pode ser... Isso no pode...
- Voc tem a dentro uma parte de mim, Harry. Por isso digo que somos muito parecidos.
Harry sentiu a cabea girar, as pernas comearam a tremer e ele se ajoelhou novamente. Agarrou os cabelos com as
mos e comeou a chorar.
As luzes em volta do crculo comearam a girar, provocando reflexos coloridos. Harry e Voldemort se sentiram atrados
pelas cores e comearam a observ-las. Entre as pedras, as luzes formavam desenhos, reprisavam episdios da vida de
cada um.
Os dois ouviram um novo estrondo e tudo fez sentido na cabea de Harry. Ele se levantou e encarou Voldemort de
frente. Se fosse preciso morrer, ele o faria. Mas jamais deixaria Voldemort dominar o mundo. Seus amigos no
aproveitariam os tempos de paz, mas l fora havia muita gente que dependia dele.
- Eu sou capaz de me matar, Tom, se eu souber que isso vai acabar com voc.
Havia tanta determinao na voz do rapaz, que Voldemort olhou-o intrigado.
- O que  isso, Potter? No seja infantil. Voc est completamente desarmado. No tem como se matar. Pelo menos por
enquanto! - disse zombeteiro.
O crculo de luz comeou a rodar cada vez mais rpido. Ia aumentando a intensidade da luz, a altura da parede, at que
ela se tocou no alto, formando uma tenda de luz que desabou sobre Harry.
O jovem no caiu. Ficou de p, sentindo toda aquela luz invadir seu corpo. Voldemort, pela primeira vez aquela noite
sentiu medo.
Quando a luz se dissipou, Harry abriu os olhos. Encarou Voldemort e disse:
- O seu maior problema, Tom,  achar que sabe tudo o que precisa saber.
- Do que est falando?
Neste momento, um bando de bruxos tentou entrar no crculo. Harry, sem ao menos virar na direo deles, fez um
movimento rpido com a mo esquerda e uma nvoa escura os cobriu, impedindo-os de enxergar qualquer coisa.
- O que est acontecendo, Potter?
- Eu no sou seu igual. Nunca fui.
- Voc tem todos os meus dons, Harry. Voc fala com cobras como eu, voc conseguia cavalgar a mente de Nagini.
Aceite, ser bem mais fcil!
- Aceite voc, Tom. Eu no tenho os seus dons. Eu APRENDI os seus dons. Minha me me ensinou antes de morrer.
Ela vasculhou todos os segredos da sua alma. E passou para mim, ela me deu as armas para enfrentar voc.
- Voc est delirando, Potter. Acho bom acabar com isso logo! Estu...
Ele foi impedido antes de terminar o feitio. Mas no fazia sentido, no havia ningum armado para lhe impedir.
- Surpreso, Tom? Eu posso fazer outras coisas! - falou Harry, com a voz levemente alterada.
Voldemort foi magicamente suspenso no ar. Os braos e ps afastados, fazendo seu corpo assumir o formato de um X.
Sua varinha foi jogada ao cho. Harry apenas lanou-lhe um olhar e ela se estraalhou por completo, sobrando apenas
lasquinhas de madeira.
O bruxo, ali preso, no entendia nada do que estava acontecendo. Como Harry fazia aquelas coisas acontecerem?
- Vejo que voc est com medo, Tom. At hoje pensei que s tivesse medo de Dumbledore. Mas fico feliz que tenha
medo de mim.
- No adianta, Potter. Mesmo que tente me destruir agora, enquanto voc viver, eu terei a chance de voltar. Voc
carrega um pedao de mim.
Voldemort sentiu sua pele se cortar em vrios pontos. Cortes pequenos e doloridos.
- No me interrompa enquanto eu estiver falando de Dumbledore. Sabe, Tom, ele me ensinou muitas coisas. E acho que
para ele, a mais importante, a que eu deveria aprender  que voc nunca pde me tocar.
Voldemort no entendia nada. Via Harry falando e olhando para o alto enquanto puxava um cordo de couro de baixo
da armadura.
- Voc enlouqueceu, Potter!
- No, eu no enlouqueci. Pelo contrrio. Agora sei o que aconteceu de verdade. Preste ateno, Tom, porque eu s vou
falar uma vez antes de acabar com voc. Minha me vasculhou sua alma, me ensinou tudo o que eu precisava saber para
me defender de voc e depois me cercou com o amor mais forte que pode haver.
"Um amor que voc nunca conheceu e por isso tem o corao murcho. Um amor de me. Nisso ns somos muito
diferentes, Tom. Minha me morreu por mim. Enquanto a sua achou que no valia a pena viver por voc."
As palavras de Harry provocaram um acesso de fria em Voldemort. Mas ele no conseguia se mexer. Tentava lanar
alguns feitios que no precisavam de varinha, mas era prontamente impedido.
- Ento voc quis fazer de mim o seu horcruxe arcdio. Tolo! Nunca conseguiu encostar um dedo na minha pele. Como
acha, ento, que eu poderia carregar em mim uma parte da sua alma imunda? O encantamento que minha me fez, no
permitiu que sua alma se aninhasse dentro de mim, Tom. Ela simplesmente ricocheteou, me deu uma cicatriz que hoje
eu acho um charme e foi parar em outro lugar.
Os olhos de Voldemort brilhavam de raiva, dio, medo, angstia, confuso. Aquilo no era verdade, era apenas um
blefe mal-feito.
- No acredita em mim? Eu vou lhe provar! Mas antes, mais uma coisinha, voc sabia que seu eu destruir o horcruxe
arcdio diante de seu dono, ele morre? No sabia? Ah, ento agora j sabe!
Harry pegou a varinha de Andriax, apontou para o pingente de claraluzia e lanou um feitio que, at ento, lhe era
totalmente desconhecido:
- Aletus alminus arcadium!
Uma luz suave, branca, penetrou na pedra. No mesmo instante, o corpo de Voldemort, ainda suspenso no ar, comeou a
se agitar e a brilhar. A luz entrava pela pedra do colar e saiu pela pele de Tom Marvolo Riddle.
Ele tentava se contorcer tamanha era sua dor. Os bruxos que estavam do lado de fora viam a luz intensa e ouviam os
berros de dor apavorados, sem saber de onde surgiam e quem estaria sendo to brutalmente torturado. Os comensais,
presos na nvoa escura conjurada por Harry, sentiam suas marcas arderem e, intimamente, sabiam que seu senhor estava
perdendo.
A luz fazia as carnes de Voldemort queimarem, aos poucos ele foi deixando de gritar e seu corpo se desfez numa
exploso de luzes. Luzes que desenharam um cervo enorme, pisoteando uma cobra, como no braso de sua famlia.
A imagem sumiu, Harry caiu cansado e se arrastou para perto do corpo de Gina. Abraou a menina e ficou ali, enquanto
seus outros companheiros se aproximavam.
- Harry - chamou Neville - ele, ele se foi?
O rapaz apenas afirmou com um aceno de cabea e desatou a chorar. Logo estava cercado por muitos bruxos, inclusive
pelo Sr Weasley, que desatou a chorar assim que viu o que tinha acontecido com Gina.
Ada chegou correndo junto com Draco. Ela abraou o primo e s ento Harry conseguiu falar:
- Onde est o Rony? Achem o rony. Ele o jogou na pedra. Ele bateu a cabea! Achem...
- Calma, Potter - pediu Draco - Rony j foi socorrido. Est inconsciente, mas vai ficar bem. A pancada foi forte,
fizeram um curativo. Mas no conseguimos encontrar a Granger.
Harry olhou para Ada, depois para Draco e finalmente para o Portal do Vu, que continuava a brilhar de forma
esquisita.
- Ela caiu? - perguntou Ada.
Mais uma vez ele afirmou com a cabea.
- Ada, no funcionou. A Gina, eu... Voc sabe, a gente fez o eterniuns...
- Eu sei, Harry. Mas no sei dizer o que deu errado. Sinto muito!
As criaturas no paravam de chegar, fazendo perguntas, falando alto, agitadas com o acontecimento.
- Tire-os daqui - pediu Harry.
Ada se levantou e nem precisou pedir duas vezes. Usou seu velho truque do olhar e todos se retiraram.
Harry abraou o corpo de Gina mais uma vez e nada o faria sair dali to cedo.
- Harry - chamou uma voz fraca.
Ele olhou para cima, procurando quem o havia chamado. Mas todos estavam calados, olhando para ele com cara de
espanto.
Ento ele sentiu uma mo puxar seu queixo para baixo e seu corao disparou de alegria. Gina estava viva! Ali, deitada
em seu colo.
Ele a abraou com fora e s a largou quando Neville fez a pergunta que todos queriam fazer.
- Como voc sobreviveu, Gina? Eu vi voc ser atingida pelo Avada.
A jovem ps a mo dentro da gola da blusa e tirou um colar de l.
- Contei com a ajuda de um presente!
O feitio atingira o peito da garota na altura em que o pingente do Colar de Andriax ficava. Ele amorteceu o choque,
mas a fada de dentro do pingente parecia muito fraca.
- Voc estava com o colar? - perguntou Harry, atnito.
- Desculpe - pediu ela - mas no tive coragem de deix-lo sozinho naquela casa. Quando ofereci para escond-lo para
voc acabei guardando comigo e usando hoje para dar sorte.
- Que bom que funcionou! - comentou Luna, que parecia que tinha acabado de sair de uma colnia de frias - Mas
onde est a Mione?
A alegria durou pouco. Mione no tinha como ser salva pelo colar. Agora ela teria o mesmo destino incerto de Sirius.
Harry imaginou como Rony ficaria quando soubesse.
- Acho melhor voltarmos para Hogwarts, Harry - sugeriu o Sr Weasley - Muitos bruxos aqui necessitam de cuidados
imediatos.
Eles saram do crculo de pedras e iam em direo ao resto dos membros da Ordem, quando ouviram um guincho atrs
deles.
Rabicho estava transtornado. Empurrava todos que via pela frente, procurava uma varinha. Finalmente achou uma junto
ao corpo de um bruxo, pegou-a e apontou para o grupo formado por Harry, Gina, Neville, Luna, Draco, Ada e Arthur
Weasley.
- Vocs o destruram! Destruram o meu senhor! Mas isso no vai ficar assim. Vocs tero o mesmo destino daqueles
12 trouxas que eu matei h 16 anos.
Todos foram pegos de surpresa. No havia como reagir. Rabicho comeou a pronunciar alguma coisa, mas uma forte
patada quebrou-lhe o brao no meio.
Magoriano investiu feio contra Rabicho. Logo os outros centauros tambm vieram para cima do animago, que nem teve
tempo de se transformar em rato. As patas de um centauro so armas letais. E com Rabicho, no foi diferente.
Eles se preparavam para aparatar quando Ada lembrou:
- Esperem, ns no podemos deixar o Portal do Vu ali, no meio de um monumento que  visitado por turistas trouxas.
- Verdade - disse Gina - precisamos tir-lo de l.
A pequena comitiva voltou para o crculo de pedras e comeou a estudar uma maneira de retirar o Portal dali. A maioria
dos bruxos e das outras criaturas j havia voltado para o castelo. Eles ficaram em companhia apenas de Grope e Hagrid,
que apesar de bem ferido, continuava de p e forte.
Depois de inmeras sugestes, o silncio reinou entre eles. Sentaram-se desanimados, encostados uns nos outros ou nas
outras pedras do crculo. J passava das duas da manh quando Draco notou alguma coisa.
- Ei, Harry, olhe ali - chamou baixinho apontando para o Portal.
O vu esvoaava de dentro para fora, como se houvesse vento do outro lado. Harry olhou atento imaginou ter visto um
vulto grande parado ali, do outro lado do Portal.
- Voc viu? - perguntou Malfoy, confirmando a suspeita de Harry.
- Vi, acho melhor ficarmos em silncio. A capa ainda est a com voc?
- Est, aqui na parte de dentro da armadura. Tome!
Harry se cobriu com a capa e se aproximou o mais silenciosamente possvel do Portal.
Estava quase de frente a ele quando foi atropelado por trs pessoas que ele no viu quem eram.
- Parados - ele ouviu o Sr Weasley dizer enquanto tirava a varinha - quem so vocs e de onde vieram?
O bruxo do meio, que vestia uma roupa antiga, feita de linho cru, retirou a capa que usava. Era um homem moreno, de
cabelos longos, olhos pretos e barba bem feita, exibindo um impecvel cavanhaque.
- Sirius! - berrou Harry saindo debaixo da capa e pulando para abraar o padrinho.
- Harry, que saudades! Eu ouvi tudo de l! Voc foi incrvel!
- Esperem a, vocs dois! - berrou mais uma vez o Sr Weasley - Sirius est morto h dois anos, caiu no portal das
execues. Voc  uma fraude.
- Fraude, Arthur? Quer me ver fazer uma coisa bem legal?
Ele puxou a varinha, deu um leve toque em si mesmo e se transformou no conhecido cachorro preto. Comeou a pular
e tentar lamber a cara de Harry, corria atrs do prprio rabo e latia feliz para os bruxos ali.
- Est bem, eu acredito que voc  o Sirius. Mas quem so aqueles outros dois e como voc conseguiu sair do portal?
Sirius apresentou os outros dois bruxos como sendo Markus e Monterrey, os dois viraram seus amigos quando ele
atravessou o portal. A princpio ele vagou por um pntano escuro, mas conseguiu se transformar em cachorro e logo
descobriu um caminho que o levou a um pequeno povoado todo habitado por bruxos e criaturas mgicas.
- Aurillan - falaram Harry e Ada ao mesmo tempo.
- Exatamente! Como sabem?
- Eles so herdeiros do trono de Aurillan tambm - respondeu Monterrey.
- Como sabem? - perguntou Harry espantado.
- Apenas reconhecemos nossos parentes - respondeu Markus.
- Mas eu vim aqui para trazer algum de volta, s um instante.
Sirius entrou novamente no Portal e voltou de l com Mione ainda inconsciente.
- Ela est bem, mas levou o maior susto quando me viu e desmaiou de novo.
Ele colocou a garota deitada no cho.
- Agora ele precisa decidir - falou Markus apontando para Harry.
- Decidir o qu? - perguntaram todos ao mesmo tempo.
- O destino do mundo mgico. A histria  sempre essa. Quem derrota a fora das trevas pode decidir pelo mundo
mgico. Voc pode trazer Aurillan de volta, ou mudar um pedao de plano existencial. Est em suas mos, meu jovem.
Era muita responsabilidade. Harry no saberia o que decidir.
- Posso conversar com voc por uns minutos, Sirius?
- Pode, Harry, claro, mas a deciso  s sua.
- Eu sei...
Eles se afastaram dos demais e cinco minutos depois retornaram.
- J tomei minha deciso, mas primeiro preciso de algumas respostas.
- Ento faa as perguntas - incentivou Monterrey.
- Como eu fiz tudo aquilo? Que luz foi aquela que saiu do portal e impediu Voldemort de ter ajuda de seus comensais?
E como, mesmo com a minha varinha quebrada, eu consegui prende-lo daquela maneira?
-  uma resposta s para todas as suas perguntas, Harry - falou Markus - Quando ele ativou as trs jias, a magia do
portal automaticamente foi acionada. E ela sempre esteve programada para beneficiar apenas o herdeiro do trono. Voc
recuperou a magia antiga presa no Portal. Agora ela  sua. Faa bom uso dela!
- Por favor! - pediu Gina timidamente.
Todos se viraram para ela.
- Diga, princesa - falou Monterrey demonstrando que tambm sabia sobre Harry e ela.
-  a fada do colar. Ela parece estar morrendo. O colar amorteceu o feitio que Voldemort lanou em mim.
Monterrey pegou o colar, mostrou a Markus e falou:
- Ela s ir sobreviver se a levarmos para Aurillan. Mas voc perder o colar.
- No me importa - respondeu apressada - a dvida de gratido que tenho com ela  mais valiosa que o colar e todas as
jias do mundo.
Os dois bruxos de Aurillan sorriram. Monterrey olhou para Harry e disse, referindo-se  Gina:
- Fez uma bela escolha, meu prncipe. Mas agora preciso saber qual a sua deciso.
Harry respirou fundo e declarou qual era sua vontade. Markus e Monterrey concordaram com o rapaz. Com alguns
gestos e palavras sussurrantes, eles transportaram o Portal do Vu para o local indicado pelo rapaz.
A comitiva iria para l em seguida. Estavam saindo quando um novo barulho retardou-os novamente.
- Parece que mais algum ficou para trs - comentou o Sr Weasley, preparado para atacar se fosse outro comensal
desiludido.
Eles correram para o lugar do barulho e viram um homem cado, gemendo, com as vestes rasgadas e ensangentadas.
- Pai! Voc est vivo! - falou Draco se jogando sobre o homem.
Lucius Malfoy estava deitado ali de qualquer jeito. Algum o havia soltado e colocado ali.
- Mas ns ouvimos Snape assassin-lo! No  possvel! - falou Harry.
- Acho melhor lev-lo daqui - sugeriu Neville - depois ele conta o que aconteceu.
Eles ajudaram Lucius a ficar de p e um a um foram aparatando em Hogsmeade e de l seguiram para o Castelo de
Hogwarts.
Harry foi o ltimo a deixar o Altar. Deu uma ltima olhada naquele que tinha sido o cenrio de sua ltima batalha
contra Voldemort e se preparava para aparatar quando viu um pergaminho, preso a um pequeno saco de veludo no cho.
O pergaminho trazia o seguinte escrito: Aos cuidados de Harry James Potter.
Ele o pegou, guardou dentro da armadura e aparatou.
- 43 -
A ltima lembrana
Eles entraram no castelo e foram recebidos com aplausos e gritos de felicidade. O Salo Principal j estava todo
enfeitado e Harry ficou admirado de ver como os elfos domsticos trabalhavam depressa.
O cu encantado do salo estava repleto de fnix que voavam em todas as direes. Fawkes cantava alegre pousado no
respaldo da cadeira que era de Dumbledore e que, respeitosamente, havia sido colocada ali para a comemorao.
A Ordem teve muitas perdas, entre elas o auror Alastor Moody e o jovem Phillip Wells que, assim como todos os outros
que deram suas vidas naquela guerra, foram devidamente lembrados com quadros nas paredes do salo.
A professora Minerva McGonagal estava bastante ferida, mas insistiu com Madame Pomfrey em ficar no Salo.
- Oras, Papoula, eu no sou um dos alunos. Sou a diretora e voc precisa me respeitar! Eu vou ficar aqui e comemorar
com todos.
Madame Pomfrey ainda discutiu muito e s deu o brao a torcer quando a diretora prometeu ficar sentada e tomar todos
os remdios e poes indicados por ela.
Mione e Rony ainda estavam na ala hospitalar. Os curativos de Rony precisavam ser trocados e Mione precisava de um
revigorante. Lucius tambm foi levado para l e recebeu o diagnstico: anemia profunda provocada pela constante perda
de sangue, seguida de um feitio estuporante ultra concentrado. Precisaria de uma semana ali para se recuperar
completamente.
Draco no saiu do lado do pai, e s comeu quando Harry levou algumas coisas da festa para ele.
No se podia dizer que os dois tinham ficado amigos. Mas pelo menos no desejavam mais que o outro morresse. E at
arriscavam fazer piadinhas ou conversar sobre quadribol.
A festa durou toda a madrugada. Mione vendo Tonks, que exibia um belo curativo verde na bochecha direita,
combinando com a cor de seu cabelo, correu para a auror e perguntou:
- Onde est Lupin? Por que no veio comemorar com a gente?
- Mione, ainda  Lua Cheia, esqueceu?
- No, mas eu pensei que...
- Pensou que se Fenrir morresse Lupin voltaria ao normal? No, infelizmente isso no acontece com os lobisomens, s
com os vampiros. O vampirismo  uma maldio que pode ser quebrado, mas o lupinus  como um vrus, uma vez
infectado por ele no h mais cura. Mas no se preocupe, amanh de manh ele deve estar de volta.
A jovem bruxa voltou para perto do namorado e ambos pediram a Harry que contasse como tudo aconteceu. Ele ia
narrando o que ouviu de Voldemort e qual foi sua reao. Contou aos amigos todos os detalhes da batalha e mostrou o
saquinho de veludo que encontrou prximo de onde Lucius estava.
- Voc j sabe o que tem dentro? - perguntou Rony.
- Ainda no. No tive coragem nem de ler o pergaminho - respondeu Harry.
- Ento resolva isso de uma vez - pediu Gina impaciente.
Ele rompeu o lacre e desenrolou o pergaminho. Conhecia aquela letra mas no se lembrava muito bem de onde. Estava
escrito:
Potter, no tive escolha. Ele queria lhe dar algumas explicaes e me pediu para fazer isso. Por mim deixava tudo como
est, mas a deciso no era minha. E no se preocupe em mudar seus sentimentos em relao a mim depois disso. Saiba
que eu no vou mudar os meus.
No havia assinatura. Dentro do saquinho Harry encontrou dois pequenos frascos de vidro com o que ele sabia ser
lembranas de algum.
Olhou para os amigos e saram correndo em direo a sala de Dumbledore. Subiram as escadas apressados e logo Harry
colocou a Penseira sobre a mesa do diretor.
Harry faria aquilo sozinho e contaria aos amigos depois o que vira. Abriu o frasco que tinha o nmero 1 trabalhado no
vidro e despejou na Penseira. Depois, como de costume, mergulhou o rosto no lquido e se sentiu puxado para o passado.
Ele se viu na escola, numa sala que hoje  ocupada pela professora McGonagal. Mas na poca a qual pertencia essa
lembrana, a sala era ocupada por outra pessoa. Sentado em uma cadeira estava Dumbledore, bem mais moo e mais
vivo. Tinha um livro entre as mos, mas parecia distrado, olhando para o nada.
Ento algum bateu na porta.
- Est aberta, pode entrar - respondeu Dumbledore e Harry percebeu como sua voz era vibrante.
Um jovem casal entrou. A mulher tinha cabelos compridos e lisos, to negros quanto seus olhos. O homem tambm
tinha olhos e cabelos escuros, era alto e magro, e olhava para todos os lados completamente encantado com tudo o que
via.
A jovem ainda exibia uma barriga de quase sete meses de gravidez e sorria feliz para Dumbledore.
- Professor, h quanto tempo! - falou com uma voz arrastada, porm sincera.
- Eileen, que bom ver voc! Este deve ser seu marido.
- Exatamente! Este  Tobias. Querido, este  o professor Dumbledore, de quem lhe falei.
- Encantado, porfessor! - disse o homem, dando a mo a Dumbledore.
- Nota-se, Tobias - respondeu Dumbledore bem-humorado. - Mas diga, Eileen, o que a traz aqui? Desde que recebi sua
carta que no penso em outra coisa.
A mulher sorriu. A imagem se distorceu um pouco e logo Harry viu uma grande bacia de pedra, como se fosse uma
Penseira, mas os escritos eram diferentes. Dentro dela um beb estava sentado, com gua at na cintura. Dumbledore
segurava um jarro de prata e molhava a cabea do menino. A criana riu, bateu as mozinhas delicadas na gua e
encharcou a barba de Dumbledore, que riu satisfeito.
O lquido da Penseira acabou e Harry se viu novamente no escritrio de Dumbledor, ao lado dos amigos, que estavam
ansiosos para saber o que eram aquelas lembranas.
Harry no respondeu a nenhuma pergunta. Queria entender logo o que era tudo aquilo. Abriu o vidro com o nmero 2,
despejou seu contedo e entrou mais uma vez nas lembranas.
A sala agora era a mesma em que Harry estava. Os objetos dispostos do jeito que ele j conhecia e o diretor sentado na
sua cadeira, com a mo machucada submersa numa poo estranha que soltava pequenos espirais de fumaa.
Seu rosto revelava um cansao alm do normal. Um barulho chamou sua ateno e ele agitou a varinha para abrir a
pesada porta de madeira.
- Ah, Severo! Que bom que  voc. Precisamos conversar.
O ex-professor de Poes sentou-se diante do diretor e esperou que esse falasse primeiro.
- J descobriu o que eu pedi?
- Ainda no, mas falta pouco.
- No demore, por favor!
As imagens se misturaram mais uma vez e agora Dumbledore caminhava de um lado para outro. Agitava um
pergaminho no ar. Parecia zangado com alguma coisa. A porta se abriu e novamente Snape entrou.
- Como se atreveu a fazer isso, Severo?
O rosto do ex-professor ficou branco.
- No sei do que est...
- Voc foi atrs de Abeforth. No devia ter feito isso. No devia ter metido meu irmo nessa histria toda.
- Mas foi ele quem se ofereceu para fazer isso!
- Voc no entende, Severo! Abeforth no pode se misturar com esse mundo. As magias dele so limitadas. Ele tem um
pequeno distrbio, e coloca-lo em contato com esse tipo de magia pode acabar com ele.
- Mas se no for assim, quem vai sair acabado  o senhor - respondeu Snape com um tom de desespero na voz.
Dumbledore olhou para o homem ali de p. Havia compaixo em seu olhar.
- No h outra alternativa!
- E se eu no fizer? - disse Snape desafiante.
- Ento tudo estar perdido, meu menino.
Aquele tratamento ao professor era diferente de todos os que Harry j vira o diretor dar.
- Escute, Severo, isso  muito importante! Voc precisa fazer, porque o Draco no vai ter coragem. E se voc no fizer
sabe o que vai acontecer.
- Mas eu no posso, no o senhor! Por favor, no me pea isso!
- Eu no estou pedindo, Severo, estou mandando - Dumbledore parecia estar perdendo a pacincia - Agora, vou lhe dar
uma coisa para entregar ao Harry. Cuide para que tudo saia bem.
Snape no respondeu. Fez cara de nojo quando ouviu o nome de Harry. Como se lesse os pensamentos de Snape,
Dumbledore se virou e falou o mais firme que conseguiu:
- Eu jurei no dia do seu batizado que protegeria voc a qualquer custo, Severo. Depois, refiz meu juramento no leito de
morte de sua me e de seu pai tambm. No vai ser a sua teimosia que vai por o meu juramento a perder.
- O senhor no entende, eu vou ter que...
- Vai ter que me matar. Eu sei, eu sei. Mas eu j vivi muito. Estou fraco, velho, machucado. E no fim das contas, qual
exrcito que entra numa batalha e sai sem nenhuma perda?  um sacrifcio vlido. Se for essa a sua misso, faa. E vai
deixar seu padrinho aqui mais orgulhoso que nunca.
Snape parecia ter um pedao de bolo feito por Hagrid preso em sua garganta. Respirou fundo para esconder uma
lgrima que teimava em aparecer no canto de seu olho direito e estendeu a mo para Dumbledore. Este pegou a mo
estendida e puxou o ex-professor para um abrao apertado.
- Agora, faa o favor de entregar isso ao Harry. No quero que ele pense mal de voc.
A lembrana acabou. Harry estava de boca aberta. No conseguia dizer uma nica palavra. Ser que eram memrias
verdadeiras? Mas estavam muito ntidas, no poderiam ser falas.
No fundo ele sentia que era tudo verdade. Mas no queria admitir. Chamar Snape de covarde era a nica coisa que
aliviava sua frustrao pela morte de Dumbledore.
- Ento ele era... - falou Mione atnita.
- Afilhado dele, isso mesmo! - afirmou Harry contrariado.
- Nossa, quem diria! - comentou Rony - Dumbledore padrinho do Seboso.
- Por falar em padrinho, onde est o Sirius, Harry? - perguntou Gina.
- Ai, quase me esqueci. Preciso encontr-lo no corredor da Sala Precisa.
Harry saiu correndo deixando todos para trs. Chegou na Sala Precisa afobado e encontrou seu padrinho junto com os
outros dois bruxos que carregavam o Portal do Vu.
- Ento,  agora - disse Sirius.
Harry passou em frente  "porta" da sala trs vezes mentalizando um lugar. Logo uma enorme passagem se fez visvel e
Harry entrou por ela seguido de perto pelos outros.
- Acho que aqui  um bom lugar - falou apontando para um campo todo verde e cheio de flores.
Markus e Monterrey colocaram o Portal no cho e despediram de Harry. Entraram pelo Portal e desapareceram.
- Bem, vamos para o Salo - chamou o rapaz - ainda deve ter muita coisa boa para comer.
- Harry, espere um instante. Eu no vou!
- Como assim? No vai para o salo? Mas voc deve estar faminto.
- No, Harry. Eu no vou ficar aqui, neste mundo. Sabe, Aurillan  linda, eu fiz amigos l...
- Mas voc tem amigos aqui tambm. Tem Lupin, os Weasley e tem a mim.
Harry olhava desesperado para o padrinho. Ele no podia ir. No podia deix-lo.
- Harry, voc j  adulto, e pelo que eu fiquei sabendo, j tem a sua prpria famlia. E eu sou mais feliz l do que fui em
toda a minha vida.
O jovem olhava ainda aturdido para Sirius.
- Agora preciso ir. E tem mais, com a deciso que tomou, voc pode ir me ver.
Ele balanou a cabea. No agentava mais chorar aquela noite, deu um abrao rpido em Sirius e saiu correndo para o
Salo Comunal da Grifinria. Queria descansar.
- 44 -
O dia seguinte e outros dias +
Harry levantou particularmente cedo. No viu quando os amigos subiram para dormir nem os esperou para o caf. Ainda
no queria discutir o assunto sobre Snape, nem dizer a eles que Sirius fora embora.
Ele parou prximo a uma janela no corredor que levava ao Salo Principal e percebeu que no havia mais neve. O cu
estava azul claro e a grama verde estava toda pontilhada de pequenas flores ainda em boto.
Era a primavera chegando, como se sentisse que agora no havia mais perigo.
Harry desceu e sentou-se em uma das pequenas mesas que ocupavam o salo. Logo seu caf apareceu: torradas com
gelia, ovos e bacon. Ele comeu com vontade e resolveu que esperaria os amigos.
Quando todos estavam novamente reunidos, Harry contou o que seu padrinho decidira. Ningum comentou nada. No
havia mais nada para ser comentado. At que Gina perguntou:
- E agora? Como vai ser?
- No sei - respondeu Harry.
- Espero que reabram a escola. Preciso tirar o meu diploma. - falou Mione.
Todos riram.
- Mione - disse Neville - depois de tudo o que voc fez, acho mais fcil lhe darem o lugar de professora.
Ela corou com o elogio.
- Ei Luna - chamou Rony - onde voc aprendeu a fazer todos aqueles feitios?
- Ah, eu no aprendi em lugar nenhum. Pra falar a verdade eu nunca consegui acertar nada na aula de Trasnfigurao.
Sempre fazia estrago. Ento lembrei que a professora McGonagal me dizia sempre que isso era um perigo.
- Ela tinha razo - concordou Rony.
- Sabem de uma coisa? Eu queria que reabrissem a escola. Tambm quero o meu diploma de Hogwarts. E queria ter a
chance de jogar quadribol e ganhar a Taa das Casas mais uma vez - falou Harry.
- Voc no vai ter chances, Potter - zombou Malfoy.
- Acho que a Sonserina  que no tem chance alguma, Draco - duas vozes falaram ao mesmo tempo atrs do menino.
Eram Fred e George que chegavam animados.
- Do que esto falando? - perguntou o jovem.
- Eu no tenho muita certeza, no  Fred?
- , George, mas ns dois achamos que beijar uma professora pode dar deteno e fazer voc perder uns 500 pontos de
uma nica vez.
Os dois caram na risada. Draco ficou vermelho de vergonha e no conseguiu se explicar.
- O que aconteceu - explicou os gmeos Weasley -  que ns vimos o Draco aqui aos beijos com a aquela professora
nova.
- Ada? Voc beijou Ada? No acredito que voc beijou a minha prima? - falou Harry fingindo estar escandalizado.
Draco no sabia o que dizer. Estava sem graa, assustado. Olhava para todos os lados procurando uma sada.
- Olha aqui, Malfoy - disse Harry ainda fingindo uma raiva que no sentia - se voc fizer qualquer coisa de ruim para a
minha prima, eu mando a Luna transfigurar voc.
Todos desataram a rir e at Draco se divertiu com a brincadeira.
Para alegria deles, a escola foi reaberta e eles voltaram para terminar os estudos. Gina e Luna ainda ficariam um ano a
mais na escola.
A maioria das famlias mandou seus filhos de volta a Hogwarts. Assim o Campeonato das Casas aconteceu como
sempre, mas tanto Harry quanto Draco tiveram que engolir a vitria da Corvinal. No quadribol, nenhuma grande
surpresa. A vitria da Grifinria foi apertada. Uma diferena minscula de apenas 20 pontos contra Sonserina.
O maior problema aconteceu quando a famlia de Gina descobriu o que ela tinha feito. Assim que o Ministrio da Magia
voltou a funcionar, tendo a frente o comando de Arthur Weasley, assessorado diretamente por seu filho Percy, o
casamento escondido da nica menina da famlia com Harry Potter foi logo noticiado.
- Vocs so loucos? Como puderam fazer uma coisa dessas? Gina, logo voc, to ajuizada. E voc, rapaz, no podia ter
vindo aqui e falado conosco? - berrava a Sr Weasley o mais alto que podia enquanto apontava o cabo de uma colher de
pau para os dois.
Demorou muito at que eles se acalmassem e achassem que a notcia era algo para se comemorar.
Harry descobriu que mesmo escondido, os casamentos entre bruxos so reportados ao Ministrio imediatamente. Foi
uma deciso tomada h 20 anos, para diminuir os custos e as filas que se formavam em frente ao Departamento de Unio
Familiar Mgica, um dos setores mais caros e bagunados que existia no Ministrio.
Assim que saram de Hogwarts as vidas de cada um tomaram rumos diferentes do que eles imaginavam.
Mione entrou para o Departamento de Aurores. Graas a suas habilidades no NIEM, que foram avaliadas em mais de
500%, ela pode ingressar sem fazer o curso especfico. Apenas fez algumas adaptaes, e logo ocupava o cargo de
instrutora de novos aurores.
Rony recebeu um convite irrecusvel. Ele passou dois anos morando com os centauros e estudando tudo sobre
astrologia e sobre profecias estelares com eles. Quando saiu de l foi indicado por Firenze para ocupar o cargo de
professor de Adivinhao, j que o centauro havia sido perdoado por seus companheiros.
Os dois amigos continuaram juntos. Eram um casal incrvel, e que Mione ficava muito orgulhosa de dizer que namorava
um "professor". Com certeza eles se casaram alguns anos depois  bem provvel que tenham tido filhos ruivos como
todos os Weasley.
Por falar em filhos, Gui e Fleur tiveram duas meninas. Eram lindas como Fleur, mas tinham os cabelos vermelhos
caractersticos.
- Essa cor de cabelo  contagiosa, querida! - falou a Sr Weasley quando as meninas nasceram.
Como costume do mundo bruxo, meninas tinham apenas madrinhas, enquanto os meninos tinham apenas padrinhos.
Gui chamou Gina para madrinha da pequena Adrissa, enquanto Fleur chamou sua irm para ser madrinha de Claire.
As duas cresceram cercadas de muito carinho e para toda a famlia eram como anjos que chegaram para anunciar
tempos de paz.
Foi s quando elas atingiram a idade de cinco anos que Fred e George notaram o talento para pregar peas que as duas
tinham. E trataram de passar todo o conhecimento que possuam para as duas.
Neville no se tornou professor de Herbologia como todos, inclusive sua av, imaginaram. Ele conseguiu um resultado
surpreendente do NIEM e como conseqncia teve garantido o ingresso numa escola superior. Em breve ele seria
conhecido como o medibruxo mais brilhante do Hospital St. Mungus para Doenas e Acidentes Mgicos.
Seu namoro com Luna no durou muito. Ele trabalhava demais e no conseguia acompanhar Luna em suas viagens. Ela
cuidava agora da revista do pai e, nas horas vagas, escrevia histrias sobre animais que s ela conhecia.
Seguindo sugesto de Mione, ela reuniu todas as histrias e lanou um livro. Logo era um dos mais vendidos e ela era
sempre convidada para palestras, noites de autgrafos e feiras de livros.
Luna e Neville ainda continuaram amigos e sempre se correspondiam.
Lucius Malfoy voltou a trabalhar no Ministrio da Magia, atendendo a um pedido de Arthur Weasley, que precisava de
algum com conhecimento para administrar o Departamento de Busca e Apreenso a Artefatos de Magia Negra.
Draco foi trabalhar com o pai, mas no gostou muito da vida dentro do Ministrio. Sentia falta de Hogwarts. Assim
como Harry, era l que ele se sentia em casa. Depois de alguns testes, ele assumiu o lugar de Madame Hooch quando ela
se aposentou.
Alm disso, tinha outro motivo para gostar de Hogwarts. Ada ainda ensinava Histria da Magia Avanada.
Os dois estavam muito bem, apesar do escndalo que foi quando decidiram se casar. No era comum que um ex-aluno
se casasse com uma professora, ainda mais tendo uma diferena de idade como a deles. Ada era quase oito anos mais
velha que o rapaz.
Eles no se importaram muito com a falao e logo todos esqueceram. Menos o Profeta Dirio, que depois de ser
comprado por Rita Skeeter, foi aos poucos perdendo o prestgio, at se transformar numa mera revistinha de fofocas.
Draco ganhou do pai uma casa em Hogsmeade, para poder viver com a esposa. Era muito pequena se comparada a sua
antiga casa, mas ele estava feliz ali. E agradecia todo dia por ter mudado de lado a tempo.
Hagrid abandonou Hogwarts pouco depois. Ele foi ajudar Madame Mxime a cuidar de Beauxbatons. Os dois
formavam, literalmente, um grande casal.
Minerva McGonagal dirigiu Hogwarts muito bem, at seu ltimo dia de vida. Quando os filhos de Harry e Gina e de
Mione e Rony j estavam l pelo 5 ou 6 ano.
Severo Snape desapareceu. Ningum teve notcias dele. H quem diga que ele enlouqueceu depois que Voldemort foi
destrudo. Mas nem Harry ou qualquer um de seus amigos acreditava nessa histria. Certa vez, algum disse que o
avistou prximo a Hogsmeade, perto do Cabea de Javali. Talvez tenha ido se certificar que o irmo de Dumbledore
estava bem.
Assim que saiu de Hogwarts, Harry procurou os advobruxos que cuidaram da herana de seus pais. Passou uma tarde
inteira conversando com eles. Quando voltou para A Toca, chamou a Sr Weasley e falou:
- Tenho uma proposta para a senhora.
Os dois conversaram durante muito tempo. Quando resolveram tudo, voltaram para a cozinha e na hora do jantar, Molly
weasley exibia um impecvel vestido social, os cabelos arrumados e estava maquiada.
- Para que toda essa produo, me? - perguntou Rony.
- Porque de agora em diante eu sou a diretora do Instituto Alvo Dumbledore para Bruxos Menores. - respondeu a
mulher cheia de orgulho.
Ela e Harry explicaram o que havia acontecido. O rapaz transformou a casa no Largo Grimmauld em uma espcie de
orfanato para crianas bruxas. E convidou a pessoa que ele achava entender melhor de crianas em todo mundo, para
cuidar de tudo.
O Instituto Alvo Dumbledore era mantido com os juros das contas de Harry no Gringotes, mas logo chamou ateno de
outros bruxos famosos, donos de grandes lojas e empresas.
Entre eles, Vitor Krum, que havia abandonado o disfarce de falso comensal e se refugiara em uma montanha no norte
da Rssia. Agora, ele voltara a ser o apanhador oficial do time da Bulgria e todo ms, parte de seu salrio, era
depositado na conta do instituto.
Depois disso tudo arranjado, Harry fez o que todos imaginavam que ele iria fazer. Usou as boas notas do NIEM e
entrou, junto com Mione, para o Departamento de Auror. Mas ao contrrio da amiga, ele teve que fazer o curso inteiro e
quando saiu, descobriu que a amiga seria sua chefe.
Ele achava graa nisso tudo, porque Mione sempre tinha um jeito especial de mandar nele.
- J disse que no precisa me tratar diferente - resmungava ele.
- Mas voc derrotou ele no  mesmo?  voc quem deveria ser chefe aqui - retrucava ela.
- Mione, cala a boca e seja chefe de uma vez. Voc sabe que  a bruxa mais brilhante de todo o mundo mgico. Ento
aproveita, ta?
Harry e Gina compraram uma casa perto da de Gui e Fleur. E sempre que podiam iam almoar com os pais da garota.
O famoso "garoto que sobreviveu" agora era um bruxo de respeito. No dia de sua formatura no curso de auror, ele
mandou um convite para sua Tia Petnia. Com ele imaginara ela no pode ir, mas mandou-lhe um carto, desejando
sorte.
A vida seguia tranqila. Nada de felicidade eterna, porque isso no existe nem para os trouxas nem para os bruxos.
Algum tempo depois, Harry acordou assustado. Olhava para os lados. Gina, ao seu lado tambm acordou.
- O que foi? - perguntou preocupada, afinal os pesadelos de Harry sempre eram mau sinal.
- Um sonho esquisito. Lembrei de uma coisa que jurei fazer e no fiz. E acho que agora  um bom momento.
Sem dar nenhuma explicao, Harry levantou e foi at a janela.
- timo, j est amanhecendo! Levanta, Giny. Quero que voc venha comigo.
Ele trocou de roupa e enquanto ela se vestia, ele foi at o quarto ao lado. Era um quarto de crianas. Com cuidado para
no acordar o beb, que tinha cabelos bem pretos e desgrenhados como o dele, tirou-o do bero, enrolou-o numa coberta
de l, tricotada pela Sr Weasley e foi para a cozinha esperar Gina.
- Harry, onde vamos? - perguntou Gina.
- Para Godric's Hollow.
Eles aparataram na cidade que os pais de Harry viveram. Ele fez algumas perguntas aos moradores e logo descobriu o
que queria.
Quando chegaram em frente a um grande porto de ferro  que Gina entendeu que eles estavam indo ao cemitrio,
visitar o tmulo dos pais de Harry.
O cemitrio era bem diferente do que Harry conhecera no mundo dos trouxas. No era triste, escuro e nem exibia
horrendas figuras de caveiras ou anjos do apocalipse. Os tmulos eram coloridos e exibiam figuras que lembravam a
vida de cada bruxo.
Harry perguntou ao zelador onde estavam enterrados Llian e Tiago Potter. Ele indicou o lugar e eles foram at l.
Um tmulo simples, sem muitos adornos. Harry sorriu quando identificou o desenho em alto-relevo feito no mrmore
branco: um cervo. Aquilo servia tanto para sua me, devido ao seu braso, quando ao seu pai, um animago ilegal.
Embaixo do cervo os dizeres: Llian e Tiago - existem coisas que so para sempre!
- Desculpem a demora - disse Harry emocionado. - Eu sei que devia ter vindo antes. Mas sei que vocs entendem.
Gina olhava a cena quieta, segurando a criana que brincava com uma mecha dos cabelos ruivos dela.
Ele ficou ali ainda um bom tempo, conversando. Depois virou-se para a Gina e pediu que ela se aproximasse.
- Pai, me - falou ele - essa  a Giny. E esse aqui  o pequeno Tiago. Agora eu tenho uma famlia de novo.
De todos os destinos, o que teve maiores mudanas foi o da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Depois que Harry reconquistou a magia que estava presa do Portal do Vu, nenhum bruxo precisava mais de varinha. A
magia voltou a ser natural e muitos trouxas descobriram, depois de adultos at, que tinham habilidades mgicas.
Hogwarts precisou de uma grande reforma para acolher o nmero de alunos que dobrou depois das mudanas. O castelo
ganhou novas salas e os dormitrios foram ampliados. Do lado de fora nenhuma mudana aparente.
Grope assumiu a funo de guarda-caa e protetor do castelo.
Mas a novidade maior e mais excitante de todas estava reservada para os alunos a partir do sexto ano. Alm dos fins de
semana em Hogsmeade, eles recebiam uma nova autorizao a ser devidamente assinada pelo pai ou guardio, para
poder visitar, acompanhado da professora de Histria da Magia Avanada, o vilarejo de Aurillan.
Foram bons tempos de paz aqueles, mas toda noite Harry se deitava tenso. Sentia que no estava em segurana. Talvez
porque muitos seguidores de Voldemort no acreditassem em sua destruio e insistissem em atacar trouxas, mestios
ou criar confuses em vrios lugares.
Como ele j tinha lido no livro de sua famlia, a semente do mau fora lanada h muito tempo. E ainda ia dar muitos
frutos.
Todas as noites, depois de colocar o pequeno Tiago na cama e dar um beijo em Giny, Harry respirava aliviado por no
ter voltado a sentir aquela costumeira e signficiativa dor na cicatriz.
- 100 -
Bibliografia
Muita gente me escreveu perguntando de onde eu tiro tanta idia e como a fic surgiu. Por isso resolvi postar aqui esse
captulo, com uma espcie de "bibliografia" para quem se interessar em ler, ou quiser buscar idias para complementar
as fics que esto escrevendo.
 como uma ex-professora minha sempre dizia:
"S escreve bem quem l muito e entende o que l"
=> Livros:
As Brumas de Avalon (volumes de I a IV) - Marion Zimmer Bradley
Senhora de Avalon - Marion Zimmer Bradley
Sacerdotisa de Avalon - Marion Zimmer Bradley
Senhor dos Anis (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei) - J.R.R. Tolkien
Dungeons & Dragons (Livro do Mestre, do Jogador e dos Monstros) *inadequado para menores de 14 anos
Forgotten Realms *inadequado para menores de 18 anos
Manual dos Planos *inadequado para menores de 14 anos
Vampiro - Dark Ages (este eu usei para pegar algumas definies sobre espcies de fadas) *inadequado para menores
de 18 anos
=> E  bvio que no poderia deixar de citar:
Harry Potter (volumes de I a VI) - J.K. Rowling
Animais Fantsticos e Onde Habitam - J.K. Rowling
=> Tambm usei algumas informaes de sites:
Bom,  isso a!
Se algum quiser entrar em contato comigo, meu e-mail  cla-da-noite@hotmail.com
Ou ento, d uma passada na minha comunidade:
Mais uma vez, agradeo o apoio de todos os que me incentivaram a escrever essa fic, em especial ao Iury (que foi quem
primeiro falou que minhas idias poderiam virar uma fic e fez toda a reviso dos captulos para mim), ao Lucas Ortega
(que foi um dos primeiros a ler a fic aqui na Floreios e que se tornou um grande amigo) e ao Lucio (que tambm se
tornou um amigo muito especial e at criou uma comunidade para mim \o/).
